Na Wall Street ocupada

“Did you go down there?” tornou-se uma pergunta comum em Nova Iorque em referência ao protesto em Wall Street. “Vou lá amanhã”, diz uma rapariga num café, respondendo à amiga. “Falamos depois se não for presa”, despede-se, aludindo a uma vaga de detenções de há duas semanas.
O que se vê quando se chega “down there”?

Primeiro, muita polícia. A Liberty Plaza está cercada de carros e carrinhas e há uma espécie de torre móvel que se ergue de vez em quando para espreitar o protesto. Os polícias parecem olhar para dentro da praça mas estão também atentos do que se passa nas imediações. “Esta carrinha já passou por aqui três vezes”, nota por exemplo uma dos agentes, falando com o seu colega.

O acampamento parece ter muita gente. Também há muitas pessoas a tirar fotos, muitos turistas, jornalistas, há quem chegue com cafés e capuccinos do Dunkin’ Donuts ou Starbucks para conversar com os acampados que andam a comer a comida vegan (eles tentam que seja só vegan, mas aceitam todas as doações e assim os menus são mais variados).~

Os manifestantes parecem ser bastante diversos. Há slogans que pegam na Constituição: “É ‘nós o povo’ e não ‘nós as empresas'”; ou na história dos EUA: “Devemos confiar no Governo? Sim, pergunta aos índios”; ou ainda desabafos como “Estes prédios são tão altos man, fazem-me doer o pescoço”. Há veteranos do Iraque, há capelões, há bandeiras americanas.

Ontem foi dia de limpeza, uma precaução em véspera da chegada dos serviços municipais de limpeza ordenada pelo mayor Michael Bloomberg – que os manifestantes suspeitam ser um pretexto para os tirar de lá. “Até os hippies andaram a limpar”, comenta um dos acampados. Onde tomam banho não se sabe, mas a casa de banho ele não tem problemas em indicar: “É a do McDonalds ali ao virar da esquina”. Só do McDonalds?, pergunto, a curiosidade despertada por um sketch do Daily Show. “Sim. Antes ainda íamos ao Burger King mas a dada altura já não nos deixaram mais entrar”. E no McDonalds não se importam?, insisto. “Não. Eles têm feito muito negócio. E acho que até têm criado empregos por nossa causa.”

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