Um pouco de Portugal na Auvérnia

joao

Não temos sol em Auvérnia por estes dias. Mas temos o sr. João, cujo trabalho de limpa-neves em Mont-Dore foi essencial nesta manhã de quase Verão em que acordámos com um manto branco a cobrir a montanha. O Sr. João, sorriso aberto como quem por momentos se reencontra, recebe-nos na casa das máquinas do funicular do Capucin, para nos ajudar a entender, na sua, nossa, língua materna, as explicações técnicas que um dos condutores nos dará sobre o mais antigo elevador ainda a funcionar em França. Percebido o funcionamento da máquina, ali, a 1245 metros de altitude, enchemos de calor o espaço, a matar-lhe saudades do Portugal que ele, natural da literária Romarigães, em Paredes de Coura, ainda visita anualmente.

À tarde, Saímos desta estância de ski, que tem ainda umas belíssimas termas, em direcção aos montes circundantes, para visitar, em Besse, uma família que produz um dos bons queijos da região, o Saint-Nectaire. Dizem-nos que vamos encontrar Nathalie e Philipe, mas quem nos recebe primeiro, e nos rouba para meia hora de conversa em volta de um café e de uma tarte feita de propósito para nós é a mãe dele, a dona Maria Adelaide, nascida há 86 anos em Vila Nova de Foz Côa. Mulher de um português espantosamente perfeito, para quem diz que até pensa em francês, Maria estava já em França quando, há quase 40 anos, respondeu a um anúncio de jornal e acabou a casar com o marido, que vivia em Besse. É ela que nos guia pela quinta, pela sua vida, abrindo-nos portas para histórias que, só a quem partilha esse lugar comum, Portugal, são permitidas.

adelaide

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Abel Coen­trão (texto) e Adri­ano Miranda (fotos) em Clermont-Ferrand a con­vite da Atout France

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