Hanói não merecia isto

Escrevem-se estas linhas num barco de cruzeiro de tamanho familiar e com os olhos pousados nas águas verde-esmeralda da baía de Halong, mas não conseguimos deixar de pensar nisto: Hanói não merecia que a tratássemos assim.

Contas feitas, estivemos na capital do Vietname 24 horas – e já estamos a ser mãos largas. Mais: estivemos na capital do Vietname depois de duas noites em branco – e por isso não estranhámos quando, um a um, fomos confessando que adormecêramos em cima dos tuk tuk que nos mostraram o casco antigo da cidade.

Tivemos, portanto, uma versão demasiado toca-e-foge da capital vietnamita. Não temos muito para contar, já perceberam, mas na nossa fotografia de Hanói ficarão sempre milhões de motas na estrada (o nosso guia, o simpático Thang, jura a pés juntos que são três milhões) num impressionante caos organizado; milhares de cabeças cobertas por chapéus cónicos e outras tantas faces tapadas por máscaras, coloridas ou não, que aqui a poluição e o sol são inimigos; centenas de pares de noivos a posarem para a fotografia frente à fachada dos melhores hotéis da cidade.

Faremos um zoom mais apertado ao impressionante complexo do mausoléu de Ho Chi Minh, local de peregrinação de milhões de vietnamitas, que fazem filas gigantescas para ver o corpo do líder da independência do país dentro de um sarcófago de vidro; ao Pagode de um Pilar, construído em madeira no século XI e um dos orgulhos da cidade; e ao Templo da Literatura, fundado em 1070 pelo imperador Ly Thanh Tong e dedicado a Confúcio.

Sabemos que há aqui um lago, o da Espada Restaurada, mas praticamente não lhe pomos a vista em cima; e que Hanói ainda conserva belos exemplares de edifícios coloniais que vale a pena descobrir – mas, para já, de França vemos apenas as lojas de luxo (Louis Vuitton, Hermès) e o Café de Paris.

Talvez tenhamos perdido alguns episódios quando fechámos os olhos no tuk tuk, mas agora não há nada a fazer. Não tratámos Hanói como devíamos, é um facto, mas tentaremos redimir-nos daqui para a frente.

Está a andar de mota.

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