Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

20 de Junho de 2017, 09:39

Por

Porra de Sísifo

O maior de todos os incêndios na nossa história. Metade da área ardida da UE nos últimos anos. A maior proporção do território dedicada ao eucalipto no mundo. Afinal não há só Eurovisão e futebol em Portugal, afinal não crescemos vinte centímetros.

Mas responder à irresponsabilidade é mais difícil do que chorar a desilusão, como se viu: no tempo de um fósforo, alguma televisão passou a exibir histórias de morte e de pessoas em estado de choque, fazendo delas um espectáculo de voyeurismo, é como se este Portugal quisesse voltar a ser pequenino. Depois, no mesmo fósforo, veio o ajuste de contas político, a falange da direita atira-se ao Presidente, o despeito move montanhas: do CDS, que quer fazer esquecer que Cristas foi ministra da pasta, o tiro vai para os “beijinhos”, enquanto os comentadores da cor desprezam os “abracinhos” e tudo o que for. São fiéis à sua natureza.

Se é verdade que sabemos muito pouco sobre se a resposta à emergência foi adequada nas circunstâncias difíceis, sabemos pela certa que o que desencadeou esta tragédia foi um acontecimento excepcional. O problema é que sabemos também que haverá cada vez mais fenómenos extremos, considerando a montanha russa das alterações climáticas. E sabemos, há décadas que se sabe, que o efeito de tenaz de duas mudanças económicas é devastador: de um lado, a desertificação do interior e o abandono do mundo rural implica que a mata não é limpa, usada e protegida, de outro lado a eucaliptização transforma o interior num barril de pólvora. Para mais, o Estado tem 3% da floresta, na União Europeia tem em média 59% e olhe que são liberais. Não é portanto a meteorologia que nos diferencia de Espanha, Itália ou Grécia: é o factor humano, a floresta não dá votos mas dá lucro.

E aí temos a incúria organizada nesta que será das mais graves faltas de autoridade do Estado. Sempre por austeridade, um governo PS extinguiu o corpo dos guardas florestais; depois, o PSD-CDS, pela mão de Cristas, terminou com os serviços florestais e desmantelou as normas que obrigavam à autorização de novos eucaliptos, até baldios e zonas de regadio foram entusiasticamente prometidas às empresas da celulose, promovendo-se a economia do desastre – mas a ministra anunciava rezar piamente para que chovesse quando a floresta ardia.

Chegado a este ponto, lembro que o desastre do Funchal (foi no ano passado) e uma nova vaga de incêndios (é todos os anos) levou a uma discussão que se parece a papel químico com a que se vai agora iniciando: que não podemos esperar pelo inverno, quando então tudo estará esquecido e já teremos as iluminações de Natal, que é preciso fazer alguma coisa, que há tempo que não se faz nada. Maldito Sísifo.

No fim do verão passado, discutiu-se uma lei que permitisse ao Estado ocupar as terras não tratadas e obrigando-o a ocupar-se delas, dando aos proprietários 15 anos para as reclamarem. Discutiram-se formas de acelerar o cadastro das propriedade rurais, usando mapas militares, georeferenciação e o conhecimento local e agilizando a informação sobre heranças e proprietários. Um ano depois, tudo por decidir. Houve quem se opusesse, as Câmaras Municipais disseram que não têm meios e que há eleições no outono, na esquerda houve quem esgrimisse com a Constituição, tudo em marcha atrás. O governo reuniu em outubro e esperou até em março deste ano para apresentar uma proposta de lei que recua em relação ao que sugerira: em vez de obrigação pública, propõe a criação de empresas financeiras para gerir a floresta abandonada, o que significa a concentração da propriedade. Para mais, oferece novos financiamentos para a investigação nas empresas de celulose, para as compensar de qualquer inconveniente, sem criar qualquer mecanismo concreto para controlar a proibição da extensão do eucalipto. Em vez de gestão pública ou associativa da floresta, convida a raposa para o galinheiro; em vez de arrendamento compulsivo das parcelas abandonadas, aceita a regra da operação financeira.

Maldito Sísifo, nem sequer conseguimos por uma vez voltar ao cimo da montanha para parecer que se fez alguma coisa.

Comentários

  1. Algumas questões:

    (1) É preciso notar que as vagas de calor são cada vez mais frequentes.O relatório “Nature Climate Change”, publicado na passada 2ª. feira, salienta que, presentemente, as vagas de calor são cada vez mais frequentes e com maior duração e caracterizam-se por temperaturas superiores a 30º, humidade inferior a 30º e ventos superiores a 30 km/hora(a regra dos 3 trintas). Sabe-se ainda que as vagas de calor têm diminuído a norte da Europa mas aumentado em zonas do Sul(Andaluzia, Portugal e Grécia). Mais: cada vez será pior, se os efeitos provocados pelos gases com efeito de estufa não diminuírem de intensidade. No futuro, as zonas tropicais serão mais afectadas, com aumentos significativos da mortalidade. Apresenta-se o exemplo de Nova Iorque( poderá passar por ondas de calor de 50 dias/ano). À atenção de Trump e do seu capitalismo fóssil(fóssil porque incentiva a utilização de carvão, petróleo e gás natural; em escala de poluição, é alinhada 1,35- carvão, 1,00- petróleo e 0,65-gás natural). Os defensores da utilização de gás natural parecem usar argumentos racionais, atendendo até à inovação do gás natural de xisto nos EUA;

    (2) A grande conclusão é que a forma de produzir deve mudar, sob pena da vida ser extinta no Planeta. A classe dominante já percebeu isso. Foi com muito ironia que assisti à tentativa de Nolan, em “Interstellar”, de mostrar a necessidade dos humanos explorarem outros planetas para prosseguirem as suas vidas e o modo de produção capitalista subsistir desta forma;

    (3) É claro que não me vou meter nestas discussões de paróquias cá do burgo. Uma conclusão amarga: as periferias apanham sempre as “batatas quentes”. Na austeridade do ordoliberalismo, nas alterações climáticas pelas empresas poluidoras do capitalismo… Mas, sabe-se que as plantações que melhor resistem ao fogo são a oliveira e a vinha. Conclusões de quem sabe, ou seja, da investigação da área. O resto é da decisão política. Mas será mesmo da decisão política? Ou não serão sempre os interesses económicos que dominarão, como constatamos?

  2. 99,9999999999% dos incêndios têm origem criminosa
    Os incêndios não devem ser combatidos por bombeiros mas sim pela POLICIA JUDICIARIA

  3. Texto absolutamente Mesquinho!
    Fosse outra a cor do Governo, diferente era o que foi escrito! Em qualquer incêndio florestal é necessário haver combustível para queimar, oxigénio para manter as chamas e calor para iniciar e continuar o processo de queima. Os eucalyptus têm um teor calorifico, um poder de ignição e um volume de combustível superiores aos pinus e quercus ?
    Talvez esteja a confundir e a misturar a ausência de gestão florestal presente, activa e profissional, com o tipo e as características dos nossos povoamentos florestais.
    Pena que a FLORESTA não seja gerida por quem sabe … Pois opinião todos têm.

    E Sísifo na mitologia grega é …. o mais astuto de todos os mortais!

  4. “Verbas para combater incêndios caíram 9% com o Governo de Costa” (JE) – Ai está um resultado concreto dos 2 primeiros orçamentos aprovados pelo seu BE. Curioso que não tenha mencionado este facto na sua crónica.

  5. Parece-me que este tipo de análises nem arranha o problema. Na minha opinião, __os__ problemas não são só os que toda a gente aponta: desertificação, alterações climáticas e espécies invasoras. É também a falta de ordenamento e, sobretudo, a destruição do ecossistema.

    Se as espécies invasoras substituíram as endémicas, que estão melhor adaptadas ao nosso clima, se não temos fauna que consuma os arbustos e a vegetação rasteira — em suma: se destruímos todos os equilíbrios naturais — só poderíamos colher estes frutos.
    Para tornar mais grave uma calamidade, temos aldeias perdidas nos montes e milhares de quilómetros quadrados de áreas que nem são urbanas nem rurais. Os outros países concentraram a população há séculos; nós continuamos a ter terreolas inviáveis, todas aspirando ao seu posto do CTT, Centro de Saúde, Escola e Multibanco. E assim vamos andando.

    1. Filipe Martins, as espécies invasoras não substituem “as endémicas, que estão melhor adaptadas ao nosso clima”. Essas espécies tornan-se invasoras precisamente porque estão igualmente bem adaptadas ao clima local.

    2. Felix,
      Todas as espécies invasoras estão adaptadas aos territórios que invadem, ou seria uma invasão inconsequente. A questão é que o resto do ecossistema não está adaptado a essas espécies, e poderão passar-se milhões de anos até que os equilíbrios se reponham.

      E é um facto, que nem sequer admito que se ponha à prova, que as espécies invasoras substituem as locais. Há centenas ou milhares de casos.

      Não elaborei esta questão para não me alongar o texto e porque, francamente, pareceu-me de senso comum.

  6. Depois de tudo dito e feito ficou mais dito do que feito…
    A culpa é da Esquerda, é da Direita, é dos eucaliptos, é das papeleiras, é do Presidente da Republica, é da Cristas, do Capoulas, do Passos, do Cavaco, do Socrates, é do Louçã, é dos outros todos antes e depois, é dos poucos velhotes que ainda lá moram e que – ai os grandes malandros – não limpam hectares de mato com as suas próprias mãos cansadas, é das trovoadas, é da chuva que não vem apesar das preces da ex-ministra, é da assembleia que não legisla, é dos policias que não fecham estradas e afinal deviam ter fechado, é da protecção civil porque, dizem, falhou, é de não se dar ouvidos aos especialistas que falam para o boneco há dezenas de anos, é dos jornalistas sem bom senso e escrúpulos, é da extinção dos serviços florestais, é da ministra, é disto e daquilo…não fiz um esforço para ser exaustivo nesta compilação…

    Estamos em finais de Junho. E depois vem Julho, costuma ser assim.
    Em Julho ainda se haverá de falar nisto tudo mas serão já, certamente, discussões mais acesas e azedas porque terá passado o período de luto e os politicos e jornalistas andarão entretidos a expandir e a detalhar e a quantificar a lista de culpados que fiz mais acima e a discutirem quem é mais culpado afinal. Mas depois vêm Agosto e a férias merecidas para todos nós. E depois vem Setembro e haverá de se falar de orçamento de estado e depois vem outubro, altura de chuva e eleições e portanto muito se falará de candidatos e candidaturas e já não haverão incêndios por causa das chuvas que entretanto vieram. E entretanto também se verá se o Ronaldo fica ou não fica no Real de Madrid e se deve ou não deve dinheiro aos impostos… e depois vem então o Natal e depois os Reis e depois os saldos e depois a Páscoa e depois…depois estaremos outra vez em junho, em junho de 2018.

    E eu só espero que em junho do próximo ano eu não esteja tão triste e desiludido e revoltado com todos nós, eu incluído, que escrevo isto sossegadinho na minha casa com telhado e paredes, com os meus filhos a dormir lá em baixo, tranquilos…Há quem já não possa dizer isto hoje, nem nunca mais.

    Mas já sei que é uma esperança vã.
    Em junho de 2018, muito provavelmente, farei copy-paste deste comentário, e aqui o publicarei, de novo. E dessa forma, tal como hoje, contribuirei para a gigantesca produção de artigos e comentários na imprensa que irão expressar uma multitude de opiniões e genuínas revoltas – como que tiradas a químico do ano anterior, e do anterior, e do anterior, e do anterior, e do anterior – perante um outro incêndio trágico qualquer noutra zona qualquer do país.

    Porque é que a historia e as tragédias abomináveis têm sempre que se repetir?
    Talvez não tenhamos memória…ou talvez, de facto, não queiramos saber realmente de mais nada a não ser de nós próprios…?
    Somos dramáticos e solidários na tragédia e depois vamos todos de férias para o Algarve como se nada tivesse acontecido…?

    Tal como a inutilidade disto que aqui escrevo (a não ser, talvez, para tentar a catarse da minha tristeza), nada do que se escreveu e escreverá nem do que que disse e será dito sobre esta tragédia, neste jornal e nos outros todos, parece servir para nada consequente. São apenas registos, opiniões em decalque duns anos para os outros. As pessoas que vivem – e morrem – as tragédias é que são diferentes de ano para ano.

    Depois de tudo dito e feito ficou mais dito do que feito.

    Não sei…nem sei para que estou p’raqui com moralismos…

  7. Austrália foi em tempos um deposito de criminosos do imperia ingles , aconselho a ONU a criar uma ilha onde se coloque todo lixo e oportunistas corruptos da politica.
    Louça disse tão mal do BP e adora está feliz de se ter juntado á ceita.
    Bloco e PCP agora não ladrão na AR porque ? Chegaram ao poder e tudo que era mau agora passou a ser bom, já que se encostaram ao poder, sentem-se felizes por serem uns bonecos na mão de Costa.
    Assim que Costa tiver a maioria voltamos ao mesmo , dá um pontapé nos BE e PCP e eles voltam a ladrar

  8. Francisco Louçã e as suas amigas do BE representam tudo aquilo que abomino na política.

    Vários exemplos neste texto e nos comentários que faz e cito:

    “Depois (…) veio o ajuste de contas político, a falange da direita atira-se ao Presidente”. Como é ternurento ver Francisco Louçã defender MRS. Mas esqueçamos por momentos os ataques desbragados que Louçã fez a outros Presidentes, nomeadamente a Cavaco Silva e sigamos adiante.

    “do CDS, que quer fazer esquecer que Cristas foi ministra da pasta”. Quem diz isso? Quem o insinua? O que fez Assunção Cristas que se compare à gravidade do que aconteceu agora? Ninguém percebe, mas o debate enlameado está lançado.

    “Se é verdade que sabemos muito pouco sobre se a resposta à emergência foi adequada nas circunstâncias difíceis”. Ops! Deve ter-me escapado alguma coisa. As circunstâncias até podem ter sido difíceis, mas a resposta sabemos que foi péssima. Pior do que isto era impossível. Ou só seria má se morressem 70 pessoas? Vá 100. 200. 500. Quantas querem?

    “Para mais, oferece novos financiamentos para a investigação nas empresas de celulose, para as compensar de qualquer inconveniente, sem criar qualquer mecanismo concreto para controlar a proibição da extensão do eucalipto. Em vez de gestão pública ou associativa da floresta, convida a raposa para o galinheiro; em vez de arrendamento compulsivo das parcelas abandonadas, aceita a regra da operação financeira”. Francisco Louçã utiliza saltos de raciocínio dignos de regimes pouco recomendáveis para dizer basicamente que estes malandros das celuloses, que por acaso são grandes empresários que criam riqueza no país e dão emprego a muita gente, é que são os culpados disto tudo. Eles e o eucalipto. Sem eucaliptos, estávamos todos bem. Muito melhor. Extraordinariamente melhor. Como se imagina. Por acaso sabe que o pinheiro é igualmente uma espécie tão “facilitadora” dos incêndios florestais quanto o eucalipto? Ahhhhh….mas isso agora não interessa nada.

    “Custa-me é ler (e ouvir) comentários, como os do caro Louçã, dizendo que se acabarem com os eucaliptos, acabam os fogos florestais. Não é verdade”. Diz o comentador João Albuquerque, com 35 anos de carreia na área florestal. Louçã, com alguns anos mais de ratice política e num assomo de rigor cientifico, responde com estatísticas: “Só quatro países do mundo têm mais área de eucaliptos do que Portugal: China, India, Brasil e Austrália”. Ou seja, não me venham cá os teóricos que andam no terreno com a ladainha do costume, eu é que sei. Eucalipto = Fogo Florestal. Ponto.

    “Mas, sim, nenhum governo pode justificar um verão de incêndios pela meteorologia (mas um acontecimento isolado pode justificar-se por acontecimentos extremos, percebe a diferença?). Ainda ontem o repeti na SIC”. Lá está, uma mentira repetida muitas vezes…

    Bem, e agora tenho que ir para casa tratar de 4 crianças pois a malta por estes lados não é muito adepta de matar crianças no ventre materno (ou fetos, lá está a história da mentira…).

  9. Nestes desabafos do Francisco Louçã a verdade é que não encontro grande novidade e encontro sobretudo a falta de realismo do costume.
    – O Estado tem 3% da floresta nacional e acha Francisco Louçã que devia ter muito mais. Ok!… mas estes 3% estão bem tratados? Melhor que os privados? E que privados: os grandes os médios ou os pequenos? E quanto é que essas áreas têm rendido ou custado? O que é que é realmente importante: que a floresta esteja bem cuidada ou a quem pertence?
    – O Estado devia ocupar as terras não tratadas para as gerir convenientemente. Pois!…Em primeiro lugar porque é que as terras estarão desocupadas? Não há de ser com certeza por terem um grande potencial de rendimento. Não será então por isso que o Estado acaba sempre por recuar dessa piedosa intenção? É que depois de ocupar terras, para se fazer qualquer coisa há que investir, gastar dinheiro(ui!), e aí… é preciso é preciso tê-lo.
    – Tem-se deixado expandir a monocultura do eucalipto. Pois! … Mas quais serão as alternativas? Na maior parte dos casos só é possível começar a tirar um rendimento compensador da floresta passados mais de 25 anos. Durante esse tempo há que investir em limpeza de matos, adubações, eventualmente mobilizações de solo (os ecologistas não gostam e até têm razão…). Mas mesmo a floresta mais bem cuidada não está livre risco de incendio ou de outros. O nemátodo tem dizimado os pinhais; há uns 30 anos uma conjugação de doenças fez desaparecer os ulmeiros (desgosto meu). Estaremos mesmo dispostos a correr e/ou obrigar a correr estes riscos? Com que compensações? E quem as sustenta?
    Mais do que darmos livre curso a indignações talvez nos devêssemos antes debruçar pragmáticamente e NÃO ideológicamente sobre estas questões e outras que me parece que são o que de facto impede a solução.
    Penso que perpassa no artigo de Francisco Louçã uma série de preconceitos de esquerda urbana. Suspeito que a opinião da Marisa Matias seria mais equilibrada – e mais útil.

    1. Compreendo. Realismo: na UE, o Estado tem em média 59% da floresta, em Portugal 3%. Realismo: temos mais eucalipto do que qualquer Estado europeu, incluindo os que têm 10 vezes a nossa área. Realismo.

    2. Francisco Louçã
      O que é que há de intrinsecamente certo ou errado em que o Estado tenha 3%, 12%, 48% ou seja lá que percentagem for da floresta nacional? Que argumento é esse? Onde é que está o realismo ou deixa de estar na constatação de que na UE os Estados têm em média 59% da floresta? (já agora, onde é que encontrou esse número?)
      O que é que você quer realmente em primeiro lugar: que haja um melhor aproveitamento da floresta e menos incendios ou que a floresta passe a ser propriedade do Estado? Além de que talvez fosse útil a esta discussão sabermos se a floresta que pertence ao Estado em Portugal arde mais, menos ou o mesmo que a privada. Ou você acha que um fogo no público é melhor que um fogo no privado?
      E quanto a termos mais eucalipto que qualquer estado europeu, é outro argumento que o não é. Sendo provavelmente o país europeu com o clima mais semelhante à Tasmânia, é natural a área de eucalipto seja maior aqui do que noutros locais. Mas também devemos ter mais oliveira do que a média dos países europeus. E mais laranjeira, mais pinheiro bravo, mais amendoeira, mais vinha, etc. (note que nenhuma das espécies que mencionei é autóctone, como aliás o trigo, o milho ou a batata). O que é que em si mesmo quer dizer que temos mais eucalipto que os outros? E não há realismo nenhum em compararmos a nossa situação com a dos que são muito maiores do que nós porque não são realidades semelhantes em termos de clima ou capacidade de solo. Comparar o incomparável é o contrário do realismo.
      Mas por falar em realismo: arrendamento compulsivo?!?!?!? Banco de terras abandonadas para arrendamento?!?!?!?
      Oh Francisco Louçã, você acha que alguém tem ao abandono terras que possam estar arrendadas? Acha que as pessoas não querem ganhar dinheiro? Você acha realmente – com o tal realismo que você pede – que algum jovem com dinamismo e um projeto de empresa agrícola viável, precisa de uma base de dados para descobrir nas redondezas uma parcela devoluta para o implementar? E está você a pedir realismo…

    3. O senhor Louçã esquece que em Portugal o Estado é o pior gestor que existe. Zero dinâmica, zero visão, zero investimento. É um zero à esquerda. Quase tão mau como os piores gestores privados. Haveria de resolver muita coisa mais floresta nas mãos do Estado, então não haveria…

      Aliás a solução para os nossos problemas é mesmo mais Estado. Já nos basta bem a fortuna que a classe média paga em impostos para sustentar este desvario.

  10. Sendo eu actualmente emigrante, parece-me, aqui de fora, ter havido um enorme foco de todas as frentes da nossa sociedade portuguesa de tentar colar a responsabilidade em alguém. O ser humano racionaliza melhor o desespero quando a ele lhe atribui uma face, uma direcção para descarregar as suas emoções.

    Esta falha é de todos nós. Sinto-me envergonhado, por exemplo, por saber que a minha família é proprietária de terrenos que, não tendo sido utilizados para o fim para o qual foram originalmente comprados, têm dentro deles vegetação completamente não tratada. Como eu, certamente muitas pessoas. Este problema afecta-nos a todos, e não pode ser tratado como uma alínea do orçamento de estado. Isto está enraizado na sociedade, no nosso modelo de propriedade de terrenos. Isto requer mudança violenta, não dá para tratar disto com pinças.

    Cada país (empresa/casa/etc) tem de definir prioridades de acordos com as suas circunstâncias específicas. Ora, se há prioridades que são mais ou menos o foco de todas as sociedades civis (saúde, educação, economia), o controlo florestal certamente não o é. Bem, parece-me que é tempo de subir o controlo florestal e o ordenamento de território a este nível.
    Os hospitais e as escolas não deixam de funcionar só porque os partidos x e y não concordam com as propostas de legislação que um governo tenta implementar. Seja que partido for, tem de se consciencializar que mais importante que jogar aos bracinhos de ferro pela pseudo-moral, é uma atrocidade no actual paradigma florestal português. Qualquer tentativa de legislação e MAIS IMPORTANTE, EXECUCAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, é certamente melhor (ou igual) À total ausência da mesma. A legislação parece demasiado mercantilista? Demasiado socialista? Deixem-se dessas palhaçadas, vamos tentar alguma coisa.

    1. Emigrante aqui também, com família e terra, com a mesma certeza que a perda da autodeterminação tem agravado a displicência para com com os espaços rurais que tem historicamente caracterizado as nossas elites governantes – sobretudo aquelas que se auguram tutelares de “arcos de governação”. Há 3 décadas estudávamos isto em Biologia Vegetal da UL pela mão do saudoso Prof Catarino – que a vegetação climax, no nosso caso dominada por 5 espécies de carvalho, estavam adaptadas aos stresses hídrico no verão e término no inverno. E que a plantação industrial de eucalipto nos empurrava para a desertificação com a gradual erosão do solo cuja recuperação demoraria (nunca mais me esqueci dessa visita de campo) “uns 500 anos”. As rezas de Cristas não têm de facto peso nestas contas da pedologia. O alerta que Francisco Louçã aqui deixa é importantíssimo – o péssimo caminho presente em vez de obrigação pública, propõe a criação de empresas financeiras para gerir a floresta abandonada, o que significa a concentração da propriedade e mais empresas de celulose a destruírem o património natural que demorará séculos a recuperar. Endividamos os nossos filhos antes deles nascerem com dívidas trafulhas e destruímos o nosso meio ambiente com gestões privadas igualmente trafulhas. Com estas regras de expropriação financeira não vamos longe.

  11. Caro Louçã, não se diz “porra”… é falta de educação!

    Mas agora vamos ao que interessa. Durante os meus 35 anos de carreia na área florestal, assisti e participei activamente no “combate” a fogos florestais, em Angola, Africa do Sul e Portugal. Implementei sistemas computorizados de apoio às operações de vigilãncia e seguimento de fogos florestais. Nem por um minuto me considero um “expert” nesta matéria e não me pronuncio.
    Custa-me é ler (e ouvir) comentários, como os do caro Louçã, dizendo que se acabarem com os eucaliptos, acabam os fogos florestais.

    Não é verdade!

    Com os melhores cumprimentos,
    João Albuquerque

    1. Só quatro países do mundo têm mais área de eucapliptos do que Portugal: China, India, Brasil e Austrália.

    2. Obviamente que não acabavam, mas diminuíam em intensidade e frequência. Se é especialista, ou se anda lá perto, sabe melhor do que eu que o eucalipto e o pinheiro são mais combustíveis do que as espécies endémicas.

  12. Absolutamente de acordo com o Francisco Louçã. Não se canse em responder a pessoas com intenções de maldade.

  13. Às vezes pergunto-me, para quê “botar fé” no PSD-CDS e nos CNAreiros!??
    Por acaso eles foram a favor de medidas importantes e com reconhecimento internacional, como por exemplo o Alqueva, a luta contra a toxicodependência, ou as reformas na educação do início do século, que nos colocou no topo dos rankings!!??

    Aproveitem a onda (desculpem-me, vítimas recentes) e deixem-nos a falar sozinhos, juntamente com o famoso “Diabo”, sobre a tal “nacionalização” que só existe na cabeça deles (antes do PS recuar de medo e interesses privados, a ideia há um ano era tirar a posse provisória de terrenos abandonados, para reorganização e reflorestação, e não a nacionalização)!!!

    E porque temos um Ministro da Agricultura que é competente, mas com complexos entranhados de socialismo 3ª vias de negócios!?? Por que não ‘mudastes’!!??

    E a responsabilidade das Câmaras Municipais, tem que ser assumida (juntamente com o enxoval do governo central, que não serve só para empregar filhas de autarcas e empreiteiros nas escolas). Há mais de 30 anos que nas fábricas há cartazes “Número de dias sem acidentes: xxx”.
    Também nas câmaras tem que haver destes cartazes sobre fogos (e acidentes)…

  14. Até certo ponto é compreensível que não seja capaz de referir as decisões António Costa, enquanto Ministro da Administração Interna do XVII Governo constitucional, liderado por José Sócrates, relativamente aos KAMOV e ao SIRESP.
    As sondagens indicam que o PS possa vir dispensar o apoio BE. Portanto, convém não hostilizar e até branquear (o que me parece ser um profundo disparate).

    O que eu não entendo é o seguinte. Se as decisões da Cristas foram tão más e o PS não dava sinais de as querer alterar, porque é que o BE não exigiu a reversão ou alteração dessas decisões?

    1. Caro anónimo, esforce-se por não pensar só no seu partido. Sim, as medidas de Cristas foram erradas e é por isso que não tenta defendê-las. A do governo PS sobre o fim do corpo de guardas florestais também foi errada, e escrevi o que penso sobre a lei que este governo está a propor. Talvez por um momento, caro anónimo, possa pensar em soluções para a floresta e não nas suas aflições partidárias.

    2. Anónimo? Porquê?

      Para comentar eu tenho que indicar nome, email e website. E, desde que comentei, já recebi visitas no meu blogue. Deixe-se lá do anónimo

      Eu sei que critica a decisão dos guardas florestais (e bem), mas não respondeu à minha pergunta. Porque é que o BE não exigiu a reversão das medidas que o Senhor refere no texto?

  15. Um apontamento que não me parece despiciendo.
    Apesar de ser uma questão muitíssimo descurada – basta atentar nos critérios de selecção –, para se construir uma sociedade civilizada e humana é indispensável que as pessoas que nela ocupam lugares de destaque e de direcção sejam seleccionadas em função da demonstração de elevados padrões de humanidade, de consideração e estima pelo valor inestimável e absoluto (sublinho o absoluto especialmente para o dr. Louçã) do semelhante. Infelizmente e para nosso grande malefício, a sociedade que temos privilegia os psicopatas em lugares de gestão.
    Vem isto a propósito de algumas declarações da sra. ministra da administração interna que me parece que não poderão deixar de soar desagradavelmente a quem quer que as oiça com um pouco menos de distracção e que resultam suficientemente reveladoras.
    Advertiu a sra. ministra que quem ligasse para certo número em busca de informações sobre familiares desaparecidos não o deveria fazer, pois essa era uma linha exclusivamente dedicada ao alojamento. Assim, sem mais. Foi com um calafrio que ouvi isto, sem uma palavra de atenção ao desespero de quem procura familiares desaparecidos, ou sequer a lembrança de que também faria todo o sentido ter uma linha dedicada àqueles.
    Advertiu ainda a sra. ministra que quem recebesse ordens nesse sentido das forças da autoridade pública deveria abandonar as suas casas, outra vez sem nada mais acrescentar, sem a mínima palavra de consideração pela aflição de quem teme perder todos os seus bens. O calafrio subiu a indignação.
    Por fim, ouvi a sra. ministra responder muito agastada, muito importunada, a quem lhe perguntou se não se deveria demitir, e a dar, de imediato, por terminada a entrevista aos canais noticiosos, como se tivesse sido cometido um crime de lesa excelência e como se tivesse caducado a sua obrigação de prestar esclarecimentos. Aqui já só restava a repugnância.
    Parece-me, pois, suficientemente indiciado que a ministra não preenche os requisitos mínimos de humanidade próprios de uma sociedade civilizada e que, portanto, não lhe deve ser dada a oportunidade de se demitir, mas deve antes ser exemplarmente demitida com esse expresso fundamento.

  16. “Que venha chuva. Bom dia” – Catarina Martins no Twitter (cada um apela aos santos em que acredita, aqui deve ser a S. Marx).
    No entanto não devemos esquecer que “Incompetência do Governo não pode encontrar justificação na meteorologia” – esquerda.net (BE em Agosto de 2015) – Passos no governo faz toda a diferença.
    Podemos saber “muito pouco sobre se a resposta à emergência foi adequada”, mas tendo em conta o número de mortos e feridos (morreram mais pessoas neste incêndio do que no resto do mundo nos últimos 25 anos segundo o El Mundo), e como o fogo se propagou para ter a certeza que a resposta foi tudo menos adequada. Pode ter sido por falta de meios, pode ter sido por não terem sido valorizadas as informações iniciais, pode ser por os bombeiros terem de se deslocar para os fogos por transportes públicos (sim não foi a Cristas, foi mesmo o Costa depois de virar a página da austeridade) …
    Acho que com um bocadinho mais de reflexão o Louçã poderia ter chegado as culpas ao Cavaco.

    1. Agradeço muito que reproduza o que está a ser divulgado nos blogs do CDS. “Que venha chuva” é uma boa graça sobre a frase da ministra, que foi ao parlamento explicar que rezava pela chuva. Mas, sim, nenhum governo pode justificar um verão de incêndios pela meteorologia (mas um acontecimento isolado pode justificar-se por acontecimentos extremos, percebe a diferença?). Ainda ontem o repeti na SIC. Se a meteorologia fosse explicação, então não se compreende porque há menos fogos na Itália do sul ou mesmo em Espanha e Grécia – mais uma vez, salvo acontecimentos extraordinários.
      Quanto ao mais, ainda bem que está orgulhoso pelo fim dos serviços florestais. É sempre bom que alguém apoie os ministros esquecidos.

    2. É uma resposta que vale a pena recordar lá para Setembro… Na esquerda da meteorologia à mentirologia vai um pequeno passo (ou serão Passos?)…

    3. Caro Francisco Louçã,

      Gosto muito de uma boa troca de argumentos: a existência de locais como este blogue do Público, onde se pode livremente trocar ideias, reflexões e comentários, sabendo que, desde que respeitem as mais elementares regras básicas de educação e de civilidade, nunca serão censurados por alguém com tendências pidescas é, de certa forma, uma expressão da vitalidade de uma democracia, não concorda? Tenho tendência a estar de acordo a cem por cento com o que escreve, mas confesso que fiquei um pouco perplexo com a sua última resposta ao comentador Carlos Guerreiro: por muito que tenha lido e relido o comentário, não consegui perceber onde esse comentador escreveu, ou sequer deixou a entender que estava “orgulhoso pelo fim dos serviços florestais”, como o caro Francisco Louçã refere no final da sua resposta. Podia fazer o obséquio de esclarecer este seu devoto leitor?

    4. Se eram tão más as decisões da Cristas, 2 anos de geringonça não foram suficentes para as reverter? Afinal outras reversões foram executadas (e publicitadas) de forma mais célere. Também é verdade que foram revfersões com olho no eleitor… Nas posições conjuntas (ou lá o que chamaram) assinadas pelo PS e PCP, Verdes e BE havia alguma referência à alteração da politica florestal do governo anterior?

    5. Não desconverse. Quando aumentam o salário mínimo fazem-se cartazes a publicitar. Não recordo cartazes do BE a anunciar medidas de política florestal. Quem lê o Louçã fica a saber que estava consciente das políticas erradas da Cristas, mas não houve nenhuma tomada de posição do BE para as reverter, no mínimo poderemos dizer que se o que aconteceu em Pedrogão é culpa da política de Crista, o BE (e os restantes geringonços) serão cúmplices. Em 2 anos de reversões o BE não achou oportuno uma reversão da politica florestal, apesar de (segundo o Louçã) estarem conscientes dos riscos dessas politicas.

    6. Se se informasse evitava fazer estas figuras. O parlamento está a discutir várias propostas (do governo) e projectos (do BE). Escrevi o que pensava sobre o que está em cima da mesa. Mas, se não quer desconversar, há-de explicar se quer “reverter” ou manter (e ser “cúmplice”) a política da sua presidente.

  17. Nada vai mudar.Mais:se o estado decidir intervir em terrenos abandonados pelos proprios donos,a berraria há de chegar ao Canada.Outra:o portugues passa a vida a mandar porcarias para o rio Tejo,mas sempre á socapa.A mentalidade mesquinha lusa é assim mesmo…alias,para os lusos(por exemplo , o exterminio de coelhos bravos) a culpa é da natureza.

  18. As relações de produção feudais pararam a agricultura portuguesa pelo menos há 60 anos.

    A Sul os agrários com as terras em pousio e os operários agrícolas em marchas de fome chegaram ao 25 de abril de 1974 e foram desalojados pela reforma agrária.

    A reforma agrária das unidades coletivas de produção não vingou, mas nos cerca de 13 anos que durou tirou das terras os agrários do pousio e outros vieram fazer crescer as vinhas e os olivais, modernizar a exploração agrícola e torná-la competitiva.

    Foi-se a seara alentejana e o sequeiro veio outra realidade agrícola, turística, gastronómica, etc.

    O Alentejo parado e esquecido está vivo e esplendoroso.

    Foi a reforma agrária que desfez o enguiço! Não foi o Estado, não foi a repressão, não foram as Sesmarias do Rei D. Fernando adaptadas, nada disso. Foi a liberdade e a ação da sociedade apesar do Estado.

    A Norte o minifúndio e as rendas em espécie impostas aos caseiros ou rendeiros ou camponeses fez a fome e a pobreza ali ao pé dos Campos de milho, centeio, linho, parreiras de vinho e lodos suportando videiras que viram os Zés, Chicos, Maneis… Fugirem a “salto” para França, Alemanha, Suíça…
    Atrás ficaram as terras de minifúndio e as suas florestas abandonadas sem produzir senão as condições propícias aos incêndios e desgraças humanas.

    Falta a reforma agrária do minifúndio! Quem a fará? Não será o Estado, nem as suas leis repressivas.
    A reforma agrária que falta a Norte tem de partir da sociedade.

    Os donos das terras abandonadas estão seguramente ávidos por arrendar as terras e vê-las a produzir competitivamente pelas mãos de novos agricultores a quem a Cidade não chame de campónios ou pategos…

    Não será o Estado a fazer esses novos agricultores tecnicamente competentes e capazes de mostrar que o Emparcelamento Rural fracassou e que a repressão do Estado sobre os proprietários fracassou também. Capazes de mostrar que as viçosas terras do minifúndio têm potencial para criar o PIB da felicidade e fazer esquecer o perigo anual da “época de incêndios”.

    Não adianta agredir a relação de propriedade e menos agredir os proprietários do minifúndio. Não adianta forçar a transformação da ordenação secular da terra ou a sua militar orografia. Adianta tudo saber lidar nessa realidade com a audácia com que noutros tempos soubemos navegar contra os ventos à bolina.

  19. Quando houver políticos na cadeia por causa das medidas que tomam, pode ser que o país tome rumo. Quem manda fechar maternidades, quartéis, postos da GNR, centros de saúde, escolas, etc., para com isto desertificar o interior tem que ser chamado a responder criminalmente. É muito bonito “assumir a responsabilidade política” mas isso é coisa de moços (no pior sentido do termo).

    1. Enquanto houver cadeias o mundo é um lugar mal frequentado.

      À propósito Portugal não é um deserto em parte alguma! Tem em algum território pouca população que, em procura de melhor vida, não alterou a que tinha, e foi procurar outra noutras paragens: emigrou ou concentrou-se em Lisboa e outras cidades litorais onde por ação de alguém as coisas mudam.

      Não são os políticos que mudam o modo de vida das pessoas e o seu habita. São as pessoas com a sua inteligência e seus braços quem faz as mudanças do habita, da vida e das próprias pessoas, do modo de vida, das necessidades individuais e coletivas dos povos e das nações.

      São também as pessoas que se agregam em povos quem estabelece o lugar onde vive e o defendem nas fronteiras externas e locais e defende as suas vidas e seus teres e haveres até, por sua iniciativa, substabelecerem algumas funções como a defesa da ordem externa e interna e a justiça numa entidade a quem pagam a que chamaram Estado. Os políticos tratam da coisa pública essa coisa que já as pessoas substabeleceram no tal Estado única entidade com direito a exercer a repressão nos termos da lei.

      Temos de atender à causa das coisas e aos autores essenciais da mudança e assim tomaremos consciência do quão somos nós cúmplices e responsáveis individuais por tanto do que nos ocorre e aos outros e ao nosso habita. Fácil é inventar “bodes expiatórios” para aliviarmos a nossa consciência e assim fazermos o que faltava para manter tudo na mesma.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo