Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

16 de Junho de 2016, 12:16

Por

A Democracia, o Projecto Europeu e o “Brexit”

 “As democracias são raramente destruídas por um choque externo súbito ou por decisões impopulares. O processo é geralmente mais mundano e insidioso. O que acontece é que as sociedades são lentamente drenadas do que as torna democráticas, por um processo gradual de decadência interna e de crescente indiferença, até que de repente nos apercebemos que se tornaram em algo diferente, como as constituições republicanas de Atenas ou de Roma ou as cidades-estado italianas do Renascimento.”

Retirado da palestra “Os Limites da Lei”, por Lord Sumptiom, juiz do Supremo Tribunal do Reino Unido, proferida em Kuala Lumpur, a 20 de Novembro de 2013.

 

Ambrose Evans-Pritchard, colunista do The Telegraph que regularmente escreve sobre temas da (macro)economia da União Europeia e da Zona Euro, em artigo recente, fundamenta o seu sentido de voto no referendo do Brexit.

Defende a saída do Reino Unido da União Europeia sobretudo com base na falta de democracia e na falta de respeito pelo Estado de direito que caracteriza as  instituições da União Europeia: o referendo Brexit, afirma no título da sua coluna, é acerca da supremacia do parlamento (britânico) e “nada mais”.

Além dos argumentos sobre a falta de legitimidade democrática da União Europeia  invocando a citação acima de Lord Sumption, o colunista salienta, em particular, que: nunca ninguém foi responsabilizado pelas falhas na arquitectura do euro, pela política económica que transformou uma recessão numa depressão e pelo elevado desemprego jovem que assola um “grande arco” da Europa, que nunca ninguém pensou seria de novo possível numa sociedade civilizada.

Critica ainda a forma – um quase coup d’etat – como as instituições de governo da União Europeia substituíram na Grécia e na Itália líderes políticos democraticamente eleitos por tecnocratas, bem como as cartas secretas que o BCE escreveu a Espanha e a Itália em 2011, chantageando esses países e exigindo alterações à lei laboral e à política orçamental.

Afigura-se que a complexidade da governação da União Europeia se tem revelado “excessiva” para as instituições de governo da União Europeia que têm respondido de forma cada vez mais centralizadora, mais autoritária e menos fundamentada. Aparentam não ter a noção nem se interessar pelas consequências das suas decisões nas vidas de milhões dos seus concidadãos.

Por isso a União Europeia, como aponta Evans-Pritchard, está num processo de desintegração que já é dificilmente revertível. Mas é igualmente difícil conceber um regresso aos Estados-Nação exclusivamente preocupados com o interesse nacional e que se degladiam com regularidade. Afinal de contas, o passado não volta mais …

 

 

Comentários

  1. Os argumentos de Ambrose Evans-Pritchard são irrelevantes, porque o RU não pertence nem pretende vir a pertencer à zona euro. Se ele quer dar exemplos de sobreposição da UE aos Estados que sejam relevantes para os seus eleitores, não pode falar do euro, tem que arranjar outros. Em Yes Minister ficou “famosa” a British Sausage! Ver Yes Minister continua a ser uma lição de política ímpar, ao fim de trinta anos.

    1. É triste não saber distinguir política de poder.

      O objectivo da política é o bem-estar da pólis (sociedade), o objectivo do poder é submeter a cidade. É necessário ser “liberal” para não saber os conceitos mais elementares.

      Desde quando a plebe anglo-saxónica teve pólis e política? Ou sequer sabe o que isso quer dizer?

      Ah! Já me esquecia, para um “liberal” o significado das palavras é uma iniciativa privada de analfabetismo.

    2. Está visto que o Ilustre Eppicuro é um discípulo do não menos Ilustre Georg Wilhelm Friedrich Hegel.

      Ceres não estava onde Johann Carl Friedrich Gauss calculou que estaria e Giuseppe Piazzi descobriu que realmente estava porque isso violava a Ideia… de Georg Wilhelm Friedrich Hegel.

      E aqui estamos na mesma, ao diabo a Empiria, viva a Ideia… do Eppicuro.

      E ideia há só uma, a do Eppicuro e mais nenhuma !!!

    3. É bizarro zelar pelo bem-estar da cidade sem exercer poder. Um fenómeno do Entroncamento? Logo a mãe tem um enorme poder sobre o recém-nascido, mas o poder não presta de certeza, Eppicuro dixit. O Eppicuro tem um problema qualquer com o “poder”, como muitos têm com o dinheiro, não podem viver com ele, e não podem viver sem ele… Pensando melhor, o problema dele é também com o dinheiro, assunto de “feirantes”, na sua rica mundividência. Já em relação às armas, à violência e à guerra não me recordo de que esses escrúpulos refinados o tivessem assaltado.

  2. Chamar de “parlamento britânico” a um local mal frequentado por boçais aos berros, é uma ignorância. Aquilo são representantes de hooligans que plasmam os maus modos e a vilanagem dessa plebe de súbditos da monarca dos pilha galinhas (o bando anglo-saxónico). Não são cidadãos, são contra o civismo, são súbditos como é normal na barbárie.

    O “reino unido” nunca foi uma república e muito menos uma democracia. É um “reino” nos moldes da horda pré-histórica germânica. Um rei (rex) em Roma é um representante do regime, e não o boçal mais delinquente como acontece nas hordas da barbárie germânica.

    A barbárie não desapareceu, desapareceu a civilização. Temos hoje a miséria germânica, que nunca conseguiu formar um estado e muito menos uma democracia. Chamar de estado a uma bandalheira feirante, e democracia à eleição dos capatazes dos feirantes, não transforma uma barbárie pré-histórica numa população civilizada. Bem pelo contrário, revela o atraso cultural milenar dessas hordas. De nada vale colocar os nomes da civilização nas boçais instituições da barbárie.

    Basta ver a “direita” e a “esquerda” (ideologias de feira, inventadas por germânicos) para se perceber que a barbárie está muito longe das noções de estado e democracia. Apresentam o estado como se fosse uma feira, tal é o atraso cultural dessa plebe.

    Um “lord” não tem lugar numa república, é uma figurinha que representa a organização pré-histórica da barbárie germânica: a horda e o bando. Que percebe um boçal “lord” da antítese à bandalheira que ele representa? Nada, os anglo-saxónicos são os boçais têm uma lixeira linguística a atestar o seu atraso cultural milenar. Não tente o imbecil “lord” passar do chinelo do atraso cultural milenar que o seu título representa.

    A UE é um buraco de maus vizinhos, comandado pelo país com mais cadastro criminal, à boa maneira da barbárie.

    Democracia, estado, direito, justiça e afins elementos da civilização estão a milhares de anos de distância da barbárie de “lords”, “kingdoms”, “UE” e afins elementos desta pré-história retardada.

    Nada se perde com a saída do bando anglo-saxónico (a horda dos pilha galinhas), é pena que os godos (a horda dos assassinos) não lhe sigam o exemplo, e a seguir os francos (a horda dos prostitutos) . O trio da barbárie germânica é o estorvo da Europa.

    1. Distraiu-se na sua catilinária, caro Eppicuro, são os Teutões, não os Godos.

    2. Sobram os tugas, esse esplendor de “civilização”… E até temos um Fura potencial para nos devolver à “civilização” que perdemos quando bárbaros germanos e árabes mandaram a nossa espantosa “civilização” para as cucuias… Heil, heil, heil! Que barbárie a minha, dizer “heil”, é ave! Ave Senhor Eppicuro! Vem salvar-nos da nossa barbárie, Senhor Eppicuro!

    3. Os Teutões desapareceram depois de derrotados, tal como dezenas de outros bandos pré-históricos das periferias.

      A ignorância é “liberal”, o conhecimento é normativo. Todo o ignorante é “liberal”, errar é uma “liberalidade”, acertar exige conhecimento e cumprimento das normas (uma coisa muito anti “liberal”).

      Obviamente que os ignorantes querem praticar e demonstrar as suas ignorâncias. Um estado é uma coisa que tem a função de acabar com as imbecilidades dos ignorantes, é algo muito anti “liberal”, anti barbárie.

      É necessário ser-se particularmente ignaro para não ter vergonha de se assumir como aquele que não sabe as regras (“liberal”). Deve ter tido uma educação privada (de conhecimentos) para não ter vergonha de se apresentar como “liberal”, coitadinho.

      A “liberal ignorância” é a marca do atraso cultural milenar da barbárie, a tal que não tem conhecimento sequer para ter vergonha de se apresentar como “liberal”.

    4. Conhece a anedota do menino russo que, na escola, afirmou ser estalinista, não conhece, caro Eppicuro?

    5. Pelo menos liberal era uma palavra que não existia no mundo antigo, por isso eu não fiquei por lá, tal assombração idealizada para a eternidade. Este Eppicuro continua a fazer-me lembrar Creonte, o rei de Tebas. E eu continuarei a escolher Antígona, mas não uma Antígona revoltada profissional, uma Antígona caricatural que as esquerdas inventaram para a roubarem a Sófocles. Não, a minha é mesmo a de Sófocles. Recomendo ao Eppicuro, visto que a palavra “liberal” é demasiado moderna para a sua impressionante cultura greco-romana, que abra um dicionário MODERNO e que leia o que este diz para liberal. Pelo menos fará um bom contraste com o significado que ele lhe dá!

  3. Se o problema fosse realmente esse, o RU dispõe ainda de meios próprios para impor maior democraticidade interna na UE, que de facto se tem revelado reiteradamente deficitária e irresponsável.

    Mas o RU é historicamente um povo livre e corajoso, avesso a cangas e externalidades que lhe diminuam o controle do seu próprio destino, pelo que – ultrapassada a fase romântica de Fundação de uma UE construída sob a tutela de princípios nobres de solidariedade e integração, como repositório superior de um verdadeiro projecto Comum, evoluindo neste momento para um negócio de interesse sobretudo para uma exclusiva Europa Central próspera – a coisa deixou de ter qualquer interesse. É que mesmo muitos dos que publicamente hoje ainda dizem Não ao Brexit só o fazem por pudor e polimento diplomático.

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