Alpes italianos III: Os visionários de Pragelato e os castelos reais italianos

Um problema com a Internet fez com que o relato da visita de terça-feira à tarde a Pragelato só tenha ganho a forma de post esta quarta-feira. Por isso desengane-se quem associou o atraso a uma eventual desilusão. A expectativa era grande e foi amplamente ultrapassada.

#dro pragelato 10

Fotografia de Daniel Rocha

A história daquele povo alpino, hoje integrado em Itália, deliciou-nos. Não é vulgar um território e um povo mudar tantas vezes de Estado ao longo dos séculos, tornando a fronteira entre a Itália e a França praticamente volante. Mais surpreendente ainda: já no século XIV este povo tinha uma organização política e social similar, em alguns aspectos, à nossa democracia. Homens “livres” da montanha que durante quatro séculos foram independentes dos reinos, recusando-se a pagar impostos e a submeter-se ao poder de monarcas.

#dro veneria real13

Fotografia de Daniel Rocha

Na visita, espreitámos a Casa dos Escarton, onde se desvenda a história desta congregação de cinco Estados alpinos. De seguida fomos ao fantástico Museu do Traje, instalado numa típica casa alpina com 300 anos. Aqui, a enfermeira Donatella Chirone, guia-voluntária, explicou-nos os costumes dos seus antepassados e os respectivos hábitos de vida. Para descobrir o que lá aprendemos terá que esperar mais um pouco, porque pretendemos detalhá-lo num trabalho mais profundo sobre Pragelato. De qualquer forma, avançamos a conclusão: este povo é visionário e já o provou várias vezes ao longo da história. Não nos ficaram dúvidas de que a necessidade aguça mesmo o engenho.

Já esta quarta-feira de manhã abandonámos o Club Med de Pragelato e rumámos até aos arredores de Turim, onde durante todo o dia visitámos a Veneria Real, um palácio usado pelos duques de Sabóia e, mais tarde, pelos reis italianos. Especialmente para caçar. A dimensão de um dos monumentos mais visitados de Itália impressiona qualquer um: 80 mil metros quadrados de palácio e 50 hectares de jardins.

O tempo foi piorando ao longo do dia, o que transformou em bucólica a visita ao parque La Mandria, junto do palácio. Foi aqui que o famoso rei Vítor Emanuel II construiu a casa da sua amante e segunda mulher, Rosa Vercellana, uma plebeia que os italianos amaram mais que a sua rainha. E que por não ter sangue azul não podia habitar nos palácios reais. A mansão guarda quase intocável o espólio do casal, onde se destacam, embalsamados, os inúmeros triunfos de caça do rei. A casa fica integrada na reserva natural com 3000 hectares de uma floresta de carvalhos. Uma multiplicidade de animais, incluindo veados e gamos, que se escondem na imensidão da propriedade. Mais fáceis de ver foram as garças-reais, que sobrevoam a paisagem.

#dro la mandria 14

Fotografia de Daniel Rocha

Agora vamos ter que ficar por aqui porque a fome chama-nos e a reserva para o jantar também. E em Itália isso só pode ser bom!
___
Mariana Oliveira (texto) e Daniel Rocha (fotos) viajaram a convite do Club Med, ENIT – Agência Nacional de Turismo, Turismo de Turim e TAP

Esta entrada foi publicada em Itália com os tópicos , . Guarde o href="http://blogues.publico.pt/emviagem/2013/03/13/alpes-italianos-iii-os-visionarios-de-pragelato-e-os-castelos-reais-italianos/" title="Endereço para Alpes italianos III: Os visionários de Pragelato e os castelos reais italianos" rel="bookmark">endereço permamente.

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>