Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

12 de Julho de 2016, 18:01

Por

A festa vs o dever

Ontem, à hora do almoço, a TV transmitia em directo a deslocação dos autocarros que transportavam a selecção, na 2ª Circular em Lisboa, em direcção ao Palácio de Belém (Presidência da República). Em nota de rodapé, circulava a notícia de incêndio num C-130 da Força Aérea Portuguesa durante a descolagem do aparelho na base aérea do Montijo, referindo que se desconhecia se existiam ou não feridos. O acidente, segundo a imprensa, ocorreu às 12:22h, 10 minutos antes da aterragem na Portela do avião que trazia os jogadores da Selecção.

Lembro-me de pensar que, se existissem vítimas mortais, o Presidente da República, na qualidade, por inerência do cargo, de Comandante Supremo das Forças Armadas, teria talvez de cancelar o evento, não recebendo os jogadores e equipa técnica nem atribuindo os certificados das condecorações da Ordem do Mérito aos Campeões Europeus ontem, mas sim noutro dia (as condecorações, como se sabe, serão entregues numa data futura).

Soube-se depois que houve três vítimas mortais, duas das quais ao procurar salvar o piloto, um ferido em estado grave e três feridos ligeiros.

É possível que a Presidência da República não soubesse, até ao último momento, que assim fosse e que, por isso, tenha optado por manter o evento. Se soube, pode ter tido fortes razões para optar por receber e entregar os certificados das condecorações à Selecção não adiando a celebração, nomeadamente face à presença do público frente ao Palácio de Belém.

Todavia, caso soubesse, a posição mais correcta, embora difícil, aquela a que obrigaria o dever, afigura-se, seria a de adiar a recepção.

Comentários

  1. Um dos deveres do presidente,e tendo em conta que Bruxelas se esta a portar muito mal(mesmo muito mal,alias de forma absolutamente nojenta) é começar a pensar em dar o fora da CE.Definitivamente antes só do que muito mal acompanhado(e estamos mesmo mal acompanhados a começar por Espanha e a acabar na Alemanha)

  2. Enquanto o povo anda contente a comemorar uma vitória de uma equipa de futebol este fica alheado da realidade do dia a dia: da factura da CGD que é preciso pagar e que vai agravar o défice que por sua vez fará com que sejam impostas novas sanções por parte da EU, isto se não houver austeridade. E o problema não é só o europeu, é toda a dinâmica futebolista em que eventos de clubes são tema de abertura de telejornais. Será que não temos nada mais importante na vida nacional? Será que o evento mais importante que experienciamos como país e com impacto no dia a dia é um evento futebolístico? Triste e tacanho povo que vive isto como se as suas vidas fossem mudar para melhor, bem melhor. Povo incoerente e ignorante que se manifesta pelo futebol mas fica em casa quando urge perceber como aparece uma fatura de 4 mil milhões para pagarmos.

  3. E perturbar os deuses? Os heróis nacionais? Portugal é o “melhor da europa” porque um deles passou uma bola para lá de uma risca! Interromper o feriado do povo (nem que fosse com um minuto de silêncio) por causa de uns inúteis que morreram queimados tentar salvar outro era o fim do mundo.

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