Sete horas em Cádis

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Não era o destino previsto, mas desembarcamos em Cádis imbuídos do espírito de aventura. Não queremos saber de excursões, vamos antes perder-nos pelas ruelas desta cidade que disputa o título de uma das mais antigas da Europa (estamos a falar do séc. XII a.C. – dos fenícios, romanos, árabes).

Do porto ao centro histórico são cinco minutos a pé. Descobrimos logo a lógica das rotas. São quatro e de cores diferentes pintadas no chão. Sigo a linha roxa, que nos irá levar à Torre Tavira – 45 metros acima do nível do mar e o melhor ponto de observação das 126 torres que ainda existem em Cádis. No séc. XVIII, época de ouro da cidade, graças ao comércio entre a Europa e a América do Sul, havia 160. É que todos os comerciantes queriam ter uma…

Os cinco euros do bilhete também dão direito a uma sessão de câmara escura (o princípio de Leonardo Da Vinci, o espelho que se abre e nos mostra o que se passa em tempo real nas ruas, muito antes de qualquer tempo real da internet). Com as lentes que aproximam as imagens do que se passa lá abaixo, parecemos miúdos no escuro a brincar. A Torre de Tavira foi o primeiro monumento em Espanha a ter uma destas câmaras (em Portugal existem duas: uma no castelo de São Jorge em Lisboa e outra, precisamente, em Tavira). Do alto da torre vê-se o prédio onde foi proclamada a primeira constituição espanhola em 1812. Mas é o mar verde cristalino que hoje nos seduz.

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Daqui, partirmos em busca de “Havana”, que é como os locais apelidaram a marginal do Bairro da Viña pela semelhança com El Malecón da capital cubana. Encontramos alguns bares de tapas demasiado turísticos (ainda que isso não nos impeça de provar alguns petiscos). Mas não é difícil descobrir onde os locais gostam de comer. Partimos para a calle Zorrilla, mais precisamente para o Mesón Cumbres Mayores, ao pé da praça de Mina.

É uma bela caminhada com passagem pelo Parque Genovés (com a sua vegetação exuberante e as suas réplicas de dinossauros) e pelo moderníssimo Parador de Cádis. A viagem vale a pena. Aqui, a maior parte da clientela fala espanhol. Provamos as croquetas e o presunto, regados a cañas e vinho. E, posto isto, só nos apetece mesmo voltar ao barco e cair nas espreguiçadeiras.

Começa uma chuva mansa e já baralhamos todas as rotas (a roxa, a azul, a verde e a laranja). Daqui a pouco o veleiro vai zarpar de uma cidade que não estava sequer no nosso roteiro mas que, em poucas horas entrou, para nós, no mapa.

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Simone Duarte viaja a con­vite do Club Med, no cru­zeiro “Club Med 2” , e da TAP

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