Chapéus há muitos, também no Natal

Der HutmacherDer HutmacherEm Regensburg (Ratisbona, em português) há mais pessoas de chapéu do que é normal. Usam-nos simples, apenas com uma fita, mas também com penas ou outros enfeites. A razão é simples, esta é a terra do “Mestre dos Chapéus”,  “Der Hutmacher”. Lembram-se do chapéu do Chapeleiro Louco/Johnny Depp de Alice no País das Maravilhas, de Tim Burton? Pois é, feito feito por este mestre, Andreas Nuslan.

A família de Andreas fabrica chapéus desde 1875 e vai já na quinta geração de mestres chapeleiros. No Natal, ele instala-se numa das casas de madeira do romântico mercado nos pátios do castelo da família Thurn und Taxis e mostra, a quem quer ver, como se faz um chapéu.

Der HutmacherVasco Santana já dizia “chapéus há muitos, seu palerma” e em Ratisbona há mesmo muitos. Os chapéus de Andreas Nulan estão no mercado de Natal até 23 de Dezembro (pode ler mais sobre este sítio fantástico na Fugas do próximo sábado), mas podem ser encontrados durante todo o ano na loja que fica mesmo junto à imponente catedral da cidade classificada pela Unesco como Património da Humanidade, desde 2006, a Der Hutmacher am Dom. Na loja há mais de 10 mil modelos de chapéus, gorros e bonés, espalhados por dois pisos – homem no primeiro, mulher no segundo. Os preços são altos, mas não parecem afectar a clientela, que não para de entrar. E de comprar.

No mercado, Andreas Nulan conta que para fazer os chapéus são necessários mais de 70 passos e três condições essenciais: água quente, pressão e vapor. Os moldes, em madeira, foram criados entre 1890 e 1910 e ainda são hoje utilizados, depois de terem sobrevivido à II Guerra Mundial. “Felizmente, quase não sofremos bombardeamentos”, diz o mestre chapeleiro, enquanto vai esticando um enorme pedaço de tecido de pelo de coelho (é preciso o pelo de quatro coelhos para fazer um chapéu) sobre um dos moldes que levou para a feira.

Der HutmacherÉ claro que o negócio não foi próspero durante os quase 120 anos da marca, tanto mais que os chapéus nem sempre estiveram na moda. A mudança mais recente para o negócio, aquela cuja lembrança faz Andreas Nulan sorrir de prazer, aconteceu em 1995. Nesse ano, a revista Playboy dedicou algumas páginas ao mestre chapeleiro. Vestido. “De um momento para o outro, toda a gente queria chapéus”, diz ele, a rir-se. O sucesso estava de novo à mão de semear. Abriram-se as portas de Hollywood, da Disney, de famílias nobres por todo o mundo. Playboy e Natal combinam? O mestre chapeleiro de Ratisbona não tem a menor dúvida sobre isso.

Der Hutmacher

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