no sun no time

mj3Tenho um amigo que, volta e meia, gosta de inventar que acredito em signos.
– Vá lá, admite.
Já lhe expliquei que acredito em tudo o que é mentira. Hoje lembrei-me dele. Foi no Jantar Mantar de Jaipur, um observatório do século XVIII cheio de construções de pedra, algumas das quais medem o tempo a partir da posição do sol. É lá que está o maior relógio de sol do mundo. Uma das construções também determina a posição do sol no zodíaco que, elucidou-nos o guia, está em sagitário. Às tantas já só o ouvi perguntar se alguém era sagitário ali. Eu, que faço anos daqui a meia-dúzia de dias.
You are independent. You can get very angry but after 10 or 15 minutes you are very happy again.
Apesar do bom resumo, a única frase que anotei foi a que ele usou, a brincar, para explicar o funcionamento daqueles instrumentos:
No sun, no time.
Foi só nesse pequeno jogo de palavras que comecei a pensar: sem sol, não há tempo. Pára. Em dias de chuva, os minutos não avançam. No Verão, é uma correria.
Se não me concentro rapidamente nas explicações do guia, posso levar o absurdo do tempo, do sol e da chuva até ao limite das hipérboles, o que não existe.
E, se esse meu amigo cá estivesse, havia de arreliá-lo toda a noite.
– Vá lá, admite. Aquela descrição que ele fez de mim é precisa como um relógio de sol.

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