Nos engenhos onde se produz o rum da Madeira

Engenhos - Madeira - Foto de Daniel RochaNo meses de Abril e Maio, em certos locais da Madeira, poderíamos pensar que estávamos nas Caraíbas. Provavelmente muita gente desconhece que a Madeira é uma das poucas zonas na Europa onde se produz rum agrícola – feito a partir da cana-de-açúcar – e que há ainda quatro engenhos grandes em funcionamento (na época áurea da produção de açúcar eram muitas dezenas por toda a ilha). Por estes meses, estão a laborar 24 horas por dia e, embora alguns estejam mais preparados para o turismo que outros, todos eles podem ser visitados.

Engenhos - Madeira - Foto de Daniel RochaEngenhos - Madeira - Foto de Daniel RochaEngenhos - Madeira - Foto de Daniel Rocha Engenhos - Madeira - Foto de Daniel Rocha Engenhos - Madeira - Foto de Daniel RochaÉ fácil perceber que nos estamos a aproximar de um engenho. À porta vêem-se vários camiões de caixa aberta completamente cheios de cana-de-açúcar, que é descarregada por vários homens para ser pesada e testada – o preço é estabelecido conforme o nível de açúcar da cana. E depois há o som, um barulho intenso e constante, dia e noite, que confirma que o engenho está em laboração permanente.

Sempre com a ajuda do trabalho dos homens, que a vão cortando e direccionando, a cana entra no engenho para ser triturada. Nesta primeira fase é extraído parte do sumo, mas há uma segunda passagem, para extrair o que falta. Se tiverem oportunidade, peçam para experimentar este sumo doce, saído directamente da cana, antes mesmo de ser filtrado.

Depois há a filtragem e o produto obtido pode ser usado para fazer aguardante de cana – mais conhecida internacionalmente como rum, ou, na sua versão brasileira, cachaça –, sendo para isso fermentado e destilado em alambiques de cobre; ou para o mel de cana (um dos engenhos, o de Ribeiro Sêco, localizado no Funchal, produz exclusivamente este mel).

Se é verdade que os madeirenses sempre chamaram aguardente ao resultado da fermentação e destilação do sumo da cana, a realidade é que para colocar o produto noutros mercados, a palavra rum é quase obrigatória. Mas, para que não haja confusões, estamos a falar exactamente da mesma coisa. Assim, no final da visita aos engenhos, pode-se comprar o rum puro ou envelhecido (e atenção, que aqui as coisas começam mesmo a ficar sérias, porque os produtores apostam cada vez mais na sofisticação deste rum envelhecido).

Cada engenho tem a sua especialidade: no da Sociedade de Engenhos da Calheta não deixem de comprar o tradicional bolo de mel da Madeira e as broas de mel, no Engenho Novo há uma enorme variedade de produtos que têm como base o rum (e alguns deles premiados), o Engenho do Norte é o único que mantém em funcionamento a velha máquina a vapor, e o Ribeiro Sêco tem o excelente mel de cana. E, claro, no meio de tudo isto, há a cada vez mais popular poncha. Mas essa merece texto à parte, pelo que, se não se importarem, fica para a próxima história.#dro engenhos 12

 

Alexandra Prado Coelho (texto) e Daniel Rocha (fotos) viajam com o apoio da Associação de Promoção da Madeira 

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2 comentários a Nos engenhos onde se produz o rum da Madeira

  1. Tudo correcto excepto ser a única região da Europa a produzir rum ou aguardente de cana de açúcar! As Canárias, tão europeias quanto a Madeira, também produzem!

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