Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

29 de Julho de 2016, 08:41

Por

O diabo à solta, mas só lá para setembro

Parece que Passos Coelho terá anunciado aos dirigentes do seu partido que em setembro o diabo aterrorizará este cantinho à beira mar plantado. É de supor que os ditos dirigentes deliraram com o anúncio, já lhes faltou o Armagedon do primeiro mês do governo, depois faltou-lhes o colapso do Orçamento, depois desvaneceu-se-lhes a encrenca parlamentar e ficaram com esta triste normalidade a que o país se vai habituando para horror dos chefes do PSD.

Passos Coelho funciona um pouco como Arnaldo Matos, o seu charme é garantir o apocalipse. Não para hoje, mas amanhã é certo. Será em setembro. Serão os bancos a pedir mais gastos ou será a Comissão Europeia a pedir menos gastos, alguém tem que por isto na ordem e o diabo de Passos Coelho chega na certa pelo equinócio.

Mas, como o líder do PSD não teve oportunidade de ir na 2ªf explicar a teoria da hecatombe ao Presidente, que pelo contrário proclama a bonança todos os dias, e a representante do PSD entreteve Marcelo Rebelo de Sousa com tranquilizantes garantias de paz e sossego, o país só pode ter ficado algo perplexo com este toca e foge, aliás repetido no fim de semana por Passos num lugar sempre propício a cantaroladas, o Chão da Lagoa. Temos portanto o diabo à solta, mas talvez: depende de quem o diz e pode ser que mais lá para o fim do verão que entretanto vamos de férias.

Marques Mendes, subtil como só ele, apresentou no domingo na SIC uma outra versão. Mais conspirativa, mais saborosa. É assim: António Costa, malandrim, quer eleições para se antecipar às dificuldades e para correr com o PCP, antes que seja tarde. Só que o PCP não vai na tramoia e, zás, aprova o Orçamento que Costa queria ver chumbado. Entendido? É um pouco sinuoso, mas a vida é assim. Temos portanto que, na versão Mendes, o diabo está na mão de Costa, mesmo que seja Passos quem o anuncie; em todo o caso, tanto Costa como Passos querem o tal do diabo, ou uma crise política das antigas, com intrigalhada, drama e gritos. Mas como não se passará nada, o diabo ficará retido dentro da sua lâmpada, para confirmação do augúrio do Dr. Marques Mendes, pois assim existe e não existe ao mesmo tempo.

Não estão a ver o filme, como diria um certo candidato a presidente, agora empossado. O caso das sanções, em que a direita se colocou desabridamente do lado da Comissão Europeia contra Portugal, cimenta a resposta do governo e da esquerda que o apoia – fornece uma “narrativa”, um adversário, uma causa e até promove uma alternativa. O calendário é excelente, pois em cada dia que passa até setembro, com o arrastamento da questão e o adiamento das sanções e multas e afins, a opinião pública só se pode aborrecer deste desígnio e desta perseguição e lastimar o desespero de quem quer repor a austeridade por via de cacete alheio. Se algum partido que apoia a maioria governamental se dedicasse agora a jogos florais, seria incompreendido.

O Dr. Mendes está portanto enganado, na opinião deste modesto escritor com poucos dotes para a demonologia: o governo não pode encenar uma saída do palco, tem pelo contrário que mostrar consistência e preparação, ou seja, tem que buscar alternativas consistentes para o Orçamento e é isso que o vai definir para os próximos anos.

Comentários

  1. Ernesto, permita-me discordar. O DIABO EXISTE MESMO! Basta olhar para a figura desse gajo de Massamá. Não foi ele o diabo em pessoa para os trabalhadores, para os reformados, para os desempregados e, duma maneira geral, para o povo mais pobre deste país, durante os anos de 2011/2015?! Eu pela minha parte e aos 73, só lhe digo: ‘Vade retro, Satana!

  2. O diabo do Passos Coelho já anda por aí a fazer das suas há pelo menos duas décadas.
    Começou nos anos noventa quando auferia vencimento na Assempleia da República em regime de dedicação exclusiva tendo outras actividade remuneradas.
    Continuou na primeira década deste milénio a desviar milhões para a Tenoforma a fim de promover a formação de trabalhadores dos aeródromos municipais. Valeu-lhe nesta aventura o apoio do outro diabrete apelidado de Doutor que afinal deixou de o ser.
    Em 2011 veio a maldade das maldades. Mentiu descaradamente aos eleitores sobre o aumento dos impostos e os cortes nas pensões e nos vencimentos. Fez precisamente o contrário e vendeu ao desbarato quase todas as empresas estratégicas.
    A sua fé na Santa Austeridade levou à destruição do emprego e da economia, à emigração forçada de meio milhão de jovens, muitos deles qualificadíssimos. O crédito mal-parado disparou o que contribuiu para a calamidade que se verificou na banca. Milhares de milhões de euros desapareciam à velocidade da luz.
    O FMI já afirmou várias vezes que a austeridade foi um erro colossal. Mas a direita portuguesa continua a insistir na mesma tecla.
    Uma das últimas maldades foi ter formado governo contra uma maioria parlamentar o que considero um golpe de estado.
    Já na oposição continua a dizer mentiras e está à espera que aconteça alguma catástrofe em Portugal.
    Ele não precisa ameaçar os portugueses que o Diabo chegará em setembro. O diabo de Massamá já anda entre nós há 20 anos. A principal catástrofe que assolou Portugal chama-sa Passos Coelho, um Diabo apadrinhado por outro que tal, o ex-PR.

  3. Esta gente só tem dúvidas no que lhe convém. Eles sabem perfeitamente que a direita queria as sanções ao nosso país, mas mais uma vez tiveram de meter a viola no saco.

    1. Não percebo a lógica de alguém querer dar um tiro no próprio pé! As sanções não se destinavam a castigar à má prestação da direita, em 2015? Porque razão estaria a direita interessada em tal coisa? Não será ao contrário?

  4. Até setembro está domesticado! Vai a banhos (muito importante para um diabo, já que lida com carvão todos os dias…), será recebido na Aldeia da Coelha (para ser homenageado…) e, em seguida vai até ao Pontal (onde, após uma ou duas sardinhas grelhadas à moda do Inferno, discursará!) Depois…depois…quem o sustenta volta para Lisboa! É aí que o vamos ver à solta! Com sorte, ainda vai aparecer com Marques Mendes em alguma televisão, ou mais, convidado para a lista de Santana Lopes à câmara de Lisboa! O diabo é lixado!

  5. Passos e seu”bando” não percebem nada de política. O passado diz tudo. Não é curricula é cadastro. Quem, como Passos, chega a primeiro-ministro sem ter feito nada que se possa mostrar antee e faz da função do órgão executivo o instrumento da Troika para empobrecer os portugueses que vivem do trabalho, fragilizar as relações de trabalho através da precariedade, enfraquecer o Estado através da sabotagem da gestão das empresas públicas e sua privatização ao desbarato, brutal aumento de impostos para reduzir o mercado interno, falir as empresas desnatando a economia, excluir do mudo do trabalho milhões de portugueses de forma irreversível empobrecendo o país pelo abandono do principal recurso de Portugal, a sua população. Quem tem de construir família tem de o fazer noutras paragens onde se pode trabalhar e reproduzir. Deixou a banca falida, os monopólios e oligopólios nas mãos de privados que enriquecem com o agravamento do custo dos fatores de produção, os custos de contexto, uma criatura assim só se mantém na política com o seu “bando” por não saber o mal que fez e não perceber as pessoas nem gostar de pessoas.
    A CE foi forçada decidir não aplicar sanções a Portugal por essa má gestão e teve de alargar os critérios das exigências de défice e excluir as recapitalizações da influência do défice.
    É uma colossal derrota de Passos e seu “bando”. A CE teve de recuar perante um país membro, pela primeira vez na história. E, fê-lo contra o núcleo punitivo que era a última esperança de Passos. Passos caiu agarrado ao seu “diabo”.

  6. Já é a segunda vez. Gostava de obter uma resposta. Quando e como é que “a direita se colocou desabridamente ao lado da Comissão Europeia contra Portugal”?

    1. Eu também gostaria muito de saber. Se o autor se der à maçada de responder, talvez também possa dizer quem foi o conselheiro (ou conselheiros) de Estado que vieram contar que Cavaco tinha defendido as sanções contra Portugal na reunião do dito Conselho.

    2. Nenhum jornal escreveu que Cavaco defendeu sanções, como aliás a minha nota esclarece.
      Quanto a Passos Coelho e o PSD, leia:
      “Este procedimento não se refere só ao desempenho do passado, mas com a trajetória para o futuro. O que a Comissão está a dizer é que não acredita na consistência das medidas do Governo até 2019.» (Miguel Morgado a 12 de maio, dois dias depois do primeiro debate de orientação do colégio de comissários, em que Bruxelas considerou a possibilidade de aplicar sanções a Portugal e Espanha)

      «[Portugal poderá vir a ser alvo de sanções porque] muitos dos governos da Europa têm dúvidas sobre aquilo que se está a passar no país, (…) sobre as reformas importantes que estão a ser revertidas, sobre a maneira como estamos a andar para trás em vez de andar para a frente.» (Pedro Passos Coelho a 23 de julho, o dia em que constava que Bruxelas iria pedir a suspensão de 16 fundos estruturais como sanção a Portugal).

    3. É uma verdadeira infâmia, porque uma descarada mentira, afirmar que «a direita se colocou desabridamente ao lado da Comissão Europeia», e saliente-se o «desabridamente»! Todos sabemos que no que se refere às sanções, Direita e Esquerda afinaram pelo mesmo diapasão. Se alguém afirma o contrário é porque mente, como prova à saciedade a imprensa das últimas semanas. Tinha-o por uma pessoa intelectualmente mais honesta, Francisco Louçã.

    4. Não atire “honestidade” contra quem discorda de si. Lamente antes que o PSD tenha defendido que a Comissão Europeia devia sancionar Portugal.

    5. Nada vejo que autorize a conclusão de que a direita tenha estado a favor das sanções.

    6. Cada um é como cada qual, e acha o que quiser achar, mas que a direita fez tudo para haver sanções, ecolá-las ao governo actual(demagogicamente) e o querido líder vaticinou a vinda do diabo, tendo em conta isto tudo, é inegável, pq é facto!

      Tenho dito!

      PS: Carlos Sousa, embora interpretações existam várias, verdade só há uma, e a verdade é que o diabo não existe, é só uma figura inventada, que alguns acreditam existir. Percebeu?

      Cumprimentos;)

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