Colombo, fiesta e NBA em Santo Domingo

Já vamos de carro em direcção a norte, à península Samaná: na rádio, Michel,”el buenón” canta salsa; na portagem só se fala “do jogo” – Miami Heat contra Santo Antonio Spurs, que as finais da NBA são o assunto desportivo do momento e os Heat a equipa “da casa”. O sol que nos acompanhou na visita à zona colonial de Santo Domingo já se escondeu por detrás de nuvens cinzentas – espera-se chuva, mas sem preocupação: se vier vem por pouco tempo, já se sabe.

Nas poucas horas que passámos de manhã em Santo Domingo, capital da República Dominicana (depois de um voo de Paris com paragem em Punta Cana, para deixar passageiros e receber outros que seguem para a capital francesa), tempo para uma caminhada pela zona colonial da mais antiga cidade do Novo Mundo, com a mais antiga catedral (e a única com influências góticas), a mais antiga fortificação (que inclui uma torre de traça medieval)…

A muralha da cidade ainda é companhia em alguns troços, voltados para o rio Ozama, e na sua órbita encerra-se casario que vai do branco mais puro, ao colorido mais brilhante, da arquitectura mais humilde aos velhos palácios coloniais, com direito a brasão. Numa esquina da calle Conde, a casa, de pedra bem gasta pelo tempo, de Hernán Cortés, o conquistador do México, que foi também a última residência de Cristóvão Colombo. A dois passos está o Panteão Nacional, onde um soldado imóvel guarda a última morada dos grandes da pátria e de onde Colombo foi transladado em 1992 para Faro a Colón (farol a Colombo), que tem a forma de uma cruz deitada e no centro alberga a urna do descobridor.

Pelas ruas passam, de quando em vez, carruagens coloridas à procura de turistas, os vendedores oferecem peças de âmbar e larimar, a pedra nacional, azul, e em frente ao palácio dos vice-reis são três os carrinhos, amarelos, de gelados, cujo vendedor lê o jornal enquanto tenta atrair clientela – os jornais estão nas mãos de muitos dominicanos, que aproveitam as sombras e bancos em praças e parques para “saber o que se passa”, como diz o vendedor.

Na Praça de Espanha, o alcázar de Diego Colón, filho de Cristóvão, domina em reconstrução do século XX que é afinal uma recriação “livre” – o original seria bastante maior; mas a placa que anuncia o estatuto da cidade como Património Cultural da Humanidade, está ladeada pelo escudo original da cidade, oferecido pelo rei Fernando de Espanha, marido de Isabel, a Católica, no início do século XVI.

Mesmo ao lado, um palco recebe todos os fins-de-semana o Santo Domingo en Fiesta, iniciativa que promove concertos, espectáculos de folclore e outras manifestações culturais – sempre gratuitas. Voltaremos no domingo a Santo Domingo (não é recurso estilístico, apenas coincidência): tentaremos vir à fiesta e a tudo que ainda nos falta conhecer. Por agora, o nosso caminho é para o Norte: o Salto el Limón aguarda-nos.

 

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A Fugas viaja a convite do Turismo da República Dominicana 

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