Ontem, em Udaipur, entrei numa loja para comprar postais pintados à mão

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Quando a minha tia-avó morreu, o meu pai deu-me os postais e os bilhetinhos dela. Não as cartas em envelope, essas continuam como estavam, ninguém as leu. Mas os postais e os bilhetes ficaram comigo. Volta e meia, vou ver o postal que o meu tio lhe enviou, por exemplo, da Suíça, a dizer que está cheio de frio e de saudades dela. Ou o bilhetinho a perguntar se quer ir jantar com ele à Baixa. Fico a ler aquilo, escrito à mão, e não sei explicar bem por que gosto tanto. Ontem, em Udaipur, entrei numa loja para comprar postais pintados à mão. Aqui há uma escola de artes, é uma cidade famosa pelas pinturas. Mas, quando comecei a escolher, percebi que Shyamkumar não vendia só postais pintados à mão. Ele explicou-me o negócio: há quem ande pelas casas a comprar postais antigos, que já estão escritos, para vender aos artistas de Udaipur que depois os pintam por cima. Comprei três e ele ainda me fez um desenho: For Maria. Claro que a maioria, ou muitos, são falsificados. Os meus, muito provavelmente, também são. Mas isso é problema de quem os falsifica. Para quem os lê, o encanto mantém-se, não são falsos.

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