Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

16 de Fevereiro de 2017, 07:42

Por

Hoje, escrevo por defeito (e à condição)

Com ou sem acordo ortográfico, ouvem-se e lêem-se, com frequência, expressões de modismos mais ou menos tecnocráticos e de anglicismos forçados.

Sobretudo no futebol, propaga-se em toda a linha, o paupérrimo “à condição”. É assim que se diz e escreve em quase todo o lado, quando, por exemplo, uma equipa fica “líder à condição”. Os entendidos da bola teimam em falar de classificações antes de concluída uma qualquer jornada, usando aquela deficiente expressão. Confesso que tenho saudades do tempo em que os jogos se realizavam nas tardes de domingo, todos à mesma hora. Pelo menos, nessa altura, não havia classificações “à condição”. Neste contexto, bem se poderá concluir que esta expressão “à condição” é culpa da televisão que obrigou a “jornadas dominicais” estendidas por 4 dias!

A expressão “à condição” exige dizer-se qual ela é. Porque condições há muitas… Se eu disser simplesmente “estou à condição”, entender-se-á que a minha frase, além de um indigente modo de expressão (deveria dizer “sob condição”), está incompleta (qual é, afinal, a condição?). Já se viu o que seria uma pessoa “à condição” no tribunal? E será que um arguido julgado à revelia é-o “à condição”? No caso da estafada frase em futebolês “primeiro classificado à condição”, melhor seria dizer “líder provisório”. Aliás, “à condição” é como estão todas as equipas antes de jogarem: a condição de jogarem mesmo. Na primeira jornada até todos os competidores serão campeões “à condição” …

Uma outra expressão, agora muito em voga, é a tradução literal de “by default” (“por defeito”). Muito usada na linguagem informática, expandiu-se endemicamente no uso e no abuso. Com a ridícula consequência de se poderem confundir três leituras possíveis: a que resulta directamente da expressão inglesa (que, verdadeiramente, quer dizer “por omissão”, “por predefinição”, “por norma”); a que está associada ao verdadeiro significado da palavra “defeito” enquanto imperfeição ou deformidade; ou ainda a expressão quantitativa de insuficiência que se opõe a “por excesso” (por exemplo, “O PIB foi avaliado por defeito”).

Com o avanço, de um modo de todo deslocado, da asserção “por defeito” com o significado da expressão inglesa, não faltará muito tempo para se dizer, com aparente naturalidade, por exemplo, “fez mal (ou bem), por defeito”, “sem carro, foi a pé, por defeito”, “como era o único candidato à liderança do partido, ganhou por defeito”, “era palhaço, por defeito”, “passou a ser ateu, por defeito” … Enfim, de defeito em defeito, até onde chegará o dito defeito?

Finalmente, entre os muitos anglicismos adoptados, há um que medra em escala logarítmica: o que advém do inglês “to realize”, que quer dizer notar ou aperceber-se. Por simpatia, o verbo realizar tem sido replicado no nosso idioma com o mesmo significado do verbo inglês.  Ora, realizar significa, em bom português, efectuar, conseguir, fazer, concretizar, pôr em prática, dirigir um filme, produzir. Mas há pessoas, sobretudo nas camadas ditas mais eruditas ou socialmente mais presentes, que, sistematicamente, usam o verbo no sentido que a palavra tem em inglês (“ele só ontem realizou que os impostos subiram”). Como diria Júlio Verne, “tudo o que um homem é capaz de imaginar, outro é capaz de realizar”.

Juntando estas breves notas, termino com uma charada de mau português: “Nos próximos dias, escreverei, à condição, sobre um tema que, por defeito, possa incluir neste blogue e que os leitores possam realizar”. Fiz-me entender?

Comentários

  1. Espero que o Professor Bagão Felix continue a abordar estas questões. E queria deixar aqui uma questão: só percebemos a língua se formos às origens, às fontes.

    Num mundo cada vez mais impregnado de tecnologia, sabe bem e é reconfortante ler. O meu filho costumava dizer-me,nos seus primeiros anos da adolescência, que eu começava logo de manhã a comprar palavras – era a rotina da compra de jornais.

    Aqui vai uma referência: “Lições de Filologia e Língua Portuguesa”, de António Freire, Ed.Faculdade de Filosofia de Braga, 1983. O legado de um grande professor. Deixa os livros dos recentes autores que abordam os temas da língua – não menciono os nomes por questões de respeito pelas pessoas – a milhas de distância. É a diferença entre o genuíno e a cópia. Vejam-se as diferenças. Assim, aprendemos de facto indo às raízes. Belga ou bégico? Desapercebido e despercebido. Campeã ou Campeona? Neste livro as origens são sempre referidas – o Latim e o Grego.

    Uma outra referência; “Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem”, de Rodrigo de Sá Nogueira, Ed.Clássica Editora, 1974.

  2. O autor do post tem vindo a chamar à discussão este tema algumas vezes.Porém, neste post, coloca algumas questões de sintaxe:”Estou à condição” – mas “sob condição” também pede que condição ou qual condição? Pede um complemento nominal.

    Os estrangeirismos são inevitáveis. Como se diz, também sintacticamente incorrecto., “faz parte”. Num mundo cada vez mais vez mais tecnologicamente desenvolvido a aculturação de termos linguísticos é inevitável.

    Algumas questões:

    – A língua, oral e escrita, é dinâmica e não estática. A oralidade marca muitas vezes a origem de muitas palavras.
    E as origens são sempre diversas. Através do Dicionário Houaiss tenho tido algum divertimento em conhecer a origem de diferentes palavras. E os linguistas até fazem questão de indicar a data provável do começo da utilização de cada palavra. A língua inglesa, a mais falada no mundo, influencia naturalmente as outras línguas. As linguas menos utilizadas nas relações comerciais tendem a adoptar termos estranhos às suas próprias línguas mas, por um processo gradual de aculturação, vão sendo integradas. Os exemplos são inúmeros. Se hoje se estranha, amanhã entranha-se e isto acontece com muitas palavras que usamos;

    – É preciso também sublinhar que a menor preponderância do ensino do Português no sistema de ensino concorre para que as pessoas percam algumas “defesas” face à invasão de termos estranhos.( Era cómodo dizer tape em vez de fita de gravação. Entretanto, não se usa porque o processo está obsoleto). É um facto que a quase ausência no ensino das chamadas línguas mortas(Latim e Grego) concorre para um maior grau de aculturação de termos estrangeiros. Em tempos recuados as declinações do Latim eram ensinadas a partir do 5º, Ano do Liceu. Mesmo os alunos que seguissem para as alíneas do 3º. Ciclo de Ciências levavam alguma formação neste aspecto;

    – E já nem refiro, por exemplo, algumas obras que empregam regionalismos.Exemplos:”A Aldeia das Mulheres”, de Manuel António Araújo, Ed.Lugar da Palavra, 2011(Romance) e “A Toca do Lobo”, de Tomás de Figueiredo, Ed.Círculo de Leitores, 1973(Romance);

    – Impressiona-me os trabalhos dos linguistas. Coloco três exemplos:

    LÍNGUA: data de 1152. Conviveu com as variantes lengua e lenga nos séculos XIII e XIV;
    PALAVRA: deriva de parabola, datando do século XIII;
    TEXTO deriva de textus, datando do século XIV.

    (Consulta em Dicionário Houaiss, Ed.Círculo de Leitores).

    A forma histórica da palavra JORNAL data de 1365(jornaes);

    1. Santa ignorância!

      A barbárie ocidental é pré-histórica na medida em que não domina uma língua escrita. Não sabe sequer o que é, nem para que serve essa ferramenta. Acredita que serve para comunicar… enfim.

      A matemática é a única linguagem que a barbárie ocidental conhece e que, por isso, percebe que os números não nascem da oralidade, nem se devem retirar algarismos aos números. 5025 não se vocaliza o 0 mas nunca se pode escrever 525 porque não se lê a mesma coisa. A matemática também serve para comunicar, mas também não é essa a principal função da linguagem.

      Não há línguas mortas, há analfabetismos vivos. O inglês não é uma língua, é uma demonstração de analfabetismo. O inglês é a prova que a actual barbárie ocidental é analfabeta e, por isso, continua na pré-história.

      A língua, oral e escrita, é tão dinâmica como a matemática. É o analfabetismo que é dinâmico, o conhecimento é normativo. 3+2=5 ontem, hoje e amanhã para os que sabem, para os outros 3+2= ao que eles quiserem, e varia ao acaso da ignorância.

      O mandarim tem mais falantes que o grunhir dos anglo-saxónicos e restantes germânicos juntos.

      A maior parte do português, como o castelhano, francês, italiano, foi criado no século VIII porque a cristandade acabou com a escola pública no século IV e a população perdeu todo o acesso ao conhecimento.
      Como é típico, quando desaparece o conhecimento apareceram as mais variadas formas de analfabetismo falado.
      Quando tentaram voltar a um mínimo de conhecimento, a população tinha um grau de atraso que foi necessário inventar termos intermédios mais acessíveis a essa plebe. Termos que deveriam ser provisórios, mas a estrutura de conhecimento da barbárie não evoluiu, bem pelo contrário, inventaram a universidade no século X e mais formas de analfabetismo se desenvolveram.

      Língua, palavra e texto são copias de termos com mais de dois mil e quinhentos anos.

      Mas para a barbárie ocidental, que é analfabeta, o mundo só nasceu na idade média. Não é ncmf?

    2. Caro Eppicuro:

      Sabe o que é a Aritmética Racional? Deu muito trabalho a Godel, a Hilbert. E já agora ao Prof. Calado que fez o manual para o Antigo 7º. ano do Liceu.

      Se não acredita no poderio da língua inglesa – um espécie de esperanto para a humanidade comunicar – reconheça que é o principal meio de comunicação à escala global.Está ligado naturalmente a existência do poderio e dominação da maior economia do mundo, os EUA. Os povos dominados fazem processos de aculturação do inglês e integram vocábulos nas suas línguas de origem.

      Reconheço que a mecânica do Latim é engraçada – o jogo sintáctico é engraçado. Mas o que faz avançar o mundo é o cálculo. Estamos de acordo? Os antigos gregos quando alcançaram um excedente económico, por estarem a produzir acima das necessidades, criaram sobretudo matemática, a mais nobre criação do espírito humano. Vou dar-lhe nota de algumas realizações: a altura de uma pirâmide; a distância de um navio à costa; os números figurados; os ternos pitagóricos; a subtracção recíproca; a comensurabilidade das grandezas, etc… tudo coisas úteis para a vida, para o comércio, para as viagens entre as ilhas. Muito concreto, a preencher necessidades. Um homem de cultura clássica deve aceitar estes princípios.

      E, mudando de assunto, fixe estes três nomes e veja-os como os autores dos paradigmas que explicam a vida das sociedade: Marx, Weber e Durkheim. Pode ler em Giddens.

      Os gregos, hoje em dia tão humilhados pelos germânicos, deram mais obras ao mundo: a teoria das paralelas; o teorema de Pitágoras; Os números primos; a trisecção de Hípias; os Elementos de Euclides; a quadratura do círculo; a duplicação do cubo…já chega. Como se chega tão alto e como se chega à situação de hoje. Quadro Explicativo: a Teoria dos Modos de Produção de Marx; A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo para explicar o desenvolvimento a partir do Século XVIII.

      Fico-me por aqui.

      Cunprimentos.

    3. Obrigado pela revelação dos mitos do analfabetismo da barbárie germânica (barbárie ocidental).

      O cálculo não faz avançar o mundo, uma vez que o mundo é anterior ao cálculo. A quantificação admira muito a plebe atrasada, que a vê como uma espécie de magia.

      A barbárie ocidental não tem economia, porque não vive em sociedade. Uma feira medieval (chamada agora de “mercado”) é uma antítese da sociedade. Sem sociedade não há economia e a barbárie germânica não tem base cultural para viver em sociedade. O deus sozinho é o endeusamento do individualismo e a recusa dos valores da sociedade. Dizer que uma feira medieval é economia é apenas outra demonstração do analfabetismo da barbárie ocidental.

      Os USA são uma colónia de assassinos, como seria de esperar da américa germânica. Uma plebe de assassinos que se orgulha dos crimes contra a humanidade, da limpeza étnica que fez aos índios e agora das guerras que faz pelo mundo. São outro o símbolo da imundice da barbárie germânica.

      A pré-história com lixo é a idade em que estamos. Os boçais acreditam que são muito evoluídos por fazerem lixo pela técnica da tentativa e erro (chamam-lhe “método experimental”, “ciência” e “progresso”). Chamar “progresso” à imundice revela bem o estado de desenvolvimento desta plebe.

      Os boçais que cita são outras demonstrações do atraso atávico dos germânicos. Nenhum desses boçais sabia sequer o que é fisiologia comportamental humana, quanto mais a narrativa intelectual que determina o comportamento cívico, a sociedade e respectiva prática da economia. Esses imbecis eram tão atrasados que não se enxergavam sequer: viram a realidade na óptica do pré-histórico fora do habitat humano (o grunho germânico), condenado ao trabalho reservado aos imbecis que não revelam inteligência sequer para perceberem que estão no habitat errado.

      Inteligência continua um conceito estranho e estrangeiro aos símios do inverno, como o seu atraso cultural milenar demonstra.

      Guarde as suas demonstrações de analfabetismo, e os seus ídolos do atraso cultural instalado, para a plebe cristã.

  3. É bem triste ver como a língua portuguesa veiculada pela imprensa descai para níveis de uma pobreza franciscana. Não se trata de preencher espaços vazios, onde novos termos viessem suprir lacunas. Trata-se simplesmente de colagens a um inglês frequentemente mal traduzido. Veja-se. Já não há atentados, só ataques. Já ninguém descontrai, todos relaxam. Ninguém é salvo, apenas resgatado (por vezes lá se lembram de dizer que é “com vida”). As agências de rating estoicamente resistem às de notação. Proliferam os rankings, tantos que os podemos classificar numa tabela. A OTAN desapareceu para dar lugar à NATO. Já nada é mundial, tudo passou a global. Em Portugal, deixou de se tributar para se paxa a taxar. Os alimentos já não são preparados, passaram a ser processados. Tal como nada se prova, tudo se degusta. Os prazos esgotaram-se, ficaram as maturidades. Terá Lisboa sido realmente vítima de um “tsunami” em 1755 em vez de um maremoto? A produção de determinados bens já não é interrompida mas descontinuada. Enfim, um verdadeiro desfile daquilo que, na mesma linha, baptizei como “cagancing”.

    1. Quando dei por mim, o que era “peremptório” passou a “perentório”…! Cuidado, Carolina Michaelis ou Porto Editora, pelo que tenho lido são os próprios pais que estarão a aceitar dizimar a vossa função. Em próximas eleições, voto em quem for (ou fôr?) mais rápido a prometer que vai acabar com esse acordo pateta.

  4. A escrita determinou um rigor que a linguagem oral não tinha. A matemática sem números escritos, sem a escrita, não permite o desenvolvimento das equações e respectivo raciocínio lógico. O grego e o latim têm pelo menos seis mil anos de aperfeiçoamento linguístico devido à escrita. As palavras dessas línguas são, literalmente, expressões de significado preciso, tal como as expressões matemáticas. Algo que não acontece nos dialectos orais.

    Os anglo-saxões, como o resto da barbárie germânica, entraram em contacto com a escrita depois do século IV. A barbárie nunca aprendeu a ler, aprende apenas a repetir o som das palavras. Aprender a repetir os sons dos números não permite saber matemática, tal como aprender o som das palavras não permite dominar a escrita e muito menos os raciocínios e pensamentos. || Não há pensadores germânicos, não têm a ferramenta base de pensamento – uma língua operacional. As misérias e ridículos teorizados por essa plebe são exemplo desse atraso cultural milenar.||

    O inglês não é sequer uma língua, é uma lixeira linguística, feita ao acaso do analfabetismo dos anglo-saxónicos. Encontramos, nesse dialecto tosco, cópias ridículas de palavras latinas com significados atribuídos ao acaso do atraso cultural germânico. Não sabem sequer o que é coerência lexical.

    Se traduzir dente, dentes, dentista, terá tooth, teeth, dentist. “Dentist” é uma cópia tosca do latim sem ter em conta a coerência lexical do resto do inglês. Esse dialecto é uma mistura de termos vindas das mais variadas proveniências, é literalmente uma lixeira de palavras.

    Os germânicos são analfabetos, como os dialectos e a escrita dos dialectos deles demonstram. Milhares de anos de atraso cultural não desaparecem por milagre.

    Ficam sempre bem as “camadas ditas mais eruditas” revelarem a sua total falta de erudição, com as cópias das aberrações dos analfabetos germânicos. São o folclore de analfabetismo da nossa querida idade média feirante.

    Defeito, do latim defectus, do verbo deficere: de (separação negativa) + facere (fazer) = deixar de fazer.

  5. Outra tropelia muito frequente hoje em dia na comunicaçao social é, referindo-se a um valor aproximado, dizer “entre 1 a 5” em vez de “entre 1 e 5”.

    1. Pequena correcção; actually não se traduz poe actualmente mas sim pela expressão: “… na verdade…” ou “… de facto…”
      Actualmente é currently.

  6. Quando eu era miúdo adorava ler “A Bola”. Bem escrito esse jornal. Grandes prosadores. Divinos. Homero Serpa, Aurélio Márcio, Vitor Santos, Alfredo Farinha, Carlos Pinhão e outros. Português de primeira água. Era verdadeiramente útil ler essa “Bíblia” da bola. Não se tratava só de futebol. O ciclismo tinha um cantinho muito especial. Os nossos heróis da pedaleira eram seguidos nas suas aventuras pelas competições de Espanha e França, nomeadamente a Volta à França. A subida do Tourmalet, Alpe d’Huez…e o Agostinho a “papa-los” ou, às vezes, “ficando nas covas” e a ver os outros a galgar as íngremes subidas. Era muito interessante. E o papel de jornal era o único contacto que tinhamos com a prova e muito, muito em diferido, muitas vezes só no dia seguinte sabiamos dos pormenores. Aliás, quando Agostinho morreu em 1984, pude-me aperceber da grandeza do homem. Todo o mundo ciclista e de vários países europeus prestaram homenagem ao grande atleta de Casalinhos de Alfaiata. Era grande o ciclismo, grande desporto verdadeiramente popular, E como é diferente hoje a realidade do verdadeiro desporto.

    Hoje, o panorama é desolador. Aliás, o contraponto é feito pelos painéis de comentadores televisivos, com antigos futebolistas presentes. Alguns mantêm um nível aceitável; outros é de indigência gritante.Não me parece grande proeza o que os clubes de futebol hoje façam no campo desportivo. É tudo a reboque de contratações, quando o segredo está na formação, como é visível na projecção de Ronaldo, Quaresma, Simão Sabrosa e Futre, todos eles provenientes da formação do Sporting. E outros casos igualmente relevantes da formação dos outros ditos grandes, o Benfica e o FC Porto.

    Fico surpreendido como pode ainda existir o chamado clubismo. É quase surreal que as pessoas não se apercebam que, nos dias de hoje, é incompreensível a chamada paixão clubista. Não faz sentido e é pura e simplesmente energia mal aproveitada.

    Hoje é uma tristeza. Os Jornais não são bem escritos. Pouco leio disto mas quando leio alguma coisa fico desiludido. Perdem-se em repetição de números e em entrevistas – se é que se pode chamar entrevistas – em que o estilo é defensivo, o entrevistado sempre na retranca, catenaccio puro. Se diz algo que não deve ou é pouco conveniente para o negócio, leva com o Regulamento Interno. É um negócio, puro e simples. E de valor artístico mediano em Portugal. Nada comparável à grandeza do futebol inglês ainda presente e também da grandeza do Real Madrid e do Barcelona em Espanha. E o consolo no meio disto tudo é que os dirigentes andam a falar menos, o que é bem bom do ponto de vista da nossa sanidade mental. Mas o futebol hoje é um negócio em todo o lado. Os grandes jogadores do passado deixam-me muito nostálgico: Pelé e Cruyff, principalmente. O resto é paisagem pouco verdejante e inspiradora.

  7. Dirigir um filme. Dirigir um filme com Júlio Verne. Já Jesus imaginava um escritor assim.
    Já Jesus imaginava o futuro. E a ficção tinha que vir com um grande escritor de planetas com submarinos e chão.

    Chão é bom. Com chão, podemos ver as 9096 estrelas que a visão média de um ser humano alcança no céu, a olho nu.

    Com o futebol, é diferente. São bolas e não estrelas. E as bolas são triângulos e hexágonos e coisas assim com cores sólidas e refrescantes, como vogais.

    E as bolas não estão no céu a cintilar mas no verde cintilante do relvado, o nosso chão.

    O nosso chão podia ser para jogar golfe e cavar buracos até ao centro de Massa do planeta com precisão atômica, usando as primeiras agulhas inventadas.
    Com elas, e com o fio da imaginação, teceríamos não só as bolas, os buracos e os canhões e as nossas mulheres que tanto gostam, de levar Portugal ao céu.

    Mas também, as letras do 9-0-9-6 e do 3-4-5 que Deus quer e que nós pudermos fazer ao Homem.

    O Homem, é a terra. E o conhecimento é o fruto.
    Mas entre um e o outro há a grande, a grande Árvore da Sabedoria.

    E conto, com todas as letras que conheço, o 3-4-5, sempre, sempre, sempre, a fazer, a fazer, a fazer, a fazer, o cinco domus, o cinco domus, o cinco domus, o cinco domus, o cinco domus: de inventar.

    Uma vez fiz isso. Baixei da internet um diccionário da Google, com as 10,000 palavras mais frequentes em Inglês.
    Ordenadas, desde a que é mais frequente, ou seja, que aparece mais, até à que aparece menos. Menos frequente, portanto.

    Não estava nada à espera disto. Mas é verídico, e acho que ainda deve estar algures na net esse dicionário da Google com as dez mil palavras mais frequentes do Google.
    O que acontece é que, imagine-se, na entrada 9096 encontro a mais bela e perfeita combinação entre Ser Deus, Ser Português e Ser Brasil: S-A-M-B-A

    Oh Deus! Tu és Brasil ou Ser Português?

    Por que tanto me confundes e me fazes nas frases levitar? Deves ser Mais Além, também, e Mar, e Sónia Balacó, só pode! Tu és Samba, para mim?

    Óh meu Deus, tu és Samba para mim. Tu és assim.

    Uma espécie de poeta voador que filma os astros e quer mesmo chegar ao fim, ao centro, que é seu,

    é ser assim,

    Daniel

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