Solidariedade adere ao interactivo

Fotos a preto e branco de manifestações de rua, vitrinas repletas de reivindicações amarelecidas, cassetetes tortos, uniformes de polícia esburacados – tudo isso e mais exposto num claustrofóbico subterrâneo com chaimite à porta, a dois passos dos famosos estaleiros de Gdansk.

A exposição “Caminhos da Liberdade” recorda a fabulosa história de resistência do Solidarność (o sindicato Solidariedade) como se a máquina do tempo tivesse parado algures, num dia de greve de Agosto de 1980.

É o mesmo sentido de realismo que se experimenta no pequeno Museu de Derry Livre, na Irlanda do Norte, que documenta os tristemente célebres Troubles pelas vozes das suas vitimas. Mas se irlandeses não parecem ter planos para mudar de enredo, já os polacos estão noutra e a memória da revolta sindical que foi o princípio do fim do comunismo presta-se a mudar da cave para um desses grandes museus interactivos de volumes inclinados que estão agora na moda.

O espectáculo será hoje certamente uma melhor ferramenta para perpetuar a recordação. Mas, se me perguntarem, eu digo que prefiro o murro no estômago que produzem os despojos da história. Até porque esses velhos museus da liberdade têm a autenticidade de quem deu a vida por ela.
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Luís Maio (textos e fotos) viaja na Polónia a convite da TAP e do Turismo da Polónia

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