Ano Grande Brasil

Brasil

  • O jeitinho brasileiro

    Tinham-me falado do entusiasmo com que os brasileiros recebem quem vem de fora – um entusiasmo e uma simpatia que nos fazem acreditar que tudo é possível, tudo é fácil, tudo vai acontecer. Dizem “claro que sim”, aparecem, dão-nos abraços fortes, fazem planos connosco.

    Mas aconselharam-me a dar algum desconto. Sim, o entusiasmo é sempre muito maior do que o que sentimos em Portugal, mas às vezes as coisas não acontecem – as combinações falham, os planos desfazem-se, nem tudo é tão fácil nem tão consequente como parecia. É o célebre “você tem que aparecer lá em casa!” dito com toda a convicção mas sem qualquer intenção de nos darem a morada (uma característica atribuída sobretudo aos cariocas).

    Será talvez uma questão de linguagem. Em Portugal, pomos a cabeça de lado, mantemos alguns segundos de suspense, e dizemos “vai ser difícil” ou “acho que não vai ser possível”. No Brasil dizem-nos “sim, acho que vai dar”. E nós surpreendemo-nos. “Vai mesmo?”.

    O facto é que em 18 dias que passei no Brasil, tudo o que me disseram que seria possível aconteceu. Nenhum encontro falhou, muitas das pessoas que encontrámos abriram-nos outras portas, puseram-nos em contacto com outros, todos os emails tiveram uma resposta, e todas as respostas foram positivas. Sorte? Talvez. Mas é justo que partilhe aqui esta experiência.

    heli2

    Há coisas que nos exasperam (o funcionamento dos telemóveis, com os diferentes códigos que ninguém sabe exactamente quais são e a dificuldade em conseguir um cartão quando não se tem o CPF, o número fiscal brasileiro, são uma delas), mas a famosa simpatia foi, nestes 18 dias, mais do que um cartão turístico. Foi real e foi consequente.

    Um exemplo: no Mato Grosso conhecemos Tobias Ferraz, repórter do canal Terra Viva da Rede Bandeirantes. Em conversa dissemos que queríamos fazer uma reportagem sobre o trânsito em São Paulo. Ele imediatamente sugeriu que visitássemos a Rádio SulAmérica Trânsito, também da Rede Bandeirantes. Disse que enviaria um email com os contactos. O email chegou no dia seguinte. A pessoa a quem ele pediu ajuda logo nos pôs em contacto com alguém da rádio que se disponibilizou para estar connosco às 7h da manhã para acompanharmos um repórter no trânsito (o simpático Stephan que hão-de conhecer numa das nossas reportagens).

    Fizemos a história, e no fim a Vera Moutinho perguntou se seria possível ir no helicóptero para filmar São Paulo do ar (um projecto que tinha há semanas mas do qual já quase tinha desistido). “Sim, vamos falar com o piloto”, disse-nos Felipe Bueno, director da rádio. Daí a pouco a Vera estava ao telefone a combinar com o piloto o local de encontro e dois dias depois estava a sobrevoar São Paulo.

    Pode parecer uma história banal. E é. Mas quem chega de Portugal habituado a tantas vezes ouvir logo à partida “não sei se vai ser possível”, “tem que enviar um email”, “o assunto tem que ser discutido na reunião do conselho de administração”, ou qualquer outro entrave burocrático do género, há uma alegria que se instala quando durante 18 dias se ouve “sim, vai ser possível” (o que, sejamos justos, incluiu também os portugueses que encontrámos no Brasil).

    Comentava isto com uma repórter da rádio e ela dizia, sorrindo: “Damos um jeitinho”. Talvez seja o espírito do Novo Mundo. Ou talvez tenha sido apenas sorte e uma série de coincidências. Mas foi bom acreditar que as coisas podiam acontecer – e podiam ser, afinal, muito mais fáceis do que nos habituámos a imaginar. Valeu!

Comentários

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  1. Vanja Carla Levinthal

    Olá Alexandre,

    Parabéns pelo texto.
    Eu como lusobrasileira, vivendo um pouco por cá e outro por além mar (cascais), devo lhe dizer que não foi sorte não. O povo que faz o Brasil é mesmo assim. Envolvente, solicito e muito amigo. Gostamos de ajudar, facilitar, amenizar. Faz um bem danado a nós mesmos!
    Seria muito bom que, com tantos portugueses por cá, na volta, levassem um pouco deste espírito para este meu outro povo que tanto precisa.
    Com muito prazer pela leitura! Bom ver alguém reconhecer o valor deste povo brasileiro! E seja sempre bem vindo! :) Da próxima venha conhecer Manaus. O coração da Selva! Aí meu amigo, você vai ver o que é gente hospitaleira de verdade!
    Grande abraço!

  2. Álvaro Baço

    Não é sorte não! É assim mesmo, o “jeitinho brasileiro”, tem poder de magia, faz acontecer, tudo se transforma.

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  4. moreijo

    E isto, assim somos sempre ,sejam sempre bem vindos,espero que aproveitem junto conosco este “jeitinho” para também melhorar nossa Sociedade e a do Mundo.Abraços…fuiiiiiiiiii

  5. leomar

    Fui passar o reveillon de 2010 em Lisboa. Me chamou muito a atenção como os portugueses são tristes. Uma nação “carrancuda”, infelizmente…e um pais muito bonito!

  6. Paulo César de Barcellos Pereira

    Olá Alexandra, que legal que descobriu um pouco o que significa o nosso ‘ jeitinho brasileiro’, apesar dos enormes problemas que existe em meu país, (de todas as ordens, política, social, infraestrutura, falta de investimento em ciência e tecnologia, etc) há sem dúvida em nossa história maiores conquistas.
    Aqui é costume nosso, dizer que; vai dar certo! Aqui quando alguém passa por situação difícil e você pergunta: – Como você está? A pessoa responde: Estou bem! Outro jargão na boca de nosso povo é: Deus é Brasileiro. Mais outro: Sou brasileiro e não desisto nunca.
    É o nosso jeitinho. Pena que não ficou mais. Volte quando quiser. Ah! sobre os dizeres: “Você tem que aparecer lá em casa? Pode botar fé nisto, caso fosse seria muito bem recebida. Gostamos de fazer amizade.

  7. Thiago Vieira

    Isso é o que nos caracteriza como povo brasileiro, lógico temos muitos problemas que nos causa vergonha, mais nunca vamos deixar de acreditar que vamos supera-los.
    Veja sempre bem vinda ao Brasil !

  8. Marcus Vinicius Moura

    Esta é realmente uma das melhores características do povo brasileiro. Infelizmente muitos a estão deturpando e usando para dar jeitinho em coisas erradas, dando jeitinhos para burlar a lei e fazer imperar outra famosa lei do país (“a lei de Gérson”). Mas independente disso, devemos sim orgulhar-mo-nos da nossa capacidade de improvisar e suplantar os obstáculos do dia a dia.

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  13. Ana Carolina Aurelio

    Obrigada por isso!

    Eu sou brasileira e gosto muito deste aspecto da nossa gente. Pena que nossa auto-estima não seja das melhores, isso faz com que nosso povo não saiba reconhecer as qualidades que tem e fique “martelando” nos defeitos.
    Compartilharei com meus conterrâneos

    Saudações Tupiniquins 😉

  14. Sol

    Pura sorte!. Por aqui nem as leis trabalhistas são respeitadas, ou melhor, escraviza-se outros trabalhadores, profissionais estrangeiros, em conluio com o governo de lá (Cuba – Mais Médicos).

    Estradas c/ promessas de duplicação há mais de 35 anos não o foram até ontem! (BR-381), trens-balas, só ficam no imaginário, escolas caindo aos pedaços, saúde sem infraestrutura, dívidas públicas cada vez mais aprofundada pete e psdb conluiados em falcatruas…

  15. Francisco Soares de Oliveira

    Adoro o Brasil com todas as suas idiossincrasias. A positividade de todos que já conheci por cá é absolutamente contagiante. Quem venha de Portugal para o Brasil tem que fazer uma mudança de chip ou então viverá sempre desiludido. É um exercício diário de aprendizagem. Brasil. Ame-o ou deixe-o.

  16. Rachell Longo

    Às vezes,o povo fala de mais e sem saber até o que dizem.Só pelo prazer de criticar.Os brasileiros são um povo alegre,hospitaleiro,solidário.E os cariocas são à expressão dessa realidade.Parafenizando à letra de um samba brasileiro:”Quem não gosta dos brasileiros bom sujeito não é.”kkk

  17. joaop

    Foi sorte… Vivo em BH e nada do que foi combinado, marcado ou prometido foi cumprido. Nada. Nunca.

    • maria

      também acho, pura sorte e depende mt onde se está…. vivo há cinco anos em Belo Horizonte e além dos simpáticos Bons dias no trabalho, ninguém te liga para saber se estás viva ou morta. Quando consegui fazer uma “amiga” no trabalho descobri que era por puro interesse, no dia em que deixou de me falar…. dois longos anos para conseguir um visto…. no primeiro mês tive problema com uma máq de lavar, processei a loja e passados 2 anos de litígio, o tribunal concedeu o direito à loja de me compensar da maneira que quisesse (ou seja, devolução do dinheiro que gastei sem correção de juros, etc)…. muita inveja, ah vc é da Europa….. Enfim, pudia ficar aqui o dia todo…..

  18. Jose Matoso

    O Brasil é um Portugal em ponto grande, para o que tem de bom e para o que tem de nojento.

  19. Mônica

    Bela série de reportagens. Só lamento que tenham ido apenas as regiões norte, nordeste, centro-oeste e sudeste… Esqueceram-se de ir ao sul do Brasil…

  20. Barbara Bacelar

    Há quase trinta anos atrás tive a oportunidade de visitar a Europa.Na oportunidade conheci uma jovem portuquesa que nunca havia estado no Brasil, ou mesmo com brasileiros.Qual não foi meu susto e choque quando no meio da conversa esta jovem fala: ah mas “da-se um jeitinho”, naquele momento, historico, inesquecível em minha vida, descobri que o famoso jeitinho brasileiro, é na verdade uma herança, o jeitinho na verdade é portugues.

    • manuel

      Barbara,
      Eu, portugues desde que nasci, e sempre vivi em Portugal, apenas observador, digo-lhe que, o “jeitinho”, é uma palavra portuguesa, com certeza; o “jeitinho” de que voçe fala, aparece em lugares pouco eficientes, com poucas regras, e muitos beneficios pessoais nos jeitinhos que se faz… essa caracterisica, é própria de paises com praticas pouco transparentes, como é próprio em todos os países do mundo… infelizmente. Já vi jeitinhos em Espanha… França… Inglaterra… Marrocos… Guiné… e no Brasil… nunca fui… mas tb há-de haver porque é feito de pessoas… Apenas o Brasil é mais novo que a Europa…

  21. Cabeto Rocker Pascolato

    Para um país (sim, aqui onde hoje é o “brasil” era Pindorama para a nação indígena) que foi invadido, trucidado, estuprado, pressionado a acreditar “em um único deus”, explorado e saqueado de suas naturezas belas, até que nos tornamos um povo mais ou menos interessante… e inacreditável!

  22. alex

    Gostei do artigo. Cheio de otimismo. Mas lanço um desafio. Experimentem 18 meses em vez de 18 dias e tentem viver, normalmente como em Portugal e depois voltem a escrever. Os brasileiros são fantásticos, o clima o sorriso, optismo. merecem melhores lideres do que tem e são trabalhadores mas, garanto, não é fácil ser português e trabalhar aqui. É facil ser português e ser turista ou vir esporadicamente porque os que vierem para ficar facilmente entenderão a expressão ” Vem que a gente te abre oa braços.”… fechar o abraço é que
    será dificil. Abraços

  23. Jefferson C Gois

    Os problemas que pairam no horizonte da política do Brasil em 2014 só envolvem o calendário esportivo indiretamente.
    Todos os brasileiros tem a tendência de ser simpáticos guias turísticos. Esta benevolência faz até nós mesmos ficarmos perplexos, porque também não entendemos as causas.
    O atraso em cumprir metas é tradição brasileira.
    O Brasil é o sinônimo da prática sobre o planejamento. O método de aprender enquanto está agindo, e não o de aprender enquanto está planejando. O que leva a um gasto muito maior de tempo e dinheiro, e o brasileiro nunca foi comprometido com estes valores. Desde o mais pobre ao mais rico, o que todos querem é a diversão. Esta é a única prioridade.
    O sentimento de responsabilidade só existe quando está associado com a urgência. A maioria sempre atrasa nos seus compromissos, mas costuma ser pontual para a diversão.
    Esta “cultura” brasileira consiste de que algumas regras existem para ser quebradas, as outras para serem subvertidas, sendo a essência moral que o povo que se sujeita a tudo, menos às supostas obrigações. Esta é a versão brasileira da liberdade de pensamento que é contraditória, profunda e real.

  24. maria regina silva

    Sou brasileira,e lendo esse texto, fiquei muito feliz,mesmo diante de tantos problemas que meu País enfrenta, fico feliz e sempre penso que há ainda jeito para uma humanidade corrompida pelo egoismo em todos os sentidos.Amo Portugal,namoro um madeirense, já estamos juntos a sete anos.Eu ainda estou no Brasil e ele na madeira,não tivemos ainda condições de ficarmos juntos.Mas sei que este dia chegará,afinal de contas sou brasileira, cheia de fé, e acredito que quando nos determinamos e que seja nobre nossos desejos, tudo pode acontecer.abraços,maria regina silva.

  25. Érico Hugo Consani Dias

    Nós brasileiros somos disponíveis e hospitaleiros sempre damos um jeitinho pra tudo. Temos tudo para crescer, se não fosse o governo corrupto por décadas estaríamos anos luz à frente.

  26. Pingback: PORTUGUESA ELOGIA JEITINHO BRASILEIRO | Mais Rondônia

  27. Kurttvl von Liebig

    Morei 36 anos em Portugal, continuo com minha residência em Portugal, minha mulher é portuguesa.
    No que se diz de simpatia dos brasileiros, é verdade, em Portugal dizemos, não tenho, aqui no Brasil se diz, tenho não ,não existe uma negação após uma afirmação,esta errado, mas é menos chocante do que ouvir primeiro não tenho. A língua portuguesa falada no Brasil , é mais alegre, menos áspera ,mais doce. Não estou a dizer que está correctamente bem falado. É um povo alegre, simpático.

  28. Marco Bueno

    Fiquei lisonjeado ao ler sua matéria. É muito bom saber que existem pessoas que fazem jus a sua profissão. Digo isso porque o que temos visto ultimamete são noticias editadas no exterior que só acusam, criticam e denigrem nós brasileiros. Ainda mais neste ano de Copa do Mundo. Claro que temos problemas aos milhares, de todos os tipos, da pessoa mais simples à Presidência, da limpeza à saúde, da educação à moral. Enfim, ninguém gosta de ser apontado como a escória do mundo. E hoje em dia é o que se vê, se lê ou se ouve dos comentários vindo do exterior. Mas, como brasileiro não perde a pose, continuamos mantendo a alegria, o entusiasmo, a esperança -ainda que com todos os nossos problemas -pois aprendemos que a Vida é feita disso e que a solução virá de uma forma ou de outra. Nem que seja com o Nosso Jeitinho.

  29. Afonso Monteiro

    Cara Alexandra
    Quando li o seu artigo sobre o jeitinho brasileiro não pude deixar de sorrir. Estou a trabalhar e viver no Brasil h[a 18 meses e tive exatamente a mesma impressão quando cheguei. Tendo sido convidado para trabalhar numa grande empresa de Santa Catarina (nas 500 do Brasil), estava à espera de formalismo e rigor. Mas encontrei o que exatamente falou. E também comigo funcionou e funciona a grande maioria das vezes. Eu próprio já aderi. E porque funciona. Porque mesmo numa grande empresa o formalismo é reduzido sendo privilegiado o contato direto. Por exemplo eu falo quase diariamente com o Presidente da empresa e o tratamento é completamente informal. E assim tudo ou quase tudo é possível. Estou quase a completar 57 anos e já 35 de atividade profissional. Deixe-me dizer-lhe. Em Portugal também era assim. E não há muito tempo.
    Quanto à dificuldade nos telemóveis tem que se lembrar que isto é um país do tamanho da Europa. Portanto existem prefixos para todos os Estados (como países na Europa) e prefixos para cada operador (aqui a liberdade é total e pode utilizar qualquer operador a qualquer hora conforme lhe for mais prático). Nada que não se habitue em dois meses.
    Parabéns pelo artigo.
    Afonso em SC Brasil

  30. Simone Porto

    Fico feliz por saber. Pois é verdade vivo em Portugal. Ate gosto mas realmente aqui as pessoas gostam mesmo é de puxar o tapete dos outros. Pago impostos mas se preciso de algo relacionado com órgãos públicos e uma desgraça. As vezes acho que para muitos portugueses a escravatura ainda não foi abolida no dia 13 de maio de 1888. Também são muito orgulho não sem bem de que. Dos roubos, violações, Invasões. Só se for. Sei que existe muita gente boa. Pois se não fosse isto não estaria aqui.

  31. izabel Mendonça

    Sinceramente? Não creio que essa experiência foi coincidência. Somos a terra do onde tudo é possível. Somos crédulos, gostamos de gente, sejam elas pretas, brancas, indios, pardos, ingleses, portugueses, crente, católico, macumbeiro, etc. Por mais que as coisas não sejam tão fáceis para a vida do brasileiros, e de fato, não é, aprendemos a sorrir, a cantar, a perdoar, a amar, a abrir as portas da casa, do carro, da escola, do coração. Aqui as coisas acontecem de maneira rápida. Nossa característica é o acreditar que amanhã tudo pode acontecer, e assim a gente vai levando a vida. Mesmo a pessoa mais pobre, mais carente acredita que amanhã vai ser melhor, e por isso, ela tem esperança e trabalha para que as coisas aconteçam. Morei por 4 anos em Lisboa, foi a melhor experiência da minha vida nos últimos tempos. Só tenho a agradecer a acolhida, a boa vontade com que também fui tratada ai em Portugal, mas, confesso que o brasileiro ele ainda é mais amável e cordial do que outra nacionalidades que conheci. Percebo que aqui no Brasil, somos mais livres, apesar de tantas dificuldades, já ai no primeiro mundo, apesar de toda a Europa por exemplo, estar bem a frente com relação a mobilidade urbana, ao desenvolvimento sustentável, ao respeito ao ser humano, etc, ainda falta o mais importante que é o calor humano, a generosidade que brota, e essa é uma qualidade que a maioria dos brasileiros possuem. Fiquei muito feliz com esta matéria, pois quando li o tema, pensei que fosse ser mais uma crítica, no entanto, observei que os jornalistas que passaram por aqui, ficaram de fato foi encantados com a possibilidade e a verdadeira realização do sim. Parabéns. Sou do estado do Espírito Santo, região Sudeste, divisa com o RJ.

  32. Daniel Duarte

    Oi pessoal, vi esta reportagem e achei que sim condiz com a realidade aqui no Brasil.
    Vivo cá há dois anos e tal, e tudo deu certo para mim justamente porque existe este jeito desenrolado e informal de fazer as coisas.
    Não é geral, já que existe uma burocracia danada quando toca a processos específicos, mas mesmo assim, aqui é bom viver.
    Aconselho a qualquer português que não tenha alternativa em Portugal a vir pra cá, mas com algum canudo ou habilidade específica bem desenvolvida. 😉

  33. Eduardo Rocha

    Eu mesmo tive a oportunidade de contribuir para a realização de uma série de trabalhos do pessoal da RDP Antena 1, Açores, quando já não tinham como fazer para transmitir diretamente de Florianópolis o seu programa Manhãs de Sábado, que tivemos o prazer de colocar no ar via Internet diretamente da 10a. Ilha para o mundo lusófono….Demos um jeitinho e foi possível…

  34. artur

    Prezado.
    Ainda bem que conseguiu em pouco tempo reunir as condições necessárias para efetuar a sua reportagem.
    Vivo no Brasil há 12 anos e digo-lhe com toda a clareza. Foi sorte, sim. Aliado ao facto de vc ser um jornalista estrangeiro. Nao tenho dúvida.
    Agora tente abrir uma empresa no Brasil. Contrate uma equipa de construção civil para fazer uma reforma em sua casa. Entre num banco e tente ser atendido em menos de 30 minutos. Pode ser feito? Claro, só que será im teste à sua paciência.

  35. Eliana Mello

    Alexandra, como fiquei feliz em ler seu texto! Porque, esta experiência de ser envolvida por uma onda de positividade, de se ter a sensação de que todas as pessoas daquele lugar onde se está, conspiram para que tudo corra bem, que tudo dê certo, este sentimento de acolhida, de generosidade….Tudo isto, vivi em Portugal, com os portugueses, em todas as 3 vezes em que lá estive em estudos.Foram 7 meses da primeira vez, 1 mês da segunda e 2 na terceira. Em Évora, Porto, Ovar, Aveiro, Lisboa, Ourique, Castro Verde, Entradas, Golegã e mais umas tantas cidades. As vezes eu pensava ter uma placa na testa dizendo: “Tratem bem esta senhora”. Das mínimas às máximas atenções, bastava dizer o que precisava e….todos davam um jeitinho. lol
    Como dizemos aqui no Brasil, ao nos referirmos à pessoas semelhantes…..acho que somos todos, portugueses e brasileiros, “farinha do mesmo saco”. rsrsrs
    E, caso venha a Belo Horizonte, apareça aqui em casa para comer pão de queijo e tomar um cafezinho, sabendo que, quando um mineiro convida é de verdade verdadeira
    :)
    Grande abraço e um ótimo trabalho.
    Eliana Mello

  36. Sueli de Souza

    O povo brasileiro é hospitaleiro e corajoso. O sistema privado funciona de acordo com os seus interesses o público não funciona ao menos que se tenha um padrinho forte que abrirá as portas. Obviamente os jornalistas do Público foram bem atendidos e todos se colocaram a disposição pois se tratava de um empresa privada no caso A Rede Bandeirantes. Eu vivi por quase 4 anos em Lisboa e só tenho gratidão e amor pelos portugueses e por Lisboa. Resumo as pessoas são boas pena que somos governados pela escória da sociedade que e á classe política que está acabando com esse país que esta muito longe de ser um paraíso para quem realmente faz essa nação.

  37. fabio

    Atenção que a nível de burocracia do serviço publico o Brasil deve ser dos paises mais burocraticos do mundo.

  38. Luiz Menezes

    Fico feliz em ler tal depoimento, e orgulho por me incluir nesse contingente de brasileiros, que coloca o ato de solucionar algo acima de tudo, não importando quão difícil o é.
    Com tanta notícia desagregadora que ouvimos no dia-a-dia, nos surpreendemos ao ouvir comentário genuino de alguém de fora. Não tenho procuração de ninguém, mas creio que a maioria de nós não está acostumada a reconhecer isso em nós mesmos. Por isso, agradeço mais uma vez pelo feed-back gratuito.

  39. Wadlis R. de Lcerda

    Legal! Li todo o comentário e gostei!!! Coisas boas também podem e devem ser relatadas, não só o que é ruim, como geralmente acontece.. Parabéns pelo artigo!!! Um grande e afetuoso abraço.

  40. rafael

    Não existe mais, há décadas, ‘rede bandeirantes’ o nome da TV é apenas Band. Apenas a antiga Rádio Bandeirantes e a holding (que faz a gestão das TVs, redes de rádios, jornais etc) que é o Grupo Bandeirantes de Comunicação. Todo o resto é apenas ‘Band’. Fonte: a própria emissora. Para bom entendedor pingo é letra. Se alguém diz ”aparece lá em casa!”, vc só irá se tiver alguma boa razão para fazer isso. Se o contato tiver sido de alguns minutos fica implícito q a coisa é totalmente vaga,q é só uma amabilidade no trato pessoal! Embora possa haver exceções à regra, essa não será a norma ao tratar com mineiros, paulistas, gaúchos (só posso falar por esses..). Ou seja, se convidarem vc, será um convite real. No caso dos cariocas as exceções podem ser bem maiores, são mais entusiasmados e consequentemente mais volúveis nos salamaleques. O brasileiro (pelo menos a maioria) é proativo, dinâmico, otimista, desembaraçado, e na medida do possível tb mantem um bom humor em grau elevado o q ajuda a levar as agruras diárias de modo mais leve. Deus me livre de ter q passar o dia inteiro com gente pessimista ou com fatalistas que enxergam tudo com excesso de realismo!

  41. Márcio Cabral

    Sou brasileiro, nascido e crescido naquela natureza maravilhosa!
    Depois de um pequeno “estágio” de adaptação de 3 anos em Portugal, vim para Luxemburgo onde vivo há 10 anos.
    Posso confirmar que o brasileiro tem a tendência de acreditar que tudo é possível, mesmo quando é impossível…
    Isso pode ser uma fonte de frustrações, mas o impossível, às vezes, acontece…
    Acreditar, dar um jeitinho, perseverar, é, junto com a criatividade e a flexibilidade, uma lição que a cultural brasileira
    tem de sobra para dar “e vender…”
    Como diria um grande amigo: tirando o que é ruim, o Brasil é muito bom…

  42. Eulalia Moreno

    Os factos narrados dizem respeito a cumplicidade e camaradagem entre colegas de profissão. E isso aqui existe, de forma inequìvoca, bem mais do que em Portugal. Mas que ninguém se iluda com a simpatia do povo brasileiro, com a vontade de colaborar se não for para levar vantagem. Repito. Entre colegas de profissão, é facto. Com o povo em geral, pura balela!! Experimentem lidar com advogados, funcionários judiciais, atendentes hospitalares, atendentes de repartições públicas em geral. O Inferno!!

  43. Alberto

    Mas de que Brasil a maioria (ou quase todos!) os comentadores estao aqui a falar????? De certeza nao deve ser desse Brasil campeao das desigualdades sociais e racias e tambem da violencia. Nao deve ser esse Brasil onde os obscenamente ricos vivem encarcerados em guetos de luxo e os chocantemente pobres nas mais miseraveis condicoes. Nao deve ser esse Brasil de valores esquizofrenicos onde nao existe uma linha divisoria entre a ordem e barbarie, a justica e a injustica. A maioria dos comentadores aqui parece fazer parte do Brasil que se nega a si mesmo, aos seus problemas. Impressionante!!! Alem disso, parece-me ingenuo por parte da jornalista fazer um texto apenas a enaltecer o jeitinho brasileiro, uma atitude comportamental denigridora de normas e leis, se bem que os seus apreciadores o vejam como uma forma criativa de resolver determinados problemas. Em paises serios esse ”jeitinho” teria outro nome.

  44. Rafaela

    Que legal!!! Fico muito feliz em ver essa matéria, e sempre temos um bom sorriso, força de vontade para acontecer as coisas!!!!

  45. Thiago Luiz

    Sim, os brasileiros sempre são esperançosos, alegres, carismáticos, conforme a crônica do jornalista. E para nós brasileiros, “dar um jeitinho” é a ação necessária de que fazemos acreditar em um mundo cada vez mais democrático às diferenças.

  46. Marciel Nascimento.

    Valeu!!!! E podem ter certeza, que realmente vai dar.

  47. Ana

    Somos assim mesmo.Positivos, prestativos e simpaticos.Desde que fomos descobertos por Pedro Alvares Cabral! 😀

  48. paulo

    Ola pessoal,

    Li a noticia e fiquei muito contente com a vossa opiniao.
    Vivo em SP ha alguns anos e fiquei feliz ao ler o que aconteceu com voces, cm a vossa experiencia.

    Por alguns instantes, senti-me um brasileiro a sorrir e pensando “…que legal…o pessoal falando assim da gente, do nosso país..”. Afinal, nem tudo é assim tao mau.

    O Brasil é um país dificil, complicado…um país para veteranos corajosos e dispostos a lutar e a suportar sacrificios, sim, porque o povo aqui sofre…e muito.

    Moral da história: Aqui, tudo é possível, basta conhecer a pessoa certa.

    Abracos e boa sorte.

  49. Ricardo Casarino

    Não foi sorte! Nós brasileiros temos o espírito de “fazer acontecer”, mesmo que aos olhos de muitos seja impossível.

  50. Getulio Figueira Camelo

    Aqui no Brasil o sistema Privado funciona, diferente do público… Fica a dica!

    • maria silva

      Não seja injusto. Também no serviço público tem um jeitinho; para poucos, mas tem (desde que o Pero Vaz de Caminha, depois de relatar ao Rei o encantamento com a terra encontrada, pediu-lhe que empregasse um parente)

  51. Elson Silva

    Nós somos assim porque aprendemos isso com voçês de Portugal. …..creio que em tese o calor do Brasil fazem as coisas acontecer de forma mais informal….o chamado jeitinho…….dificilmente se ouvirá de um brasileiro, não, assim não dá, não tem jeito……Portugal precisa re-descobrir o Brasil!!!

  52. Plinio Catunda

    Alexandra Prado Coelho e Vera Moutinho, pode acreditar somos assim mesmo, não foi só coincidência, e se resolverem vir de novo sejam bem-vindos…

  53. Adolpho

    Foi uma honra ter à bordo, a querida repórter Vera Moutinho!
    Agradeço em nome do Brasil, a sua visita.
    Parabéns à todos do jornal “PÚBLICO”.
    Foi uma honra!
    Sucesso!

  54. Sandra

    Adoro o nosso jeitinho brasileiro! Obrigada pelo artigo!

  55. Maria Adelaide

    Pelo relato as jornalistas parece que acabaram por passar 18 dias num verdadeiro paraíso exótico. O que evidentemente o Brasil não é para quem o conhece com olhos de ver. A título de exemplo, não conheco nenhum país do mundo onde um estrangeiro seja privado de comprar um chip de telemovel por não ser possuidor de um CPF, equivalente ao nosso cartão de contribuinte. Existe sim uma adorável simpatia brasileira mas os brasileiros, em geral, são como o Cristo do Corcovado: braços abertos mas portas fechadas quando um estrangeiro precisa. E nisso os maiores discriminados são os dos países pobres do mundo. Isso para não falar num outro Brasil nada simpático para com a maioria da sua população. Reportagens como essa apenas alimentam o estereótipo do Brasil como paraíso. Mas o seu inferno… esse é muito, muito maior.

    • Márcio Cabral

      Caríssima Maria Adelaide,
      Você tem razão em alguns dos seus comentários, mas há um com o qual não posso concordar: disse que as portas estão fechadas, mas isso não é verdade, os aeroportos são portas abertas para aqueles que não estiverem satisfeitos. Basta fazer o check-in (ou o check out”) e dar no pé. Boa viagem.

    • Lima

      Amigo, vivi 10 anos em Portugal, fiz belíssimos amigos que os preservo desde então, mas fiquei mais de um ano sem conhecer ninguém afundo, não me passavam contactos e nem me faziam convites. Não vejo diferença de nós brasileiros convidar-mos alguém sem dar morada de ao conhecer alguém em Portugal e nem ser apresentado pelo intermediário por não conhecer o outro…Enfim, são forças dos hábitos criados com o tempo!

    • maria silva

      Temos que agradecer a jornalista pelas palavras elogiosas e foi bom que se deparasse com esse Brasil.
      Senhora Maria Adelaide, o que os estrangeiros têm a ver com a nossa miséria? Somos nós os responsáves e dela devíamos nos envergonhar, no lugar de desejar à jornalista que nela se instale, quando voltar ao Brasil.

    • José Elias

      Gostaria de saber o que de mal te aconteceu aqui?
      E porque não reportastes, acredito que já cá viestes pra poder falar deste.
      Pois bem, eu morei em Portugal por 2 anos de 92 a 94 e fui abrir uma empresa em 2007. Conheci pessoa muito legais, maravilhosas mas em compensação o que vi de gente grossa e mal educado e inacreditável!
      Uma burocracia pra fazer um documento que da nos nervos. Ficaram me vigiando dias para me de portarem , mas não tiveram essa sorte pois minha passagem já estava marcada.
      Enfim amo seu país , mas o povo que lá vive precisa aprender muito o que é educação!

    • César Lopes

      Valeu pelo seu comentário. Quem lê uma reportagem destas fica a pensar que entrar no Brasil é quase com entrar no céu. O pior é que na maioria das vezes quando põe os pés em terra esse céu transforma-se num inferno. Essa reportagem fez-me lembrar muitas pessoas que eu conheci, que vivem num sonho e recusam-se a acordar para a realidade, fazendo do Brasil uma coisa que quem o conhece, sabe que não é.

  56. Ingrid Adolpho

    Cara, que orgulho desse meu tio!

  57. Miguel Sepúlveda Velloso

    É mesmo. Há tempos deixei no meu hotel no Rio de Janeiro um livro importante. Só dei por isso ao chegar ao aeroporto. Dei ao taxista a minha morada de Lisboa, pedindo que se dirigisse ao hotel, explicando o que se passara e se o hotel me poderia enviar o livro.
    Fiz sem esperanca de o reaver. Quinze dias depois, o livro chegou a minha casa. Os portes pagos pelo hotel. Tudo tinha funcionado sem a menor complicacao. É bom quando noutros lugares o que parece difícil se torne fácil e próximo de nós.

  58. Jose

    Finalmente alguém nos diz que não somos o melhor povo do mundo… e não somos.