Hyères fora de horas

Em Hyères há uma hora e um dia em que as lojas estão abertas, mas nenhuns clientes. Hyères é uma vila medieval encavalitada num penhasco sobranceiro a uma península pantanosa e três ilhas paradisíacas, que estão entre os sítios mais populares da Côte D’Azur. Já Hyeres é menos turística e por isso tem mercearias, peixarias e tabacarias no centro histórico que insistem em abrir às 8 da manhã, todos os domingos de manhã. Insistem apesar de nesse horário nem sequer se ver um velhote a passear o cão na rua.

É esquisito, porém mais esquisito ainda é nesta terra os restaurantes fecharem antes da meia-noite mas deixarem até de manhã a aparelhagem de som a debitar êxitos cá para fora. Comecei por ouvir Sinéad O’Connor cantar “Nothing compares 2 U” naquele contexto de desolação matinal e a coisa bateu-me com a força toda. Veio depois o Elvis sussurrar além-túmulo “Crying in the chapel” e quase que entrei em pânico. Sobretudo quando reparei que mesmo em frente do restaurante-fantasma estava estacionado um Ford que só me fazia lembrar outro clássico: o famoso “carro assassino” do filme do John Carpenter. Foi aí que comecei a perceber porque é que aos domingos às 8 da manhã não se vê ninguém às compras, nem sequer a passear o cão, em  Hyères.

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