Entre o azul e o verde, os almofadões e as centopeias

Vista da roça de São João de Angolares

Mionga

Em S. João de Angolares, no sul de São Tomé, há um restaurante em tons de azul, metido dentro do verde da paisagem, chamado Mionga. A vista é sobre a vegetação e sobre o mar.

A filosofia do restaurante é descansar os olhos sobre aquele quadro onde o verde não acaba, e ir descobrindo a comida que vai chegando à mesa.

Não é preciso pedir nada: o dono vai trazendo os petiscos. Nós provámos, entre outros, bolos de arroz e de peixe, abóbora frita, diferentes peixes grelhados e, ainda, doce de banana com um ligeiro sabor a canela.

Ali perto fica a Roça de São João de Angolares, onde nos demorámos na varanda, repleta de almofadões que convidam à preguiça. É possível dormir na roça, e ficamos com vontade de o fazer – se ainda der tempo, claro, porque os nossos planos para os próximos dias incluem tantos passeios que algum dos programas vai ter de ficar para trás…

Cacau, centro de artes

O final de tarde de hoje foi passado no Cacau, o Centro de Artes. Espreitámos o artesanato, as pinturas, as instalações e ainda fomos a tempo de assistir a parte de um filme sobre a história das roças em São Tomé.

Agora, que escrevemos este texto, já é noite. Há um invulgar silêncio na casa, normalmente cheia de vozes e de música. Espero que o guarda, lá fora, não esteja a dormir.

Cá dentro, ouvem-se tantos barulhos que é impossível distingui-los. Não sei onde começa o vento, os bichos. Numa noite destas, viemos à varanda atraídos pelo ruído tão forte que um insecto fazia que não achámos que pudesse ser real.

Na roça de São João de Angolares

Aranhas, osgas – está agora mesmo uma a subir pela parede da sala – e centopeias já nem nos impressionam (mas aqui que ninguém nos ouve, no outro dia, o guarda, o Rambo, encontrou-nos – e éramos cinco – em cima das cadeiras da varanda com medo de uma centopeia gigante que nos surpreendeu).

Já é quase 1h00 e amanhã de manhã temos de apanhar o bote para o Ilhéu das Cabras. Vamos dormir – é engraçado adormecer ao som de barulhos que nos são estranhos.

Mionga

 

3 comentários a Entre o azul e o verde, os almofadões e as centopeias

  1. Jantar sim. Dormir, NUNCA

    Apesar de todo o São Tomé ter sido uma excelente experiência para mim (e para os que me acompanhavam), a roça de São João de Angolares foi uma “pedra no sapato”. Serviço péssimo, pouca amizade, pouca conversa, condições de dormida (camas, banhos, etc) deploráveis…

    É uma pena porque o potencial do sítio é gigante para se fazer uma coisa com um bocado mais de categoria.

    A resposta do próprio João Carlos Silva é que querem manter “a vivência tão natural quanto possível”, mas entre o natural cuidado e o natural descuidado vai um grande passo e este ainda não foi dado. Especialmente de se passar por outras roças (Micondo por ex.) que são mais “naturais” e com condições que nos fazem sentir saudavelmente bem.

    Claro que continuo a aconselhar uma passagem na Roça de São Joao de Angolares e certamente aconselho um almoço por lá. Não mais do que isso.

    PS – Explorem um pouco a terra de São Joao de Angolares e a sua praia com um excelente restaurante (um abraço ao Polulo que a esta hora já deve ter ido para o Princípe) e se estiverem de passagem para o ilhéu das Rolas ou Praia Jalé aconselho vivamente a que verifiquem o estado dos pneus :)

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