Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

30 de Junho de 2017, 07:46

Por

Senhor eucalipto

Assistir ao espectáculo de um adulto a comportar-se como um garoto cria uma certa vergonha alheia. Quando se trata de um debate importante para a comunidade, essa vergonha alheia transforma-se em pena. Tenho por isso pena do Dr. José Manuel Fernandes.

O Dr. Fernandes, que tem pergaminhos na imprensa – eu conheci-o na Voz do Povo, depois no Expresso e depois director do Público – capitaneia agora um projecto de agit-prop, o Observador, e nele entendeu que o incêndio de Pedrógão Grande seria a oportunidade de sacudir o país com uma intestina vaga de indignação. Se quem lê estas linhas deita os olhos a essa publicação online, já conhece o estilo da casa: Portugal é sempre uma crise alucinante, um governo trágico, um primeiro-ministro criminoso, tudo uma pepineira, pelo menos desde que Passos Coelho perdeu a maioria nas eleições. Portanto, nada de novo: na opinião da sempre fogosa brigada neoconservadora do Observador, este incêndio é só mais um fogo que arde para se ver, queime-se o governo e salvem-se os eucaliptos.

A querela é esta: os eucaliptos são ou não perigosos para a nossa floresta? Vejamos os factos. Diz o INE que Portugal tem 23% da sua área florestal entregue aos eucaliptos, ou cerca de 760 mil hectares. Só quatro países do mundo têm mais eucaliptal em termos absolutos do que Portugal: a China (mas é 104 vezes maior do que Portugal), o Brasil (92 vezes), a Austrália (83 vezes) e a Índia (36 vezes). Em termos relativos, nenhum país no mundo tem a superfície de eucaliptos de Portugal. Aos que me respondem com o argumento de “dá dinheiro”, pergunto só por que é que a Alemanha ou a Espanha não correm para este El Dorado. A resposta é que é perigoso, não é que os empresários alemães ou espanhóis sejam estúpidos. Sim, o nosso desordenamento florestal é grave, o abandono rural gravíssimo – mas é um desordenamento que promove os eucaliptos (77% do investimento na floresta em 2015 foi para eucaliptos), que são perigosamente combustíveis, sobretudo se plantados como o estão a ser. Portanto, mais vale travar a fundo e salvar a floresta deste negócio pirómano.

Mas o Dr. Fernandes não quer conversar. Quer bombardear. Por isso, ao teorizar sobre as razões para estarmos gratos aos eucaliptos, o Dr. Fernandes sente a necessidade de nos explicar, sobriamente, que não é um “miserável avençado das empresas de celulose”, do que não tenho dúvida. Mas, vai daí, acha-se obrigado a tratar os pontos de vista contrários como prova de “ignorância” (e repete “ignorantes”), “obsessão”, “arrogância”, “preconceito” e “confusão” de “cabeças conspirativas” (sic). Quem dele discorda, supremo atrevimento, são os “bota-faladura” (sic) (agradeço por isso que ele me inclua nesta lista como “sumo sacerdote”, o que pensariam os meus amigos se ele me esquecesse). Ler um texto de alguém que assina como jornalista e tão cheio de classificações insultuosas é confrangedor. O homem não se lembra de nada de quando foi director de um jornal de referência?

Mas ainda estava só a começar. Vem aí o melhor. São as “carinhas larocas” (sic) que o tiram do sério: “Quando a Catarina ou uma das manas Mortágua investe contra a chamada eucaliptolândia, os jornalistas que seguram os microfones quase acenam com as cabeças e depressa se esquecem de confrontar a sua doçura de hoje (quando morreram 64 pessoas num incêndio florestal) com a lendária agressividade dos tempos em que até as suas unhas encravadas eram culpa de Passos Coelho”.

O homem não gosta de ninguém, sobram os eucaliptos. Nem “da Catarina” nem das “manas Mortágua”, cuja “doçura” vitupera, pois contrasta com a sua “lendária agressividade” a respeito das “unhas encravadas”, nem dos jornalistas que, patetas, “acenam com a cabeça”. Se já chegou às “unhas encravadas”, não devemos mesmo ter pena do Dr. Fernandes?

Comentários

  1. Cortem-se os eucaliptos e deixe-se crescer o mato. Estevas, rosmaninho, silvas e etc é que é bom.

    O eucalipto é perigoso porque dá dinheiro! Segundo o Bloco de Esterco, se dá dinheiro é crime!

  2. Nem vou comentar sequer a razão porque a Alemanha não tem eucaliptos, ja que em relacao a ignorancia Leninista eu não argumento. Quanto a PPC ter perdido a maioria, so me da vontade de rir. A verdadeira história da usurpação do poder por parte da troika marxista, ainda se fará um dia. Com o respectivo ajuste de contas.

  3. Boa noite,
    Há coisas que devemos comentar, outras não. Porquê?
    Bem porque sabemos pouco ou nada acerca do assunto e então o que fazemos é repetir uma série de ideias que ouvimos, aqui e ali, algumas delas sem qualquer substância, sem base em qualquer tipo de conhecimento científico ou prático..
    O eucalipto dá dinheiro? Claro que sim, por essa razão é que as pessoas plantam eucalipto e não carvalhos, os quais só viriam a dar rendimento daqui a 40 anos e mesmo assim talvez não fosse muito. Segue-se que eu não conheço ninguém e senhor também não deve conhecer que vá trabalhar hoje, sabendo que só vai receber o ordenado daqui a 40 anos. Com quem investe nos minifúndios, existentes no norte e centro do país, passasse exatamente a mesmo coisa. Eximo-me de explicar porquê. Mas claro que os carvalhos devem continuar a ser plantados, por diversas razões, mas não em substituição do eucalipto, mas, antes, complementando-se.
    O eucalipto provoca mais incêndios do que o pinheiro, ou qualquer outra resinosa? Não. Primeiro porque, como é lógico, as árvores não provocam incêndios. Segundo, a velocidade a que ardem, qualquer que tenha sido a ignição inicial, é similar, embora ardam de forma diferentes, por terem características diferentes.
    Então, o que é que está mal?
    O que está mal é o facto de não existir nem Ordenamento do Território, nem Gestão da Floresta, nem Vigilância ou Fiscalização eficientes e eficazes .
    O que é que tem que se fazer?
    O Estado como Legislador tem que definir regras para todos os fatores associados a este assunto, sendo que as florestas no Alentejo, onde a maioria das explorações agroflorestais são grandes, a árvore mais comum é o sobreiro e a densidade da floresta é muito menor do que no centro e norte do país, não podem ser vistas da mesma forma que os minifúndios da zona centro e norte.
    O despovoamento no centro e norte tem consequências mais gravosas do que no Alentejo, exatamente pela dimensão das explorações florestais ou agroflorestais. Ou seja, no centro e norte muita terra encontra-se abandonada, repleta de mato e sem aceiros. Os poucos que ainda vivem das florestas, em grande número de casos, são idosos, sem grande capacidade física e/ou financeira para, para além de fazerem as sua própria desmatação, irem ainda, sem qualquer obrigação, desmatar os terrenos dos vizinhos que se encontram abandonados.
    O tipo de solo, o tipo de árvores, a densidade florestal, o insignificante abandono das terras e o facto da maior parte das explorações serem efetivamente agroflorestais e agropecuárias tornam o Alentejo muito menos menos combustível, ainda que este tenha menos água.
    A partir daqui, temos que considerar fatores económicos e sociais, fatores demográficos e fatores da Gestão da Floresta
    1. O eucalipto não é o culpado, mas ele ou qualquer outra monocultura tornam-se sempre perigosas para os solos que se cansam, para a biodiversidade, que se vai perdendo, e para a manutenção de ecossistemas.e, também, para o controlo dos incêndios.
    Logo, o Estado tem que regulamentar as áreas de cultivo, as espécies que é razoável cultivar e em que quantidades, sendo que essas normas podem variar periodicamente, de acordo com as necessidades dos solos, com a rentabilidade, com a manutenção de uma floresta e agricultura sustentável e rentável
    2. A obrigatoriedade dos proprietários realizarem desmatações e de abrirem aceiros tem que ser regra. Para o efeito o Estado tem que fiscalizar e caso não exista cadastro, ou seja, não se conheça o dono, terá que ser o próprio estado a criar as condições para que sejam feitos. Recorrendo ao poder local, às forças armadas, aos reclusos, ou a todos estes em simultâneo.
    3 – Inserida no Ordenamento do território, é urgente que seja criada uma quadrícula, só esta poderá criar uma tal organização das florestas e terras que permita circunscrever rapidamente qualquer fogo.
    Um aparte, no Alentejo temos um problema, que embora não seja, normalmente, causa de grandes incêndios, está a empobrecer os solos, a biodiversidade e os ecossistemas. São eles os olivais intermináveis que foram deixados plantar sem critérios e sem controlo e sem manterem aquilo que é próprio do Alentejo, ou seja, a existência em simultâneo da floresta, da agricultura e da pecuária. É essa simultaneidade que permite que as três se desenvolvam de forma sustentável, enriquecendo os solos e como que apoiando-se e complementando-se umas às outras. quer estejamos a falar da valorização e manutenção da natureza, quer da rentabilidade. Em grande número de casos, no Alentejo, os agricultores não conseguiriam sobreviver economicamente se não tivessem a silvicultura e/ou a agropecuária para os suportar.
    Não pode haver espécies ou culturas proscritas, ainda menos se são estas que permitem a sobrevivência dos poucos silvicultores e agricultores que ainda existem no país. O que tem que haver é bom-senso, legislação, ordenamento, gestão, vigilância e fiscalização e descentralização de poderes.
    Se tiver interesse em recolher mais informações, visite, por favor, o Movimento pela Defesa do Montado de Sobro.
    Obrigada

  4. Para completar a última crónica do Louçã. Apesar das condições atmosféricas adversas (“condições atmosféricas excepcionais” ou “trovoada seca” em português), da evacuação de 2.000 pessoas e isolamento de cerca de 75.000 não há vitimas a lamentar (contrário do fogo que lavrou em Portugal numa zona desertificada e matou 64 pessoas, alguém sabe dos 12 desaparecidos?), o fogo foi extinto em 3 dias e isto sem necessidade de meios estrangeiros.
    Os bombeiros referiram que a prioridade era impedir o incêndio se propagasse para Portugal, conhecida que é a desorganização característica dos portugueses no combate aos incêndios ele atingiria proporções que só os lusos seriam capazes de adjectivar (há mais de 24h que os espanhóis tentam entrar em contacto com a protecção civil portuguesa mas parece que o SIRESP continua sem funcionar). E tendo em conta a fragilidade da posição do Costa e geringonços, o governo espanhol estava com receio das criticas que o BE lhes faria de interferência na politica interna portuguesa, se o fogo atingisse o Algarve.

    1. Não houve evacuação de nenhuma pessoa, houve evacuação de locais, de onde foram retiradas as pessoas.
      As pessoas, por sua vez, evacuam os intestinos (locais) quando vão à casa de banho.

  5. Pensa-se que quem percebe de cozinha são os gordos e não os cozinheiros.Com os incêndios passa-se o mesmo. Não, os eucaliptos não perigosos, para a floresta. O perigo não está também na inoperacionalidade do SIRESP.A culpa é sim da incompetência legislativa da Assembleia da República que emana legislação sem saber da sua exequibilidade prática. O DL 124/2006, republicado pelo DL 17/2009, legislação que em princípio devia salvaguardar as áreas periféricas das habitações. Assim é vulgar encontrar eucaliptais pinhais e áreas de montado na proximidade de habitações na proximidade de habitações, mas é difícil actuar. Os bombeiros em vez de combaterem o incêndio têm que salvaguardar as pessoas e os bens. Aconteceu o mesmo em anos anteriores, uma comissão parlamentar, declarações dos presidentes da Câmaras Municipais e declarações de vários intelectuais, gordos e magros. Palpita-me que teremos outro texto brilhante num próximo verão, se o senhor ex-deputado não agarrar numa resma de papel, obviamente reciclado, e começar a já trabalhar.

  6. As crónicas de JMF são cada vez mais peças marginais de propaganda com objetivos de perseguição de pessoas recorrendo a insultos, inverdades, fraseado insensato sem nexo, só para alimentar o seu público-alvo restrito e retrógrado.

    Nem só eucaliptos, mem eucalipto nenhum!

    Em portugal o preço da Madeira, como o preço da cortiça estão condicionados por três oligopolistas.

    Os proprietários de minifúndio, cujo modelo económico faliu há mais de 60 anos, que ainda vivem da propriedade rural estão nas mãos desse oligopólio e empobrecem apesar do eucaliptal.

    Os proprietários que já fugiram para a cidade e vivem de outros rendimentos não os gastam com a propriedade herdada que não tem retorno algum.

    Este quadro atinge a maior parte da área de Portugal continental. É um problema extenso que gera outros problemas, como o despovoamento, a insegurança e a severidade dos riscos de pessoas e bens.

    O melhor montado de sobro do mundo ardeu na serra do caldeirão no minifúndio algarvio. Não foi recomposto nem será pela iniciativa do seus pobres e envelhecidos proprietários.

    É sobre a substituição do modelo de exploração agro-florestal do minifúndio por outros diversificados modelos de exploração da terra arável e floresta associada que falta discutir e sobretudo investir.

    Não compete ao Estado cultivar a terra nem apropriar-se de terra dos cidadãos proprietários mesmo que se trate de terras não trabalhadas ou tratadas. A reedição das Sesmarias não faz sentido.

    Os operários agrícolas do latifúndio do Sul mantiveram-se ligados à terra, em quantidade e organização suficiente para, na sequência das liberdades alcançadas com o 25 de abril de 1974, serem protagonistas da mudança da exploração da terra dos latifundiários do pousio.

    A reforma agrária e a contra-reforma agrária saldou-se pela mudança da exploração da terra.

    A barragem do Alqueva teve de ser desbloqueada e parte do sequeiro deu lugar ao regadio, as vinhas e os olivais deram nova vida ao Alentejo, à sua repovoação e atração turística.

    O minifúndio perdeu os trabalhadores da terra, os caseiros, rendeiros, jornaleiros que há 60 anos começaram a fugir da pobreza e da fome para as cidades e atravessando os Pirineus “a salto”.

    Quando, após o 25 de abril, ainda surgiram esforços de recuperação do auto-suficiente modelo de exploração do minifúndio substituindo-o por outro em que as feudais rendas em espécie fossem substituídas por rendas capitalistas em numerários já não existia energia e crença suficiente dos atores e a transformação não se deu. Deu-se a degradação, o despovoamento, o “abandono” o empobrecimento dos proprietários. Tudo agravado com a exposição total à concorrência internacional e a concentração em oligopólios dos exploradores da floresta.

    A iniciativa privada tem de se estimular e ser estimulada a reinventar modelos de exploração económica rendíveis no respeito pela estrutura da propriedade que no minifúndio corresponde à árvore genealógica das populações a Norte de Tejo e interior do Algarve.

    Esse é o debate essencial.

  7. José Manuel Fernandes é um bom jornalista ,entre a escória “esquerdista” que domina a classe e que está vendida ao PS.Este banqueiro-trotskista não nos fala da economia do eucalipto.Pau ,é mais com elas

    1. bom jornalista..!!deixa-me rir…tendencioso qb tal como tu pafioso,que so nao gostas do que esta bem ..tenho nojo dos direitolas…e apregoados…

    2. Ó Guerra:
      E estupidez argumentativa, cegueira ideológica e fanatismo político-partidário é mais consigo, não é?

  8. O mais interessante foi mesmo os comentários ao artigo de opinião.
    Nunca vi tanto desconhecimento sobre os eucaliptos, tantos ad hominem contra pessoas que tentavam demonstrar os problemas do eucaliptos.

  9. O cromo José Manuel [das Armas de Destruição Maciça do Iraque] Fernandes é uma figura de antologia.
    No espaço de 43 anos conseguiu surfar todas as ondas: desde a onda da Extrema-Esquerda Marxista-Estalinista da UDP, onde foi redactor-chefe do jornal Luta Popular, até à onda da Extrema-Direita Fundamentalista e Troglodita, onde é o editor-chefe do jornal Observador.
    E ainda deu uma mãozinha noutras congeminações, como a das escutas de Belém, onde contou com a ajuda de alguns capangas que se dizem também jornalistas.
    Além da sua principal função no Bando do Quatro, uma espécie de Comité Central Clandestino do PSD, juntamente com Rui Ramos, o historiador, Miguel Morgado, o professor de Ciência Política da Universidade Católica e Passos Coelho, o homem da Tecnoforma, qual cabeça-de-turco sempre preparado para fazer qualquer trabalhinho que implique retirar aos que menos têm e dar aos mais ricos.
    Um verdadeiro mimo, este Fernandes, figura verdadeiramente odiosa.

  10. Muito pouco esclarecidos aparentemente os políticos portugueses, quantos litro de água consome um eucalipto ao fim de dez anos para ser transformado em pasta de papel ? Numa época verde de ecologia em que se incentiva o não uso do papel pois o digital está aí Portugal aposta numa industria condenada.
    Estamos condenados a ser uma estância balnear para reformados ricos do norte da Europa como o queria Mário Soares? mas na realidade toda a gente foge deste país, imigrantes visas gold refugiados ninguém quer aqui ficar, “nobre povo nação valente e imortal” deixem-me rir!

  11. Honestamente, Caríssimo Dr. Louçã. Não se amole com esse sujeito. Acho que nunca teve pergaminhos nem tampouco quando foi director deste mesmo jornal. Nem sequer me lembrava já da sua existência. E, já agora, o que é o ‘O Observador’?

  12. José Manuel Fernandes ainda é director de um jornal de referência, e com muito mais público do que o Público, este último na mó de baixo, espero que não na mó de fecho! Eu próprio, no dia em que correrem com João Miguel Tavares, não tenciono manter a assinatura. Ah, o Francisco Louçã pensa possivelmente que correr com o João Miguel Tavares é uma excelente ideia! Olhe que não, olhe que não! Voltando aos eucaliptos, eu li o José Manuel Fernandes, e ele tem toda a razão no que afirma. As referências ao BE e às suas dirigentes poderão não ser politicamente correctas, mas comparadas com a linguagem e com o estilo do BE e dos seus dirigentes, começando naturalmente por si, são benignas ou até inofensivas. O BE e os seus dirigentes imaginam-se puros e acima quer de crítica quer de comentários ao estilo daqueles que usam por sistema em relação ao “arco da governabilidade”, agora limitado ao PSD e ao CDS, pelos motivos que todos sabemos. Mas claro, imaginação e realidade não coincidem sempre…

    1. Portanto, seguindo a sua linha de raciocínio, logo que não concorde consigo, posso sentir-me à vontade para o insultar…

    2. Caro António Sequeira, se eu ganhasse um euro por cada insulto que recebo por não concordarem comigo aqui no Público estaria rico! Os que não concordam e têm argumentos para isso contestam as minhas posições, os outros é como diz, sentem-se “à vontade”!

  13. Os argumentos dos partidários da supremacia do eucalipto, são impressionantes!
    Como o eucalipto dá bom retorno do investimento, que direito é que o País tem de se indignar com a quase totalidade das áreas rurais invadidas por eucalipto? E ainda por cima o eucalipto fornece matéria prima para uma actividade industrial tão bem sucedida a implantar-se em Portugal nos últimos anos, muito poluente, muito lucrativa e até exportadora.
    ? Que fundamentalismo leva os indignados a não se satisfazerem: 1) com a monotonia da paisagem rural, 2) com a destruição da biodiversidade da fauna e da flora autóctones, 3) com a falta de ordenamento e de prevenção na gestão da maioria dos povoamentos de eucalipto, 4) com a intrinseca natureza facilmente inflamavel e até explosiva das essencias e oleos que o eucalipto sintetiza, e que até ajudam as suas sementes resistentes ao fogo a disseminar-se
    A liberdade de escolher a actividade com melhor retorno, para o meio de produção de que se é proprietário, levar-nos-ia em certas circunstancias a autorizar todos os que podessem e quizessem a instalar até em locais improprios, fábricas de cimento ou equivalentes, e outras actividades equiparaveis
    Provavelmente nem haveria senhorios a arrendar sem termo os seus prédios urbanos visto que o arrendamento local a turistas, por curtos periodos, dá retorno superior

  14. Isto é uma pescadinha de rabo na boca,porque segundo o José,a malta do interior tem reformas baixas,ordenados baixos,então toca a plantar eucaliptos porque é a arvore que mais rapidamente dá rentabilidade.Então foi por isso que o Passos Coelho mandou baixar ordenados,certo? isto,e mais a agricultura super intensiva,e estamos aqui,estamos no Mali.Ora bolas,vou mas é beber um copo de agua,antes que a dita se acabe(ou custe um balurdio).

    1. É uma questão de se elevarem as reformas para o nível de rendimentos do Sr. J. M. Fernandes. Se assim fosse, há muito que o eucalipto estaria extinto, pululando carvalhos, loureiros e castanheiros nas nossas florestas. Há! E uns pinheiritos para os que tivessem pensões mínimas.

  15. A Associação Nacional de Defesa do Eucalipto (fundada nesta caixa de comentários por um tal Albuquerque) tem mais um militante. Decididamente o “Eucaliptismo Político” (uma nova área de estudos iniciada no Departamento de Gestão da Universidade Nova) está na moda e em pleno desenvolvimento. Viva o eucalipto! Vivaaaaa!

  16. Obrigado FL por me ter dado a conhecer o artigo de JML. Acho que ele tem razão.
    Quanto à esquerda “eucaliptofobica” é interessante confirmar que padece do “síndroma de Al Capone”. O seu texto prova-o.

    1. O Al Capone foi enjaulado por não pagar os impostos. Talvez se recuperarmos o procedimento de Eliot Ness se consiga enjaular todos os que andam a brincar com os portugueses.

    2. Que admiração, Vasconcelos: a esquerda sofre desse e todos os outros sindromes. Ao contrário da direita, que é absolutamente pura, às vezes até enjoa…
      E não admira que a esquerda seja eucliptofóbica. O amor aos eucaliptos leve, muitas vezes, a direita a andar com eles debaixo do braço para todo o lado. E aquilo, quando não arde, aleija…

  17. Para todos os efeitos práticos José Manuel Fernandes é simplesmente um incendiário. Em vez das trafulhices do “percorrer o país” (com que método?) bastava-lhe deslocar-se ao Campo Grande e ao Departamento de Biologia Vegetal da Fac Ciências e perguntar a qualquer um dos três catedráticos da área pelas referências e números de quem de facto “percorre” o ambiente com método científico, gerando dados verificáveis, e descrevendo ambos em relatórios que tiveram de passar a inspeção minuciosa dos seus pares. Foi a falar de cór sobre a floresta que os interesses que lá colocaram os eucaliptos estão a desertificar o país.

  18. Triste é que se queira desviar a atenção do assunto que é importante: morreram muitas pessoas porque os sucessivos governos lisboetas apostam na desertificação do interior. Se fosse um incêndio em Lisboa as ruas ficavam entupidas de carros de bombeiros. Onde há floresta, não há bombeiros. Os sucessivos governos arranjaram umas panelinhas para os amigos montarem umas torres de comunicações. Que não funcionaram. E a unidade móvel não tinha gasóleo e ficou no meio do monte. E aviões não há. E vemos a imprensa a navegar ao sabor da politiqueirice, em vez de insistir nas perguntas da população até que lhas respondam. E vamos ver os inquéritos a chegar à conclusão que a culpa foi dos palermas que insistiram em viver nas aldeias.

    1. Eucaliptos, e preocupação com o rendimento das populações locais, estarão a falar a sério? Estão mesmo preocupados com essas pessoas ou com os acionistas da indústria do papel?
      As pessoa são usadas, sempre peões neste interesse particular. Não julge o pequeno que estes Jmf estão realmente interessados na nossa defesa, mas são porta vozes desse mundo que vive em cadeiras de luxo num escritório qualquer, longe de uma floresta. Se morre pessoas, mandam um recado para imprensa com lagrimas de crocodilo.
      Ler os defensores destes clãs, é saber que eles não tem só os JMFs mas um batalhão, portanto isto é uma guerra entre os poderosos contra os fracos e os fracos não são os do contra o Eucaliptos são aqueles que necessitam das pequenas terras e que julgam-se protegidos pelos donos disto tudo ( incluídos a indústria de papel).
      A industria de papel convida os pequenos proprietários a plantar eucaliptos porque sai-lhes mais barato, não tem que investir em segurança e limpeza, esses não são certamente os que vão ajudar à solução da floresta.
      Já agora ouviram esses grandes proprietários a ajudarem as famílias que perderam tudo nos incêndios? Não ouviram, Os beneméritos da economia nunca estão presentes, só sabem mandar os seus fiéis para domar a opinião pública. É isso que eles são.

  19. Mas para quê responder a JMFernandes, se os seus argumentos são exactamente os mesmos argumentos (as semelhanças são arrepiantes), dos usados pelos que destroem a Amazónia, pelos plantadores de palma da Indonésia, da cocaína da Colombia e Peru, ou o ópio no Afganistão, porque “isto dá dinheiro e por isso não liguem a esses bloquistas, ambientalistas, ou outros ‘invejosos'”?
    Aquilo é de gente perigosa.

    Nem Os Verdes defendem a extinção total do eucalipto, porque é óbvio que temos que defender a nossa indústria de papel, e a sua superior qualidade do papel para impressão, embalagens, guardanapos, papel para limpar os entrefolhos, entre outros.
    As celuloses só precisam de uma área de produção, mais uma área de reserva de preços, e mais nada. O resto é canibalismo, sofrimento e destruição.

    Mas o governo também tem culpas, principalmente o Ministro da Agricultura, mais uma vez apanhado a preveligiar os negócios do costume, esquecendo a segurança. O que era previsível, uma vez que já na sua juventude era conhecido como “O Capoulas da moto-serra Famel-Zundapp”

    Nem o governo tem a noção da urgência e do medo, depois desta tragédia. É óbvio que tudo deve estar enquadrado na lei, com prazos de reclamação (diminuídos com esta tragédia), e o que se tirar daquelas terras são somente para manutenção, e o resto fica para os filhos e netos dos actuais proprietários.
    Mas a urgência ultrapassa os negócios, Sesmarias soft, cadastros (excepto cadastro de políticos corruptos), discussões intermináveis sobre as áreas envolvidas (não vai dar eucaliptos para todos, e a segurança tem que vir primeiro), entre outros.
    Infelizmente, para os terrenos abandonados e sujos tem que ser “à Afonso Henriques”, com placas espetadas directamente nos terrenos: “Em Reflorestação – Ministério da Agricultura”

  20. Corrija-me por favor se estiver enganado, mas não foi o mesmo Dr. Fernandes que verteu uma lágrima de comoção pela tomada de Bagdad, por parte do exército americano? O mesmo exército que escandalizou o mundo pouco depois, com as indignidades perpetradas nas prisões iranianas? Impagável Dr. Fernandes, “crente” fiel numa civilização e numa ideologia patética…

    1. Foi, e não foi o único. Lembro-me, nas TVs, andarem comentadores a tecer loas a tão grandioso feito, vislumbrando já grandes oportunidades para as empresas portuguesas na reconstrução! Até porque algumas já tinham experiência, vinda dos tempos de Saddam. Alguma lá pôs um pezinho que fosse? Ah! Ah! Ah! Nem o Sr. Fernandes, que me conste…

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