Quando ontem era o dia

Luxemburgo em Dezembro. As duas palavras associadas resultam em frio e mais frio. Nenhuma novidade até aqui.

Mas, ainda em Lisboa, chega uma mensagem com boas notícias: “Está um sol lindo!”. Consultados os sites das previsões, observa-se que no dia a seguir haveria nuvens. Mas nada nos preparara para a maneira como o pequeno país nos saudaria na primeira manhã após a nossa chegada: com frio, claro (às cinco da tarde: zero graus), e sobretudo com nevoeiro cerrado.

Luxemburgo - Foto de Miguel Madeira
“Este é o melhor miradouro da cidade”, ouvimos o nosso guia, 1,90m de altura, olhos de um azul profundo, chapéu à Indiana Jones e um vozeirão capaz de acordar mortos. “Pena não se ver nada; deviam ter vindo ontem”, acrescenta.

Marco – o próprio traduziu o nome para português – leva-nos pelos principais pontos de atracção da cidade, ao mesmo tempo que revela bom humor, não deixando escapar nenhuma oportunidade para incluir uma piada que parece saída de um verdadeiro compêndio. “Vocês têm sangue vermelho e a realeza tem azul. Eu, luxemburguês, tenho tinto.”

Auto-intitula-se ainda um dos guias mais bem informados, capaz de versar sobre História (“conto-vos a história do Luxemburgo em cinco minutos”), religião e até futebol. “Tentem encontrar um guia em Londres ou Berlim que saiba todas as vitórias da sua selecção de futebol como eu…”, desafia, depois de enumerar as dez vitórias que constam no historial da centenária equipa (uma das quais contra Portugal, em 1962).

Luxemburgo - Foto de Miguel Madeira
Continuamos o passeio através do nevoeiro e numa luta contra o frio. “Este mercado é muito bonito”, refere, enquanto nos passeamos entre as frutas e o quiosque do frango assado. “Mas mais no Verão”. Já os mercados de Natal ganham outro brilho com o sol. “Como o que estava ontem”, lembra.
Ainda assim, há música. Um grupo de vozes afinadas parece querer dar cor à feira natalícia. Já o calor chega das várias barraquinhas por onde não faltam cachecóis e gorros para aquecer o corpo e vinho quente para aconchegar a alma. Mesmo com nevoeiro.

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Carla B. Ribeiro (texto) e Miguel Madeira (foto) via­jam a con­vite da Easy­jet e do Turismo do Luxemburgo

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