Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

26 de Junho de 2016, 16:08

Por

CGD: Não há duas sem três … ou quatro …, não há alternativas … e outros estereótipos …

O Ministro das Finanças passará à História como o ministro de Portugal que mais dinheiro “gastou” ou propôs-se “gastar” [1] nos seus primeiros 7 meses em funções: um montante de dinheiros públicos e privados de mais de 11 mil milhões de euros só com o Banif, o Novo Banco e agora a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Será que não se entendeu que a “coisa” com o Banif e Novo Banco correu mesmo muito mal? Não estando em causa a necessidade de recapitalizar uma empresa pública da relevância da CGD, como se trata a CGD desta forma? E com que direito se “reinventa”, deste modo, o sector bancário nacional?

É certo que as duas primeiras intervenções no Banif e no Novo Banco resultam, em grande medida, da acção (sem o devido fundamento) do Banco de Portugal, BCE e Comissão Europeia. Estas intervenções à pressa, sem análise aprofundada, só podiam resultar, como resultaram, em avultadas perdas para o erário público (e para o sector privado).

Será que é por os erros “enormes” dos decisores políticos e tecnocratas não terem consequências pessoais que estas coisas acontecem? Ao primeiro erro (Banif), sucede-se um segundo (Novo Banco), seguido de um terceiro (CGD), perspectivando-se, em consequência, um quarto erro (o Millennium BCP)?

Como é habitual, quando faltam argumentos aos nossos governantes, estes recorrem ao melhor argumento possível: não há (havia) alternativa; é (era) inevitável; a nossa tão conhecida tese TINA (de ”There Is No Alternative”)!

Mas, enquanto há vida há alternativas! E, por conseguinte, a menos que os nossos governantes pensem que estamos todos (intelectualmente) mortos, seria bom fazerem o trabalho de casa antes de nos confrontarem com a TINA!

 

 

 

[1] A injecção de capital na CGD ainda não foi aprovada e é provável que a factura suba ainda acima dos 5 mil milhões de euros referidos pela imprensa. Exclui-se da estimativa apresentada de mais de 11 mil milhões de euros a despesa prevista no Orçamento do Estado (excl. rectificativos).

Comentários

  1. É a Política, como é evidente!

    Os economistas e os financistas pseudo-científicos têm a tendência a esqueceram-se de que a Economia é Economia Política e de que a Emissão de Moeda é, juntamente com a Guerra e a Justiça, uma das três funções básicas do Soberano, ou da Soberania.

    Veja-se a Política, faça-se a clássica pergunta ’cui bono?‘, ”a quem beneficia?“, e tudo se esclarecerá num ápice.

    P.S. E convém sempre levar em lugar nhã de conta de que se Europa e África não existem em mundos a anos-luz de distância esse facto é especialmente relevante no caso português.

  2. Quem está a «pagar» a sobrevivencia do regime é a banca. Não admira por isso que daqui a dois ou três anos, e caso o BCE nos continue a financiar até lá, seja necessario um novo resgate á banca. Os resgates á CGD sâo endemicos e o regime pretende manter as coisas como estão. A banca privada tenderá a tornar-se publica ( ninguem quer comprar o novo banco ). O aumento da despesa publica fixa, em 2016 será pago pela economia, que endividada não pode obviamente pagar. Assim A. Costa pede hoje uma recapitalização da CGD ( quanto mais melhor ) para esta poder financiar a economia falida, levando á falencia da CGD. É um problema de sobrevivencia momentaneo do PS. Em termos de futuro esta política só é defensavel partindo do principio que não vamos pagar a dívida. Eu acho que não a vamos pagar. Mas se formos nós a decidir não pagar, vamos continuar com a dívida ás costas. Só os credores podem livrar-nos da dívida, sem a pagarmos. Não podemos contar estratejicamente com isso.

    1. A sobrevivência do regime, ou daquilo que sobra País? É claro que é tudo culpa do PS. É um fato que se não fosse o Mário Soares, os comunistas e alguns militares, o Salazar. o Marcelo e o Thomaz ainda estariam vivos, os empreendedores à custa dos pretos pagariam os impostos aqui, e todos os portugueses teriam casas de veraneio e Mercedes.

    2. Chama-se alavancagem, por cada euro de capital que é posto na Caixa, vários euros saem como empréstimos ao Estado falido e às suas empresas falidas. Funciona enquanto houver pategos para emprestar à CGD. Depois não interessa ao PS, alguém ficará com as dívidas.

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