Entre o fogo e a água

Le Gâteau à la Bro­che – foto de Nelson Garrido

O caminho não é longo entre Saint-Lary e Ancizan onde vamos provar uma das especialidades doces desta zona dos Pirenéus. Le Gâteau à la Broche é o nome deste bolo que se faz de uma massa com ovos, manteiga, açúcar, farinha, baunilha natural e rum que vai sendo vertida sobre uma espécie de espeto revestido de “almofadas” de papel vegetal que gira em frente ao fogo alimentado por lenha (o método tradicional que poucos mantêm). Os tamanhos podem variar (é vendido ao quilo) e as formas nunca são iguais: são um capricho do fogo no qual é comum um aspecto de pinheiro de Natal de cor que vai do amarelo ao castanho, conforme a cozedura. Vêmo-los a serem feitos numa sala com janela aberta para a loja (Histoire de Gâteaux), onde outros turistas espreitam o espectáculo do fogo a moldar a massa.

De regresso à base, que é o mesmo que dizer, Saint-Lary, vamos descobrir o seu lado termal no Sensoria Thermalisme & Spa. Temos entrada no Sensoria Rio, uma piscina que tenta simular “sensações do canyoning“, em percurso algo sinuoso entre “grutas”: temos geiseres e cascadas, jactos de massagens e jacuzzis virados para as montanhas – mais secos, o circuito inclui sauna e banho turco.

No spa – Foto de Nelson Garrido

Cidre­rie d’Ancizan – Foto de Nelson Garrido

Depois da água, comida. A cidra é típica aqui (ainda que as maçãs agora venham do País Basco, francês e espanhol) e a visita a uma cidraria é inevitável. A Cidrerie d’Ancizan também é museu, mas não é por isso que somos recebidos com o coro do Vallée d’Aure, que cantam canções tradicionais: é apenas sorte, já que há um encontro da sociedade gestora das águas da comuna. O aperitivo do convívio dura várias horas; quando eles se sentam à mesa, já nós terminámos a degustação do menu “Formule Cidrerie”, ou seja, passamos por seis tapas, um “côte de boeuf” acompanhado de batatas fritas (morenas, morenas, como parecem ser todas por aqui), um queijo dos Pirenéus e tarte de maçã. Um Armagnac, oferta de um dos responsáveis do vale, sela a refeição.

Da música tradicional pirenaica, a noite passa para a música tradicional de paragens mais quentes. O evento “Salsa en la montaña” vai na segunda noite e é por lá que fechamos a noite. Sem pé de dança da Fugas, mas com uma honrosa participação de um dos “jornalistas portugueses”: a Rita aguentou-se bem na salsa e foi o “Cristiano Ronaldo” do kizomba.

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Andreia Mar­ques Pereira (texto) e Nel­son Gar­rido (fotos)  via­jam a con­vite da ATOUT France 

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