Salve Cristo Rei da Madeira

Garajau

Sabem aquela do viajante que já visitou capelas e capelinhas no outro lado do mundo mas que nunca entrou na igreja ao lado de casa? Pois. Somos muitos. Pelo meu lado, quase não há dia em que não tenha nos olhos o Cristo Rei que abre os braços a Lisboa (para além do Tejo e tudo e das colinas também, explique-se aqui que a redacção do Público na capital abre-se em janelas ribeirinhas para ponte e Cristo). Porém, nunca o visitei.

Por outro meu lado, em trabalho ou de férias nesta vertiginosa beleza que é a Madeira, já fui três ou quatro vezes ao Cristo Rei que, a uns poucos quilómetros do Funchal, abre os braços ao Atlântico. É um caso muito óbvio, também por questões pessoais, de “location, location, location” (não em vão, por estes dias, é a segunda coisa que vejo quando espio pela janela do quarto de manhã – a primeira é o mar; e à noite lá está a brilhar na escuridão).

À beira da estátua, sinais de devoção: uma pequena estátua da Virgem (que o vento quebrou mas que resiste em pedaços), umas velas (de curta chama, imagino), uma flores (uns frescos jarros, no caso) e, particularmente, a “cabeça” de um menino

Garajau

colada (a ignorância religiosa não me permite identificar a referência mas a ver se descubro). Para lá da estátua, o caminho continua a alongar-se e em degraus até à pontinha, para melhor sentir o mar (e espiar as Desertas ao longe).E este Cristo Rei da Ponta do Garajau – ao contrário de outros pelo mundo, como os nossos mais célebres Cristos alfacinha ou carioca –, tem uma dimensão mais humana (uns 14m) e, desde logo, não se lhe sobe à cabeça. Chega-se-lhe por um belo e modernizado passeio por este promontório mar adentro. Ladeados pelo Atlântico, é olhar para trás e ver as casinhas do Garajau, como é apanágio da ilha, dispostas pela encosta num brinquinho. E é olhar para os outros lados e admirar as vistas oceânicas desta que também é a primeira reserva marinha de Portugal. Lá ao fundo, delineia-se a baía do Funchal. Já ali na encosta, uma piscina pública, que parece abandonada há anos.

Garajau

Mas esta Ponta do Garajau tem mais que se lhe diga e o Cristo Rei não é o único chamariz. Logo ali, mas lá muito, muito abaixo (são uns 200m…), uma praia negra de seixos. Cá de cima, o que se avista logo é o telhado do restaurante-esplanada da pequena praia, onde se lê um singular chamamento em letras garrafais: Welcome / Bem-vindo. Até à praia vê-se a serpentear (mas mesmo a serpentear) a estrada a pique. Mas, para lá chegar, há moderna alternativa aérea: um teleférico verticalíssimo (a viagem custou 2€, i/v). Por aqui também um centro de mergulho apetrechado para partir à descoberta dos fundos marinhos protegidos.

No topo da falésia, mesmo ao lado da base do teleférico, um bar-esplanada que é, digamos, uma espécie de cereja no topo do bolo. É a varanda perfeita para passear os olhos por pores-do-sol de tirar o fôlego ao mais empedernido. E para ver, ao longe, o Funchal a iluminar-se em redor da sua baía.

Garajau

Por coincidências de calendário, quer o destino que estejamos à beira do Cristo Rei do Garajau ao tempo que o Cristiano da Madeira é coroado rei do futebol mundial. Felizmente, neste cenário majestoso, fazem uma vivaça e bem puxada poncha de tangerina, já pronta para o brinde.

Um comentário a Salve Cristo Rei da Madeira

  1. Quando lá estive, em 2006, já essa piscina estava nesse estado… a estrada estava em construção e do teleférico, não havia ainda sinal. Obrigada por nos pores a par da “evolução das obras” :)

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