Brasília fora dos livros

Jamil Bittar / Reuters (Fotografia de Arquivo)

A Brasília das fotografias raramente tem pessoas e, se as tem, são operários apanhados no gigantesco estaleiro que em menos de quatro anos transformou por completo (e para sempre) o planalto central. Mas, quando se aterra na cidade de Juscelino Kubitschek (Presidente entre 1956 e 1961) — que é também a cidade do arquitecto Oscar Niemeyer e do urbanista que lhe deu o seu primeiro emprego, Lúcio Costa — elas começam a aparecer. Estão a vender flores secas ao pé da Esplanada dos Ministérios, com o seu verde-água brilhante, a sair do metro junto aos prédios do bairro financeiro, marcado pelo edifício do Banco Central, e acampadas à frente do Palácio do Planalto (perguntamos se as tendas serão ainda vestígios das manifestações das semanas anteriores, que começaram com um protesto contra o aumento dos transportes e os gastos com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas ninguém no pequeno autocarro sabe responder).

Frente à residência oficial da Presidente não há sequer um cartaz e tudo parece demasiado calmo: crianças na relva, casais de bicicleta e uns estudantes a desenhar a casa onde mora hoje Dilma Rousseff, que viu a sua popularidade cair para metade num mês e que acaba de “ganhar” a Taça das Confederações mas ainda se arrisca a perder o país.

Mesmo quando sai dos livros e tem pessoas, Brasília nunca se esquece da arquitectura. Nem da política.

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A Fugas viaja a convite da Embratur 

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