“You made my day”, Koming

Chatuchak

É verdade que nos ensinam na faculdade que o jornalista não deve nunca ser a notícia, mas abrimos uma excepção porque a causa é boa e no fundo isto não é uma notícia. Andávamos nós a destilar suor por todos os poros, depois de duas horas e meia a palmilhar a loucura que é  Chatuchak, quando procurámos descanso para as pernas e sombra para o corpo num banco à entrada daquele que é um dos maiores mercados de rua do mundo. Elas aproximaram-se em pezinhos de lã e, educadamente e em voz muito baixa, explicaram que estavam a fazer um trabalho para a escola e precisavam de entrevistar “estrangeiros”. Quando dissemos que sim, desfizeram-se em sorrisos e agradecimentos, notando que estavam quase a desistir, pois já tinham abordado “vários grupos” e levado várias negas. Vamos a isso, meninas.

Foram perguntas muito básicas, preparadas de antemão e escritas num caderno. Uma fazia as perguntas, outra filmava com o telemóvel e uma terceira acertava o som num pequeno microfone. Enquanto durava a entrevista – “É a primeira vez que vem à Tailândia? Gosta da comida tailandesa? O que é que mais gosta na gastronomia do nosso país?” – ainda apareceu um rapaz,  mas não chegámos a perceber a função que lhe tinha sido atribuída no âmbito deste trabalho de grupo.

Foram poucos minutos, dois ou três,  mas percebi claramente que salvei o dia a Koming, 16 anos, e ao restante grupo de alunos da The Demonstration School of Ramkhamhaeng University. Nem de propósito, são estudantes de Turismo. Não souberam por mim, porque não perguntaram, qual é a minha profissão, mas quando “a nossa amiga Olga”, a guia que por acaso se chama Tupsida e porque fala português nos acompanha nesta viagem pela Tailândia, lhes disse que sou jornalista abriram ainda mais os sorrisos e pediram para tirarmos fotos. E quando eu pedi o mesmo sorriram mais e mais. No fim, tive direito a uma prenda: é um pequeno saco de tecido azul.

Despediram-se de mim com vários kop khun ka, que é como quem diz, obrigada. O rapaz, claro, disse kop khun krub. Eu, que a esta altura ainda não sabia agradecer, usei o sa waddee ka, que é o cumprimento mais usado na Tailândia. Foi mal aplicado, naturalmente, mas serviu bem o propósito. Koming ainda voltou atrás e segredou-me : “You made my day, thank you,  madam.” Só não gostei do “madam”.

Chatuchak

E Chatuchak?  Chatuchak é mais ou menos isto: 14 hectares de tendas e lojas, perto de 10 mil, onde se vende tudo. Pense, por exemplo, em cães, gatos, peixes e tartarugas: estão lá; em sabonetes artesanais, também; em antiguidades,  idem; em roupa, livros, calçado; em ananases bem pequeninos vendidos em sacos de plástico; em flores e plantas; em inaladores de ervas para as vias respiratórias; em música; em bijuteria; em imitações de marcas finas mais ou menos perfeitas. Chatuchak, o mercado que há 66 anos funciona aos sábados e domingos das 9h às 18h, tem tudo e um par de botas. E se estas por acaso estiverem a magoar os calos, também tem massagens aos pés,  30 minutos por 150 bahts, não chega a quatro euros, numa tenda climatizada e com Wifi.

Portanto, só tem mesmo de se fazer à estrada e seja o que os deuses quiserem. Todos os guias dizem que é bom chegar cedo, que Chatuchak pode ser um inferno (há dias em que passam por aqui 200 mil pessoas), mas a nossa experiência foi bem mais tranquila. Chegámos pelas 10h, mais coisa menos coisa, e o calor era o que mais oprimia. O mercado está dividido por secções, para tornar mais fácil a orientação de quem vai às compras com objectivos específicos,  mas tem mais graça deambular pelas ruelas a deitar o olho às bancas. Regatear é obrigatório, mas também é uma arte. E se porventura comprar mais do que devia e se acabarem os bahts, os vendedores,  mesmo que não tenham um terminal,  arranjam uma maneira (segura)  de pagar com cartão.

Também há comida em Chatuchak, mas neste particular tem muito mais interesse o vizinho mercado de Or Tor Kor, que é um regalo para os olhos. As frutas compõem uma paleta bem colorida, e entre elas contam-se cocos, mangostões, melancias e durian, uma espécie de fruta nacional da Tailândia. Olga comenta que hoje está muito caro, o durian.  “Cento e oitenta bahts por 100 gramas”, 4,70 euros. Também há arroz, todo um sortido de especiarias, uma miríade de frutos secos, fios de ovos, herança da presença portuguesa na Tailândia no século XVI, carne grelhada, peixe frito.
Já se comia qualquer coisa, não?

Ortor kor

A Fugas viaja a convite da Autoridade de Turismo da Tailândia e da Destination Asia

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