Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

5 de Maio de 2017, 08:36

Por

O centro assanhado

Dizia Hölderlin que “onde há perigo cresce o que nos salva”. Mas pode ser falso e paralisante, não há redenção na 25ª hora, nada cresce espontaneamente sem nós, sem a capacidade democrática de mobilizar as energias da sociedade. Ninguém nos dispensa do esforço e do risco de enfrentar os perigos.

Por isso, é trivial que a esquerda aceite um candidato de centro ou de centro-direita contra uma fascista na segunda volta de uma eleição presidencial. Por uma razão evidente: não há outro candidato e, se Le Pen ganhasse, a margem de acção para as classes populares seria tragicamente reduzida; se Macron ganhar, como tudo indica, abre-se uma nova etapa da política que escolherá entre a agressividade liberal e uma alternativa socialista. O único problema estratégico relevante é assim que a esquerda tenha a autonomia e a força para conduzir a resposta social que aspire a vencer a solução neoliberal. Contra o perigo, só cresce o que conseguimos fazer crescer.

Há então duas perguntas que quero discutir consigo. A primeira é esta: porque é que Macron, mesmo na segunda volta, fez uma campanha contra a esquerda, de cujos votos precisa? Ele hostilizou-a no debate, recusou o gesto que Mélenchon lhe propusera (retirar a proposta de lei laboral que facilitará despedimentos), persistiu nas suas soluções contra a contratação colectiva e já nem insisto no truque à la Hollande que consiste em prometer vergar Merkel um ápice, estabelecer um orçamento europeu e um ministro das finanças do euro, ou até a ideia estrambólica de, eleito em França, propor a convocação de “convenções democráticas” nos outros países a partir dos próximos seis meses.

Isso não o impediu, logo na BBC, de espanejar uma hipótese de saída da União Europeia se Merkel não aceitar a sua voz grossa, ou mesmo de ressuscitar o “canalizador polaco” que vem roubar o pão da boca dos filhos do operário francês. Ou seja, vale tudo.

A explicação deste vale-tudo é a mesma para ter aceite um debate com uma fascista, o que ninguém fizera até hoje e que serve às maravilhas para a sua estratégia de banalização legitimante. Macron, que festejou a vitória da primeira volta como se fosse presidente, acha-se um salvador, para retomar Hölderlin, e que Le Pen ou os outros são paisagem para a sua ascensão ao poder. Mesmo sabendo-se que se vota nele “por defeito” e sem entusiasmo, sente-se portador de uma chama salvífica.

Ora, para conseguir vencer, e é a segunda questão, precisa de criar um novo campo político. Um novo campo exige uma fronteira de exclusões, implica destroçar as alternativas. Como nos explica Assis com satisfação, Macron vai para isso fazer um governo baseado na direita, e o PÚBLICO antecipa que a sua primeira-ministra até pode ser Christine Lagarde, FMI, ou a ex-patroa da associação patronal. Assim, o que os macronistas exigiam à esquerda não era que votasse neste mal-menor: era que abjurasse e declarasse fidelidade a Macron.

Portanto, os macronistas portugueses perceberam muito bem o que implica essa “salvação” e, para criar o muro que viabilize este centro assanhado, manejam alegremente os velhos discursos maccarthistas sobre a esquerda igual ao fascismo. Isso em Portugal já foi brincadeira de romancista, é agora estratégia política.

O problema é que não sobram muitos para essa função, excepto alguns ideólogos avulsos. De facto, ficam os que detestam o governo actual porque o acham uma “aliança espúria” e, no caso das eleições francesas, que os seus protagonistas revelam “hipocrisia moral” e “vileza política” (pergunto-me como pode um jornalista descer ao linguajar de um dirigente partidário rasca). Ou os que tiveram uma visão de um dia para o outro e o que era preto passou a ser branco: “Se ainda há pouco tempo referi aqui que os dois aliados do actual Governo não deviam ser suspeitos de populismo, manda a verdade dizer que eles se aproximam hoje perigosamente dessa tentação, marcada pela deriva do Podemos espanhol ou do candidato Jean-Luc Mélenchon, numa simetria bizarra com Le Pen”.

A agressividade categorial deste centro assanhado é, no entanto, um sinal estimulante para a esquerda. Ilustra onde é que os neoliberais, que têm o poder, pressentem o contraste e sabem da base popular. Essa será a batalha dos nossos anos.

Comentários

  1. Este homem vê “neoliberais” concerteza até em Marte! Mas não foi para lhe mandar bocas que eu envio este comentário, foi para responder à pergunta de Francisco Louçã sobre porque fez Macron uma campanha “contra a esquerda”, que eu vou traduzir para porque Macron não praticou sedução nem fez qualquer tipo de concessão à esquerda? É simples, ele precisa mesmo de segurar o eleitorado de Fillon, e além disso a probabilidade de vir a ter que negociar o seu governo com os “republicanos” é elevada. Ainda acresce que foi a esquerda, PS e aliados, que o impediram a ele e a Hollande de levar a cabo as reformas que ambicionavam, e que provocaram a sua saída do governo. Não há motivo nenhum para esperar um início de mandato de Macron que seja “simpático” à sua esquerda, e até Berlim está do lado que o vai, inexoravelmente, puxar para a direita. É a realidade, e Macron parece-me uma pessoa pragmática.

    1. Macron não precisava de negociar nada à esquerda porque os votos da esquerda já estavam garantidos à partida. Os estados de alma não têm razão de ser. Não negociou com a esquerda porque não precisava e quando precisar negoceia. Até porque à sua direita não vai haver muito para negociar. Macron quer captar eleitores do centro direita (plus de 50% des candidats viennent de la société civile), entalando Fillon entre o LREM e o FN, para depois fazer uma geringonça à a sua esquerda.

  2. É constante, o estímulo que representam os artigos assinados pelo Francisco, nas colunas do Público.E esta constatação não resulta da qualidade superior da narrativa e da exposição dos argumentos mas, antes e,acima de tudo, da determinação do objecto da análise e da critíca. Neste caso, como em outras ocasiões , trata-se de identificar o centro político, impoluto e asséptico, como um verdadeiro fomentador das opções radicais e correspondentes alinhamentos, à esquerda e à direita, mesmo que, assumindo o risco de reduzir a sua margem de manobra, para prosseguir o seu projecto de sobrevivência e influência, sem nunca abordar temas incómodos, como a desigualdade, a exclusão e a determinação das causas da deterioração e desalento dos eleitores.Com maior rigor, poderemos dizer, em contraponto ao que afirma Louçã, que o “centro” se debate na sua incapacidade de rejeitar a ordem ,a disciplina e o rigor nacionalista propalado pela direita e de abraçar as causas sociais e progressão democrática avançadas nas propostas da esquerda.

    1. Caro José Magalhães, Neste momento, em Portugal, não existe ninguém tão nacionalista como a extrema-esquerda. (Não estou a contar com o rídiculo nanopartido PNR.) Não terá sido assim no passado e poderá não ser assim no futuro, mas agora as declarações nacionalistas da extrema-esquerda são muito claras.

    2. Caro José Magalhães, já agora, falar em “abraçar as causas sociais e progressão democrática avançadas nas propostas da esquerda” quando metade da esquerda que faz essas propostas apoia o regime bolivariano da Venezuela ou o regime ainda mais grotesco dos Kim é … (como é que eu vou dizer isto sem que Louçã classifique o meu comentário como um insulto e não o publique?) … um pouco estranho.

    3. “Caro José Magalhães, Neste momento, em Portugal, não existe ninguém tão nacionalista como a extrema-esquerda. (Não estou a contar com o rídiculo nanopartido PNR.”

      Está a dizer que o pin na lapela é puro marketing?Ui que o Pedro vai-te deserdar…

  3. O estilo assanhado (isto é, agitado) dos artigos de Louçã é um encanto. Não resisto a lê-los mais do que uma vez. E hoje tenho tempo.

    “O que os macronistas exigiam à esquerda não era que votasse neste mal-menor: era que abjurasse e declarasse fidelidade a Macron”? Não me lembro. Só me lembro de os “insubmissos” exigirem a Macron que abjurasse e declarasse fidelidade aos objetivos ideológicos dos “insubmissos”. Mas não vou desmentir Louçã, pois tive pouco tempo para acompanhar a campanha eleitoral francesa. Se Louçã tiver razão, então os “macronistas” foram pouco inteligentes.

    Acho bem que Louçã se escandalize com “os velhos discursos maccarthistas sobre a esquerda igual ao fascismo”. Há a esquerda democrática, europeia, moderna, aberta ao mundo e há a esquerda comunista. Em Portugal, nos últimos tempos, as esquerdas andam turvas. Espero que o tempo se encarregue de as decantar. Entre a esquerda comunista e o fascismo também há uma diferença. Uma é um saco com um rótulo que diz “comunismo”, a outra é um saco com um rótulo que diz “fascismo”. Lá dentro,… bem, a farinha parece igual. (Espero que Jerónimo de Sousa não reclame direitos de autor.)

    Sobre as “bases populares” nas eleições francesas é interessante olhar para as sondagens. Aparentemente, Le Pen cativa mais votos entre os operários e os camponeses, o povo teórico do marxismo-leninismo. Do outro lado, Mélenchon cativa mais votos entre as cachopas (isto é, raparigas; não é um insulto!) e os cachopos revolucionários e burgueses das cidades, o povo prático do marxismo-leninismo.

    1. “Uma é um saco com um rótulo que diz “comunismo”, a outra é um saco com um rótulo que diz “fascismo”. Lá dentro,… bem, a farinha parece igual.” – Não vejo diferença nenhuma em todo o espectro político… querem todos poder/tacho.

    2. Caro lj, a sua observação é interessante e fez-se sorrir. É claro que existe gente que só quer “poder/tacho” em toda a longitude do espectro partidário. Contudo, ainda tenho alguma esperança (não é muita!) de que exista alguma diferença. Pelo menos, ainda voto pensando que isso pode fazer alguma diferença.

  4. Isto tudo é cada vez mais absurdo, com a criatividade das elites governantes já a rapar o fundo do taxo das coisas vagamente plausíveis. Por exemplo andamo-nos a preparar para a discussão do vosso relatório da dívida e nem nos políticos nem na opinião pública parece haver apetite para a ter. Como explica isso? A democracia na eurozona toda, não só na França, parece estar na antecâmara da institucionalização do fascismo financeiro, com rituais de democracia representativa a lembrar o velho “centralismo democrático” como decoração.

  5. O neo-liberalismo está pelas ruas da amargura,com os próprios efeitos histriónicos inacreditáveis e involuntários de Trump a caucionarem e legitimarem tal contestacäo histórica. Macron está consciente disso como o demonstrou no brutal e assustador debate que travou contra a sra.neo-trumpista Le Pen. Como o asseguraram em mais num programa essencial hoje travado por Fottorino, Teinturier e a famosa Barjon do ” OBS” , na France 5, o futuro politico de Macron vai jogar-se na batalha das eleicöes Legislativas , sendo essencial que assegure uma votacäo final presidencial superior a 60 por certo, Sem a qual, o espectro da balbúrdia e fragmentacäo parlamentar gerará uma instabilidade politica venal por ausência de uma maioria coesa favorável ao PR eleito. Os republicanos blindaram ontem o seu partido impedindo a desercao para a estrutura macronista, os centristas viram fugir-lhe ” valores ” seguros como Bayrou e Borloo em trânsito para o alistamento em Macron e, o PSF, vai ter muito que penar para suster o impacto do take-over real e implácavel de Mélenchon sobre os escombros da heranca politica de Hollande e dos seus aliados do moribundo EELV( Verdes).

    1. Niet parece esquecer que quem tem a última palavra são os eleitores. E há um assunto que se vai tornar quente/quentíssimo: De onde vem o dinheiro de Macron? Depois de financiar uma campanha presidencial vai ter instalar um partido e financiar quase um centena de eleições a nível local. É que o escrutínio maioritário a duas voltas tem destas coisas.

    2. Peco desculpa pelas gralhas, em especial o num no final da linha 3 do texto. O painel do canal 5 da France TV estadual foi um dos vários disseminados no bouquet fantástico francês, onde o grupo alemäo RTL tem já a melhor Rádio com TV também ,e debates das 7 da matina à meia-noite. Onde pontuam Yves Calvi, Alain Duhamel e vários antigos jornalistas da revista predilecta do PM luso A. Costa, a “Marianne”, etc . Éric. Fottorino foi até recentemente director do Le Monde, Brice Teinturier é o sr. sondagens do IFOPS e prof. em Sciences-Po, Carole Barjon é a melhor jornalista do decrépito Nouvel Obs, revista generalista de nivel mundial que entrou em crise desde que o trio managerial que se apoderou do Le Monde lhe impôs um plano austeritário demencial.

    3. Sousa da Ponte: Nunca deixo por imperativo ético ninguém sem resposta. O financiamento e inscricäo do ( ainda ) movimento politico de Macron, ” En Marche “, que contabiliza mais de 200 mil aderentes, é(era) feito por e-mail com o pagamento de uma quota de pelo menos 50 Euros, salvo erro. Como foi à segunda volta e contabilizou cerca de 24 por cento de votos, irá usufruir de uma compensacäo financeira proporcional que deve ser substancial.Do futuro, as Legislativas rompantes que se seguem nas próximas 4 semanas, iräo gerar uma dinâmica e Macron parece apostar em ser impoluto e transparente em todos os tabuleiros. A ver vamos.

  6. Espremendo bem, sai deste artigo um conceito base: “a esquerda é que é, os outros não prestam e só nos atacam”. Essa clubite não é desejável em quem pretende ver as coisas de todos os prismas.

    1. “não é desejável em quem pretende ver as coisas de todos os prismas” – Não é possível tal coisa… só “Deus”.

  7. O Presidente da França, Monsieur Macron não pelantou um só dos 16,7 milhões de votos, contraditórios, de protesto ou de unidade anti-fascista, que serão depositados em seu nome nas urnas e lhe darão uma vitória presidencial com 35% do eleitorado francês. Tendo presente que a vitória do Presidente Marcelo apenas reuniu 27% do eleitorado português pode até parecer uma grande vitória a do Presidente Macron. Puro erro.

    Em Portugal o Presidente Marcelo comporta-se como se fosse o dono do governo e fosse ele o presidente de um regime presidencialista e faz tudo isso sem partido, sem “botas no terreno”. Porém sabe ele é sabem todos que essa coreografia não passa disso e a governação é-lhe estranha e depende apenas da capacidade das políticas do governo reunirem os apoios sociais e políticos que se traduzam em maioria parlamentar.

    Na França o regime da V República é presidencialista e vai ter agora um Presidente que não tem partido nem apoio social e político para as suas políticas de submissão à anexação de Schäuble e seus apoios e ideias de fragmentação social, precariedade laboral, auto-emprego, artesãos e mini-jobs… Quem vai propor aos franceses essas políticas e como vão decidir os franceses? Que fragmentação vai desenhar-se na Assembleia Nacional Francesa?

    Como vai o Presidente eleito através da chantagem de se pôr na posição tática de dizer: ou eu ou o nazi-fascismo reunir apoio para uma política que arrasou o Partido de Fillon e o de Hamon? Como vai o Presidente Macron descaraterizar a República Francesa da liberdade, igualdade e fraternidade transformando-a na república do estado de emergência, das desigualdades e do empobrecimento?

    O Presidente da República Francesa está já capturado pelas políticas de austeridade cujos resultados são bem conhecidos pelos portugueses que lhe sobrevivem. Quem as apoiará na Assembleia Nacional? Ou, em nome da emergência, do terrorismo, da pressão externa dos refugiados das guerras que Hollande apoiou na Líbia, Síria, Ucrânia… Essas políticas passarão ao terreno sem serem parlamentarmente validadas?

    E, no país das luzes, como se comportará a resistência a essas políticas e a repressão a mando do jovem Presidente Macron?

    Persistem na França as dúvidas, inquietações, receios, medos, guetos, fraturas e lutas socais inerentes. É aí no terreno onde Monsieur Macron não tem as botas que tudo se decidirá.

    Entretanto, por cá, a direita que nasceu na Assembleia Nacional da UN/ANP está deliciada a vitoriar a instabilidade que as políticas de Schäuble e seus apoios produziu na França franqueando as portas ao crescimento do clan Le Pen.

  8. Parece que há alguma confusão sobre o significado do adjetivo assanhada.

    https://www.priberam.pt/dlpo/assanhado
    as·sa·nha·do
    adjetivo

    3. [Informal] Que está agitado; que não para quieto.

    Centro assanhado? Se alguém anda assanhado são os extremistas. A extrema-direita francesa, oportunista e assanhada, anda a explorar os medos dos franceses mais pobres e mais frágeis, tal como a extrema-esquerda sempre tem feito. A extrema-esquerda francesa, oportunista e assanhada, tem tentado assustar Macron para o submeter ao programa ideológico dos “insubmissos”. Felizmente para a França e para a Europa, Macron ignorou e não foi na conversa. Também não ganharia nada se se assustasse, pois muitos “insubmissos” irão votar Le Pen de qualquer modo e perderia alguns eleitores moderados. A extrema-esquerda portuguesa também anda assanhada a convencer-nos da bondade da estratégia dos “insubmissos”, apesar de nós nem votarmos nas eleições francesas.

    Talvez seja interessante ver por onde andam os votos dos franceses:

    http://www.bva-group.com/sondages/presidentielle-2017-1er-tour-decrypter-le-vote-des-francais/

    https://fr.wikipedia.org/wiki/Liste_de_sondages_sur_l%27élection_présidentielle_française_de_2017

    1. É uma felicidade saber que há um macronista que assina com o seu nome. Bem vindo.

    2. Caro Louçã, Obrigado pelas boas vindas. Classificar-me como macronista é um exagero porque tenho aversão às palavras terminadas em ismo e porque não conheço detalhadamente as propostas de Macron. Contudo, se fosse eleitor francês, entre Macron e um candidato extremista, escolheria Macron obviamente. Não consideraria essa escolha um “mal menor”, mas também não declararia “fidelidade a Macron”.

  9. “se Macron ganhar, como tudo indica, abre-se uma nova etapa da política que escolherá entre a agressividade liberal e uma alternativa socialista.”

    Quer isto dizer que a extrema direita vai desaparecer como por magia? Não, caro Francisco Louçã, e na verdade vai ser necessario continuar a combatê-la… e para tal serão necessarias alianças a priori improvaveis como a que existe em Portugal e cuja perspectiva, não se percebe como nem porquê, você se recusa a validar em França.

    Estou convencido (e os resultados provam-no) que Mélenchon teve razão, estrategicamente, em recusar antes das eleições alianças com outras forças de esquerda. E como tal parece normal que Macron se recuse também por enquanto a estudar alianças, pelo menos até às legislativas. Nas presidenciais elege-se uma pessoa, não uma atelagem ou um governo e parece-me são sabermos quais são as suas ideias, independentemente das concessões que logicamente tera de fazer posteriormente em função da composição da Assembleia.

    E para quê pôr em causa o debate entre os 2 candidatos? Se não devemos debater com o FN mais vale proibi-lo. Quanto mais o FN estiver exposto (inclusivamente tendo mais deputados pois é anormal que uma força politica “legal” com 30% de votos tenha apenas 2 deputados) e (sim) “banalizado” menos sera capaz de fingir que é um partido “fora do sistema”.

    O seu texto é “estrambolico”, caro Francisco Louçã…

    1. O escrutínio maioritário a duas voltas tem destas coisas. Com 30% dos votos tem dois deputados. E com 40% pode ter a maioria absoluta.

  10. Para quem tinha dúvidas, elas ficaram desfeitas após o debate. A escolha vai ser entre o capitalismo selvagem e
    desumano global (Macrón), e o capitalismo selvagem e desumano nacionalista racista (Le Pen, usando velhas fórmulas
    de aproximação aos trabalhadores).

    Mas a democracia não acaba nem começa num acto eleitoral. Que o diga o próprio Passos Coelho, que apesar de
    ressabiado e com pouca inspiração política, para evitar o seu improviso neoliberal perigoso, de vez em quando
    aparece cheio de energia e rijo como um pêro, principalmente depois de jantares do partido com a participação de
    Miguel Relvas, ao lado de Montenegro (o maçon dos municípios com praias).
    Veja-se o exemplo do próprio pai da Ivanka, também com problemas com a Constituição, etc.

    É essencial que as forças de esquerda se unam, incluindo os falsos socialistas não redimidos, e com a direita
    democrata cristã, para impedir o Macrón (conhecido entre a comunidade portuguesa oriunda da zona do Porto como “Le
    Morcón”, traduzindo, “O Morcão”), de continuarem a bater nos trabalhadores, nos idosos e nos mais pobres, e
    acabarem com os poucos amortecedores sociais que ainda restam, correndo o risco dos franceses voltarem a pedir
    esmola á porta da igreja, numa futura crise que virá sempre.

    Nas próximas eleições legislativas, daqui a um mês, é urgente e necessário isolar Morcón, e o seu grupo GooglePlay.

  11. Seria interessante perceber é porquê que o programa da “alternativa socialista” (uma reediçao do programa da Frente de Esquerda executado, e fracassado, nos anos 1980-83, desta vez com choque adicional de uma saída da UE) seria bom para o povo francês, enquanto que a “soluçao neoliberal”, de alcance identico ao que por exemplo a Alemanha pôs em pratica com exito nos anos 2000 – muito denegrida pela esquerda mas implementada com a cooperaçao dos sindicatos e que permitiu relançar a economia e reduzir drasticamente o desemprego) seria má para os trabalhadores franceses.

  12. Frankfurt quer dizer a fuga dos francos. É triste constatar que a europa bárbara continua essa coisa das plebes germânicas da periferia.
    Francos, Anglo-saxões e Godos são o trio do atraso germânico que estorva a europa e o mundo. Sobra o espectáculo da miséria, dos acontecimentos típicos desses pré-históricos, tanto cá como no resto do mundo infectado por eles.

    A esquerda não assume que os francos preferem qualquer um, menos a esquerda. A esquerda já perdeu, completamente. Não tem qualquer candidato, foi colocada fora da candidatura pelos francos.

    Do outro lado do atlântico USA Hillary Clinton foi humilhada: os rednecks preferiram o mais ridículo dos candidatos a ela. Perder entre pares é mau, perder para o mais ridículo dos candidatos é pior. Os rednecks revelaram o nojo tinham a Hillary ao preferirem Trump. Os francos já revelaram o nojo que têm à esquerda.

    Caro Louçã, a questão é: porque é que os francos têm nojo da esquerda?

    1. Refere-se ao PS? É por causa de Hollande, mas há-de-lhes passar. Hollande não foi um desastre, mas a sua cruzada na Síria é imperdoável para muitos. Eu penso que ele fez mal ao impedir a saída da Grécia do euro, mas foi uma atitude generosa.

  13. Depois de ler o texto, com o qual me identifico, ficou-me uma dúvida: o autor será o mesmo FL que em tempos chumbou o PEC IV ?

    1. Pois vou-lhe dar o desgosto de repetir que votei e votaria sempre contra o PecIV. Felizmente, António Costa fez um acordo com as esquerdas que não prevê aumentos de impostos sobre o trabalho, nem cortes no SNS, nem novas privatizações, antes corrige esses erros … que estavam todos no PECIV.

  14. Obrigado por “linkar” informação tão relevante como, p.ex., a recusa da proposta de Mélenchon sobre a lei laboral.
    Ajuda a pensar.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo