Comer com elas em Naha

A mesa de correr estava vazia, quando nos sentámos para almoçar. Escolhemos o mais concorrido dos restaurantes do mercado público na baixa de Naha, maior cidade da ilha japonesa de Okinawa. Mandámos vir sopa, arroz e sushi. Enquanto isso, na outra ponta da mesa sentaram-se duas miúdas com os olhos demasiado redondos e formas demasiado avantajadas para serem locais. Somos tailandesas, responderam elas, enquanto voltavam a meter o nariz na ementa – tipo ‘não, não estamos numa de dar troco a estranhos ao almoço’.

Aí abancaram as japonesas entre nós e as outras. Eram de Quioto, cabeleireiras de profissão, estavam de férias em Okinawa há três dias, já tinham feito mergulho de apneia, aproveitaram para nos mostrar as fotos.

Isto tudo explicado com mais risos que palavras – que o inglês delas era pouco mais que rudimentar – antes de passarmos ao mais importante: os pratos que nós e elas pedimos, só para passarmos a provar das tigelas uns dos outros, na mais saudável promiscuidade alimentar.

Enquanto isso as tailandesas comiam num silêncio sepulcral e até tiveram a lata de nos fotografarem com os telemóveis fingindo apontar para o tecto. E nós a pensar que as tailandesas eram danadas para a brincadeira…

{Luís Maio e Nel­son Gar­rido viajam a convite da Royal Caribean, da Air France e do Turismo de Macau} 

 

Okinawa – Foto de Nelson Garrido

 

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