A caminho de Bamberg

Foto de Adriano Miranda
Estava tudo perfeitamente planeado pelos organizadores da nossa visita à Alemanha. Tínhamos os bilhetes de comboio, a hora a que ele partiria de Bayreuth em direcção a Bamberg e até o número da composição e a plataforma de que saía. Tudo tratado. E, quando deixamos o hotel e atravessamos a rua até à estação, lá estava a plataforma 3, com a indicação de que o comboio RE 3004 sairia às 10h01 para Wurzburg, com várias paragens pelo meio, incluindo Bamberg.

O problema é que não estava mais ninguém na plataforma. Além de que havia um sinal irritante a passar, continuamente, no painel electrónico.

Nesta altura, há duas coisas que é conveniente dizer. Tive dois anos de alemão na escola e qualquer pessoa que teve dois anos de alemão na escola deve saber o quão rudimentar é o conhecimento com que se fica da língua, ainda que, em alguns casos, se consiga perceber alguma coisa. A outra coisa é que, pelo menos nas cidades mais pequenas da Alemanha, parece haver alguma relutância em incluir informação noutra língua que não seja o alemão. Inglês, vá lá. Algo que ajudasse os turistas a perceberem o que se passa à sua volta. Nada.

Isto quer dizer que, às 9h45, estava eu a olhar para a informação contínua a passar em alemão, no painel referente ao nosso comboio e com a certeza de que alguma coisa não estava bem. Porque havia uma frase que eu conseguia perceber: “Hoje, comboio para Neuenmarkt às 9h57.” A outra frase, que surgia antes desta, era um mistério para mim. Mas Neuenmarkt era a primeira paragem na viagem de hora e meia até Bamberg, pelo que me parecia que devia haver algum problema com o nosso comboio.

Os meus colegas, com a despreocupação natural de quem não percebe uma palavra do que vai passando no painel, nem se aperceberam que algo devia estar errado. Vá lá, há que agradecer aos dois anos de alemão que tive na escola. Lá os avisei que algo não estava bem e fui até às informações da estação perguntar o que se passava. O homem, gordo e de bigode, num inglês rudimentar, quase ao nível do meu alemão, lá confirmou que o comboio que queríamos não partiria hoje daquela estação, mas de Neuenmarkt, e para chegar aí tínhamos de apanhar um autocarro que estaria parado mesmo em frente à estação.

De malas nas mãos, lá fomos para o autocarro. Eu com algumas dúvidas sobre se me tinha feito entender ao homem da estação e se o tinha compreendido bem. Mas, quando chegámos a Neuenmarkt lá estava um comboio parado à nossa espera e dos restantes passageiros que seguiam no autocarro. E, sim, passava em Bamberg.

Chegámos à cidade classificada pela Unesco, em 1993, como Património da Humanidade, cinco minutos antes da hora prevista. Sem chuva e com um centro histórico perfeitamente preservado à espera de ser percorrido a pé. Não fossem os dois anos de alemão na Escola Secundária da Maia (obrigada, professora Idalina) e ainda podíamos estar à espera do comboio, em Bayreuth.

__
Adri­ano Miranda e Patrí­cia Car­va­lho via­jam a con­vite da Ryanair

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>