É um elevador para o paraíso, por favor

Fajã dos Padres - Foto de Daniel Rocha
Foto de Daniel RochaDescer pelo elevador que nos leva até à Fajã dos Padres é quase uma experiência religiosa. Visto cá de baixo, o elevador é uma linha clara que sobe a direito pela escarpa acima. São 250 metros a pique, encostados à impressionante parede de rocha.

Não existe alternativa – ou melhor, existe quando o mar está calmo. Mas hoje nenhum barco se atreve a navegar até aqui. As ondas batem contra as pedras negras da praia e cobrem o pequeno cais de espuma branca.

Será o elevador, portanto. Até porque o moderno teleférico, a brilhar de novo e de aspecto convidativo, ainda está em fase de testes e com o vento que sopra não é aconselhável usá-lo. Entramos por isso na caixa metálica com uma parede de vidro para o mundo e arrancamos com um pequeno solavanco. Lá em baixo vêem-se as casinhas da Fajã (incluindo a Casa do Marinheiro, onde iremos dormir) rodeadas pelo verde das bananeiras, das mangueiras, da vinha de Malvasia, dos abacateiros, das pitangueiras.

#dro faja padres 180416 05Junto às pedras negras frente ao mar, duas palmeiras altivas desafiam o vento. A espuma das ondas desenha incertos contornos brancos na orla da praia. Todo este cenário, de início liliputiano, começa a aproximar-se, gradualmente, dos nossos olhos, ganhando cada vez mais formas, detalhes, vida. Lá em baixo há pessoas e vivem, saberemos depois, pelo menos um gato, dois porcos e algumas cabras, e há abelhas pousadas nos maçarocos de um esplêndido azul arroxeado. Ao nosso lado a rocha mantém-se implacavelmente direita, agora recortada contra o céu.

#dro faja padres 180416 08Muitos comparam a Fajã dos Padres – onde para além das casas para alugar existe um restaurante – ao paraíso. Mas para chegar ao paraíso é preciso ter fé. E é impossível não pensar nos padres jesuítas que aqui viveram no passado, cuidando da vinha e desta terra fértil. Como seria descer até lá ao fundo quando não havia teleférico, nem sequer elevador?

Há plantas que crescem agarradas às paredes de rocha e parecem saudar-nos quando passamos por elas. E nós, pequeníssimos na nossa caixa de metal, pensamos em como tudo o que nos rodeia pode muito mais do que nós – a rocha, as árvores, o céu, as nuvens, a lua, o mar.

É preciso merecer o paraíso. Tocamos finalmente no chão.

Fajã dos Padres - Foto de Daniel Rocha

 

Alexandra Prado Coelho (texto) e Daniel Rocha (fotos) viajam com o apoio da Associação de Promoção da Madeira 

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