Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

20 de Março de 2017, 08:45

Por

Depois dos “jovens turcos”, os “velhos otomanos”

A lógica da quantidade (de países) para a construção da União Europeia deu no que deu. Preferiu-se o crescimento em território e população ao aprofundamento com cabeça, tronco e membros do projecto original. A sensação de frete, para não dizer de fastio, que líderes europeus deixam transparecer perante a “macedónia” de Estados-membros é manifestamente um dos sinais exteriores de uma União sem estratégia e desunida.

Tem sido neste crescente ambiente de incapacidade, cinzentismo e procrastinação que, de quando em vez, surge (ou surgia) a questão da plena adesão da República da Turquia à UE.

Percebo a importância geoestratégica da Turquia na confluência da Europa e da Ásia e de este país fazer parte da Aliança Atlântica. Compreendo o potencial económico e de trocas comerciais com um país com mais de 75 milhões de habitantes e com uma vasta corrente de emigração para os países mais poderosos da Europa. Acho relevantes todos os seus acordos de cooperação e de associação com organizações europeias. Mas nunca me entusiasmei com a possibilidade de a Turquia vir a ser Estado-Membro europeu.

Desde logo, por uma talvez prosaica razão de exactidão geográfica: a Turquia só é europeia em 3% do seu vasto território e a sua capital, Ancara, está em plena Ásia a quase 500 quilómetros do continente europeu.

Depois, porque a matriz dos países da União difere muito da matriz da Turquia e do antigo Império Otomano. Falo, sobretudo, da inspiração greco-romana e da influência cristã e não ignoro o muito discutido e parco preâmbulo do Tratado de Lisboa “inspirando-se no património cultural, religioso e humanista da Europa, de que emanaram os valores universais que são os direitos invioláveis e inalienáveis da pessoa humana, bem como a liberdade, a democracia, a igualdade e o Estado de direito.”

Em terceiro lugar, a Turquia é reincidente na violação de direitos humanos, com condenações pelo Tribunal Europeu dos D. Humanos (só entre 1998 e 2008, mais de 1600 sentenças).

Em quarto lugar, as questões étnicas, em particular dos curdos (16% da população) e religiosas (respeitantes às minorias cristãs) evidenciam uma intolerância e repressão incompatíveis com os valores fundamentais da UE. Além disso, a Turquia ocupa, na prática, uma parte de Chipre e recusa-se a reconhecer esta República que é um Estado da União.

Eis que o presidente turco Erdoğan, depois de, no ano passado, ter devastado as oposições, por via de uma “inventona”, prossegue um perigoso caminho, diminuindo preocupantemente as bases democráticas e a laicidade do Estado iniciadas em 1923 por Atatürk, após o fim do Império Otomano.

Para fazer aprovar o referendo que lhe dá quase plenos poderes, eis que lança sobre os países europeus que mais acolheram emigrantes turcos acusações absolutamente desproporcionadas e quase loucas, que, obviamente, excitam multidões ululantes, ateiam e alimentam os ódios contra o “inimigo europeu”. Chamar à Alemanha ou à Holanda fascistas, nazis, genocidas, cúmplices do terrorismo, é a ginja azeda em cima do bolo da total demagogia e irresponsabilidade. Entrementes, apaixona-se por Putin e manda às malvas a indecente troca de refugiados por euros acordada com Bruxelas.

E como reage a União? Umas acanhadas palavras do presidente Donald Tusk (“A Turquia está desfasada da realidade”) e o silêncio de Federica Mogherini.

Depois das “Primaveras árabes” tão incitadas pela Europa (e EUA) que destruíram a hipótese de paz no Médio Oriente, temos agora a remontada turca. Membro da UE? Nem pensar nisso…

Comentários

  1. Europa é uma palavra de origem semita, quer dizer ocidente. É um termo anterior aos gregos, e adoptado na Grécia antiga para se referirem à parte ocidental do Bósforo. Europa é o ocidente do antigo mundo grego.

    Os germânicos nunca pertenceram ao mundo grego, nem sequer à parte ocidental do mundo grego (Europa). Eram caçadores recolectores quando o mundo grego existiu.

    Dizer que os germânicos pertencem à Europa é o mesmo que dizer que os britânicos são ribatejanos. Os britânicos habitam acima do rio Tejo e os germânicos estão a ocidente do Bósforo. Mas nem os britânicos são ribatejanos, nem os germânicos alguma vez pertenceram ao ocidente greco-romano (europeus). Os germânicos não fazem, nem nunca fizeram, parte do mundo greco-romano, nunca foram europeus.

    O cristianismo também não faz parte do ocidente greco-romano. Não só não é a mesma cultura, como o cristianismo é a negação da cultura europeia. O monoteísmo é a negação do politeísmo do ocidente greco-romano. O cristianismo é a negação da cultura europeia.

    A barbárie germânica cristã, a barbárie ocidental, é tão europeia como os otomanos.

    Quando os cristãos acabaram com a escola pública romana, impuseram o analfabetismo e, com ele, cortaram o acesso da população europeia à sua herança cultural milenar. A cristandade cortou o acesso da população europeia à sua herança cultural milenar, à herança da civilização greco-romana. A cristandade destruiu a Europa.

    A civilização europeia foi retirada aos europeus pelos cristãos, com a imposição do analfabetismo cristão. A cristandade não é, de todo, europeia. O cristianismo é um estrangeirismo da Ásia menor, estranho e estrangeiro ao mundo europeu.

    Hoje vigora o atraso cultural da barbárie germânica cristã, a barbárie ocidental. Mas nem todos os greco-latinos são analfabetos (cristãos) e atrasados (germânicos) ao ponto de não saberem que os germânicos cristãos não são europeus.

    A barbárie germânica cristã não é, nem nunca foi, europeia. São, aliás, a anti Europa, têm valores anti europeus monoteístas (absolutistas, ditos universalistas), valorizam a delinquência bélica e feirante, negam o civismo e glorificam os mais delinquentes de entre eles (os poderosos).

    A UE está condenada ao fracasso desde o início. Os germânicos nunca conseguiram ter uma união estável e duradoura. Vivem em hordas que se matam ou roubam mutuamente, desde sempre. Tentaram, durante mil anos, fazer o Sacro Império Romano Germânico, e nunca conseguiram. Não há uma única união duradoura na história dos germânicos, e a UE não é diferente.

    Portanto caro Félix, nem a UE é europeia, nem vai durar muito. Há ainda o desinteresse crescente dos otomanos por esta UE decadente, como tudo o que é cristão e germânico.

    1. Erros crassos. Ai, e tantos ! A realidade é outra meu caro. Os vestígios do que resta da ruína que sobrou dos grecos-latinos só existe porque os germânicos a desenterraram dos escombros. Foram eles (com os eslavos) que derrotaram os otomanos que arrasaram os grecos-latinos do oriente. Foram os germânicos que desenterraram as relíquias, que decifraram alfabetos esquecidos, que redignificaram literaturas perdidas, que revolveram e revificaram e conservaram uma cultura praticamente morta. Otão, germânico, foi o primeiro rei da Grécia reunificada no principio do sec.XIX. Para além disso, hoje, os germânicos são quem detém o ‘velo de ouro’ e todo o misterioso poder do saber dessa magia. São eles os únicos aptos, com essa magia inacessível, a construírem as máquinas que dominam o futuro.

    2. O império Bizantino era cristão, não tinha a cultura greco-romana. Constantinopla é oriental, criada por um imperador da parte oriental do império, para impor uma cultura asiática. Constantino saiu de Roma porque não conseguia impor o cristianismo aos romanos de Roma.

      A ida para Constantinopla foi precisamente para acabar com o senado e demais elementos da cultura greco-romana. Acabaram com a sociedade greco-romana para imporem o rebanho do senhor asiático. O fim do politeísmo (social) greco-romano, para a imposição do monoteísmo (anti-social e absolutista) asiático, foi feito com a passagem de Roma para Constantinopla. Bizâncio foi greco-romana, Constantinopla asiática.

      Os germânicos, na tentativa de serem civilizados, tentaram criar o Sacro império romano germânico e, com ele, estudaram e tentaram repor o que havia sido destruído pelos cristãos. Mas não conseguiram. O atraso cultural milenar dos germânicos não permite uma passagem da barbárie à civilização em poucos séculos. Milhares de anos de atraso cultural não se evaporam.

      Oto foi imposto aos gregos, uma chantagem exigida para a ajuda ocidental à guerra contra os Otomanos. Essa monarquia, imposta pelos do costume, foi uma aberração e uma marca da má fé e delinquência dos germânicos. Aproveitaram o estado de vulnerabilidade dos gregos para os usurpar, através da imposição de uma monarquia dada (literalmente) a um boçal germânico. Ainda hoje os germânicos não deixam a Grécia em paz, estão ao mesmo nível dos otomanos na história da Grécia.

      Magia é coisa de plebe pré-histórica, atrasada e ignorante. É a marca dos germânicos e afins boçais silvestres.

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