Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

13 de Outubro de 2016, 20:35

Por

Do precariado ao biscatariado: e se de repente a Uber lhe oferecer flores?

Sim, porque é mais barato, escrevem muitos dos quiseram comentar o meu artigo anterior que perguntava se “quer mesmo viver na Uberlândia?”. Porque estamos irritados com os táxis. Sim, porque sim, é moderno.

Estas três razões têm fundamentos, baseiam-se em experiências, fazem parte da vida. E, no entanto, parecem-me insensatas e imprevidentes. A do preço é a mais evidente: com menos custos legalmente determinados, uma empresa, que finge que organiza serviços pessoais e não transporte colectivo, pode começar por preços mais baratos e até aguentar um prejuízo importante, como a Uber mundial faz. Mas qualquer multinacional existe para procurar criar um monopólio, esta não é excepção e é por isso que os preços vão ser sempre um problema. Se pensa que a Uber, uma empresa que vale 40 mil milhões de dólares, não está nisto para ganhar dinheiro mas para o ajudar bondosamente, desengane-se. Se ela vier a triunfar, os clientes vão sentir.

Mas o que quero discutir convosco é o outro argumento, aquele do isto é bom porque é moderno.

Cuidado, antes de mais. O moderno pode ser socialmente útil (as vacinas, o Raio X, a rádio e a TV ou o cabo, o relógio de quartzo, os smartphones, até a Netflix) ou perigoso (a bomba nuclear, as armas químicas). Cuidado com a generalização.

Ora, em que é que a Uber e outras empresas do mesmo tipo são modernas, ou em que é que é moderno o que nos oferecem? Segundo o seu próprio discurso, são libertadoras ou até libertárias: estas empresas comparam-se imodestamente a Gandhi ou aos pioneiros da luta pelos direitos civis e contra a discriminação racial nos EUA. Se assim fosse, não teriam outro interesse que não o do cliente, libertando o consumidor das amarras de um passado corporativo de pequenos patrões gananciosos ou de interesses vagamente mafiosos, lodo no cais. Se assim fosse, seria estranho que, nesse empenho pelo consumidor, nos oferecessem um transporte sem lei e sem obedecer aos requisitos mínimos que em Portugal temos vindo a definir para proteger o passageiro em transportes colectivos.

Pergunto então se a regra de não respeitar regras é assim tão moderna? Quando Trump nos diz que é esperto porque não paga impostos, não ouvimos isto já no passado? Não sabemos de tempos não tão antigos em que a lei não vigorava dentro das empresas, que eram territórios independentes e definiam as suas próprias normas sem que os tribunais e o direito do trabalho pudessem interferir?

Surpreende por isso que se ponha a etiqueta de “modernidade” neste propósito e modelo de negócio. Ele tem mesmo sido emoldurado no que se tem chamado de “economia de partilha” e de “economia cooperativa”, magníficas expressões. Até criamos emprego para desempregados (que tenham carro apresentável e uma gravata), dizem os empresários uberianos. Somos uns pelos outros, acrescentam (e o ministro acredita, isto é transporte privado, são pessoas de boa vontade que dão boleia uns aos outros a troco de uma modesta compensação).

Permitam-me discordar: atacando um dos sectores socialmente mais vulneráveis, os taxistas, o que estas empresas nos estão a oferecer é uma trincheira para desencadearem uma velha batalha que tem sido adiada. Elas são a encarnação da “economia dos criados”, uma economia sem lei. Ou “economia do biscate”, para ser mais delicado e usar a expressão da sempre conveniente Hillary Clinton.

A diferença em relação à modernidade é bastante evidente. Há na modernidade empreendimentos cooperativos, mesmo que alguns com interesses económicos. Empreendimento cooperativo é a Wikipedia, não é a Uber. O que a Uber faz, ou outras empresas como ela, é criar um modelo de negócio em que o trabalhador não faz trabalho, faz um biscate, não tem salário, tem comissões, não tem contrato, tem um link.

É portanto um passo no caminho mais perigoso contra a modernidade – sim, a modernidade é o princípio da lei universal que protege os fracos contra os fortes. O passo anterior foi passar do trabalhador para o precariado. Perdeu-se o contrato e os seus direitos. Perdeu-se a oportunidade de melhorar de nível de vida com a melhor educação e começou assim o desgaste dos sistemas de representação democrática. Para uma geração inteira, isto significa que os licenciados e licenciadas convergem para o salário mínimo. Mas o novo passo na Uberlândia vai mais longe. Com este modelo, deixaria de haver precariado, passaríamos a ter biscatariado. Nem contrato estável nem contrato precário, só fica uma comissão de-vez-em-quandária e um patrão inacessível e escondido num computador perto de si. Não há relação legal, ninguém é responsável, a lei da selva é a única lei. Há quem diga que isso é melhor do que nada, o que é precisamente a forma de justificar que seja quase nada. O jogo está mesmo a mudar.

Por isso, caro cliente do táxi que passa para a Uber porque é mais barato e mais moderno: se de repente a Uber lhe oferece flores, desconfie de que não gostam nada de si. O que este modelo quer para a sua filha é uma vida sem destino, esperando por detrás de um ecrã as ordens de um Big Brother que lhe cobra uma comissão e que lhe diz: faz-te à vida, luta na rua, apanha a rede e terás cliente, a sorte vai fazer o teu dia, se fizer.

NB- Dois leitores lembraram que Uberlândia é também o nome de uma honrada cidade do Brasil, que nada tem que ver com estes negócios. Têm razão. Mas acho que compreenderam a metáfora.

Comentários

  1. O fast-food é moderno? Mais moderno do que as velhas tascas de Lisboa e os bares de tapas madrilenos? É por isso que estão a vencer e a varrer do mapa o velho comércio? Será que não tem a ver com o fato dos Mac-tudo e Burger-nada estarem sediados em paraísos fiscais suíços, ali pertinho de Zavos, e escaparem do pagamento de impostos? Há uns políticos modernos que propõem uma política moderna para a gestão da morte: privatizar os cemitérios. Em breve serão ainda mais modernos: os sepultamentos ocorrerão à noite, para evitar que os participantes do culto percam o dia de trabalho. Tudo muito moderno. Do fast food á morte bem administrada.

  2. Não há razão que nos acuda…Ser moderno é tropeçar todos os dias em objectos passados, antiquados, fora de moda. Cada vez que modernizamos, criamos um objecto que nos atravanca no dia seguinte, está ali a mais, já obsoleto, mas nem por isso dispensável, ele ajudou-nos a formar a ideia de que fomos modernos por um dia. A Uber talvez possa inspirar em alguns a ideia de modernidade, mas isso só acontece porque as gerações não têm memória senão do que carregam por experiência própria. Ninguém sabe o que foi a modernidade há dois séculos se não pegar nuns livrinhos (ou numa Wikipédia) e se puser a vasculhar a história. É assim que descobrimos que afinal a Uber nada inventou e que o que nos parece modernidade hoje, foi afinal algo que os nossos antepassados rejeitaram lá pelo século XIX.
    Por alturas da 1ª revolução industrial, os trabalhadores, tanto da indústria como da lavoura, eram pagos “à tarefa” e, não tivesse havido pelo meio, grandes lutas a desafiar o rumo que as coisas querem tomar “porque é moderno”, hoje teríamos a sensação de não ter avançado nada, porque estamos a paços de voltar dois séculos atrás, ao trabalho pago à tarefa precisamente. É por isso que a modernidade é sempre um conceito vago quando nos referimos ao sentido da vida, o que nos deveria importar é o benefício comum, não o benefício pessoalíssimo e um personagem qualquer sentado no banco de trás de um Mercedes preto.
    Tenho pena desta juventude desgovernada pela ansiedade, quer viver depressa e na ilusão. Vejam o exemplo de Bob Dylan que nos anos 60 cantava “the times they are a changing’”, é ele mesmo que hoje, ao receber o prémio Nobel se recusa a admitir que o mundo mudou. A prova, é que até lhe atribuíram um Nobel fora do tempo só para manter a ilusão de que as coisas mudaram, imaginem o que teria sido Bob Dylan, laureado do prémio Nobel em 1965, uhff! Aí, quero acreditar que as coisas pudessem mudar.

  3. Pode-se argumentar e contra argumentar utilizando muitos conceitos e muitas palavras bonitas que nos induzam a ideias repugnantes, boas e bonitas, politicamente correctas ou incorrectas, contudo o que está por trás deste texto é fundamentalmente a velha teoria da conspiração do capitalismo, palavras e conceitos tão antiquadas, como o medo aqui expresso pelo receio da modernidade e a insegurança no futuro. Muito mais fácil é sempre contarmos com o “conhecido” e o expectável.
    Caro Francisco Lousã, modernize-se nos modos e nos conceitos.

    1. Caro Alexandre
      Por favor modernize-se! Existe uma coisa chamada Google, procure o que se está a passar no estrangeiro, especialmente onde a uber domina para ver como este artigo está bem feito.
      O artigo nem refere o aumento automático de preço na Uber em caso de aumento da procura, mesmo que esse aumento de procura aconteça durante uma calamidade.

  4. Para serviços iguais, obrigações iguais.

    Basta implementar este simples conceito, para a Uber desistir do país, como fez na França, Alemanha, Argentina, etc.

    Igualdade de tratamento não é o negócio da Uber. Felizmente que existem outras plataformas electrónicas, estrangeiras e nacionais, incluindo plataformas que já trabalham com os nossos táxis, e com o mesmo grau de exigência.

  5. Eu sou o jose das 0:43 horas do dia 14 e não quero que me confundam com o Jose das 1:35 e 1:40 do mesmo dia. A esse jose recomendo mais estudo e menos opinião da voz da tasca.

  6. Moderno,tudo muito moderno,incluindo o futuro em que haverá carros sem condutor,o que é optimo para a Uber,que assim já não tem que pagar ordenados e empregos(essa horrivel invenção do sec.xix) a pessoas.Alias,pensando bem o futuro com robots e outras modernices,ate dispensa os humanos,que como se sabe,é o unico ser vivo que prejudica o seu proprio ambiente.Ou,ja viram alguma cascavel venenosa…poluir um rio?

  7. Quando eu cursava o curso primario aprendi que sem ordem nao a progresso se quisermos ter um futuro melhor temos que rever as coisas abisurdas que estao acontesendo. Os trinta e cinco mil taxista que existem sao os mesmos que gastao em mercado lojas e que pagao os seus imposto se acabar esta categoria muitos cairao no mesmo buraco .

  8. Não é só o biscatariado: o biscateiro é avaliado pelo cliente. Parece bom mas, na prática, como está a acontecer no Estados Unidos, a avaliação, logo o ganho ou a possibilidade sequer de trabalhar, dependem dos preconceitos dos clientes, normalmente, raciais. Isto é que é ser moderno?
    Na Hungria, as regras são iguais para as empresas de transporte e para a Uber: a Uber desistiu do negócio. Dá que pensar…

    P.S. vou construir uma plataforma para transporte de explosivos e resíduos químicos, usando desempregados. É moderno, e como sou uma plataforma, não tenho que obedecer às regras das transportadoras.

  9. Plenamente de acordo com o texto do artigo.
    Mas há mais, e é grave: dizerem, como ouvi há dias, um conhecido jurista da nossa praça defender a Uber porque não há nada a fazer: são as novas tecnologias! Espantoso! Não quis (porque não teria argumentos) discutir o problema na sua essência e nas terríveis consequências que advirão.
    Lamento que o Governo não tente resolver a questão na sua totalidade e acautelar os interesses dos portugueses (também serão afectados os que não utilizem a Uber); e o assunto já dura há muitos meses, sem que o governo anterior tenha tentado estudar e eventualmente decidir; esmiuçando, percebe-se…

  10. “sim, a modernidade é o princípio da lei universal que protege os fracos contra os fortes.”

    A “modernidade” nasce da ciência, cuja função é desrespeitar as leis naturais, de forma a beneficiar uns em detrimento de todos os outros (seres vivos). A “modernidade” assenta exactamente no princípio dos fortes contra os fracos, em que a ciência é a arma que produz essa força de impor vontades sobre as leis.

    O universalismo é característico da modernidade, mas é a continuidade do fantasia do”deus universal” judaico-cristão.

    Numa cultura que assenta no conceito do deus individualista, forte, acima de tudo e todos, e da ciência (que existe para impor as vontades contra as leis naturais) não vai encontrar pessoas que valorizem a ordem e muito menos as leis. Como é óbvio e se verifica, valorizam exactamente o contrário: os fortes que impõem as vontades sobre as leis.

    Na “modernidade” (idade contemporânea) não encontra base cultural que determine a postura de cooperação e civismo das sociedades. A população contemporânea vive em mercado e não em sociedade. A Uber é apenas mais um exemplo dessa prática anti sociedade, isto é, uma prática de mercado.

    A questão é sempre a mesma: a insalubridade cultural da barbárie. O resto é consequência dessa base cultural insalubre.

  11. Blá blá blá blá blá
    Falar até papagaio fala, mas quem paga as minhas contas sou eu
    Melhor trabalhar na Uber do que não trabalhar em lugar nenhum
    Aqui no Brasil só quem ganha dinheiro na moleza são os políticos corruptos
    Nós trabalhadores desempregados que temos prestações a pagar temos que nos virar como podemos e a Uber foi uma solução paliativa

  12. Não tenha inveja dos taxistas, trabalhem, paguei aluguel por três anos até conseguir um alvará, ninguém nunca teve compaixão ou me deu algum dinheiro. Ou ainda me deixou trabalhar de graca, e se vc fosse dono de um alvará com certeza não teria deixado eu trabalhar de graça, qual o proplema que as pessoas vêem nisso, se vc acha errado compre alguns alvarás e doe para que taxistas trabalhem de graça, fui uma crianca pobre, comecei a trabalhar com oito anos, não tive acesso a educação trabalhei por mais de vinte anos metade, disso ganhando pouco mais de um salário minimo, consegui comprar o tão sonhado alvará e agora vem uma empresa pirata e quer acabar com tudo.

  13. Não sou da sua área política, Francisco Louça, sou liberalista e de Direita, mas partilho da inquietação que o seu artigo revela. A primeira revolução industrial, a da máquina a vapor, e a segunda, a da eletricidade criaram as bases de um sistema produtivo onde havia uma relação da complementaridade entre o Homem e a máquina. Os ganhos de produtividade assim obtidos refletiram-se naturalmente nos rendimentos do trabalho, espantosamente até, como aconteceu na segunda metade do século passado.

    Na terceira revolução industrial, pelo contrário, as tecnologias da informação não só têm um relativo diminuto papel na produção de bens materais – o seu campo é sobretudo os serviços – como eliminam o factor trabalho no processo produtivo. E o resultado começa a estar à vista nos EUA e na Europa: uma classe média a empobrecer e rendimentos do trabalho cada vez mais magros. Resta saber se tudo isto é resultado de um período de adaptação da economia a uma revolução tecnológica, ou se o problema veio para se instalar.

  14. Cara vcs arrebentaram, pena que a ganância dos políticos e a venda nos olhos da sociedade não os deixam enxergar o que está abaixo de seus narizes, ou será que eles têm o mesmo problema que um Luciano Hulk da vida .

  15. A Uber, no Estado de NY, foi condenada a pagar subsídio de desemprego a duas pessoas que dispensou.

    Uma empresa que diz que cada pessoa que conduz um carro para si é um sub contratado independente, viu esta ideia contrariada nos tribunais de NY.

    http://www.nytimes.com/2016/10/13/business/state-rules-2-former-uber-drivers-eligible-for-jobless-payments.html?_r=0

    Sendo assim, está objectivamente a presar um serviço colectivo de transporte de passageiros.

    Quanto a ser um mal que há de vir ao mundo, nisto do tecnológico existem diversas alternativas, as actuais e as que estão por vir.

    O futuro destas empresas passará pelos carros sem condutor, e a primeira que se consiga instalar no mercado será a que mais hipóteses terá de obter o monopólio.

    Este negócio actual da UBER está, portanto, tal como o dos táxis, a prazo. Daqui a 20 anos, projecta-se, tudo será diferente. E a UBER certamente estará já afincadamente a trabalhar para isso.

  16. Caro Louça, a Uber tem procura não apenas pelas razões que indica: a mais importante está na confiança, na garantia de saber o custo da viagem. Quando se utiliza um taxi nunca se sabe o custo final, e por vezes têm-se supresas desagradáveis,que o digam alguns turistas do aeroporto.por outro lado, está tambem na simpatia: experimente entrar num taxi no aeroporto e pedir que o levem à estação do Areeiro: leva o caminho todo com insultos, mau humor e amedrontado.

  17. Espetacular este comentário, vivas atual e moderno. Parabéns Sr . Francisco suas palavras são esclarecedoras e pertinentes quanto ao mau que se aproxima da sociedade com flores na mão e um punhao na mente. Que esta nuvem pumblea seja varrida do nosso céu, mesmo sabendo de antemão dos corruptos ávidos por dinheiro sujo às custas de decisões escondidas em togas cegas com faro de abutre.

  18. Excelente reflexão sobre um tema muito sério. Assusta-me ver o impacto crescente que meia dúzia de multinacionais têm nas nossas vidas, e o conformismo com que utilizamos os serviços que elas nos propõem, alimentado pela sensação de gratuitidade, pela disponibilidade instantânea e pelos resultados imediatos. As contrapartidas vão aparecendo, gradual mas decididamente, como bem ilustra a análise de Francisco Louçã. Assusta-me sobretudo que a próxima etapa seja a economia da escravatura, à qual nos submeteremos conformados e dóceis, pois “isso é melhor do que nada”.

  19. Carissimo Francisco Louçâ
    Está em causa é um Status Quo que NUNCA foi pensado para o bem do cliente.
    Está em causa uma “renda” chamada Lisboa onde mais de um terço dos taxistas em Portugal trabalha. A sua rentabilidade é discutida directamente com o governo, sob ameaça de greves e paralisações.
    Quando pedem condições (leia-se mais dinheiro) fazem-no com desculpas de aumentos de custos e que prestam serviço público e de proximidade e, como tal, o estado tem que comparticipar esta actividade.
    É incontornável a utilidade pública deste serviço mas arrisco-me a dizer que nem 10% destes profissionais hoje se encontram na manifestação de Lisboa.
    E sabe porque?! Porque estão a trabalhar, a levar crianças a escola, idosos à farmácia ou ao hospital. Tratam o cliente por tu. Estes não temem a Uber.
    O que está em causa não são direitos adquiridos pelos taxistas, é o direito de 10.000.000 de portugueses de ter uma sociedade justa ou acham que este monopólio serve a sociedade civil e é algum serviço publico decente???
    Não gosto de monopólios nem de arranjinhos, sejam eles entre sindicatos e governo ou entre grupos económicos e o estado.
    Isto custa-nos dinheiro. O contribuinte, o povo que paga, tem direito a escolher o futuro do seu país! Não tenho que ficar refém nem deste grupo nem de qualquer outro.
    Eu, enquanto cidadão, quero ter direito a escolher. Mais nada. Não admito que uma meia dúzia me negue este direito.
    Sugiro que em vez de medidas desesperadas, como paralisar Lisboa, promover a violência, sequestrar o MEU (e de todos) aeroporto que a Antral e cia se lembres que somos 10.000.000 e já percorremos um longo caminho até aqui, portanto, ou apanham a carruagem ou ficas para trás!

    1. Miguel Castilho@: “Isto custa-nos dinheiro”. Pois custa ! Sabia que até a Ginginha do Rossio reportou mais receitas que a Uber Portugal: teve vendas de 715 mil euros no ano passado, compara. Isto para cerca de de mil condutores, que terão realizado um milhão de viagens”. (Jornal Económico – 14OUT2016). Você com a “uberização” continua a ser o mesmo Zé pagante. Só vai pagar é doutra maneira, com anestesia.

  20. ” … um dos sectores socialmente mais vulneráveis, os taxistas… ”
    Hahahaha, boa piada.
    Tadinhos que lhes desvalorizam os alvarás de 200.000 euros …

  21. ” … qualquer multinacional existe para procurar criar um monopólio …”
    Enormíssimo disparate, perdoável, se não fosse professor.

  22. Talvez a Uberlândia a que se refere já tenha começado à muito tempo mas, infelizmente só vemos o óbvio quando estamos perante o facto consumado. O problema é que agora é politicamente correto bater na Uber e nas outras empresas que estão a tentar vingar no mercado. Os monopólios já deveriam ter acabado há muito tempo. Comecemos pela partilha do automóvel, não foi este o argumento de muitos políticos para diminuir o transito dentro das localidades, ora transportar vizinhos e amigos de um local para outro não deveria ser ilegal. Vamos lá a outro exemplo, as carrinhas que transportam trabalhadores para as empresas também não deveriam ser consideradas como transportes ilegais pelos vistos também não têm alvará para efetuar este tipo de serviço. E já para não falar na nossa velha “boleia” ou será que não posso partilhar o deslocamento com um “tuga”, dividir os custos da gasolina ou receber uma gorjeta sem estar perante a violação da lei. Isto de ter burro e não poder amealhar uns trocos já lá vai… Acho muito bem que se ponham os burros a mexer, que se ganhem alguns trocos e que se paguem os respetivos imposto para bem do Estado. Quem quiser fazer modo de vida desta situação é livre de o fazer pois estamos num estado de direito.

  23. onde se viu contingentar subvenções vitalícias..? Para uns problemas movem-se até media encomendada, mas para outros move-se, mas no sentido inverso, que é opinar sobre assuntos , encomendados!

    Enfim, caro Louçã e demais camaradas e todos os que se intitulam de direita e esquerda, este assunto dos taxis e uber faz parte da confusão que é implementada desde que há memória. A verdade é que as pessoas, no geral, têm mais uma escolha que podem optar. As aplicações não obrigam as pessoas, apenas existem como escolha. E se existem regras de transporte de pessoas, essas mesmo estão adjacentes aos serviços institucionalizados que existem, o caso dos táxis. Ainda que os alvarás e demais regras existam no serviço com a “Marca Taxi”, a verdade é que existem agora opções de transporte com “outras marcas”. Se tem regras diferentes? Bem, os carros têm seguro de passageiros tal como todos os outros, pagam impostos na Holanda? Muitas empresas que faturam milhões em Portugal fazem o mesmo, os condutores não passam por formação? Não é bem assim, pois como os artigos anti-uber assim o dizem, despedem pessoas em caso de não cumprirem as normas. Por aqui vê-se diferenças que são legitimas e rigorosas em relação ao serviço tradicional e antiquado de táxis em Portugal, entre outros países de 3º Mundo,

    Outra observação que não deixa de ser importante é o facto de estarmos a assistir a uma manipulação da opinião pública, por parte, e para variar, de representantes políticos, e ex, a darem (de barato), opiniões sobe uma matéria que eles próprios desconhecem na sua plenitude. De um momento para o outro opinam sobre questões que nem sequer têm formação para…

    Enfim, para acabar a opinar digo que , se já é, aos olhos de muitos, a tugalândia, uberlândia é só mais uma “aplicação” ! (sic)

  24. O que eu digo às pessoas que me contam ter viajado com a UBER é que deram um passo para perderem o vínculo laboral e passarem a sobreviver de biscates. Invariavelmente mostram estupefação por terem a convicção de que foram mesmo mais espertos e pouparam uns euros.

    Este modelo de negócio usa uma arma moderna mais certeira a destruir o consumidor e quem lhes presta serviços absolutamente indefeso.

    Não há nenhuma inovação no transporte de passageiros do ponto A para o ponto B em automóvel e motorista. Isso é o que faz qualquer táxi.

    Não há nenhuma inovação no uso da net para fazer comunicação. Isso é o que fazem a generalidade das aplicações que usam a net.

    Também não há nenhuma inovação em usar desempregados ou reformados ou desocupados na economia informal a fazer biscate. É um velho modo de exploração dos próprios explorados da sociedade e também da sociedade organizada que não é paga pelos recursos que oferece desde o mercado, a via pública à saúde, ensino, etc. que não deixarão de ser usados por esses duplamente explorados.

    A inovação está na cobrança à cabeça, por transferência para contas estrangeiras, em local seguro, de 25% do volume do negócio. Ora não há negócio lícito que liberte tal lucro. Isso é um assalto tecnologicamente assistido.

    Acresce que é um modelo que se alargará a outras atividades mais ou menos controladas que serão também minadas e desregradas sempre com recurso à contratação do biscate. Já há ensaios para penetrar no sistema bancário e financeiro, manutenção de distribuição de energia, água e outras atividades essenciais à sobrevivência.

    Os contratos blindados e seguros ficam para o núcleo que gere estes negócios pelo mundo sempre por trás do contacto virtual como ladrão escondido e protegido.

    Este tipo de investidas ocorre sempre em momentos de roturas que invariavelmente atiram altas percentagens da população para a marginalidade social e para o abandono.

    A solução de Schäuble para o desemprego que resulta das suas políticas de empobrecimento é o que ele chama “mimi Job’s”. O que um palerma contratado por um ministro chamado Relvas andou a propagandear “batendo punho” até lhe cortarem a receita e lhe calarem o bico.

    Estas soluções de explorar as vítimas da exploração que já foram centrifugadas para o abandono espremidas e descartadas também não são inovação alguma, mas “mercado negro” numa abordagem informática.

  25. Eu não quero a Uber. Não quero! Ninguém quer. O que eu quero é que quem manda nos taxistas (alguém manda, se não não tinham ido tantos para a manifestação) veja o que é que a Uber faz bem, copie, melhore e aplique nos táxis. Os taxistas têm uma forma simples de mandar a Uber embora. Fazer melhor serviço. Porque é que eu não posso escolher o táxi em que vou e o sítio onde me apanha? Tem que ser o primeiro da fila, porquê? E se estiver lá dentro um burgesso qualquer? E se estiver porco? E porque é que eu não posso avaliar o serviço no fim? Se querem ser privados, sujeitem-se às regras do mercado. Melhorem, modernizem-se. Não venham choramingar quando estiveram dois anos à espera dos direitos. Não esperem pelos direitos. Trabalhem. Se já forem tarde, paciência. É porque não tinham jeito para o negócio.

  26. Ganhar a vida a fazer biscates no público é que é verdadeiramente triste. Ou pior, ser daqueles que ganha a vida com a ignorância dos votantes, que por terem poucos estudos votam! Vai mas é para as vindimas e não te esqueças e pedir contrato…

  27. Tem toda a razão. É até quase ridículo ser necessário fazer tanta pedagogia para dar a compreender o óbvio. A prazo esse serviço “pósmodernaço” é um perigo para todos. Se o serviço de taxi actual exige melhorias (e todos já sabem que sim) que se trabalhe nisso, com diálogo, participação e bom senso. Esta bandalheira desregulamentada é uma imposição de abutres externos empenhados em fragilizar instituições e economias em nome de “eficiências concorrenciais” mais que duvidosas. No que é verdadeiramente importante esses mesmos bandalhos lobbistas querem tudo menos equidade concorrencial e minam como podem os Estados e os seus Orçamentos Públicos sugando-os até ao impossível.

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