Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

9 de Maio de 2017, 11:52

Por

A bóia de salvação (mas é mesmo a última)

De “sufoco em sufoco” sempre que há eleições. É mesmo a “última oportunidade” para a Europa, repete-se em Madrid e em Lisboa. Há pouco, era que a União teria poucos dias para evitar o “colapso moral” do “acordo sórdido” com a Turquia, “abjurando todo o património de que tem sido portadora no campo dos direitos humanos” (e abjurou mesmo, “todo o património”). “O tempo para salvar a Europa acaba este ano, porventura o mais tardar no Outono”. Ou “ninguém parece acreditar que Bruxelas (ou Berlim) tenha qualquer iniciativa nos próximos meses para responder à crise da eurozona”. Não é preciso mais ninguém, bastam os euro-entusiastas para um discurso catastrofista sobre o futuro imediato da UE. São eles quem garante que vem aí o “colapso”. Ninguém poderia ser mais carregado e mais temeroso, ou arriscar um prognóstico mais sombrio. Quem faz a festa, deita os foguetes e apanha as canas sobre a “última oportunidade”, o “sufoco” e o “tempo que está a acabar” são os euro-institucionalistas. São eles que nos dizem todos os dias que isto se resolve em dias e que a coisa está feia.

A eleição de Macron é então um alívio? Se é, passou depressa. Porque os números são esclarecedores: quase metade dos seus eleitores, 43%, só votaram nele para barrar Le Pen, e os que acreditam em Macron ou no seu programa são menos de um quarto dos seus próprios eleitores. Nunca houve tanta abstenção e tantos votos brancos e nulos. E Le Pen conseguiu 34%, ou a “desdemonização” ambicionada. Numa palavra, a França está pior depois desta eleição, em que se desagregaram os partidos tradicionais e não sabemos o que vem depois. Além disso, o destino deste populista – sim, populismo é o projecto de um novo Bonaparte que afirma ter vencido a diferença entre esquerda e direita e exige maioria absoluta – está pendurado das próximas eleições em que já mais de metade dos eleitores afirma receá-lo.

Não pode nem vai correr bem. E é tempo de nos perguntarmos então por que é que cresceu tal risco. A explicação está toda na teoria da bóia de salvação, apresentada in extremis pelos mesmos ideólogos que nos anunciavam a catástrofe em poucos dias ou o mais tardar no Outono. Eles maravilham-se com a vitória de Macron, o homem que manteve o garbo da sua posição, ele que vai liberalizar despedimentos e cortar 50 mil milhões nas despesas do Estado, por ser o cavaleiro da Europa e da globalização contra o nacionalismo.

A teoria é esta e Macron repete-a insistentemente, é uma máquina de guerra: já não há esquerda nem direita, só há globalização e localismo. Isto serve vários propósitos: em Portugal, serve para recuperar a ideia de que o PS não se pode aliar com a esquerda (os localistas) e tem de salvar o PSD (e vice-versa) reconstituindo a aliança histórica (dos globalistas); na Europa, serve para afirmar uma forma de dominação que se impõe sobre os regimes nacionais determinando as “medidas estruturais”, nome adequado para essa mudança do modo de vida que dispensa as políticas sociais em prol das rendas financeiras. Assim sendo, a bóia de salvação, que é a “última”, asseguram pesarosamente os euro-entusiastas, é o nome do risco: é Macron quem se arrisca a derrotar Macron.

Note-se que esta teoria declara uma vítima: se a globalização, ou seja, o domínio da finança, se impõe nesta dicotomia fácil contra o nacionalismo (e como Le Pen é cómoda para este propósito), então a democracia não tem lugar. Não existe democracia na globalização, por que não há nela nem soberania nem capacidade de decisão pelas comunidades que conhecemos, que são nacionais. Por isso, a Europa de Macron abdica de si mesma e é por isso que os analistas mais argutos nos dizem que o seu sucesso depende de Merkel. Mas Merkel não muda nem mudará e Schultz também garante que não quer mudar nada. O euro continuará a tramar a Europa, como lembra Stiglitz. A “bóia de salvação” não salva nada.

Estava tudo encaminhado para isto. Como revelou o PÚBLICO, houve mesmo quem antecipasse a violência da austeridade e prevenisse a UE, num relatório de há já 42 anos, mas o que é mais significativo é como essa prevenção foi sepultada. A única globalização que era aceite era a destruição da Europa que apreciamos, aquela onde teve lugar a defesa dos direitos humanos ou a luta pelos direitos sociais. Pergunte-se agora, caro leitor ou leitora, o que quer dizer a aceitação da Europa “a várias velocidades”? É mesmo esta a “última oportunidade”? Estamos reduzidos a esta teoria: a globalização é a lei e Macron o seu profeta? O novo normal é esta choldra e então estamos por dias, dizem-nos os que acreditam na virtude iluminante do dilema globalização-passadismo.

 

Comentários

  1. É curiosa a tentativa de racionalizar e também desvalorizar algo muito simples, ou seja, a derrota de Mélenchon, que deveria ser uma excelente ocasião para auto-crítica, mas é mais fácil malhar nos bombos do costume. Compreende-se que quando se perde por poucos, custa de facto mais do que quando a derrota é mais pesada (é o ‘estivemos tão perto’). Cabe lembrar que Mélenchon recusou a convergência à Esquerda e que portanto não se pode exatamente queixar da não desistência de Hamon (que poderia bem levar o PSF à falência e os socialistas franceses podem ser ‘pérfidos’, mas não são parvos). E que não foi terceiro e sim quarto, atrás de Fillon. E que sacrificou princípios republicanos para não alienar votantes que recusariam sempre apoiar Macron, pelo que a sua autoridade moral está a um nível abaixo dos políticos do ‘sistema’ (exceto, claro, Valls). Finalmente, para compor o ramalhete, nem sequer consegue acordar com os comunistas franceses listas conjuntas. Pode bem ser que a ‘França Insubmissa’ acabe por ter um bom resultado, mau grado o injusto sistema eleitoral francês (uma invenção gaulista e não neo-liberal), mas da maneira que as coisas estão agora, não me parece. Portanto, se a Esquerda da Esquerda francesa quiser realmente ser eficaz a opor-se aos males que elenca acima, eu sugeria duas coisas: primeiro que ultrapasse a sua perpétua tendência para a balcanização, segundo que apresente propostas que levem em conta aquilo que existe (como o BE e o PCP-PEV fazem entre nós, mau grado a retórica), como implicitamente aconselharam um conjunto de Economistas numa crítica a Le Pen, mas que se estende no campo económico ao soberanismo de Esquerda: http://www.lemonde.fr/idees/article/2017/04/18/25-nobel-d-economie-denoncent-les-programmes-anti-europeens_5112711_3232.html. O principal problema da Esquerda, Professor, não é o ‘capitalist encirclement’, é que os vossos adversários são bastante melhores estrategas, mesmo admitindo que as suas ideias são piores… Podem ter toda a razão do mundo, mas enquanto não aprenderem a fazer política e não protesto, vão continuar a perder todas as batalhas. Aí, compreende-se que não lhes reste outra coisa que não seja esperar que a UE venha abaixo fruto das vistas curtas da sua atual liderança… Só que pode ser que aguente e aí teremos a nova Singapura de Teresa May (porque o pobre do Corbyn é igualmente hopeless) a competir com não se sabe ainda bem quê. P.S. E, já agora, se Mélenchon tivesse ido à segunda volta com Le Pen e ganho, acredita mesmo que a maioria dos votantes dele teria votado por convicção ou para evitar uma vitória de Le Pen? O ponto do dito ‘voto republicano’ é justamente esse…

  2. Infelizmente para a extrema-esquerda, Macron não comprou a geringonça que lhe foi impingida por Mélenchon. Felizmente para a França e para a Europa, Macron não estava desesperado como António Costa.

    Todos os detalhes, por mais microscópicos que sejam, servem agora para desdenhar a vitória de Macron. Tivesse ele comprado a geringonça e a extrema-esquerda estaria a elogiar a fantástica vitória por 2/3 dos votos. Faz lembrar a história da raposa que, não tendo chegado às uvas maduras, concluiu que afinal estavam verdes.

    Mélenchon não precisa de ficar triste. Pode sempre tentar uma geringonça com Le Pen. Afinal são ambos nacionalistas, antiglobalização, antieuro, antieuropeus, anti-NATO, anticapitalistas, antiliberais e anti- um milhão de outras coisas mais. São exatamente, ou quase, o oposto de Macron em tudo. Há um milhão e mais algumas razões para Mélenchon e Le Pen se entenderem bem.

    O autor escreveu este texto sem usar insultos.

    1. Ou seja: Macron é – ai que felicidade! – internacionalista, pró-globalização, pró-euro, pró-europeu, pró-Nato, pró-capitalista, pró-liberal e pró-um milhão de outras coisas mais. E quem não está com ele, não é um bom pai de família.

      O que mais preocupa, realmente é a última das caraterísticas: o milhão de outras coisas mais. Que podem calhar em sorteio (não há para aí um sorteio com esse nome?) a qualquer um.

      Já sabemos que não comprou a geringonça. Parece estar a comprar umas peças (já lá tem o Valls, por exemplo) para formar…talvez uma espécie de geringonça chamada “Maioria pró-tudo e mais um milhão de outras coisas mais”. E também não sabemos é o que vai vender.

      O autor escreveu este texto depois de tomar duche.

    2. Até Francisco Assis, eurodeputado e adepto de uma reconstituição do centrão em Portugal, escreveu que os modelos filosóficos da extrema-direita e da esquerda residem em diferentes mundos. A intersecção entre os dois mundos é o conjunto vazio.

      Sabe-se o papel que a França pode assumir na defesa dos países do Sul é importante. Apesar da sua malaise, do seu declínio, a França já vive hoje noutro mundo, sabe que não pode descer mais no plano inclinado. O que é que a Alemanha vai exigir a Macron? De todo o mundo surgem recados para Berlim: a ortodoxia orçamental e o escândalo dos seus excessivos saldos positivos comerciais podem levar à desintegração da UE. E o maior perdedor será a própria Alemanha.

      É preciso pensar no que pode interessar: Macron vai formar um governo à base dos Republicanos? As eleições legislativas são um pouco diferentes das realizadas no nosso país: tem duas voltas e o sistema uninominal vigora. As alianças vigoram e, tendo em vista a exclusão da FN por não conseguir alianças(A FN terá certamente um reduzido grupo parlamentar), muito provavelmente o governo será acentuadamente à direita- de mau sinal o apoio de Valls(adeus PS) a Macron. E Macron está entre dois mundos: o mundo convergente Berlim-Direita Francesa e a forte mobilização da sociedade francesa. Quem conhece a França sabe o que isto significa: vai ser um combate feroz. E Berlim sabe que vai perder: o seu isolamento internacional é notório. Berlim vai sempre perder: nem sequer é potência nuclear. Precisará sempre de Paris para o factor de dissuasão, para mais Londres(bye, Angela) está mais virada para a sua ex-colónia(essa mesmo, os EUA). É demasiada areia para a camioneta alemã: Trump, Putin e a agitação social francesa. Está escrito nas estrelas:o mundo de Merkel-Schauble, que fez as delícias em Portugal de toda a direita retrógrada e anacrónica de Passos-Portas, está a acabar. Basta pensar no figurino que está desenhado no terreno. Désolé, Senhor Pedro Lemos.

    3. Os Antónios Dias esquecem sempre algo muito importante: Macron teve 66% dos votos; o dobro dos votantes em Le Pen; o triplo dos votantes em Melenchon!

      A democracia é isto! Causa-vos dissabores? Paciência!

      A esquerda radical , lá como cá, mesmo em tempos de grande crise não passa dos 20%, ou seja, é rejeitada por 8 em cada 10 eleitores. Nunca se esqueçam disso!

    4. Os Franciscos esquecem-se de muita coisa. Que qualquer tipo que fosse à segunda volta se arriscaria a ter 66% dos votos.O dobro dos votantes em Le Pen e o triplo dos votantes em… Macron!

      Que, na primeira volta foi rejeitado por quase 8 em cada 10 eleitores. A democracia é isto. Causa-vos dissabores? Paciência!

      “Alembre-se” disso de vez em quando.

      O autor escreveu este texto sem usar sobretudo.

    5. Caro Francisco, o comportamento assanhado desses menos de 20% da esquerda radical costuma chamar-se eufemisticamente “forte mobilização da sociedade”.

    6. Sr. Pedro Lemos: realmente, o liberalismo radical é uma coisa muito mais fina. Assanha-se nos gabinetes! A esse comportamento chama depois eufemisticamente “vontade popular”.

    7. Ah! Esqueci-me de acrescentar: o autor escreveu este texto depois de abrir uma janela.

    8. Meus caros: isto parece uma peleja clubista!!!

      Olhemos o que interessa: queremos tornar a UE melhor, mais convergente ou vamos gastar as nossas energias em querelas estéreis?

      O que está em jogo em França é a alteração da correlação de forças à escala europeia. Se ainda quisermos salvar a situação de ruína e degradação gerais.
      O modelo económico imposto por Berlim não interessa. Semeou miséria e pobreza e nem sequer beneficiou grandemente os próprios alemães. Veja-se o relatório sobre a pobreza e a riqueza na Alemanha do Governo Federal e fique-se com o conhecimento que na grandiosa Alemanha 12,8 milhões de cidadãos estão expostos ao risco de pobreza(publicado em 12 de Abril deste ano). Título: “Armuts und Reichtumsbericht”(Fonte: “Le Monde”, de 07/05/2017). Afinal, quem está a ganhar com toda esta miséria? Uma sugestão de resposta: os tais 1%, de diversas credos e nacionalidades, que comem os olhos da cara aos restantes 99%. O Snr.Francisco já ouviu falar disto?

      O Snr. Lemos deve guardar as suas energias para a compreensão do que está em jogo.

      Pensar simplesmente em ganhar melhor posição na mesa do ORÇAMENTO é visão curta. As clientelas do centrão arruinaram este país. Não voltem à vaca fria, por favor. Pensem grande: vejam o despovoamento do país e a emigração das pessoas qualificadas; lembrem-se dos arrepios da declaração fúnebre de Passos Coelho em 2013:”A austeridade é para continuar. CUSTE O QUE CUSTAR”. Lembrem-se disto e vejam os Dias Loureiro, os Oliveira e Costa, os Salgado, etc… e vejam o que é preciso modificar. Centrão…outra vez? Quem paga desta vez?

    9. Para maior conhecimento da questão das desigualdades e pobreza na Alemanha pode-se googlar “la richesse et la pauvreté en allemagne rapport avril 2017”.

      Notas adicionais sobre o assunto:

      – Tudo é relativo: na Alemanha o limiar de pobreza está situado em 60% do rendimento mediano(942 euros), sendo o rendimento mediano cerca de 1570 euros(em Portugal o limiar de pobreza situa-se a volta de 430 euros) e cerca de 78% dos alemães ganham entre 60% e 200% do rendimento mediano(intervalo 942 – 3140 euros). Situações diferentes, portanto;

      – Mas o mais preocupante são os níveis de trabalho precário e sub-emprego. E as desigualdades são evidentes na Alemanha: 10% das famílias possuem mais de 50% da riqueza nacional;

      – Em suma, o país da suposta abundância tem vulnerabilidades que aparentemente não consegue eliminar. Os sacrificados são os suspeitos do costume:os imigrantes, certo tipo de famílias( as monoparentais e as numerosas) e os desempregados. Nos centros urbanos a situação é extremada: cerca de 20% dos habitantes de Berlim vivem de subsídios de desemprego;

      – O país, sede da emanação do poder discricionário sobre os parceiros europeus, não é um modelo de vida, Espelha o mundo em que vivemos: o domínio financeiro sobre a economia.

  3. O nóvel macronista-freund Conh-Bendit disse publicamente que a direccäo de ” France Insoumise” entende realizar uma campanha das Legislativas em tom super-grave, feroz e implacável contra Hamon e Laurent, os dois lideres actuais do PS e PC franceses O antigo vice -presidente do Parlamento Europeu é das pessoas- pese embora estar na reserva…- mais bem informadas do microcosmo pariseense, e um sério interprete da élite social-democrata berlinense,.. O ” clima ” de guerra eleitoral gaulesa em crescendo repercutiu-se já na noite televisiva da vitória do candidato de centro-direita, tendo o fogoso porta-voz dos ” insubmissos “, Aléxis Corbière, sido impedido pelos convidados da sua “mesa de debate “de se envolver em disputas fisicas com o actual lider do EELV( Verdes), Yannick Jadot.

  4. A desmontagem do chamado estado social e também do estado de direito incluindo o modo de delegação de poderes por meios democráticos e voto secreto, livre e justo, pluralismo e proporcionalidade de representação é o trabalho que vem sendo feito por partidos que alternando no poder acrescentam a cada vez mais uma etapa naquela demolição.

    Esses partidos da alternância, tal como os do rotativismo português, vão-se esgotando por perderem a face, a credibilidade e se tornarem inúteis para a função. A função desses partidos faz-se sempre enquanto a relação das forças entre a classe dominante e as pessoas comuns se mantiver tão desproporcionalmente favorável à classe dominante.

    Os ais e uis e desesperados apelos a boias de salvação de última hora são parte da propaganda cúmplice de quem não querendo que se inverta a demolição vão dando nota do favor do seu colaboracionismo reclamando o seu lugarzinho de pequeno serventuário que seja.

    Como vemos é muito fácil vender “democracias” musculadas como a da Hungria, Polónia Bulgária para não falar já na purga da Turquia ou da democracia presidencial de Putin ou Trump.

    Difícil é que as pessoas comuns se “levantem do chão” e se ergam organizadamente pela dignidade, pão, paz, liberdade… Sem essas forças serenas e seguras de si e da sua condição humana a exprimir por actos a imposição da sua existência e presença não se modificará a correlação das forças e os que estão nos lugares do poder, no Estato, nas estruturas supraestatuais, no poder interno das empresas… encontrarão sempre uma solução mais “moderna”, mais “democrática” para manter tudo na mesma.

    Não haverá recuperação da contratação coletiva sem os sindicatos e suas ações. Não haverá Estados democráticos sem democratas a dirigi-los…

    O mito da chamada UE é uma peça essencial na ação da classe dominante sem pátria ou fronteiras nesse processo de desmantelamento dos estados sociais, democráticos, de direito, de paz, liberdade, pluralismo e representação proporcional dos poderes delegados por voto secreto, livre e justo.

    Não é possível pacificamente e sem grande dor e prolongado sofrimento fazer das nações e estados da Europa o que o Estado espanhol fêz às nações que subjugou não sem guerras e prolongadas lutas. Há porém quem acredite, ou finja acreditar, que uma superestrutura de lobistas e tecnocratas farão essa submissão das nações europeias e neutralizarão as suas especificidades culturais, os seus heróis a sua história.

    Desmontar esse mito pode estar ao alcance da palavra, da escrita. Era menos um peso nos ombros dos que querem “levantar-se do chão”.

    1. “Difícil é que as pessoas comuns se “levantem do chão” e se ergam organizadamente pela dignidade, pão, paz, liberdade… Sem essas forças serenas e seguras de si e da sua condição humana a exprimir por actos a imposição da sua existência e presença não se modificará a correlação das forças e os que estão nos lugares do poder, no Estato, nas estruturas supraestatuais, no poder interno das empresas… encontrarão sempre uma solução mais “moderna”, mais “democrática” para manter tudo na mesma.” – Esse é que é o busílis da questão. De facto, o determinismo parece se sobrepor ao livre-arbítrio.

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