Em Agadir, à pesca da História

Estamos no alto do Kasbah de Agadir, i.e., as ruínas da fortificação que outrora garantiu ao sucessor de Mohammed Ech-Cheikh, o xerife que conseguiu a retirada portuguesa da região, depois de 36 anos de disputas violentas com as tribos locais, um maior controlo sobre as terras à sua volta e sobre o mar.

Em 1572, a fortificação passa a garantir o sossego da comunidade liderada por Moulay Abdallah el-Ghalib e a localidade é baptizada com a designação de Agadir N’Ighir.

Hoje, restam os turistas que percorrem o caminho empedrado e irregular. Até porque é deste ponto que se consegue a melhor e mais ampla vista sobre a cidade. Já os meus olhos fogem para o horizonte desfocado que me dá a sensação de que depois daquele ponto haverá apenas o precipício.

Enquanto isso, aos nossos pés vive-se um burburinho incessante. O porto de pesca de Agadir é como tantos outros: a azáfama da faina, os molhos e molhos de redes, as caixas a transbordar de peixe – nesta altura, sobretudo de sardinhas e cavalas. E, como em tantos outros portos, há quem venha directamente ao barco para comprar o pescado mais fresco. Enquanto as mulheres de panos multicoloridos fazem as compras, os homens que acabaram de chegar procuram com os pés terra firme.

Ao longo do paredão, multiplicam-se os negócios: há compra e venda de peixe fresco, petiscos aromáticos para saciar a fome a quem passa, guelras aqui e ali que não são deixadas ao abandono pela gataria. E, não podia deixar de ser, assadores que nos fazem lembrar que as festas populares estão à porta, tal o cheiro das sardinhas que parecem prontas a pingar no pão.

 Carla B. Ribeiro (texto) e Miguel Nogueira (fotos) viajam a convite do Turismo de Marrocos

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Um comentário a Em Agadir, à pesca da História

  1. Estive em Agadir há 41 anos. Gostei imenso, era muito diferente do resto de Marrocos. Era uma cidade nova que nos dava a sensação de estarmos em França, com um clima estupendo e uma água amena. Ainda se sentia nas pessoas o medo do terramoto que tinha ocorrido poucos anos antes. Voltei mais 2 vezes a este país mas não fui até Agadir, no entanto recordo perfeitamente tudo o que vi e o que senti. Obrigada por me dar notícias deste belo local.

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