Em Trat buscamos rubis e vamos ao spa

fotografia 3Do outro lado das montanhas, aqui tão perto, está o Cambodja, e no próximo ano a fronteira passará a ser uma linha divisória simbólica, uma vez que o Sudeste Asiático vai abolir fronteiras no âmbito da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Estamos nas traseiras do Museu das Pedras Preciosas em Ba Roi – na verdade, apenas uma pedra preciosa, o rubi – olhando a maquinaria rudimentar que servia para fazer a separação do cascalho enferrujada pelo abandono e o lago que nasceu no local onde antes se extraíam os rubis. Há dez anos que não há prospecção aqui. E passado o boom (e a posterior depressão) espera-se que a preservação da memória traga mais turistas a este canto do sudeste tailandês, na Península de Trat (a 40 minutos de avião de Banguecoque, quatro de carro, o que a torna um destino de fim-de-semana comum entre os habitantes da capital), especialmente do país vizinho.

O museu abriu há dois anos e teve 10 mil visitantes – mil estrangeiros. “Mesmo na Tailândia há muita gente que nunca ouviu falar dos rubis de Bo Rai”, explica B, que sempre viveu aqui e sabe distinguir os rubis das outras pedras. Já encontrou algum? “Tenho uma pedra em casa” – faz o gesto de quem a tem escondida e esboça um sorriso. Foi entre 1990 e 2000 que os rubis fizeram a fortuna da região. Muitas gente enriqueceu: uns mantêm-se abastados, outros já perderam tudo, alguns têm cargos públicos. Todos estão imortalizados no edifício cor-de-rosa de estilo ocidental indefinido, como tantos na Tailândia, em figuras que de tão reais nos sobressaltam a cada nova sala. Todos os rostos são dos verdadeiros protagonistas desta febre dos rubis, todos os rostos caminham por estas estradas.

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Não os encontramos no Khlong (canal) Aeng e é Samnao quem nos mostra como se fazia para encontrar rubis “à maneira antiga” – a única que é permitida hoje em dia, depois de o governo ter proibido o uso de máquinas. Estavam a acabar as pedras e a febre passou. Agora só se faz com uma peneira à maneira dos garimpeiros dos westerns americanos.

A corrente hoje está forte e a água lamacenta, resultados das chuvas dos últimos dias, que arrasta detritos montanha abaixo. É também assim que ainda continuam a chegar aqui novas pedras – em Outubro do ano passado encontraram-se as pedras mais recentes, duas, de oito e 12 quilates (cada quilate vale 100 mil bahts, cerca de 2500 euros).

Não encontramos nenhum rubi mas temos direito a um banho de lama e logo voltamos a Changtune, ao eco-museu montado pela comunidade, onde um spa rústico, ao ar livre, nos espera.  Esta comunidade é uma das muitas nesta província da Tailândia que começaram a investir no turismo sustentável e comunitário, fazendo uso dos seus recursos locais e de tradições antigas. Ainda está a dar os primeiros passos e uma sauna muito idiossincrática – invenção local com assinatura de Samnao, partindo de uma terapia ancestral das grávidas da região para recuperarem dos partos – é a principal atracção. “Como tínhamos medo que os turistas não aguentassem fizemos um buraco para a cabeça”, diz Samnao, traduz a guia. O resultado é uma espécie de gaiola gigante, feita de bambu e folhas de palmeira, dentro do qual uma panela de pressão produz o vapor: nós estamos lá dentro, sentados num banco com a cabeça de fora afagada por toalhas. Chamam-lhe “potes de galinha” e a verdade é que nos sentimos a ser cozinhados lentamente lá dentro.

Da sauna passamos para a massagem, a tailandesa, mais dura, a de ervas quentes, mais relaxante. Quando terminamos queremos dormir. Missão cumprida?

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Andreia Mar­ques Pereira viaja a con­vite do Turismo da Tailândia 

 

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