Aquele abraço

#mmm luxLux004

Durante uma viagem, é quase sempre nas partidas de uma qualquer gare, particularmente nos aeroportos, que se pode assistir a momentos de partir o coração. Em compensação, na área das chegadas é comum ver situações que nos deixam quase tão felizes quanto os protagonistas. Foi o que aconteceu no Luxemburgo, à chegada do voo inaugural da easyJet com partida em Lisboa.

Uma rapariga, cujas borbulhas e corpo esguio denunciam a adolescência, sai da sala da bagagem de sorriso de orelha a orelha e com os olhos irrequietos em busca de alguém.

Mesmo depois de passar a barreira, e tendo em conta que apenas uma dúzia de pessoas estão no hall de espera, mostra desespero por ainda não ter encontrado quem procura. A minha curiosidade leva-me a segui-la, com aquela mesma liberdade que nos permitimos quando estamos a ver um filme sem suspense, só aguardando e desejando o final feliz.

Quando passa por mim oiço a mulher mais velha que a acompanha: “Está ali… calma”. Daí até ao que se passou de seguida foram dois segundos.

A rapariga corre e salta para cima de um rapaz que, nos seus vintes*, espera ao lado de um homem mais velho. Ao saltar, arrasta-o para o chão: a ele e à cadeira de rodas, onde ele está sentado, que cai de costas. À volta, é difícil decidir entre ajudá-los e ficar simplesmente a olhá-los e rir – com e como eles. É que os dois não parecem importar-se nada com a situação. Mesmo no chão não se largam. “Tu és maluca”, desabafa a mulher mais velha de sorriso estampado. Um sorriso que se torna colectivo e voa por todos os rostos do aeroporto.

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Carla B. Ribeiro (texto) e Miguel Madeira (foto) viajam a convite da Easyjet e do Turismo do Luxemburgo

* afinal é nos “seus trintas” (corrigido pelo próprio em comentário a este texto)

4 comentários a Aquele abraço

  1. Obrigado por partilharem este momento que se passou comigo pois nem havia palavras para descrever a saudade. Tomei a opção de emigrar há 1 ano para proporcionar o melhor para a minha família e está a ser difícil a decisão entre prós e contras de deixar 1 filho em Portugal (a que viram com 13 anos) e trazer um outro com 4 anos. Bom, temos muitas histórias semelhantes e quero também agradecer a vossa descriçao de mim ‘um rapaz que, nos seus vinte’ quando na realidade já passaram 34.

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