Parque dos Haitises e Cayo Levantado: verde e azul, mas sempre líquido

Há uma chuva miudinha a aguardar-nos em Santa Bárbara de Samaná, a principal cidade da península de Samaná. É chuva de pouca dura: o tempo de embarcarmos no barco, que nos vai levar ao Parque Nacional dos Haitises. Da primeira igreja protestante da ilha, anglicana, erguida por ingleses (como um Lego: foi trazida de Inglaterra) que aqui se instalaram no século XIX aquando da construção de uma linha de caminho-de-ferro (uma obra de Santa Engrácia, nunca concluída), vemos o exterior: está fechada e a degradação é mais do que evidente; nada degradado está o novo centro comercial da cidade, promovido pela cadeia de hotéis Bahía Príncipe – casas de madeira típicas com toques vitorianos (já sabemos porquê) em profusão colorida: parece o cenário de um filme, à espera de actores. Poucas são as “casas” ocupadas, mas ninguém parece preocupado; o turismo aqui “está de moda” e é preciso prover para os visitantes.

Daqui partem excursões para o parque nacional e para ver baleias que aqui vêm acasalar entre Janeiro e Abril. Chegamos tarde para as baleias, mas vamos percorrer as margens do parque – entrar no parque é aventura que poucas empresas oferecem, há demasiados animais perigosos para garantir a segurança dos visitantes. Por isso, a nossa visita é sobretudo aquática, entre enseadas, ilhotas-refúgio de aves (pelicanos em abundância, garças…) e incursões em pequenos braços de água, acompanhados de árvores de raízes aéreas – saímos do barco por duas vezes, para visitar grutas, com pictografias de 500 anos.

Por umas horas deixamos o barco e esticamos as pernas no Cayo Levantado, ilhota a dez minutos da costa, que alberga um hotel boutique “tudo incluído”, camuflado na natureza pródiga da ilha, e areais de areia fina lambidos por águas de várias declinações de azul, ora calmas como piscinas ora mais agitadas – afinal, estamos na confluência do Atlântico com o Mar das Caraíbas.

A chuva volta por escassos minutos, ao fim do dia, em céu plúmbeo a roubar o turquesa do mar. Mas ainda temos um relance de pôr do sol: o melhor, de dentro do mar, que não está brilhante de azul porém segue cálido na sua transparência sem mácula.

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