Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

16 de Setembro de 2016, 08:10

Por

Se vai para o aeroporto de Lisboa, avie-se em terra

Se usa o aeroporto de Lisboa, não preciso de lhe dizer mais nada. Se vai usar e não conhece, é melhor chegar aviado e eu vou por si, é melhor ser avisado.

Pode chegar e correr tudo bem no início. Há pouca gente na fila para o controlo policial, suspira de alívio e segue pelo caminho do shopping até à sua “gate”. Se não houver atrasos, entrará na manga depois de um rápido e eficiente controlo do bilhete. Mas é aí que vão começar os problemas. É que, se for companhia portuguesa, a porta vai dar a uma escada para apanhar um autocarro. Pode ficar pendurado na escada, leve umas palavras cruzadas, haverá que esperar. Depois lá entrará no autocarro. Mas o autocarro pode não andar logo. Abra o Sudoku e, com umas cotoveladas nos vizinhos, conseguirá jogar para se distrair. Pode então acontecer que, avançando, o autocarro depois fique de novo parado à porta do avião. Portas fechadas, calor, exasperação, mas pode ser que a qualquer momento a porta abra. Ânimo, em algum momento vai poder entrar no avião. Depois o comandante avisa que, como estão atrasados, perderam o lugar no horário de partida e têm que esperar a próxima oportunidade.

Agora, voltar, aí sim, é que começa a aventura. Sendo companhia portuguesa, tem com certeza o autocarro à espera (se não vier atrasado) porque manga não pode ser, demorará muito mais tempo do que os passageiros de qualquer outra companhia. Ou, se entramos na manga, afinal era uma armadilha: da manga desce por uma escada para um autocarro que estava emboscado lá em baixo. E o autocarro vai levá-lo para a outra ponta do aeroporto, para ter que voltar tudo para trás, percorrendo a pé todas as lojas (mesmo que seja meia noite e estejam todas fechadas, ninguém se lembrou de que a punição aos viajantes em companhias portuguesas não terá nesse caso nenhuma vantagem comercial).

E chegará então à zona da verificação de passaportes, se for o caso. Na semana passada, percebi o risco que isso significava: vindo de Londres, a máquina não conseguiu ler o meu cartão de cidadão, nem o de ninguém. Resultado: vamos para a fila. Mas são nove da noite e a fila são muitas pessoas para um só polícia. Como têm prioridade na fila as pessoas em cadeiras de rodas e as famílias com crianças, aquilo anda mesmo devagar. Ao fim de quase uma hora, lá consigo mostrar o cartão de cidadão, que foi aceite com magnanimidade. E depois vem a saída do aeroporto. Já demorei mais tempo no aeroporto do que de Londres a Lisboa, mas o pior vem agora: a fila na espera do táxi é uma multidão. Ainda bem que há o Metro, que desde a troika passou a ter maiores tempos de espera, chega a dez minutos em horas de ponta, mas mesmo isso é um alívio, porque aquele comboio parece que vai a algum lugar.

Sobreviver ao aeroporto é uma sorte.

Comentários

  1. Eu viajo regularmente de Campinas para Lisboa e de Lisboa para Campinas já há vários anos. E há dois anos disse para a família que seria a última vez que viria na TAP, tal era o (mau) serviço prestado, normalmente com atrasos de horários, comida intragavel e pouco apoio por parte dos funcionários. No ano passado chegou a gota que entornou o copo: à pala de uma greve de quase uma semana, com o voo sistematicamente adiado, com um desrespeito por quem tem de cumprir escalas e tempos de trabalho, resolvi pôr um basta. Este ano viajei pela Azul, ida e volta, e até ver não quero outra coisa. Além de que os voos são mais baratos. Não sei se a Azul tem alguma coisa a ver com a TAP, o que sei é que a companhia portuguesa ou se põe a pau ou vai ter ali uma concorrente de peso pq na hora de viajar o passageiro quer é certezas, conforto, segurança,. apoio e amabilidade. Se a TAP não lhe dá isto, e já há varios anos que nao dá, ala que se faz tarde! Ninguém tem obrigaçao de dar preferência ao que é nacional se o serviço não agrada.

  2. Verdade.
    O acesso aos aviões da TAP é feito regra geral por meio de autocarros. Raramente são utilizadas as mangas de acesso direto ao avião. Já me aconteceu o autocarro chegar ao avião e este não estar pronto para receber os passageiros (20 minutos de espera no interior do autocarro com inúmeros passageiros a dizer “TAP nunca mais”).
    É verdade que os aviões partem sistematicamente atrasados e que apenas chegam a horas porque o tempo destinado ao voo é excessivo. No voo para Fortaleza o check in por vezes só abria após a hora limite de embarque. Nunca me lembro de este avião partir na hora prevista (sempre atrasado mais de 20 minutos).
    A eficácia dos funcionários do aeroporto de Lisboa é manifestamente baixa. Refiro-me sobretudo ao pessoal de assistência ao embarque.
    Dos trabalhadores da TAP a bordo dos aviões nada a reclamar. São bons profissionais na minha opinião..

  3. Viajei pelo aeroporto de Lisboa 4 vezes no último ano
    Duas vezes pela British Airways e 2 pela brasileira Azul. E sempre tive embarcar e desembarcar usando autocarros. Sem contar o tempo no controle de passaportes.

  4. Aproveito o tema para avivar dúvidas e espantos meus, motivados decerto pela minha ignorância na matéria:
    Como é que a operadora do maior aeroporto nacional e estratégico para a nossa economia) é vendida (ou dada) a uma empresa estrangeira com experiência meramente regional ( e que de imediato aproveitou para aumentar as taxas sem melhoria de serviço)?
    Porque é que a TAP abre mão para uma empresa Regional (Azul) da rota rentável Lisboa- Capinas/SP, enfraquecendo um mercado em que era forte e líder para o entregar a uma empresa quase sem dimensão e experiência internacional, ganhando curriculum para mais tarde poder vir a competir com a própria Tap?
    Outro negócio entre estas duas companhias que também não entendi foi a cedência a Tap que a Azul tinha parados como os Airbus A3300-200.
    Naturalmente que tudo foi feito em nome do interesse nacional e eu, leigo na matéria (sou mesmo, não é ironia) é que sou ignorante…

  5. O cidadão tem ao seu dispor transportes públicos de quem a população nem poderia sonhar por séculos, nem os reis mais ricos deste planeta tinham as condições que um simples mortal tem hoje em dia. Mas igual massa colocada no forno para virar bolo ou pão as coisas precisam de tempo,presta atenção : precisam de tempo, não levam tempo ! Não vale a pena reclamar por ter de esperar pela sua vez, todas as coisas levam o seu tempo, reclamam sempre aqueles que não tem paciência e não acha que é o centro do mundo, o umbigo das necessidades.Viajo regularmente, levando aproximadamente dois dias de viagem, camioneta, taxi, avião, taxi, camioneta, faz parte. Não reclamo, rsrsrsrs, eu me divirto !

  6. Subscrevendo a maioria do que disse, deixo-lhe uma sugestão prática: da próxima vez que precisar de um táxi, esqueça os que estão nas chegadas – de qualquer forma, para além do tempo de espera, seria quase certamente roubado – e vá até às partidas, onde os taxis que aí deixam passageiros também podem ser usados. São táxis da cidade, não os especímens que estão nas chegadas. E costuma ser rápido: das duas últimas vezes que usei este sistema, nem cinco minutos esperei.

  7. esqueceu-se de um pormenor: sair do avião, autocarro, e depois entrada por uma “lateral” com dois lances de escadaria e escadas rolantes avariadas, e ver pessoas, algumas idosas, a carregar penosamente a bagagem de mão escada acima. Nem um funcionário para ajudar. Veja lá, até teve alguma sorte.

  8. Não será culpa da política seguida nos últimos anos de minimizar custos reduzindo drasticamente equipamentos e pessoal aos agentes de assistência aeroportuária? O aeroporto de Lx está por arames. Precariedade e submissão dá nisso. Vai piorar.

  9. É inadmissível o que a TAP faz aos seus passageiros!!!
    Viajo bastante de avião e, de há uns anos para cá, há sempre problemas e a culpa quase ou nunca é deles!!!

    Acrescentar tempo de voo “não real” para sair muito atrasado e, mesmo assim, conseguir dizer que se chega a horas é “gozar sem vergonha” porque perdemos tempo a chegar ao aeroporto mais cedo para nada!! Nem todos que viajam estão de férias mas trabalham….

    Tendo em conta que uso várias companhias e o aeroporto é o mesmo… Algo não bate certo!!!

    Isto tudo para não falar da atitude de alguns funcionários, que se esquecessem que só tem emprego porque há quem compra o bilhete…. E no meio disto tudo, o sempre “não dá jeito tornar público” as muitas regalias (algumas inadmissíveis) …

    E não camuflemos com o termo ” inveja” o que na verdade não é mais que constatação! Não queria a profissão deles… Só queria que a TAP desempenhasse bem a sua dando aquilo que um bilhete confere!

  10. Sempre me espantei- desde que a francesa Construtora Da Vinci averbou o contrato de exploração -com os clamorosos erros de gestão de circulação da plataforma aeroportuária da antiga Portela, hoje Humberto Delgado. Então, no Verão, a ” bofetada ” da chegada com ondas de calor e poluição gigantescas na entrada e saida dos aviões de frete turistico internacional sazonal, são pontos muito negativos para a sensibilidade de qualquer visitante estrangeiro…Eu tento ver a expressão…quase de terror dos veraneantes que chegam da Suécia, da Alemanha e da Suiça…De fugir ou de comiseração quase absoluta. E as obras nos diversificados free-shops? Todo o metro quadrado é ” explorado ” e.ciclicamentze, novos arranjos ampliam e multiplicam espaços comerciais, que os visitantes têem forçosamente que atravessar em passo-de-corrida até aos tapetes das bagagens de funcionalidade rasca e incongruente, a fazer recordar os traumas de qualquer aeroporto do Corno de África. Niet

  11. Como se isto não tivesse sido assim desde sempre…
    Ou então, só agora Louçã começou a viajar de avião e descobriu com espanto aquilo que outros tantos milhões já sabiam.

  12. Apesar de não resolver o problema no caso concreto, se calhar tirar a carta também era uma ideia em vez de andar a xatear a malta do partido para o levar aqui e ali. Sempre usou desse expediente é certo, (agora que manda menos deve estar mais difícil) mas vai ver, estudar o código, levantar o pé da embraiagem ao mesmo tempo que acelera pouquinho…não é assim tão difícil.
    E não me venha com argumentos ambientalistas, porque nunca se privou de andar no carro dos outros.

    1. Pois, uma canalhice por sugerir tirar a carta… E um exemplo de um insulto barato, não estará também aqui? Se existe alguma razão médica para não poder tirar a carta afirme-o. Diga assim; caro Adriano, não tenho carta porque não posso. E ficamos entendidos.
      Um bom fim de semana em paz e alegria junto de quem gosta, é o que lhe desejo, professor.

    2. Tenho carta desde os 18 anos, uso o meu carro, que conduzo mas não voa de Londres para Lisboa, e isso é estritamente irrelevante para o caso. Canalhice e gratuito, devia ter vergonha.

    3. Einstein morreu sem tirar a carta.

      Conclusão: Ou o Einstein pertencia a um partido politico, e como tal, tinha sempre algum que o levasse a todo o lado, ou o Adriano é, claramente, mais inteligente que o Einstein!

      Pensei na hipótese de simplestemente alguém não querer tirar a carta de condução, mas isso não faz sentido!!!

      Cumprimentos, Adriano.

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