Em Tempelhof, os superdesportivos até voam. Mas “don’t touch!, don’t touch!”

Bugatti-Veyron-2013

Se Albert Speer, arquitecto e ministro durante o III Reich, aterrasse hoje em Tempelhof não acreditaria no que se transformou esta estrutura, importante vértice dos seus planos de reconstruir Berlim na década de 1930.

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Inaugurado como aeroporto em 1923 e reconstruído a partir de 1934 com características que pretendiam afirmar o poderio germânico, já foi chamado de “a mãe de todos os aeroportos” – palavras do arquitecto britânico sir Norman Foster, que tem o seu nome associado ao Aeroporto de Pequim ou à londrina Ponte do Milénio.

Hoje, terminada a sua vida aeroportuária em 2008, renasceu como parque de lazer. Um parque por onde se cruza gente de bicicleta, a correr, a passear os cães… E, por estes dias, também alguns superdesportivos.

Parte do imenso Tempelhof (o edifício do terminal, erigido entre 1936 e 1941, estende-se ao longo de mais de um quilómetro) serve agora para acolher eventos, como aquele que, até dia 21 e patrocinado pela Volkswagen, serve para apresentar ao mundo as apostas da construtora alemã na mobilidade eléctrica. A festa inclui DJ internacionais a debitarem música electrónica e quase faz esquecer a história do aeroporto. Enquanto lá dentro uma massa de gente se movimenta ao som do electro house e da dance-punk dos italianos Bloody Beetroots, na rua vão chegando automóveis de tal forma icónicos que até o nome automóvel lhes assenta mal.

Tiraram-se fotos, mas sempre com um "don't touch" a fazer-se ouvir

É assim com estranheza que, entre recordações de um tempo em que o aeroporto servia as forças do nacional-socialismo de Hitler e aquele em que serviu para que os Aliados alimentassem toda uma cidade subjugada pelo cerco soviético, me cruzo com um Bugatti Veyron no qual não se pode tocar nem com a pontinha do dedo. Prova disso são as palavras estridentes e repetidas (“Don’t touch! Don’t touch”) por uma mulher que tinha sob a sua guarda um veículo avaliado em qualquer coisa como 1,35 milhões de euros (!).

Mas os superdesportivos que aterraram em Tempelhof por estes dias não se ficam por aqui. Entre outros, um brilhante e vistoso Porsche 918 Spyder (pode levar-se para casa por pouco mais de meio milhão de euros) e ainda por um muito audível Lamborghini Huracán (estimado em uns 250 mil euros). Escusado será dizer que servem só para olhar; nada de tocar.

O 918 Spy­der em primeiro plano e ao fundo um amarelo Hura­cán

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A Fugas viajou a convite da Volkswagen portuguesa

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