A Wallpaper e Portugal

Foi a capa que me chamou a atenção. No meio das manchetes catastrofistas dos jornais portugueses, o título da revista Wallpaper parecia vindo de outro planeta: Top 20 reasons to be in…Portugal. Comprei para conhecer as 20 razões. É verdade que na capa apareciam outros países – França, Argentina, Canadá, Holanda, Emirados Árabes Unidos, China, África do Sul, EUA, Suécia – mas com menos destaque. Teria a Wallpaper realmente escolhido Portugal?

Bom, não é exactamente assim. O que se passa – e isso já é bom – é que a revista escolheu de facto estes dez países, mas em cada um fez uma capa destacando… o próprio país. Aqui é Portugal, mas nos outros Portugal aparece em segundo, terceiro, quarto ou último lugar. E que 20 razões escolheu a Wallpaper (e os redactores Vera Abecassis, Manuel Arnaut, Rupert Eden, Carlos Guimarães e Ellie Stathaki) para destacar Portugal?

Em primeiro lugar, as vinhas e o Douro, em particular a Quinta do Vallado. Em segundo a Chocolateria Equador, no Porto. Depois, os móveis feitos por João Bruno Videira, a cidade de Guimarães (Capital Europeia da Cultura 2012), o hotel Casa do Conto, também no Porto, e o design feito com cortiça. Mas, para não estar a enumerar as 20 coisas, e para nos concentrarmos só nas que estão ligadas à gastronomia: encontramos em 10º lugar o Café Vitória (Porto, mais uma vez), em 12º a groselha e o capilé lançados pela marca Refresco de Quiosque de Catarina Portas, em 15º José Avillez (com uma referência ao novo restaurante Belcanto), em 17º outro restaurante, desta vez Pedro e o Lobo, de Diogo Noronha e Nuno Bergonse, em 18º Quinoa, a padaria da Rua do Alecrim, em Lisboa, e por fim, em 20º, as embalagens de conservas com grafismo de José Gourmet. Nada mal para um país em crise.

3 comentários a A Wallpaper e Portugal

  1. Seria natural que outras cinco pessoas tivessem escolhido outras 20 coisas diferentes diferente – o que revelaria uma diversificação que de facto há por cá. Concordo com as escolhas sobretudo se tivermos em conta o perfil da revista e o público a quem se dirige.

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  2. Sendo os redactores maioritariamente portugueses (se forem brasileiros, enganei-me) as escolhas não serão tão indicativas do que, nosso, encanta o outro, antes o que está na moda ou o que na nossa dimensão, parece bem. Gostaria muito de conhecer o que a um grupo de estrangeiros, de diversas proveniências e sem ideias pré-feitas (por difícil que isso possa ser… enfim sem grandes contactos e visitas ao país), atrairia para daí começar a perceber a diferença entre o que achamos português e o que é verdadeiramente original.

    Da lista – e remetendo-me a Lisboa… – as bebidas da Catarina são remakes – e são bem vindos! -, os cozinheiros, por melhor que sejam (e são-no) beberam muita da sua inspiração lá fora, a Quinoa deixa-me sempre de água na boca (ainda que me pergunte se é motivo para um desvio – será?) e, sim, as embalagens de conservas são uma trip.

    Contas feitas, a amigos recomendaria um capilé no Chiado e uma colecção de latas para levar. Mas também uns jaquinzinhos bem fritos num tascorante bem escolhido ou o por-do-sol na outra margem, à beira rio, por exemplo no Ponto Final.Digo eu.

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