É doce esperar a neve (quando há chocolate que até “fala” português)

Les Flocons Pyrénéens – foto de Nelson Garrido

Ao terceiro dia já não há volta a dar: a viagem à neve de Saint-Lary ameaça tornar-se numa não viagem à neve. A neve que nos acompanha nesta viagem está bem visível ainda, mas a chuva já fez o seu “estrago” e a vila está bastante transitável; na estação, a neve não está própria para consumo, o nevoeiro e o vento ajudam à festa chuvosa, e todas as pistas estão encerradas. Esquiar, o nosso programa adiado de ontem, e o passeio de raquetas, o programa de hoje não serão cumpridos. Ao pequeno-almoço a pergunta é inevitável: o que se faz em Saint-Lary quando a neve está contra nós? Manu é pronto na resposta: “manger, boire et spa”. O spa já experimentámos ontem, a comida é omnipresente, a bebida é q.b. “On va à Espagne”, diz Christian, o director do turismo local.

o flocon (foto: DR)

Antes, tempo para mais comida – desta feita, porém, só vê-la: o mercado semanal ao ar livre está à mercê de chuva intensa, o que até nem parece assustar os compradores. Já nós, acabámos na única chocolateria artesanal de Saint-Lary, uma boutique cuja casa-mãe, onde os chocolates são confeccionados, é a meia-hora daqui, em La Barthe de Neste – com a curiosidade de ser propriedade de portugueses, Bernardino (Dino) e Maria Ferreira, irmãos (ele mestre chocolateiro). Les Flocons Pyrénéens é o seu nome e “flocon” o nome da sua iguaria mais famosa, um praliné de chocolate negro envolvido em merengue.

Não chegamos a Espanha porque a estrada está, afinal, cortada. Passamos por vários túneis recém-assaltados por avalanches mas é uma fila que nos detém. Não chegamos a saber o seu porquê – claramente os elementos estão contra nós.

Depois de muita comida, a neve volta a Saint-Lary já a noite vai longa. Na pista de gelo coberta, faz-se a festa “Pink” da “Salsa en la montaña”; cá fora, os primeiros flocos de neve começam a cair. É neve de pouca dura: da nossa varanda já vemos chuva, novamente. Vamos dormir à espera que se cumpram as previsões e que acordemos para um novo manto branco, perfeito para esquiar. Ainda não desistimos, portanto, de calçar os esquis. Nem que seja no nosso último dia nos Pirenéus.

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Andreia Mar­ques Pereira (texto) e Nel­son Gar­rido (fotos)  via­jam a con­vite da ATOUT France 

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