Alpes italianos: Um dia com o melhor e o pior que a neve nos pode oferecer

A monstruosidade da paisagem faz-nos sentir pequenos. Estamos a mais de 2400 metros de altitude, em plenos Alpes italianos, a uma hora e meia de Turim e a pouco mais de uma dúzia de quilómetros da fronteira francesa.

Daniel Rocha

O branco cerca-nos. Mas, à medida que o dia avança, as cores da paisagem alteram-se. O branco vai dando lugar ao castanho, que surge ao ritmo do degelo. Ao fim da tarde a temperatura está perto dos zero graus e até já nevou um pouco. Afinal, o tempo parece dedicado a preservar o branco por mais uns dias.

Club Med de Pragelato (Fotografia de Daniel Rocha)

No Club Med de Pragelato, onde nos encontramos alojados, fala-se francês e italiano quase com a mesma facilidade. O ambiente internacional, com hóspedes e funcionários de todo o mundo, por vezes faz-nos esquecer onde estamos. Chegámos domingo com bom tempo e o primeiro dia foi de preparação para a grande estreia no esqui. Hoje, a segunda-feira também nasceu com sol. Parecia um brinde para quem já ia ser premiado com um dia dedicado à neve. Depois de várias horas de aulas, com muitas quedas à mistura, terminei o dia inteira. Sã e salva, com um registo de apenas duas ou três pisaduras.

E na neve isso é bom.

Isso mesmo aprendemos logo ao início da manhã, após um acidente com a nossa professora de esqui. Um aprendiz entroncado caiu por cima da perna da instrutora e o resultado não foi bom. Nem todos ultrapassaram o choque de ver a experiente esquiadora a chorar menos de dez minutos depois de a aula começar. E alguns desistiram. O incidente permitiu-nos assistir à eficácia do sistema de socorro da Vialattea, um conjunto de estâncias interligadas entre si que oferecem 400 quilómetros de pistas. Uns minutos depois do acidente uma equipa de dois socorristas chegou ao local, equipada com um trenó que transportou deitada a instrutora até terra firme.

#dro ski 3

#dro ski 4

Fotografias de Daniel Rocha

O dia continuou. Primeiro testámos a destreza de cada um nos esquis, com minipercursos de alguns metros. Safei-me sem cair. Talvez tenha sido o excesso de autoconfiança que me traiu na segunda fase. Subimos por um tapete rolante até um local com uma inclinação acentuada. A ideia era aprender a travar, um passo essencial para controlar os esquis. Não contei as quedas: mas foram várias e algumas bem aparatosas. Como aquela em que arrastei um colega do grupo durante uns metros até ambos cairmos com os esquis entrelaçados.

Às 16h30 regressámos a casa, o Club Med, ao ritmo dos solavancos do teleférico que já nos levara montanha acima. As escarpas impõem respeito e, por isso, todos preferem enganar a atenção. Aproveita-se para confraternizar e até para cantar em grupo. O dia foi duro, mas não atacou a boa disposição.

Ao fim da tarde, escrevo este texto numa pequena sala do meu quarto, enquanto descanso as pernas doridas. Engano a fome com um fantástico bombom de cereja que deixaram ontem aos hóspedes. Até ao jantar. E há que dizê-lo: se o Club Med não me conquistou no primeiro minuto, conquistou-me pela certa no primeiro almoço. Queijos e enchidos para todos os gostos dão-me vontade de gritar: Viva l’Italia!

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Um acidente serviu para testar a eficiência das equipas de socorro (Fotografia de Daniel Rocha)

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Mariana Oliveira (texto) e Daniel Rocha (fotos) viajaram a convite do Club Med, ENIT – Agência Nacional de Turismo, Turismo de Turim e TAP

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