Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

19 de Setembro de 2016, 08:46

Por

O jornalista que enoja o jornalismo e a decência

José António Saraiva, director de jornais e que foi um dos mais poderosos jornalistas portugueses, vai lançar um livro sobre a vida privada de pessoas com quem conviveu, com o título revelador de “Eu e os Políticos”, acrescentando-se na capa “O Livro Proibido”. “Proibido” por quem e em prol de quê, fica por esclarecer, pois não consta que tal proibição exista. Será portanto uma extravagância da imaginação do autor e uma gracinha da empresa que publica tal obra.

Mas o conteúdo corresponde exactamente a esta promessa. Saraiva transcreve umas décadas de conversas que teve com pessoas “importantes”. Tomou nota num caderno enquanto falava com elas, gravou às escondidas, tem uma memória fabulosa? Pois não sabemos e só se pode duvidar. Avisou-os de que as ditas “conversas” eram para ser publicadas? Precedeu cada almoço mostrando o gravador em cima da mesa? Em todo o caso, transcreve entre aspas, pretendendo-se que sejam as frases certas de quem, falando com ele em privado, não poderia imaginar que o homem transformaria a conversa em livro.

Saraiva tem uma explicação para esta aventura. Diz ele que tem a missão cósmica de partilhar as suas “vivências” e que “seria porventura egoísmo guardá-las só para mim“. É portanto um acto de generosidade para com os comuns mortais, aqui está a intenção de “Eu e os Políticos”.

Para acrescentar à façanha, Pedro Passos Coelho apresentará a obra. “O arquiteto José António Saraiva convidou-me para me associar ao livro que ia fazer e respondi que sim, mesmo antes de conhecer a obra e aceitei fazê-lo”, explica o ex-primeiro-ministro, de quem não consta que a vida privada seja trespassada pelo Saraiva. “Penso que o mais importante é que tudo o que se passa no plano editorial e jornalístico se faça dentro de certos limites, mas respeitando a liberdade das pessoas e aquilo que são as suas opiniões e visão”, acrescenta o comedido Passos Coelho, sem explicar detalhadamente o que são os tais “certos limites”.

Defendido naturalmente por um cavalheiro do mesmo calibre que dá pelo nome de Alberto Gonçalves, no DN, e porventura por ninguém mais, Saraiva joga assim no tabuleiro do escândalo. Do ponto de vista editorial, percebe-se: os romances que o autor, modestamente, esperava que lhe abrissem o glorioso caminho para o Nobel da literatura, ficaram no esquecimento, e agora sobreveio esta pulsão de partilhar as “vivências”, para felicidade do povo leitor, ansioso por saber da cama dos “políticos”.

Saraiva desce tão baixo que pouco há a dizer sobre o ocaso deste jornalista. O método editorial é uma aldrabice, as citações são presumivelmente uma fabricação, a intenção é uma vulgaridade, o objecto é bacoco, o livro é uma trampa e o homem é o que é.

Mas quero deixar clara a defesa de um amigo. Conheci o Miguel Portas desde quando ele tinha 13 anos, fomos amigos toda a nossa vida, estivemos do mesmo lado e em lados opostos, colaboramos em cultura, jornais, revistas e política, fizemos um partido, planeamos férias juntos e discuti tudo com ele. Durante esse tempo longo, ele teve diferenças adolescentes com o seu irmão, admiração pelo seu sucesso, irritações com divergências frequentes, proximidade crescente e todos os sentimentos que as pessoas têm nas suas “vivências”. E sempre foram amigos, sendo mesmo muito íntimos. Não houve nesse tempo todo uma única vez, em grupo ou em privado, em que o Miguel tenha discutido a vida do irmão ou feito qualquer observação que o atingisse. Citá-lo agora para atingir o seu irmão, depois da sua morte e quando não se pode erguer contra a ignomínia, é um nojo.

O jornalista Saraiva é um homem indecente.

Comentários

  1. Este livro e a sua polémica faz me lembrar aquela cena do Arquiteto Taveira fotografado em cenas intimas no seu escritório :toda a gente se repugnou ver as fotos numa revista mas esta foi avidamente disputada mesmo depois de proibida a sua venda.O mesmo acontece com esta pretensa obra literária do Arquitecto Saraiva:causa indignação mas todo o munso quer ler e já está a rsgotar nas livrarias.Grandezas e misérias deste País tao bem descrito pelo Eça…

  2. Estáo a dar muita importância a este artigo do caro Louçã. Os comentários assim o dizem.

    Não vêem que o ilustre Louçã (com este artigo) procura desviar a atenção da “malta” do que está na ordem do dia e que isso sim é “nojento”.
    Refiro-me às recentes depois clarações das suas amigas do BE ,Catarina e Mariana cerca das poupanças dos portugueses .

    João Albuquerque

    1. Mais idiota que o livro do Saraiva é o comentário desta criatura! Haja paciência para tanta falta de inteligência…

  3. Poderei vir à ler o livro para poder dar à minha opinião sobre o mesmo .Nao sendo da mesma cor politica do Dr .Francisco Louçã tenho uma énorme admiração por si e penso que se escreveu este artigo não foi para ser populista mas se o exemplo que deu dos irmãos Portas vem no livro acho que é uma falta de respeito pelo Miguel e pelo Paulo bem como por toda à familia. Mas hoje em dia qualquer um escreve livros .

  4. Completamente de acordo com tudo o que escreve sobre o arquitecto Saraiva e o seu livro asqueroso. Já quanto ao Alberto Gonçalves: é um facto que aproveita esta polémica para dar as habituais bicadas na esquerda portuguesa, afirmando que o livro escrito por São José Almeida configura uma maior pulhice do que o do arquitecto. Mas Alberto Gonçalves afirma também “O livro é uma porcaria? Não li e não duvido”, descrevendo-o como “o baldinho de lixo do arq. Saraiva”. Donde não há volta a dar: escrever que o livro é “defendido naturalmente por um cavalheiro do mesmo calibre que dá pelo nome de Alberto Gonçalves, no DN” é uma enorme mentira, caro Francisco Louçã. Que lhe fica muito mal.

    1. Que bem que lhe fica defender o Gonçalves, que defende o Saraiva como pode e mais não consegue.

  5. Estou de acordo com a maior parte do artigo, mas a afirmação de que o livro foi «Defendido naturalmente por um cavalheiro do mesmo calibre que dá pelo nome de Alberto Gonçalves, no DN» é grosseiramente falsa. Alberto Gonçalves escreve, a propósito do livro, «O livro é uma porcaria? Não li e não duvido» e descreve-o como «o baldinho de lixo do arq. Saraiva». Isto é defender o livro?

  6. Um livro certamente que não lerei. Tenho muitos mais em lista de espera. Das Kapital que gostava muito de ler na versão original e a Crítica Da Razão Pura de Immanuel Kant. Depois virá o Banqueiro Anarquista, Fausto de Goethe, a Divina Comédia, e depois de ter lido todos os clássicos de Platão a Voltaire posso dizer que vou escrever um livro sapiente mas que não será sobre mexericos. Assim não terei tempo para ler a obra do saraiva. Agradeço ao Prof. Louçã por me ter dado a conhecer uma peça a adicionar à lista negra.

    1. Não o conheço pessoalmente mas não posso deixar de o felicitar calorosamente pelo teor da sua intervenção :)

    2. Que feliz me sentiria se o seu escrito, João Pimentel Ferreira, pudesse corresponder ao pensamento da maioria dos portugueses. Felicito-o!!!

  7. Acordo, o Sol acabou de nascer, o céu está com um colorido que tira o fôlego, a água da ribeira e a orquestra de pássaros tocam a melodia divina, lentamente baixo a cabeça e as diversas tonalidades de verde dos campos provocam uma inspiração profunda, a consequente expiração acompanha o ritmo cardíaco de quem está em paz. Graças a Deus, a saúde melhorou.
    Com tudo isto tão cerca, por que temos de sair à rua e suportar certos políticos corruptos mas “inocentes”, banqueiros gatunos mas “inocentes” e ex-diretores loucos de jornais prestigiados mas “sem acompanhamento psiquiátrico”?
    Passos Coelho só pode querer acabar com a sua vida política. Depois da apresentação do livro tem menos de uma semana como líder de partido.

  8. Dr Francisco Louca,

    Acho as suas criticas ao livro do Arq Jese Saraiva aceitaveis, embora nao tenha lido o livro de que fala. Vour ler, logo que possa. Aprecio os seus textos em geral. Acho no, entanto, as suas consideracoes acerca da pessoa do Arq Jose Saraiva excessivas. Quanto ao livro, nao sei. Mas quanto ao Arq Jose Saraiva acho que tem demonstrado como jornalista uma competencia e seriedade bem acima da media, e uma grande coragem. Podia, como sabe, viver uma reforma dourada, mas decidiu continuar a trabalhar e a arriscar fazer diferente, o que nao e comum nem facil. Claro que conversas privadas sao conversas privadas. Nao devem ser tornadas publicas. Mas, parece-me, que o livro nao tera grande gravidade para ninguem. Somos um povo com quase 900 anos. Na hora do voto, os Portugueses sabem decidir – nao viu na ultima eleicao? Pelo seu texto, o unico problema do livro e uma confidencia do falecido Miguel Portas ao Arq Jose Saraiva. Sera que e assim tao grave? Depende do teor, claro, mas espero para ler o livro. Eu acho que o Arq Jose Saraiva nao mente. Mas depois de ler o livro talvez mude de opiniao.

  9. O que parece é que no juízo critico formulado aplicou critérios de jornalismo a uma obra que não é jornalismo. Será sociologia, testemunho histórico, memorialismo, não faço ideia. Não li. Deu foi ainda mais publicidade à coisa. Mas a literatura do mexerico é uma realidade universal que deve render bem, pelo menos desde Aristófanes.

  10. Que uma grande parte do jornalismo em Portugal é um jornalismo de sarjeta já todos o sabiamos. Que em Portugal existe apenas uma mão cheia de de jornalistas sendo o resto uma cambada de escribas a soldo, também não é novidade para ninguém. Que no jornalismo luso houvessem jornalistas que são autêntico esterco é que talvez tenham surpreendido alguns.
    Que o ex 1º Ministro goste de mexer em esterco só surpreendeu os desatentos.O País nunca teve um cheiro tão pestilento.

  11. “O jornalista Saraiva é um homem indecente.”

    Não há jornalista Saraiva. Há um lixo a que algumas pessoas chamam Saraiva, e há um tipo nojento que dirigiu jornais e teve a ousadia nunca vista de se deixar entrevistar pelo próprio jornal (Expresso) para dizer que, segundo a mãe, ia ganhar o Nobel. Não há jornalista Saraiva, nem nunca houve.

  12. Este livro, tal como os conteúdos de um conhecido jornal tabloide, são o resultado natural das leis do mercado: eles dão às pessoas aquilo que elas querem ler.

    Aposto que o livro (tal como as tiragens do tal jornal) vai ser um enorme sucesso.

    Isto revela não só a indecência daqueles que se intitulam jornalistas ou escritores, mas também a decadência moral da sociedade.

    E esta decadência observa-se um pouco por todo o lado, em todos os setores da vida. Vale tudo! Já não há princípios morais ou honra !

  13. Eu ficaria agradada com o texto do FL nos seus princípios ético-deontológicos se ele demonstrasse coerência e tivesse aqui há anos atrás avaliado no mesmo sentido e com a mesma veemência as afirmações da Deputada Ana Gomes em Junho de 2011 a respeito também da vida privada do Dr. Paulo Portas, quando o CDS e PSD ganharam as eleições, quando insinuou acusações muitíssimo mais graves em relação à vida sexual do Dr. Paulo Portas afirmando, revoltada, que os Jornalistas sabiam bem do que ela estava a falar, mas silenciavam. Nenhum dos indignados de agora se ouviram então, algo que revela bem a sua parcialidade na apreciação de supostas questões de princípio, que afinal não o são. Lembrando, Ana Gomes referiu os “comportamentos desviantes de Strauss-Khan” para sustentar que Paulo Portas “não tem idoneidade pessoal e política” para voltar ao Governo e ainda recordou o caso denunciado anteriormente de dois ministros de Durão Barroso que recorriam a prostituição. Lembra-se?

    1. Engana-se. Não concordei com algumas afirmações de Ana Gomes (não estou certo de que as esteja a citar correctamente, mas isso aqui é secundário) e tanto eu como o Miguel nos demarcamos delas.

  14. Concordo inteiramente com Louçã. Espero que, coerentemente, Louçã tenha sido igualmente veemente quando São José Almeida publicou “Homossexuais no Estado Novo”, mas duvido.

  15. Professor: certamente motivada pela indignação, a forma deste texto estará abaixo do que o Professor Francisco nos habituou. Não terá sido escrita impulsiva? E assim faz-lhe mal e dá a imagem errada de quem é. Veja lá os nervos que o Professor faz falta ao País e com a saúde intacta por muitos mais anos. Muitos leitores interessados concordarão.

  16. Já é o quarto ou quinto a escrever artigos de opinião a dizer que o livro é mau, que já o sabiam antes de este ser publicado e que só diz mentiras. O que acho curioso e me intriga é porque leram então o livro e se dão ao trabalho de o denegrir e demonstrar ao mesmo tempo tanto ódio ao autor.
    Fico com a impressão que o livro deve dizer umas boas verdades que são embaraçosas para os visados e que por isso deve ser uma leitura interessante. Doutor Francisco Louça, se estiver interessado em doar ou vender a sua cópia ofereço-me para a comprar.

    1. Verdades ou mentiras, se se tratarem de assuntos do foro pessoal e intimo, não é admissível o seu uso.

    2. “e me intriga é porque leram então o livro” O Sr. Antonio parece confortavel a opinar com ignorancia. O que e que acha do novo livro do Harry Potter que vai sair no Natal?

  17. Ainda não li o livro e duvido que muitos que o criticam o tenham feito, tal como em muitos outros casos de livros e filmes que no passado teriam atentado contra pudores e bons costumes. Parece-me por isso prematuro qualquer tipo de julgamento sobre o mesmo.

  18. No fundo, o mais interessante desta novela é a seguinte: como é possível que este tipo (sr. Saraiva) tivesse chegado onde chegou?!! “O homem e a circunstância”, certamente. Ou seja, há circunstâncias na vida, alinhamentos cósmicos, que permitem que um ser infantil (chegou a dizer que seria prémio Nobel um dia) e de intelecto muito limitado chegue a dirigir dois jornais semanais. Isto até é engraçado de tanto irónico que é…
    O mesmo se aplica ao sr. Alberto Gonçalves, “sociólogo ponta de lança” que de tudo sabe e que de tudo escreve. Saramago, segundo este “cronista” (que escreve para a Sábado e DN, duas publicações claramente enviesadas à direita), é um personagem sobre-avaliado e um escritor menor… Enfim, é decadente que estes tipos tenham acesso a opinião publicada, mas o que se vai fazer?

    1. Metade da outra metade é que nem chega a extrema esquerda que este Lourinhã representa. A maioria dos portugueses, que são honestos e respeitam o valor do trabalho preenchem o requisito de ser dessa direita. Infelizmente estão reféns de uma pequena esquerda corporativa que controla o país e que Lourinhã tão bem representa: nunca trabalharam verdadeiramente, só produzem textos e opiniões até sobre… Emprego e economia quando nunca produziram um emprego. Ridículos, é uma questão de os alemães se faltarem de pagar a conta

  19. Isto já não tem nada a ver com politica, é a luta contra a indecência. Que JAS seja filho e sobrinho de duas pessoas tão ilustres ainda torna a situação mais escandalosa e inacreditavel. Se fosse um filme era “Cla Saraiva” tenta assassinar em livro o “clã Portas” mas é real e não tem piada – é triste, feio, degradante. Era bom que o livro nunca chegasse ás livrarias.

  20. Parece-me de muito mau gosto e de uma pura baixeza que alguém queira ser falado e publicitado com base na divulgação de assuntos do foro privado. Certamente estamos perante um demente não diagnosticado! Acrescente-se que o Sr. Passos Coelho ao que parece irá apadrinhar o lançamento desta obra…não surpreende !!! nota zero para ambos.

  21. Car Louçã, por acaso sabe o que é “liberdade de expressão” ?
    Portugal é um estado de direito, ainda que pseudo-democrático, e não um estado leninista!

    E quem é o senhor, e quem lhe dá o direito para julgar outras pessoas, e na forma como o faz?

    João Albuquerque

    1. Caro João Albuquerque, sabe o que é o direito à privacidade? Sabe o que é publicar conversas privadas de pessoas que já faleceram? Pelo seu Post parece-me que não.

  22. Parece-me que falar neste livro de Saraiva tal como nos de Rodrigues dos Santos é dar importância a pessoas de quem a História não falará e fazê-los beneficiar de publicidade gratuita, que a todo o custo pretendem,. Um com pretensos segredos de alcova, apostando no voyeurimo e na “fruta” proibida, outro com” inovadoras”, “digestivas”, “sugestivas” e “definitivas” descobertas no campo das ideologias e das teorias políticas. Que a terra lhes seja leve em ambos os casos.

  23. Julguei verdadeiramente que esta crónica se iria dirigir ao jornalismo do CM que fabricou a notícia sobre as declarações do administrador do Grupo Lena acerca dos subornos a José Sócrates.

    Quanto ao assunto abordado, uma mentira ( ou não, sendo a verdade que é um assunto irrelevante pois, além de fazer parte da mais íntima vida privada, também não se anda a anunciar que este ou aquele afinal são heterossexuais), dita quando paira há muito um boato acerca das preferências sexuais de Paulo Portas tem mais impacto, e deverá ser provavelmente o porta estandarte do marketing do livro.
    Como um livro que um inspector escreveu acerca do caso Maddie.

    Não pode então um livro sobre políticos ser duas coisas ao mesmo tempo: revelações bombásticas e assuntos sem importância para a sociedade civil.

  24. E quem apoia indecentes, os que têm a vantagem de decidir a “distância”, esses são piores.

    Eu ja vi jornalistas da RTP mentirem am direto no canal público, a RTP 1, um dos quais a propósito da atitude de Paul Krugman em relação a Portugal e as políticas de austeridade.

    A mim o que mais me incomoda é a tática que o canal SIC tem usado, principalmente por um dos editores de economia desse canal. Tudo para favorecer políticas falhadas e diversões quer o CDS e o PSD tem usado como bandeiras.

  25. “Saraiva desce tão baixo que pouco há a dizer sobre o ocaso deste jornalista. O método editorial é uma aldrabice, as citações são presumivelmente uma fabricação, a intenção é uma vulgaridade, o objecto é bacoco, o livro é uma trampa e o homem é o que é.”

    Clap, clap, clap, clap….

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