Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

18 de Abril de 2017, 13:01

Por

A França, nossa vizinha

Creio que não se consegue encontrar ninguém à esquerda que responda simultaneamente a duas condições: primeira, aceitar a União Europeia como instituição capaz de cumprir a sua promessa; e, segunda, acreditar que é realizável um plano concreto de reforma democrática que corrija as suas contradições. Entendamo-nos antes que me bombardeiem: há por certo muito quem ache que esta União é o destino celestial, é a própria ideia de Europa, que encarna a paz, a prosperidade e até o Estado Social mas, com uma vénia, prefiro não discutir misticismos, tanto mais que até os iluminados se aperceberam, e alguns com quanta amargura, que Merkel e Hollande e Dijsselbloem não são os corifeus angelicais que nos conduzirão ao paraíso. Por isso, a contradição é esta: os que têm fé na União que nos pintaram sabem que não há forma de cumprir tal promessa e que nos afastamos inexoravelmente desse encantamento. Depois do ignóbil acordo com a Turquia sobre os refugiados, depois da austeridade curativa imposta a Portugal e outros países, depois da falência da Grécia, o tempo para a inocência acabou.

É precisamente isso que nos lembra a França na última semana da sua campanha eleitoral. A crise francesa é filha do vazio europeu ou, mais ainda, é o preço de uma política que destroça os regimes a que foi retirada a legitimidade e a capacidade de criar expectativas para a vida das pessoas. No que é porventura o país mais politizado da Europa, onde começaram todas as grandes esperanças e tragédias dos séculos XIX e XX, a disputa resume-se então a isto: o único candidato obediente-europeista é o homem do centro político, um aventureiro financeiro, Macron; os dois partidos que têm governado sucessivamente parecem estar afastados da disputa, com Hamon, do PS, abaixo dos 10%, e os Republicanos, a direita gaullista tradicional, remando contra a dissolução pelo escândalo; na direita, a candidata forte é Le Pen, dando corpo a um discurso nacionalista de extrema-direita; e o único candidato viável à esquerda, o que mais tem subido nos últimos dias, Mélenchon, é porta-voz da ruptura com os tratados europeus e o seu directório.

Claro que, sendo as sondagens o que são, ninguém pode excluir qualquer cenário e isso também é a mais grave expressão da crise de regime. A segunda volta pode bem vir a ser Macron-Mélenchon, ou Le Pen-Mélenchon, ou Macron-Le Pen. O que também quer dizer que qualquer dos três pode ser presidente dentro de semanas, tendo aliás uma característica em comum, não sabem como formariam maioria de governo depois das eleições legislativas.

Mas note a diferença entre o que hoje se escreve e o que se antevia há uns meses: dizia-se que Juppé iria ganhar juntando a maioria republicana, mesmo que a desdemonizada Le Pen fosse a mais votada na primeira volta, mas ainda assim seria batida e tudo voltaria ao normal. Perante o colapso do centro, a direita solene venceria a extrema-direita arrivista.

Todo esse plano, se era um plano, desabou. De facto, foi a emergência de um candidato à esquerda que mudou a paisagem eleitoral francesa, dado que Mélenchon respondeu ao colapso do centro e da direita tradicionais, mobilizando energias das lutas populares e da identidade nacional em resposta à perseguição que a União move contra as políticas sociais. Ele constitui o único antídoto que enfrenta Le Pen. Creio que é por isso que a sua candidatura cresce tanto nos últimos dias: passou a ser a voz da esquerda social contra o sono da razão. Ora, se as eleições são a única válvula de escape contra a mais opressiva das opressões, o discurso da inevitabilidade do empobrecimento em benefício da plutocracia e da cizânia entre comunidades, temos pela primeira vez uma resposta ao risco da extrema-direita: perdido o centro, é do surgimento de uma nova esquerda que queira ser maioritária que depende a salvação de uma política de bem-estar contra o fanatismo do mal-estar.

Comentários

  1. Sobre a questões da perda das ilusões europeias, de acordo. Sobre o programa de Mélenchon, vale a pena perguntar como vai ele substituir a energia nuclear por renováveis, ou como pretende aumentar a dívida para financiar esse mesmo programa, por exemplo. Os ‘tenebrosos’ mercados são afinal quem financia as nações e se há um movimento político viciado na dívida, esse é a Esquerda. Cabe lembrar que as disputas intestinas entre figuras ligadas ao PSF, incluindo Mélenchon, se podem talvez todas traçar ao momento em que, depois da desvalorização do franco por três vezes, com uma inflação nos dois dígitos e perante a fuga de capitais externos, Mitterrand fez a ‘viragem do rigor’ e abraçou a ortodoxia europeia de então. É mesmo esse conjunto de políticas que a Esquerda da Esquerda tem de novo para oferecer? Desvalorização, inflação e repressão monetária, que é simplesmente a um imposto adicional sobre depositantes? Para quem perdeu rendimentos no passado recente e agora os vê modestamente repostos ou para quem tem poupanças, não me parecem muito boas notícias (e a Esquerda nunca ganha eleições sem os votos da classe média). Isto para além das necessárias nacionalizações de um sistema financeiro que irá falir depois do abandono da UEM e pode mesmo ser que o Estado não tenha que acorrer só aos Bancos, mas a todas as empresas com contratos de dívida não sujeitos à Lei Nacional. Convinha que quem defende tais políticas as assumisse por inteiro, incluindo as suas consequências e riscos, para que as pessoas saibam naquilo que vão realmente votar. Isso é o que se exige de quem é simultaneamente racional e honesto. Pode até ser que a maioria do eleitorado opte por tal programa, mas se por um momento prometer a Lua e desiludir as pessoas, acontecerá à Esquerda que resta o mesmo que aconteceu a Hollande e irá acontecer certamente ao Syriza, serão destruídos sem dó nem piedade em atos eleitorais futuros. Se a Democracia sobreviver, isto é, e aí está o exemplo da Venezuela para nos mostrar como nem isso é certo. Entre a elite corrupta que governava a Venezuela antes de Chavéz e o caos social e económico presente, eu escolheria a primeira sem hesitar. A pior coisa que se pode fazer, Professor, é prometer a Esperança às pessoas e depois não se revelar à altura de tal tarefa. Por isso, cuidado com o que se promete… O acordar da razão pode revelar-se bem violento…

    1. “Os ‘tenebrosos’ mercados são afinal quem financia as nações e se há um movimento político viciado na dívida, esse é a Esquerda.”
      Desculpe, mas parei de ler aqui.

  2. Francamente espero que a Le Pen não ganhe – pese o facto do género feminino em tempo de crise dificultar a eleição .. basta pensar no pólo inverso na última eleição nos EUA – Quanto à UE pois visto a crise aberta de eleições antecipadas no Reino Unido com o Brexit é fácil perceber no futuro próximo a discussão sobre um hipotético “Orçamento Federal” que ir para a frente somente espero que terminem com os critérios de convergência actuais e respeitar e conservar as relações já constituídas entre os países membros no quadro dos pilares institucionais, e, a necessidade futura de prover emprego, ocupação de tempo em suma qualidade de vida ao cidadão Europeu. De outra forma estaremos condenados ao fracasso a todos os níveis!

  3. O Mélenchon pelo menos quer reduzir os tempos de trabalho para 32h semanais. Já por cá, Francisco Louçã e BE nem sequer piam sobre o assunto.

    1. Meu caro Luís
      Lamento dizer-lhe que anda distraído ou mal informado: O BE propõe, há já muito tempo, trinta e cinco horas semanais de trabalho para todos os trabalhadores do sector privado e do sector público.

    2. FQ a sério? Se calhar até propõe mas é evidente que é só para “português” ver. Não é algo que tenham real intenção de concretizar e quem andar atento pode verificar que não é algo pelo qual possam ser vistos a se baterem nos espaços noticiosos e mediáticos. E isto tratando-se de reduzir apenas uma hora de trabalho por dia. Como é que seria se se tratasse de reduzir mais?

      Ah um aparte, parece que o PAN e também o MAS propõem reduzir o tempo de trabalho para 6 horas por dia. Para funcionários públicos e privados…

  4. A fabulosa e incandescente campanha eleitoral presidencial francesa, a décima edicäo na Ve. Republique,vai revelar quem irá liderar a França num contexto mundial muito incerto e perigoso. A direita e o PS institucionais estäo à beira de implosäo face à ameaça letal incarnada pela extrema-direita, por um lado, quer pelo ” espectaculo ” Macron, o ex-banqueiro de Rothschild promovido pelo infeliz Hollande a Ministro a um passo de construir um movimento politico centrista dominador, por outro. Mélenchon tem realizado uma campanha sensacional, muito inovadora e profissional com um discurso-carta espantoso contra a famigerada lógica social-liberal e a precariedade sinistra e fatal. Apesar de todas as angustias, a campanha tem revelado uma qualidade mediática altamente surpreendente e positiva: múltiplos debates diários nas cadeias de Rádio e TV nacionais, um fantástico ” golpe ” jornalistico contra o candidato Fillon revelado pelo legendário e combativo ” Canard Encahiné. Niet

  5. Trememos com qualquer perturbação europeia, com os erros e as indecisões, com a imperfeição democrática das instituições, com o euro forte, etc,etc, mas o que seria desta pobreza totalmente irrelevante à beira mar plantada sem a Europa e UE?

  6. É vergonhosa a forma como a nossa comunicação social tem acompanhado as eleições francesas, é Le Pen para aqui, Le Pen para ali, os ” jornalistas ” residentes ou destacados, revelam uma ignorância confrangedora da realidade, e limitam-se a papaguear o que lêem na imprensa francesa, sem qualquer espírito crítico,em suma é o ” jornalismo” a que temos direito.

  7. Mitterand está sepultado em Cognac, na Aquitania. Lá estará a lamentar o acordo que fez com Kohl na década de 90. Com a adesão os franceses perderam muito. França, a pátria de Chauvinismo, de Chauvin, está ferida no orgulho e a rogar pragas ao vizinho alemão. Num relance vejamos onde os franceses viram a sua situação deteriorada:

    (1) Poder de Compra: o poder de compra perdido pelas famílias francesas em média, entre 2007-2016, é de 687 euros, de acordo com o INSEE. O salário mediano era de 1772 euros em 2013 – em Portugal os valores andam pela metade;

    (2)Variação do PIB real entre 2008 e 2016 é de +4,96%, ou seja, um miserável aumento de

    ( 1 + i)^9 = 1,0496, com i = 0,54% ano
    ( Isto contenta alguém? É um sinal de revolta do povo francês)

    Em Portugal, as coisas estiveram bem piores no mesmo período, mas nós já estamos habituados, ou seja, diminuímos 4,35%.
    (Fonte:Eurostat)

    (3) Dívida Pública Francesa:

    Em 2000: 58,7% do PIB (871,2 * 10^9 euros); Em 2007: 64,4% do PIB(1253,1 * 10^9 euros); Em 2016: 96,4% do PIB(2160,4 * 10^9 euros). Os juros da Dívida Pública rondam os 42 * 10^9 euros, qualquer coisa como 2% do PIB( em Portugal o valor é de 8%).(Fonte:Eurostat)

    A pátria de Chauvin não nos vai deixar ficar mal; nós, aqui mais em baixo, queremos passar a viver melhor. Em Abril a França vai eleger Mélanchon e em Junho a esquerda unida vai ganhar as legislativas. Em Setembro Merkel e o seu ministro das Finanças irão de abalada e ficaremos felizes.

    Até domingo, dia 23, pensemos que esse dia será perfeito: Mélanchon passa a segunda volta. Ganhará Mélanchon também o segundo round. Este desejo é só para pessoas que acreditam nesta solução, não é Prof. Louçã? Na vida não faz mal ambicionar tudo, esperar pouco e, sobretudo, nada pedir. É uma boa norma de vida.

    No You Tube resta-nos ouvir “A Perfect Day”, de Lou Reed, da BBC Live Music 2000. O próximo dia 23 será um dia perfeito.Confiemos.

    1. Em tempo: as grandes nações da História são o Reino Unido e a França. Não haja dúvidas: a América tem a marca da Inglaterra. O Brexit é isso mesmo: é tão inspirador como as primeiras incursões de Sir Walter Raleigh no Novo Mundo, após a chegada de 1492 de Colombo. É revolta do povo mais inovador da História, o inglês, perante esta dominação europeia da Alemanha. A Alemanha, ao longo dos tempos, só tem feito porcaria, para não dizer uma palavra mais forte e aproximada à realidade. Duas grandes guerras na Europa, o Holocausto e agora esta trampa do Euro. O Euro surgiu para resolver a reunificação, com a anexação da RDA. A Alemanha causa-me urticária. O Brexit é um aviso sério à Alemanha de quem sabe muito mais que eles. Eles, os alemães, que esperem pelos novos ventos da História. Serão enviados para o lugar que merecem: para o caixote de lixo da História.

    2. Quem quis o euro nao foi a Alemanha foi a França. A Alemanha aceitou na condiçao do BCE ter um estatuto e mandato identico ao do Bundesbank, ie ser independente, nao poder financiar o orçamento dos estados e ter como missao principal velar pela estabilidade dos preços e da moeda. A historia aconselha mais prudencia a fazer juizos sobre outros povos e culturas porque ninguem tem historias imaculadas nem pode dizer que tem telhados de vidro. O Brexit pode ser inspirador mas nao foi causado pela “hegemonia” da Alemanha que, na realidade, era normalmente aliada da GB na definiçao das principais politicas da UE. Note ainda que, curiosamente, Melanchon nao propoe o Frexit nem sequer a saida da França do euro; propoe antes a reforma da UE e do euro e está convencido que consegue ganhar os outros estados membros para as suas propostas; ele nao diz o que faria se o seu plano fosse rejeitado mas talvez nem seja importante porque ele dificilmente teria maioria no parlamento para levar à pratica o seu programa. Melanchon é talvez o candidato à esquerda que preenche as duas condiçoes enunciadas por Louçã. De resto o Frexit é protagonizado em França por varios candidatos do centro e da direita, nomeadamente do campo gaullista, por razoes que soam mais a fuga para a frente e forma de contornar problemas do que é o caso com o Brexit.

    3. Resposta para am:

      (1)A Alemanha tinha muitas razões para querer converter o marco em euro. O problema da reunificação foi sempre uma grande dificuldade para Kohl; não tenho grande incerteza em considerar que a anexação da RDA gerou a combinação franco-germânica para o euro. A Biblioteca Nacional, entre outras, tem a imprensa emitida na década, como é sua obrigação.É confirmável o que afirmo;

      (2) Mais importante é considerar quem está claramente a ganhar com esta história mal contada do Euro. A arquitectura não foi bem desenhada, como toda a gente reconhece. Os maiores especialistas de Portugal na área do euro tinham grandes dúvidas: sei do que falo, fiz a parte curricular do mestrado em Economia Monetária e Financeira e reparei no mar de dúvidas que o Prof.Constâncio tinha. As referências bibliográficas são elucidativas. A longa maturação da zona monetária dos EUA diverge do trabalho mal feito em poucos anos na Europa.

      (3) A Alemanha paga menos juros do que pagava em 2008; a sua dívida pública pouco excede o limite imposto por Maastrich(60%)t; a França está nos 100% com agravamento súbito. A minha opinião, reforçada por aquilo que leio na imprensa de referência do País, é que a França vai partir a corda. O que fará a Alemanha? Serão os grandes perdedores e os seus excedentes brutais vão acabar – têm, pelo menos, que investir largamente na defesa, que deixam de ficar a cargo da América – Obama ameaçou mas Trump não teve papas na língua e com razão: am, pense no brutal excedente comercial da Alemanha nas trocas entre os dois países. E todos os restantes países estão em maior ou menor dificuldade. Que jogo de chantagem é este? Toda a gente a perder a favor de um único jogador – que estranha forma de vida e que estranho jogo. Este jogo, com estas regras, não funciona. É um jogo de campo inclinado só para um lado – como já lhe disse, são onze de cada lado. Mas as regras estão viciadas e ganha sempre a Alemanha. Claro…

      (4) Não quero estar a aprofundar mais a questão. Tenho números convincentes sobre os dois países – fiquemos por aqui. No fundo, o que interessa isto a este pequeno e pobre país? A França pode nos valer nestas horas de aperto – e a Alemanha, passe a expressão, não é confiável, A História confirma-o.

      (5) Mélenchon propõe a abordagem do Frexit. Claramente. Aliás, o Frexit é discutido no dia-a-dia.Um país com a grandeza da França tem de o discutir: a França, sob pena de se renegar historicamente, tem de parar a curva descendente. O próprio cidadão comum francês o exige. Ninguém está contente. Os indicadores da decadência são evidentes. A França vai reagir. O que nos pode beneficiar. Tudo isto transparece da imprensa e da comunicação social do país. Esperemos pelo que vai suceder domingo próximo.

    4. Em tempo: que estranha forma de analisar as coisas. Esta situação insustentável é tão gritante, tão clara, que me ocorre a seguinte pergunta: vamos, ainda por cima, dar condecorações a Merkel e ao seu famigerado ministro das Finanças? Somos masoquistas? O que quer, am, que faça mais em benefício da Alemanha?

    5. Responda-me a esta questão,am::

      De acordo com o Tratado Orçamental, quando o valor da dívida pública excede os 60% do PIB, o país em causa deve reduzir o rácio de dívida pública a uma taxa média de um vigésimo por ano,como padrão de referência. Como a nossa dívida pública é de 130%, a taxa média de redução deve ser de 70/20, ou seja, de 3,5% por ano. Como é que o nosso pobre e endividado país pode cumprir esta regra?

      Existem nuances nesta questão. Veja o 3º. Capítulo do livro do Prof.Miranda Sarmento sobre o assunto. É da Almedina.

    6. Muito bem, tomo nota. Mas no dia em que Portugal sair do euro, ou em que o euro acabar, talvez seja bom ter as suas poupanças aplicadas em divida ou ativos alemaes, porque se tiver todo o seu pé de meia em Portugal pode vir a dizer mal da vida.

  8. Mais um excelente e pertinente artigo. Parabéns!

    Há, de facto, na U.E. uma tentativa por parte dos “seus donos” de limitar completamente a politica, uniformizando o pensamento, para atingirmos no futuro o totalitarismo porque alguns, cá e lá, lutam há muito tempo.

    Seria interessante que o professor, num artigo futuro, abordasse o livro que será brevemente lançado pelo FMI, com o titulo: “Fiscal Politics”(https://www.publico.pt/2017/04/17/politica/noticia/vitor-gaspar-quer-limitar-margem-politica-nos-orcamentos-1769074), onde basicamente se vê a democracia como “uma competição para ganhar os votos das pessoas e conquistar o direito a exercer o poder [político]”. Nada mais!

    Nota: Sei que pode ser melindroso tendo em conta o grau de parentesco para com o nosso querido Vitor Gaspar, mas as coisas são como são, e a sua voz é importante, porque o que está para vir, será, incrivelmente, muito pior..

    Cumprimentos

    S

    1. Não sei se a confusão entre sistema eleitoral e democracia é real ou fingida. A evolução levou a que o sistema eleitoral degenerasse “numa competição para ganhar os votos das pessoas e conquistar o direito a exercer o poder [político]” (e tirar daí dividendos chorudos) A Democracia é muito mais do que isso.

  9. “É certo que Mélenchon tem menos probabilidades de ser eleito do que eu de reincarnar em gato”. Quem disse? José MIguel Júdice. Se, no domingo o ouvirem a miar…será a primeira reencarnação de uma alma ainda viva (a título experimental…). Não se deve adiar uma possibilidade de reencarnação para a segunda volta…

    1. O Jose Miguel Júdice desde que em 1986 disse , que se Mario Soares fosse eleito ele deixava de ser comentador político, deixou de ter qualquer crédito nas suas arengas.

  10. Os partidos e políticos do “pensamento único”, da inevitabilidade, do empobrecimento, da desregulação do Trabalho, da precariedade, da desvalorização do Trabalho, da submissão ao financeirismo, da alienação das soberanias, da guerra e do terrorismo são partidos e políticos a derrotar e excluir das instituições dos Estados livres.

    Esse é o caminho que se observa no chamado mundo ocidental e a França será o próximo clamoroso exemplo emblemático. Na França ficará claro, nas urnas, que a chamada UE não tem apoio popular também nesse país do “eixo”.

    O próximo Parlamento Europeu teria maioria eurocetica se a atual chamada UE persistisse na sua obcecada missão de empobrecer e estagnar a Europa instigando guerras periféricas e terrorismo interno.

    A mudança não pode ser compreendida pelos atores secundários que subservientes, acreditam na bondade de quem aperta dia a dia o garrote dos povos e designadamente do Trabalho. Será porém essa massa de sofredores e vítimas que ousará tornar evidente que a chamada UE falhou como o seu Euro.

  11. É importante o facto, que o Louçã salienta, de que a mobilização em torno da candidatura de Melenchon, que se torna clara nas projecções e sondagens, revela que a insatisfação de largos sectores da sociedade francesa, não se revê e ,ainda menos ,se identifica com a mensagem nacionalista e extremista de direita de madame Le Pen.A consciência de classe e a capacidade de separar as ervas daninhas, numa sociedade em que a identificação dos interesses grandes proprietários de terras e da propriedade industrial e financeira, ainda permite distinguir as bases de apoio de Le Pen e Fillon,das dos restantes candidatos, tem um peso que não pode ser negligenciado nesta evolução recente, mas a questão fulcral é a de saber qual será o melhor confronto de candidatos que se perfila para uma segunda volta.Para a França, parece ser necessário que Le Pen tenha um opositor que não pareça desistir da França, em favor da Europa, mas que tenha a capacidade de entender que a França é mais Europa que muitos dos restantes estados europeus, mesmo que disponham de maestros e batutas que lhes assegurem alguma direcção de orquestra que nada tem que ver com a sua verdadeira dimensão. Ao candidato que pode sair da segunda volta, como vencedor, não basta pensar em ser, apenas, o presidente de muitos franceses, porque terá de pensar que poderá não poder recusar muitos mais apoios de outros cidadãos europeus.

  12. Macron tem tantas contradições, e tanto falso centrismo, que a mim ninguém me tira da cabeça que ele não passa de um “Ciudadanos neoliberal berlinense”, um banqueiro no pior sentido do termo. Um Holland com excelente aspecto e ainda sem cadastro prussiano e palaciano luxemburguês (como o Holland há 4 anos). Um arrastador de barrigas.

    O melhor candidato, de longe e a léguas de distância, quer em termos humanos, quer em conhecimento real da situação francesa e europeia, é Mélenchon.

    O problema é que a direita e os falsos centristas (Macronezes e outros como o nosso querido especialista e não votante em política francesa, Marques Mendes, que disse no seu monólogo de Domingo da SIC, que “o confronto Mélenchon – Le Pen seria um desastre” – ou seja, ele votaria Le Pen), certamente apoiariam, de forma mais ou menos escandalosa, a Le Pen.
    Os milionários têm poucos votos, mas têm muita força financiadora mediática, sobretudo com duas voltas eleitorais, em que Le Pen seria sacralizada, e Mélenchon seria comparado a um Diabo, pior que o lançado pelo Passos Coelho sobre Portugal, em Agosto passado.
    Aliás, tal como aconteceu com os financiadores, nos States, com o pai da Ivanka…

  13. Um excelente artigo, e chama a atenção para o que é importante nas eleições francesas – a vitória do banqueiro será a porta aberta a um(a) Le Pen daqui a 5 anos quando mais da fé cega europeísta tiver aprofundado o desespero perante a erosão económica social e democrática que a religião UE representa. O seu desenho de e para as Goldman Sachs é já completamente incurável, coisa que uma certa esquerda letrada tarda em perceber. Mélenchon também me parece ser a solução desse nó górdio, também para essa esquerda.

    Um aparte, a França é de facto paradigmática no idealismo das suas revoluções como o foi em ignóbil na sua rendição colaboracionista. Valia a pena notar que se a defesa dos direitos deve muito à França, a defesa das liberdades vem de outras paragens bem mais insulares à direita. Seria de uma simetria histórica interessante que surto ditatorial que adoece a europa com o clientelismo dos “arcos de governação” fosse resolvido em paragens empiricistas pela direita (UK) e em paragens racionalistas pela esquerda (França). As duas filhas do Iluminismo negam-se uma à outra por palavras mas na roda da História frequentemente trabalharam juntas na mesma direção.

    1. Jonas não sabe que em junho há legislativas em França? Se o cenário das presidenciais lhe parece confuso espere só para ver o que serão as legislativas.

  14. Infelizmente a comunicação social portuguesa, ignora Melenchon e os seus apoiantes luso descendentes, e está mais interessada em promover a Le Pen, vá lá saber-se porquê.

    1. Não sabia – caro Augusto, pff deixe aqui um par de links sobre a actividade política dessa comunidade. Genuinamente curioso aqui!

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