Tudo Menos Economia

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Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

20 de Abril de 2017, 08:52

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Curiosidades à volta dos países

transferirAgostinho da Silva disse, um dia: “sou especialista da curiosidade não especializada”. E, como também alguém reflectiu, a curiosidade é a última paixão das pessoas no ingresso e itinerário da velhice.

Hoje, a minha curiosidade virou-se para o agitado mundo da geografia política.  Afinal quantos países existem? E o que é um país? Em termos simplificados, um país independente é um território delimitado geográfica, política e socialmente. Ou, por outras palavras, deve ter fronteiras definidas, soberania nacional e base mínima de sustentação, reconhecidas pela comunidade internacional.

É necessário, contudo, estabelecer a diferença entre Estado e País. Enquanto o primeiro é o pilar fundamental da soberania formada por povo, território e governação, o segundo é um conceito genérico referente a tudo o que se encontra no território. Portugal é o país e República Portuguesa é o Estado. Espanha é o país e Reino de Espanha é o Estado. Brasil é o país e a República Federativa do Brasil é o Estado.

Como membros de pleno direito da ONU temos agora 193 países. Deste número não fazem parte Taiwan, que não é reconhecida pela China, e Kosovo, cuja entrada na ONU tem sido bloqueada pela Rússia e outros países. Já a Santa Sé é “observador permanente”, tal qual a Autoridade Palestiniana. No século XXI os novos países admitidos na ONU foram Timor-Leste (2002), Montenegro (2006), e Sudão do Sul (2011). A Suíça, tradicionalmente neutral, é membro pleno desde 2002.

No dealbar do século XX, havia apenas 57 Estados. Depois da 1ª Guerra Mundial e com o fim dos impérios austro-húngaro e otomano, novos países se formaram. Mais tarde, deu-se a descolonização de ex-colónias de África e da Ásia, a divisão do subcontinente indiano (Índia, Paquistão e, depois, Bangladesh) e a divisão do Médio Oriente. Na última década do século XX, com o fim da União Soviética e seus satélites, passou a haver mais 23 países membros da ONU: Federação Russa, Ucrânia, Bielorrússia, Lituânia, Letónia, Estónia, Arménia, Azerbaijão, Moldávia, Geórgia, Quirguistão, Cazaquistão, Turquemenistão, Tadjiquistão e Uzbequistão (todos ex-União Soviética), Eslovénia, Croácia, Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedónia (ex-Jugoslávia), R. Checa e Eslováquia, deixando de haver 4 membros: RDA, Checoslováquia, Jugoslávia e URSS.

Já a FIFA incorpora 210 “países”. Há 19 membros que não são da ONU: Bermudas, Caimão, I. Virgens Britânicas, Montserrat, Turcas & Caicos (ligados ao RU), Guam, I. Virgens Americanas, Porto Rico e Samoa Americana (ligados aos EUA), Aruba e Curaçau (à Holanda), Hong-Kong e Macau (à China), I. Faroé (à Dinamarca), Taiti e Nova Caledónia (à França), I. Cook (à N. Zelândia), Palestina e Taiwan. E há 5 “países” que substituem o Reino Unido: Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e Gibraltar! Existe também a situação contrária, isto é, países que são membros da ONU, mas não filiados na FIFA: Micronésia, Mónaco, Palau, Ilhas Marshall, Kiribati e Nauru.

Por sua vez, o Comité Olímpico Internacional (COI) acolhe 202 membros. Neste caso o Reino Unido toma o lugar dos 5 “britânicos” da FIFA e há alguns membros da FIFA atrás indicados que não estão no COI e vice-versa. Enfim, alguma confusão de critérios …

Por esse mundo fora, há territórios em disputa de soberania, uns mais enraizados do que outros. A título de exemplo: Tibete, Sara Ocidental, Chechénia, Caxemira e a R. Turca de Chipre do Norte.

Por fim, o euro é a moeda de 19 países da União Europeia, mas não só. Há mais 7 países europeus que a têm como moeda oficial ou próximo disso: Mónaco, Andorra, São Marino, Montenegro, Kosovo e, claro, o Vaticano.

 

 

 

 

 

Comentários

  1. Sobre o euro. Não são 19 paises. Mas 19 estados membros da UE. Diga-me onde no tratado de Lisboa vem a palavra país? Eu digo:países terceiros à união. Fora isso é sempre estados membros.

    1. Agradeço a sua nota de precisão. Todavia, eu não escrevi 19 países, apenas. Escrevi “19 países da União Europeia”, o que é verdade. Qualquer dos 19 estados-membros da União com o euro são, também, 19 países da União.

  2. Bom dia,
    Somos professores de Geografia e Economia do Colégio do Sagrado Coração de Maria, em Lisboa.
    Gostaríamos muito de convidar para conversar com os nossos alunos do Ensino Secundário sobre os Desafio atuais de Portugal e União Europeia.
    Nesse sentido, e não tendo outro forma de contacto, utilizamos esta via, deixando o nosso email:
    cristina.fonseca@cscm-lx.pt

    O nosso Muito Obrigado
    Cristina Fonseca

  3. pORUE RAZÃO

    Porque razão os países do Bloco Socialista Europeu são designados por “países satélites da URSS” e não Portugal como país satélite sucessivamente do Reino Unido e dos EUA, tal como satélites deste último seriam muitos outros por esse Mundo fora, com governos apeados à boa maneira de Kissinger relativamente ao patrocinado Golpe de Pinochet no Chile a 11 Setembro 1973: “”Não vejo porque precisamos ficar parados e assistir um país tornar-se comunista por causa da irresponsabilidade do seu povo. As questões são muito importantes para deixarmos os eleitores chilenos decidirem por si mesmos.”- citado em Richard R. Fagen, “The United States and Chile: Roots and Branches”, Foreign Affairs, January 1975.89 ?

  4. Excelente texto, Dr. Bagão. Parabéns.

    Mas sem querer abusar exponencialmente de si, gostava que nos falasse também das Nações (se não me engano, Espanha tem 4 ou mais), e que nada tem a ver com o nacionalismo racista e desumano estilo Le Pen, que muitos comentadores de direita da nossa praça confessam aos 4 ventos dos média que votariam nela, caso a 2ª volta francesa fosse a “desgraça” Mélenchon-LePen, deixando ao abandono mais de 1 milhão de luso-descendentes, nas mãos daqueles racistas (como por exemplo o DR. Marques Mendes, no seu ultimo cometário na SIC).

    Peço ao Dr. Bagão para interferir nessa gente, acalmado-as se possível, para proteger os nossos emigrantes. Eu até já ouvi alguns a apelar aos nossos padeiros na Venezuela para continuarem a usar a farinha em croissants em vez de pão, desobedecendo ás ordens do governo… isto é perigoso.

  5. Estado, do status rei publicae, é a organização oposta à do rebanho do senhor.
    País decorre de pagus (povoação) onde habitam os pagãos (paganus).

    Nem estado nem país são coisas da plebe cristã. Mas ela, para demonstrar o seu atraso e analfabetismo característicos, usa esses termos para qualquer coisa que lhe aparecer à frente.

    Não deixa de ser irónico um cristão ter curiosidades pagãs. No entanto, não revela habilitações para perceber a incompatibilidade cultural entre a organização da civilização (estado, coisa pública da população) e a organização da barbárie cristã (rebanho de um senhor, a horda pré-histórica que é coisa de um senhor).

    Obviamente que a plebe cristã, que acredita numa fantasia inventada por pastores, que determina a organização insalubre em rebanho/horda, não tem bases culturais, nem maturidade e ainda menos habilitações, para formar um estado da coisa pública.

    O estado da coisa pública é a negação da teologia Abraâmica, que afirma que a coisa não é pública mas de um senhor.

    Num estado há escolhas (heresias) porque o estado é a organização de uma sociedade, é a antítese do rebanho subalterno às vontades únicas de um senhor. Um cidadão não se considera súbdito e menos ainda aceita ter um dono ou senhor, ao contrário da plebe cristã que vê os delinquentes (assassinos, chantagistas feirantes e afins) como senhores à imagem do seu deus delinquente (que também faz um inferno a quem não lhe obedecer).

    Não existem estados actualmente, por mais que a barbárie ocidental use esse termo, um estado é uma organização de cidadãos assente no civismo. É o contrário das organizações assentes na delinquência bélica (que determinaram as fronteiras da barbárie ocidental) e na delinquência mercantil, os tais “mercados” (que determinam a organização dentro e fora dessas fronteiras) desta nossa querida idade das trevas cristãs.

    Nas “monarquias” (R.U., Holanda, Suécia e afins) não há sequer cidadãos, há súbditos, porque a horda pré-histórica germânica está intacta nessa barbárie ocidental.

    Caro Félix, é pena que não tenha habilitações para ter curiosidades maiores e se fique pelas minudências típicas da falta de percepção das trevas cristãs.

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