Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

25 de Julho de 2017, 10:21

Por

Eu já tive namoradas de todas as cores

Há um momento de viragem em qualquer debate sobre racismo, comunidades minoritárias ou culturas diferentes: é quando o último argumento de autoridade é que “eu até tenho amigos pretos”. É no que estamos na defesa do candidato racista do PSD em Loures. Mas já ouvimos essa escapatória muitas vezes, não é verdade?

Voltemos um pouco atrás. Este argumento dos “amigos pretos” não é o primeiro, ele tem de ser poupado para quando for desesperadamente necessário para restabelecer a normalidade do orador, sobretudo se se sentir suspeito de deriva envergonhante. Antes dessa evocação dos amigos fora de portas, veio a substância: os outros, os “pretos”, comportam-se de modo inaceitável ou têm hábitos ou atitudes que contrastam com as “nossas” e portanto devem ser disciplinados.

Assim, o argumento, no início, é só que eles são diferentes. A norma não aprecia esse atrevimento da diferença e o nosso argumentador amofina-se com o incómodo assim causado. Portanto, o estado natural da sociedade, que é só o que o nosso homem reconhece como padrão, poderia ser perturbado se alguém tivesse outra cor de pele, ou comesse de forma diferente, ou ouvisse música de forma diferente, ou rezasse a um deus diferente. A estranheza desses hábitos suspeitos só pode ser superada pela integração niveladora: eles devem passar a falar como nós, a rezar ao nosso deus e a ouvir a nossa música. Eles precisam de deixar de ser diferentes, pela razão mais elementar, isso chateia.

É aqui que aparece o “amigo preto”. Se o incómodo com os outros contrasta com a noção mais simples da vida humana, ou se descobrimos que estamos sempre confrontados com outros, que na mesma cor de pele há deuses diferentes e que nem se apreciam, que na mesma religião há cores de pele diferentes, que na mesma língua há gente que tem hábitos e culturas diversas, que no nosso prédio e na nossa família há modos de ser distintos – se a diferença se impõe porque é a vida, então é preciso lembrar o “amigo preto”.

A evocação desse amigo diferente é precisa por uma única razão: o problema é o argumentador, não é só o argumento. É ele que se sente com falta de legitimidade. Por isso, se for suficientemente hiperbólico, haverá quem, para defender o dito candidato do PSD, encha o peito e solte que “por ter crescido ali, tive e tenho amigos negros, mulatos, muçulmanos, tive namoradas de todas as cores. Só não tive namoradas ciganas porque os irmãos tinham a tendência para contra-argumentar com a navalha.” Há nisto um macho-alfa que não deixa de ser encantador, ele já teve “namoradas de todas as cores”, fez a colecção completa no álbum das cores. Mas faltam-lhe as “namoradas ciganas”, num indiscreto plural, e não é porque elas não quisessem, é por causa das navalhas dos irmãos. Fecha-se o ciclo do “amigo preto” com as “namoradas de todas as cores” e a excepção vergonhosa das ciganas, coitaditas.

O discurso do “amigo preto” e das “namoradas ciganas” é a voz da ralé política da nossa sociedade. Ignora tudo: ignora a discriminação histórica, ignora o desprezo cultural, ignora a exploração das comunidades imigrantes, ignora a degradação económica e a marginalização dos nómadas. Mas, pior, ignora quem se esforça: ignora os mediadores ciganos que respeitam a identidade da comunidade e transformam a sua vida, ignora os professores que ensinam e protegem as crianças, ignora os casamentos por amor, ignora quem prosseguiu os seus estudos, ignora quem assumiu responsabilidades no país.

Um cigano que joga na selecção nacional de futebol faz mais pela nossa democracia do que todas as paletes de candidatos xenófobos e os seus advogados namoradeiros.

Comentários

  1. “Acho os ciganos tão românticos…Eles não podem fazer nada antes de casar, então casam muito cedo”.

    (Kate Moss, manequim britânica, em 2011)

    “Gosto das pessoas que têm humor. Se me fizer rir, vou para a cama com ele. Não importa como ele é fisicamente”

    (Adele, cantora britãnica, também em 2011)

    Contrastes.

  2. Não querendo fazer incursões ao insulto e à sua ignorância, não há dúvida que lhe só falta dizer que é defensor acérrimo do nazismo, assume-se como um capataz nazi, de carrasco,da supremacia da raça ariana que o Hitler defendia e pôs em prática com massacres de milhões de pessoas, em suma todo aquele que não tivesse sangue ariano não seria poupado. Decerto que o José Bernardo estaria inevitavelmente incluído nos milhões barbaramente assassinados nas câmaras de gás e também aqueles, passo a citar, cujo “QI é muito baixo, tais como os pertencentes à raça negra”. Nem para engraxar os sapatos do Hitler o senhor serviria seguramente. De resto, o Dr. Francisco Louça deu-lhe a resposta à altura. Para meio entendedor meia palavra basta. Disse.

  3. Eu já escrevi isto imensas vezes .Eu vivo em Loures e de facto o que André Ventura disse não anda muito longe disso . Estamos em eleições autárquicas e o André Ventura falou na região de Loures onde vivo e de facto existe problemas com os ciganos , porque tenho na minha área de residência ciganos e sei o que casa gasta . Eu sei o que é passar durante a minha curta vida (que ainda sou jovem ) num prédio constituído maioritariamente por ciganos e sempre dizerem para não passar por esse prédio. Eu nunca entendi isto , só depois é que percebi o porquê , mais concretamente dedicavam-se a quê…….trafico de quê …… . E assim vai moldado a opinião desgraçadamente . O André Ventura pode até ter utilizado as palavras erradas . Ter generalizado, pode-se pôr isso em questão mas no fundo na região de Loures ele tem um fundo de razão. . Eu gostaria que vivesse em Loures para ter mais conhecimento de causa , caso contrário é preciso estar calado e isto é dirigido a pessoas como Francisco Louça , porque quem não convive com essa realidade….. E depois causa-me perplexidade expressões do tipo “ignora os casamentos por amor” , não tenho nada contra casamentos por amor e ninguém que eu saiba está contra os casamentos por amor . Em relação aos casamentos infantis já outro caso . São por amor ? Quando assinamos convenções dos direitos da crianças , direitos humanos ? É que em pleno século XXI e na região de Loures ainda acontece crianças de etnia cigana abandonarem a escola para se casarem e isto falando tendo conhecimento . Esta opinião não entra na raiz do problema , também é genérico . E se André Ventura não é solução para esses problemas , muito menos é pessoas como Francisco Louça , pelo contrário são instigadores de haver mais Andrés Venturas ou até mesmo Trump’s nos EUA.

  4. Caro Dr. Francisco Louçã, do seu texto retenho um conceito válido: a MULTICULTURALIDADE… Que eu defendo, que a revejo na realidade da sociedade portuguesa e que é fundamental para o futuro da economia e da sociedade portuguesa. Contudo, parece-me que o enfoque que quer dar no seu texto a esta ou aquela etnia que está a ser marginalizada por este ou aquele indivíduo, não é uma questão séria do ponto de vista político. Recordo-lhe que todos os partidos têm “telhados de vidro” e que se procurar bem dentro do seu partido (entre políticos e eleitores), irá encontrar igualmente pessoas xenófobas, racistas ou fascista nos seus pensamentos, discursos e acções. Seria sério do ponto vista político colocar a seguinte pergunta: Será justo para as empresas, organizações e trabalhadores/as que pagam os seus impostos e contribuições a tempo e horas terem que sustentar cidadãos que beneficiam dos apoios sociais sem haver razões para que estes os recebam (e atenção que aqui estou a incluir todas as etnias ou nacionalidades que residem em Portugal, incluindo os/as portugueses/as)? É a resposta a esta pergunta que grande parte dos/as portugueses/as querem ou ouvir da parte dos políticos, embora não fiquem só satisfeitos com a resposta, pois a REALIDADE económica e financeira do Estado exige que para além da resposta se tomem medidas de maior justiça e eficiência na atribuição dos subsídios sociais, e, por outro lado, os contribuinte líquidos agradecem. Obrigado pela sua atenção.

    1. Presumo que o cavalheiro, por “cidadãos que beneficiam de apoios sociais sem haver razão para que estes os recebam”, se refira ao Ricardo Salgado do Banco Espírito e aos outros que tais do BPN, BANIF… a lista é extensa… Porque realmente, a banca portuguesa, em 6 anos, recebeu do estado 70 vezes mais que todos os beneficiários do todos juntos (reformados, desempregados, baixo rendimento, arrendamentos jovens, etc, etc, etc…)! E realmente é uma boa questão!

    2. Caro Hélder Oliveira, desconfio que se doutorou na arte de desconversar, e, em relação à sua desconversa, sinceramente, não sei se Ricardo Salgado ou os outros banqueiros de que fala recebem ou não apoios sociais… No entanto, você lá o deve saber, dado que o afirma com tanta segurança. Penso que fui claro no que disse e tenho pena que não tenha chegado lá. De qualquer forma, agradeço-lhe o seu comentário, desejando-lhe desde já, respeitosos cumprimentos.

  5. Dra. Louça associar os termos do discurso “amigo Preto” e “mulheres de todas as cores” à “discriminação histórica”, “desprezo cultural”, “exploração das comunidades imigrantes”, “e marginalização dos nómadas”, é rebuscado.
    Na sua “nova língua”, presumo eu (talvez erradamente), os ciganos são os nómadas, a “discriminação histórica” assumo que remeta para racismo.
    Quanto à “exploração” creio que remete para alguma precariedade de imigrantes, real, dura e tão valida como a exploração de qualquer outro cidadão. Não esperava que um arauto da igualdade faça tal destinação.
    O discurso ingénuo do “amigo Preto” é mesmo isso ingénuo, sem “muros linguísticos”. O Preto do amigo, não ficou mais branco, mas continua “amigo”… “maior que o seu pensamento”.

  6. Em primeiro lugar reconheço que este é um tema sobre o qual esteja muito informado.
    Contudo gostava de saber qual a forma possível de se discutir este tipo de temas sem se ser apelidado de racista ou xenofobo?
    Alguns dos argumentos do candidato André Ventura parecem-me bastante relevantes e merecedores de serem discutidos. O facto de na comunidade cigana existirem casos em que raparigas menores se casam, o não poderem prosseguir os estudos, a elevada prevalência nesta comunidade do rendimento por via de subsídios e da habitação social.
    Qual a forma correta de falar sobre estes problemas na política? é que na minha opinião são problemas importantes e que merecem ser discutidos. Aliás até acredito que os principais beneficiados numa discussão séria destes problemas é a própria comunidade cigana. Simplesmente ignorar estes problemas não me parece ser solução. É muito importante que seja possível discutir estes problemas na arena política e isso neste momento parece-me muito difícil de ser feito sem se correr um grande risco de ser chamado de racista e ou xenófobo.

    1. Falar de problemas concretos que apenas existem, ou que existe em grande escala, num determinado grupo de pessoas, seja esse grupo determinado pela sua raça, etnia, género, ou outro parâmetro qualquer, parece-me razoável. Mas debater esses assuntos de forma séria, passa necessariamente, e em primeiro lugar, envolver esse mesmo grupo na própria discussão.
      Querer falar de um problema social que afeta um grupo alargado de pessoas, mas querer concentrar a discussão apenas num determinado grupo dentro esse mesmo grupo mais alargado, aí é que está o problema do sr. candidato a autarca de Loures pelo PSD. Ainda para mais em campanha eleitoral. Se ele está assim tão preocupado com essa temática, e estando ele interessado no assunto há mais de 2 anos, como ele diz, porque não promoveu ele já debates com a própria comunidade, neste caso cigana, para se debater esses assuntos?

    2. “porque não promoveu ele já debates com a própria comunidade, neste caso cigana, para se debater esses assuntos”

      Você acredita mesmo naquilo que acabou de escrever? Se fosse você a identificar os problemas que ele identificou (e ninguém refutou por serem suportados por estatisticas), qual seria o seu discurso para a comunidade cigana?

      Como é que você abordaria o tema dos casamentos com meninas de 14 anos? Como abordaria o tema das crianças que são retiradas das escolas em tenra idade? Quer-me explicar?

  7. Pacheco Pereira a Miguel Sousa Tavares também são racistas? Qualquer um deles fez criticas bem diretas aos ciganos, criticas tão sustentadas em números como as acusações de André Ventura.

    E quando diz “O discurso do “amigo preto” e das “namoradas ciganas” é a voz da ralé política da nossa sociedade. Ignora tudo: ignora a discriminação histórica, ignora o desprezo cultural, ignora a exploração das comunidades imigrantes, ignora a degradação económica e a marginalização dos nómadas” faz tudo menos negar que o que ele disse é verdade. Se para os ciganos se desdobra em arranjar desculpas para o comportamento, aos “brancos” nada é perdoado, nem dizer a verdade incómoda.

    1. Pierre Pierre cantava “on est toujours le con de quelqu’un”. Da mesma maneira todos somos sempre o preto (ou cigano) de alguém. O João acha-se “branco”. Pergunte a um sueco, a um alemão ou até a um francês o que ele acha dessa afirmação.

    2. Se tem alguma crítica à mensagem, faça favor de o fazer até porque o “branco” estava entre aspas por alguma razão.

      O “branco” refere se às não minorias, não à cor da pele….devia ser fácil perceber.

  8. Dà para perceber que a extrema direita, os neo-nazis e quejandos fazem um verdadeiro esforço para conquistar algum protagonismo na rede de comunicaçao… é como uma autentica 5° coluna aparecendo nos comentàrios de tudo o que toque o teme racismo, babando odio e apelando à violência. Alguns sao repetidos, ou seja, notoriamente o mesmo troll aparecendo com diversos pseudonimos. Nao é que sejam nem muito nem pouco esclarecidos, enfim, sao o que sao, coitados, mas ao menos os arregimentados jà aprenderam a escrever sem erros.

  9. Na ´«grande Lisboa» no ano de 2011 mais de 36% das novas infecções com VIH foram em IMIGRANTES ( falta saber dos outros 64% quantos eram portugueses postiços aka imigrantes ou descendentes de imigrantes)! Os imigrantes dos PALOP cometem 1500% mais crimes per capita que a média nacional ( mesmo com esta média é inflacionada pela criminalidade dos ciganos,portugueses postiços,brasileiros ….) TODOS os testes onde se comparou o Q.I. da raça negra e da raça branca mostraram que a raça negra tinha menor Q.I. TODOS os estudos em que se comparou o volume cerebral de negros e brancos mostraram que os negros tinham menor volume cerebral – menos alguns cm3 de miolos significam menos alguns MILHÕES de neurónios! A igualdade não existe na natureza nem ente indivíduos nem entre populações! A VERDADE é racista! Os FACTOS são racistas! A doutrina bolchevique do igualitarismo racial é uma fraude!

    1. Este discurso racista devia ser emoldurado. Agradeço ao José Bernardo que nos lembre as medições do QI e outras singelezas sobre milhões de neurónios.

    2. Qualquer estudo que estabeleça comparações raciais tem falta de rigor científico até porque actualmente só é conhecida uma raça que é a humana. É como os perdigueiros: há os castanhos, os brancos, os com manchas etc. Ao que parece, a última raça diferente conhecida é o homem de neandertal que já não existe mas cujos genes estão bem presentes entre nós até como parece demonstrar o teu comentário.

    3. Tolice. Indique UM teste desses (um só) cujos resultados sustentem a ‘sua’ conclusão sobre ‘Inteligência das Raças’ ou o seu QI. E já agora um estudo referência sobre ‘volumetria cerebral das raças’. É que conceitos basilares como Igualdade ou Verdade, de facto, não são nem batatas nem natureza mas ‘inteligência humana’…

    4. Não sei como com esses supostos cm3 a mais conseguiu proferir tanta barbaridade com tão poucas palavras. Deve ser do tal QI mais elevado, com certeza.

    5. “TODOS os estudos em que se comparou o volume cerebral de negros e brancos mostraram que os negros tinham menor volume cerebral”

      Faltou o estudo com o teu cérebro, que os resultados já seriam, certamente, outros…

    6. Porque é que o Francisco Louçã rejeita à partida que os dados apresentados por José Bernardo sejam verdadeiros?
      A reacção de pessoas da área política de Francisco Louçã assemelha-se muito à dos puritanos de antigamente que recusavam-se debater com quem quer que questionasse os seus dogmas.

    7. Caro José Bernardo, desculpe, pois quase o insultava!

      É que de repente pensei que estivesse a escrever sobre o Luxemburgo e problemas com os nossos compatriotas por aquelas bandas. Mas afinal não, vejo que é um belo exemplar do patriotismo português!

      PS: Qual era mesmo o volume cerebral de Albert Einstein?

  10. Mais um comentário/análise que passa por cima de um factor importantíssimo em toda esta equação: Aqueles que o Pacheco Pereitra crismou como “abandonados”.
    Caro Francisco Louçã, sem acção de empoderamento dos “abandonados”, eles, os monstros, terão sempre terreno fértil, independentemente da forma vincada como se argumenta e defende ideias.
    Pense nisto.
    Saudações.

  11. Um cigano que jogue futebol faz mais pela “nossa democracia “… a sério? Sabe do que fala?Porreiro, pá! Nos próximos tempos vou-lhe lembrar esta POSTADA! DEPOIS NÃO FUJA COM O RABO Á SERINGA !!! É que quando nos ” entusiasma-mos”, ás vezes dá borrada! O senhor fala mas na realidade não sabe do que se passa na Vida Real! Aposto. Dou-lhe um mes a viver no Pica-Pau-Amarelo!!! Ui, Tão bom que se vive em Lisboa!
    E mais, não tenho medo de me “identificar”. Estou ao seu dispor.Não me mete medo… não tive no tempo da “outra senhora”!

  12. Francamente gostei mais do artigo de Pacheco Pereira. Achei-o mais matizado, e ainda sou dos que acham que “I don’t do nuance” é uma atitude de direita. Já ouvi muitas conversas racistas contra os ciganos ou os pretos, mas assim do pé para a mão não me lembro de nenhuma em que o primeiro argumento, ou o argumento principal, fosse o serem diferentes. Certamente não o serem diferentes na dor da pele, na cozinha, nos gostos musicais ou na religião. Já o serem diferentes no respeito pelas filas de espera nos centros de saúde, isso, sim, já ouvi vir à baila… As pessoas sabem onde lhes apertam os calos.

    Qualquer afirmação que comece por “os” ciganos isto ou “os” pretos aquilo é, evidentemente mentira. Uma que começasse por “n% dos ciganos isto” ou “n% dos pretos aquilo poderia ser verdadeira ou falsa, dependendo do valor de “n” e da possibilidade de “n” ser conhecido. Mas lá esta: as generalizações abusivas podem vir da má-fé política – inventar um inimigo para unir uma base de apoio – ou podem vir dos calos apertados de cada um. Para que a má-fé seja eficaz é preciso que alguém sinta realmente os calos a doer – e esse alguém são geralmente os pobres.

    De onde decorre que nunca será possível combater essa má-fé sem cuidar dos calos de quem os sente apertados; o que passa por criar as condições pra que todos, ciganos ou não, respeitem o lugar na fila. E todos, pretos ou não, toquem a música de que gostam de modo a que não se ouça em casa do vizinho. Por muto burguês, prosaico, repressivo e nivelador que isto pareça a quem tem paredes grossas e se trata em hospitais privados.

    1. Como poderá facilmente reconhecer, nenhum politico começa a frase com “n% dos” antes de descrever qualquer situação. Nenhum. Mas as estatísticas estão aí para quem quiser ler, tal como o facto que ninguém nega – os casamentos com “meninas”, o abandono escolar que só não acontece quando há RSI, ambos apontados por Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares – tradições que não advém de “séculos de perseguição” ou qualquer outra desculpa esfarrapada.

      Pacheco Pereira é racista por não usar “n% dos ciganos casa-se com meninas”? Gostava que me explicasse essa.

  13. O Ventura é o Portugal da evangelização / das tias que vão à missa e praticam a caridadezinha / dos tempos áureos da ditadura.
    Está ainda tudo demasiadamente enraizado na nossa cultura e que, amiúde, extravaza para o século XXI. Temo que da direita continuem a surgir pérolas destas – afinal, não é o mesmo partido de Passos Coelho?

    1. Gostaria muito de saber onde mora
      Certamente não é perto de nenhum bairro de ciganos
      Certamente não convive ou conviveu com eles
      Certamente nunca teve nenhuma propriedade sua assaltada por eles
      Certamente nunca teve que passar uma noite na sala de espera das urgências de um hospital na companha de uma família cigana (e uma família cigana não são 3 ou 4, são dezenas)
      Certamente nunca foi abordado na rua Augusta, por exemplo, por ciganos que à descarada lhe querem impingir droga e relógios de “ouro”
      Certamente, certamente, certamente…
      Sou homossexual e sou casado há vários anos com um brasileiro de raça negra. Não me parece que me enquadre no caixote dos racistas e/ou intolerantes pois, também eu, tenho sofrido a vida toda com as intolerâncias dos outros.
      Gostaria de criar uma nova definição para a palavra “culturista” que não fosse a de alguém que se dedica a insuflar músculos mas sim alguém que não aceita ou não gosta a cultura de alguém. É esse o meu caso. Não me interessa para nada a cor da pele, até podem ser azuis, desde que cumpram as regras impostas pela lei e se comportem civilizadamente e respeitosamente em relação ao próximo que é coisa que os ciganos não fazem, e mais, têm muito orgulho em não fazer. Cumprir a lei e respeitar os outros é, para eles, quase uma afronta. Tudo o que seja para prejudicar, enganar ou afrontar os “gaijins” (é a palavra com que eles se referem aos não ciganos brancos) é motivo de regozijo entre os pares.
      Portanto, como dizia um outro comentador, experimente ir passar uma temporada a um bairro cigano e depois diga se gostou e se continua a manter a mesma opinião.
      Ps: Já reparou que os ciganos são o único povo no mundo que faz todo o possível para impedir a instrução escolar dos seus filhos, especialmente das suas filhas. Acha isto aceitável?
      Por isso que eles não evoluem socialmente. Sem educação e instrução não pode haver evolução
      E, nos últimos anos, só mandam as crianças à escola, muito a contra-gosto, para que não lhes seja cortado o rendimento mínimo.

  14. Tem razão. Vou ser honesto e dizer que não tenho amigos nem quero ter amigos pretos, ciganos ou muçulmanos; e que nem considero que qualquer mulher de uma minoria possa ser minha namorada, porque não me envolvo com mulheres de QI inferior e cheias de doenças. Por fim, termino dizendo que quero que todos voltem para a sua terra, que Portugal é para os Portugueses e não para estrangeiros que só criam tensão cultural e racial, não respeitam leis nem normas, aumentam o crime e absorvem recursos do Estado.

    Está melhor?

    1. Que vergonha de comentário. Não deve andar muito feliz com a sua vida. O anonimato cabe-lhe bem, tal como o diz Francisco Louçã. Ser ninguém é a medida certa do seu valor.

    2. O seu comentário não faz qualquer sentido, e não estou a falar do racismo patente que debita, porque eu sou apologista que os energúmenos falem, para sabermos quem são!

      Não faz sentido dizer:

      “Vou ser honesto e dizer que não tenho amigos nem quero ter amigos pretos, ciganos ou muçulmanos; e que nem considero que qualquer mulher de uma minoria possa ser minha namorada, porque não me envolvo com mulheres de QI inferior e cheias de doenças”

      e depois isto:

      ” termino dizendo que quero que todos voltem para a sua terra, que Portugal é para os Portugueses e não para estrangeiros que só criam tensão cultural e racial”

      Então e não há pretos, ciganos ou muçulmanos Portugueses?!?!?!

      Que confusão nessa cabecinha cheia de vazio…

  15. O Ventura já tem inúmeras queixas crime contra ele, por causa do racismo entranhado e mandado cá para fora, a propósito de umas eleições. Mas poderia ser por outra razão qualquer.
    Argumentar com um racista treinado argumentador, é impossível.

    E também considero “normal” o PSD entrar na mesma fase racista-fascista, que o Partido Republicano americano de Donald Trump (esquecendo a nossa Constituição que eles odeiam, e que proíbe movimentos políticos fascistas, apesar da liberdade de expressão), depois de 4 anos de governo a promover somente os “produtivos” (incluindo os ciganos ricos) e as tias da linha, deixando de fora os doentes, desempregados, idosos, etc.

    O que importa é que este incendiário racista de Loures pague na justiça pelo que faz e diz. O resto, o protagonismo na comunicação social portuguesa, considero quase “normal”.
    E por falar em “incendiário”, temos um novo líder parlamentar no PSD, um filho do passismo, que é de tal forma incendiário, que só para ele será preciso um Siresp inteiro…

    1. O que nos leva à questão tantas vezes levantada (ainda que à boca pequena): que sentido faz proibir partidos e organizações fascistas, e autorizar partidos e organizações marxistas-leninistas quando o grau de sofrimento que estes infligiram é equiparável ao dos primeiros?

    2. Tiago: o nosso regime político é livre e democrático, mas não é neutro (não há nenhum regime neutro). Nasceu com o derrube de uma ditadura fascista, que matava e torturava.
      Quanto ao que se passou lá fora também não concordo. Os crimes dos fascistas e dos nazis foram muito mais odiondos em número e violência, e os fundadores do PSD concordavam comigo…

  16. A deriva cigana da nossa política pôs-me a tentar saber mais sobre esta gente. De facto só conheço ciganos de pequenas rixas a caminho do liceu em Odivelas (ao contrário das personagens do seu artigo nem amigos nem namoradas). Era claro que não jogávamos com o mesmo naipe e que a des-socialização escolar causava neles uma frustração anti-social que os acompanharia o resto da vida. Puz-me então a ler coisas sobre esta gente (estudos de sociologia UL, História, etc), aqui vai: há 15 milhões de ciganos, as duas comunidades mais importantes nos EUA (1M) e no Brasil (800m). Dois presidentes do Brasil eram de origem cigana, incluindo o laudado Juscelino Kubitschek. Nos EUA estão completamente integrados, tirando a música, não há mais de nota como comunidade. Pelo contrário entre nós, como no resto da europa ocidental, os ciganos viviam frequentemente em associação com os judeus em atividades comerciais (há sítios no Brasil onde ainda os chamam “judeus”). A entrada deles no continente foi violentíssima. Foram escravizados nos Balcãs, vários grupos foram exterminados na Europa central (com leis a pagarem por cabeça), em geral violentamente perseguidos sempre que houve movimentos anti-semitas. Eles eram afinal a logística que circulava os produtos da actividade dos guetos até às feiras onde eram vendidos. Na beira Alta o judeu alfaiate, sapateiro e ferreiro é ainda uma memória coletiva (mas não o judeu feirante, esse era cigano). Como concluem esses estudos, na Europa os ciganos são os herdeiros de dinâmicas de exclusão que no passado partilhavam com os judeus. Ai ai onde estamos a cair de novo … inacreditável como pessoas inteligentes caiem como uns patinhos nestas armadilhas históricas :-(

    1. Joana Almeida, parabéns pelo seu estudo e agradeço as informações partilhadas.!

    2. O personagem a que Senhor Louçã alude é o colunista Raposo do Expresso. Grande besta, por sinal.

    3. Olha que belo país esses 15 milhões de ciganos dariam talvez num território despovoado no meio de África.
      Criariam um Israel cigano em que a base da economia seria venderem t-shirts e droga uns aos outros
      Seria um descanso para o resto do mundo que tem que apanhar com eles.

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