Alguém falou em tempestade?

praia Kiew Na Nok

Acordamos às 4h50 com um dilúvio. E, pouco depois, os trovões começam a estourar sem dó nem piedade. Debaixo da rede mosquiteira que protege a nossa cama, ainda resistimos alguns minutos a ir ver o espectáculo, mas o som acaba por tornar-se magnético. Corremos as cortinas e pensamos que toda a água do mundo deve estar a cair aqui. No céu riscam-se relâmpagos atrás de relâmpagos. E sempre aquele “cabruuuum” que até faz estremecer a nossa villa. Não é medo, é respeito, voltamos para os lençóis mas damos voltas e voltas até pegarmos no sono de novo. “Cabruuuuum”.  

Foram duas horas de pestana aberta, a cruzar os dedos para que a tempestade não nos estrague a festa. Temos só este dia para aproveitar Koh Samed e se a chuva se mantém vai tudo literalmente por água abaixo. Sentimos que acabámos de adormecer quando o despertador toca, às 8h15. Continua a chover, mas muito menos. 

Estamos no Paradee Resort, na ponta sul de Koh Samed. Pela sua proximidade com Banguecoque – umas duas horas e meia por estrada até  Rayong, mais uma travessia marítima que dura entre 20 a 30 minutos, consoante o barco que se apanhe no cais de Ban Phe -, esta ilha é muito popular como destino de fim-de-semana para quem vive na capital tailandesa e arredores. É também muito procurada por mochileiros, que alugam os bungalows com vista para o mar ou camuflados na floresta, que aqui é densa e protegida – Samed está inserida numa reserva nacional.  

praia Kiew Na Nok

A ilha é um protótipo das ilhas tailandesas: um mar quente e parado (esta costa encontra-se no golfo da Tailândia), praias de areia branca, coqueiros e palmeiras e pouco mais. Apesar de ser um destino importante para os jovens de Banguecoque, que muitas vezes a escolhem como viagem iniciática logo depois de terminarem os estudos, Samed parece ainda não ter sido grandemente descoberta pelo turismo de massas internacional. Está a léguas das hordas de turistas de Koh Samui, também no golfo, ou de Phuket, no mar de Andaman. Até porque, apesar de reunir todos os clichés de postal ilustrado, sai ainda mais ou menos ilesa da indústria turística. Há muitos hotéis – só o grupo Samed Resorts, que detém o Paradee, tem mais seis – restaurantes e bares, mas a uma escala relativamente comedida. Comprar souvenirs, por exemplo, não é nada fácil, a não ser que se queira optar por vestidos de praia ou chinelas que tanto podiam ser compradas aqui, na China ou em Portugal. 

praia Kiew Na NokÉ certo que estamos na época baixa, e alojados num dos mais exclusivos resorts da ilha, mas, pelo que vimos, Samed pode muito bem ser um reduto de tranquilidade. Comprovámo-lo nesta manhã que se foi limpando das marcas da tempestade. Pelas 10h, quando andávamos a conhecer os cantos à casa, alguns empregados varriam a praia Kiew Na Nok, como que a pôr no sítio certo cada grão desta areia que é mais fina que farinha. De resto, mais ninguém. Ao mar ainda lhe faltava, diriam alguns, aquele tom Photoshop, mas mais pelo meio-dia é vê-lo em todo o seu esplendor azul, uma única ondinha a rebentar na praia. Olhamos em volta e contamos: para além de nós, estão cá mais sete pessoas, de molho na água ou a procurar refúgio do sol que queima debaixo das árvores.  

Alguém falou em tempestade épica esta noite? Foi um sonho, de certeza.

Kiew Na Nok

A Fugas viaja a convite da Autoridade de Turismo da Tailândia e da Destination Asia

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