Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

25 de Janeiro de 2016, 11:06

Por

A piada engraçadinha

Ao longo dos próximos dias, discutirei aqui convosco algumas das consequências das eleições presidenciais, na sequência do que escrevi logo ao fechar das urnas.

Mas, porque não fará parte dessa discussão sobre o futuro, deixo hoje o registo de um passado que ontem bateu à porta: a frase de Jerónimo de Sousa sobre os resultados de Edgar Silva e de Marisa Matias. Explicou Jerónimo, homem normalmente afável e em quem sempre vi uma correcção impecável, que “podíamos arranjar uma candidata engraçadinha mas não somos capazes de mudar”. Não sei o que isto quer dizer sobre Edgar Silva, mas sei o que quer dizer sobre Marisa Matias. E todos os leitores e leitoras também sabem distinguir o que é um debate político consistente e o que é outra coisa.

Marisa é só a melhor eurodeputada portuguesa, com a sua imensa capacidade de trabalho, o brilho científico de uma carreira académica consistente e, sobretudo, o empenho na luta sem tréguas contra o capitalismo predador, a desigualdade social, o poder de género e os abusos contra a democracia. Não é uma “candidata engraçadinha”. Pretender anedotizar as provas dadas de uma vida séria é poucochinho.

Magoa-me a frase de Jerónimo, sobretudo porque nunca esperaria isto da parte dele.  E mais porque a frase triste não ilustra a história do PCP de respeito pelas mulheres.

NB: Alguns leitores chamaram-me a atenção para que a frase, que reproduzi da imprensa, estaria incompleta. A frase completa seria: “Podiamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, com um discurso ajeitadamente populista que pudesse aumentar o número de votos”. É exactamente a mesma coisa.

NB 2 (26 de janeiro): Jerónimo de Sousa acabou de retirar as suas palavras sobre a “engraçadinha“: “Se alguém se sentiu ofendido, retiro o que disse; já cá não está quem falou. Foi uma imagem em sentido geral. Parece que alguém enfiou a carapuça; se assim entendem, fiquem descansados que eu retiro o que disse.”

Fez bem e arrumou um assunto que era escusado.

Em contrapartida, não sei se fizeram bem os militantes do PCP que aqui foram acolhidos com gosto, mas que tentaram fingir que a frase não era a frase, que não se dirigia a quem se dirigia e que não queria dizer o que queria dizer.

 

Comentários

  1. Não, não é a mesma coisa nem tão pouco exactamente a mesma coisa. O que a mim mais me “magoa” na análise que Francisco Louçã faz é que perante a frase ““Podiamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, com um discurso ajeitadamente populista que pudesse aumentar o número de votos”, seja a primeira parte da frase a que mais comichão lhe faz e perturba, porque relativamente à segunda parte da frase, ou por omissão ou manifesta aceitação, reconhece o discurso ajeitadamente populista.

    1. Não sou Francisco Louçã, nem pretendo defendê-lo porque tal não é necessário, mas o Manuel em vez de estar a distorcer as palavras do seu chefe, deveria sim questioná-lo e perguntar-lhe se o que o PCP tem para defender a democracia e a sua histórica luta, são apenas estas tristes frases carregadas de simbolismo preconceituoso que em nada abona a vossa história de luta.

  2. Absolutamente execrável este artigo do Louça. De facto é muito fácil de perceber porque é a comunicação social leva ao colo o Bloco de Esquerda. Tirar uma frase do contexto e ainda por cima tentar conotá-la com o conteúdo machista está perfeitamente de acordo com todo o percurso político desta personagem. O que o Jerónimo de Sousa disse e muito bem em que o PCP não vai em demagogias, não troca o conteúdo pela aparência. Marisa Matias disse durante a campanha que uma decisão do Tribunal Constitucional era “inaceitável”. Para quem se candidata a Presidente da República inaceitável é essa adjectivação. Algum dos mil “jornalistas” que comentam a vida do PCP teceu um único comentário sobre esta inacreditável afirmação? Não… é do Bloco de Esquerda. Basta ver os sorrisos na noite das eleições, os sorrisos abertos, a alegria daquela gente sabendo que o Marcelo tinha sido eleito. Execrável esta gente, manipuladora, mentirosa.

    1. Respire fundo, Tiago Costa, as eleições já passaram, nem tudo foi mau, afinal o camarada Edgar conseguiu obter mais 0.67% de votos do que o Tino, são uns bons 30.000 a mais, assim se vê a força do PC!

  3. Estou inteiramente de acordo. Não há nada pior que as ideias feitas, os preconceitos, para fazer interpretações amputadoras, imediatistas, infundadas e desvirtuadoras do sentido das palavras. Afinal o adversário não é Marcelo Rebelo de Sousa? A direita agradece e aplaude…

  4. Não, não é a mesma coisa. Ouvida a declaração do Jerónimo e insistir no que foi dito é apenas prova de má fé e de vitimização da sua parte.

  5. O PCP perdeu votos porque é um partido que não muda. É estático. O discurso de hoje, é sem sombra de dúvida, o discurso de anos anteriores, onde só muda as virgulas, mas o pensamento é o mesmo. E vai ser o mesmo daqui a uns anos no futuro.
    No entanto, e só não vê quem não quer ver, no Bloco de Esquerda sopra o vento da mudança dessa mesma esquerda. Mais “atrevida”, mais “realista” aos dias de hoje, e que ao mesmo tempo trás consigo pessoas bastante válidas, com ideias novas, bem diferentes e mais arrojadas que os “dinossauros” do PCP.
    Creio que posso afirmar que daqui a uns (poucos) anos, será certamente o 3º partido político em Portugal, e que se ao continuar assim, bem liderado pela Catarina Martins com o apoio do Francisco Louçã, teremos um impacto bem sério no nosso país.
    Por isso, este discurso de mau perdedor……

  6. Eu sou PCP e votei Marisa porque a achei “engraçadinha”. Ou melhor, uma mulher cheia de charme e que resplandeceria de cor qualquer reunião internacional de chefes de Estado cinzentona. Isto além, é claro, do seu background cultural e político, mas isso penso que todos os candidatos o têm (com excepção de um ou outro), além de que o cargo a desempenhar é mais retórico… de corta-fitas. Mas esta é a minha opinião, claro!

  7. Nada direi aqui sobre este episódio triste, esta crónica diz tudo e bem. Espero apenas que isto não estimule querelas e rixas iníquas entre as duas maiores vozes da Esquerda portuguesa. Nunca precisámos disso, e o nosso futuro próximo precisará mesmo de todo o contrário.

  8. Dê-se-lhe a volta que se quiser dar, a frase de Jerónimo de Sousa é, no mínimo, infeliz. Tivesse sido dita por um Arroja qualquer e já o mundo lhe caía em cima (e bem). A começar pelos “deputados” e “deputadas” do BE (ridículo isto do masculino e feminino, qdo se sabe que ao dizer o nome masculino plural se está a falar do universo dos deputados e a causa feminina não fica beliscada com a generalização, mas enfim…), mas como foi dita por um parceiro de ocasião que não convém hostilizar mais do que já anda, os comentários ficam-se pelos blogues, numa esfera restrita, portanto. Andarão Catarina Martins, as manas Mortágua, Marisa Matias ou os restantes apoiantes do BE tão absorvidos com as presidenciais que se dão ao luxo de não retorquir a Jerónimo de Sousa? É pena, porque daqui em diante perdem a ocasião para criticarem muitos outros dichotes machistas que provavelmente, e infelizmente, ouvirão, sob pena de se achar que os ouvidos do BE só se amofinam com os dislates verbais da direita. Sobre Francisco Louçã achar que Marisa Matias é a “melhor” eurodeputada, parece um pouco conversa de miúdos a falar de futebol, uma vez que a qualidade dos deputados passa por tantas variáveis que não existe isso d”o melhor”, a deputada será melhor numas coisas, possivelmente será menos capaz noutras. Como todos nós, aliás. Pensava eu que os endeusamentos tinham ficado lá pelos idos de 70, mas pelos vistos, nao. Daqui à beatificaçao no altar da esquerda vai um passito.

  9. Telhados de vidro, telhados de vidro, meu caro. Não digo mais nada, porque o considero. (Não costumo comentar, sei o que é a sociedade do espectáculo e a cacofonia.)

    1. Pelo modo como a referiste não sei se sabes ó Vidal. Foi uma leitura muito na diagonal não?

  10. senhor Louça , tambem achei o comentário de jerónimo infeliz !
    no entanto , bem sabemos que a marisa matias , de facto tem carisma! por certo até foi isso que jerónimo quis dizer !
    Portugal vai precisar de uma esquerda unida , não é tempo de dar importancia a coisas menores!
    o bloco de esquerda é um partido recente ! tem a minha simpatia , mas não posso esquecer a luta pela democracia que o pcp protagonizou em Portugal !

    1. A união da esquerda não é desculpa para tudo, se não sabem dizer mais nada, calem-se. Não venham ofender a integridade dos outros antifascistas.

  11. O relevante é sabermos estar do lado certo da trincheira. Guerra na trincheira sempre a houve do lado dos que perdem as batalhas primeiro e a guerra por último.

    Nestas eleições presidenciais havia 10 candidatos poderiam ser 10 propostas diversas que ao todo levassem ao voto os eleitores. Não. A abstenção foi a maior de sempre em eleições presidenciais para o 1º mandato.

    Ganhou um candidato, que no discurso de vitória teve a magnanimidade de dizer que havia um vencedor mas não havia derrotados. Em eleições unipessoais um ganha tudo os outros não ganham nada.

    No mesmo discurso foi avançando a ideia do consenso. É o bloco central de interesses que está de volta.

    É o poder que prescinde do que chamam de extremos para fazer o que for preciso para cumprir os ditames do estrangeiro sem cuidarem de saber se a força laboral empobrece trabalhando ou se emigra ou ainda se já vagueia fora da sociedade e da sua consideração rumo à doença e à morte prematura.

    Ontem esta perspectiva ficou em aberto. Na trincheira desse lado não há sinais de guerra. Esses sinais são empolados do lado dos derrotados. Afinal sempre há derrotados mais ou menos entusiasmados.

  12. os portugueses ao votarem pelo Marcelo mostrem todo o atraso que teem ao nivel europeu,habituados a verem esse tipo na TV com o seu paleio. reconheço tambem que os outros tambem nao prestam e PORTUGAL

  13. F, A ESQUERDA COMO UM TODO PERDEU, MAS O PCP PERDEU EM PARTICULAR, O BLOCO PERDEU EM GERAL MAS TEVE UMA BOA VOTAÇÃO, MELHOR DO QUE SERIA DE ESPERAR, MUITO POR MÉRITO DA CANDIDATA, SEM DÚVIDAS, SEMPRE APRECIE AS SUAS QUALIDADES, MAS O BE PERDEU, QUEM ACHAR QUE AS PESSOAS DE ESQUERDA FICAM CONTENTES PELO BE TER MAIS VOTOS QUE O PCP ESTÃO ENGANADOS. AS PESSOAS DE ESQUERDA TERIAM FICADO CONTENTES COM UMA SEGUNDA VOLTA. NÃO HOUVE UMA CANDIDATURA DA DIREITA, HOUVE UM CANDIDATO DE DIREITA, UMA PESSOA COM PEDIGREE POLÍTICO, QUE FOI CONSTRUINDO A SUA CANDIDATURA PARA UM UNIVERSO SOCIAL VASTO, A QUESTÃO ESTA EM SABER QUE ESTRATÉGIA SEGUIRA A DIREITA COM SEU CANDIDATO COMO PRESIDENTE, SERA MARCELO AFIM A UMA ESTRATÉGIA DE RECONSTRUIR O CENTRO POLITICO, SEGUINDO UM MODELO NEOLIBERAL, QUAIS PASSOS SERÃO NECESSÁRIOS PARA ISSO. A VITÓRIA DO MARCELO ERA UMA FACTO, ESTOU A VONTADE PARA DIZER ISSO PORQUE DIZ QUE MARCELO GANHARIA A PRIMEIRA VOLTA, E NÃO APENAS PORQUE A ESQUERDA ESTA DIVIDIDA ENTRE OS PLANOS PARTIDÁRIOS E A AUSÊNCIA DE ESTRATÉGIA PRESIDENCIAL DO PS. Mas o pais real não é de esquerda, o pais real é conservador na província do Norte, é moderado no Centro, e centrista nos centros urbanos maiores , a sua mentalidade e cultura é de centro direita, mesmo quando o PS teve votações fortes, foi sempre com um discurso centrista, é como o eleitorado polaco, húngaro, em democracia a esquerda será sempre maioria em situações de crise, como em 1985, surgiu o PRD, ou agora em 4.10, em que perdeu a direita e uma parte do eleitorado que vota Ps votou BE, entre Cavaco e Guterres havia pequenas diferenças e um estilo diferente. O que mudou foi a austeridade. Marcelo foi muito hábil em fazer uma campanha a mexicana, nem esquerda, nem direita, ni arriba ni abajo, al centro e enfrente, candidatura tipo PRI, uma campanha tipo ciudadanos, somos contra a favor. Funcionou, só não teria funcionado se o nosso candidato fosse o Papa, o EDGAR era soldado raso, o SN era conhecido na UL, e Marcelo é o Tony Carrera, cantou e encantou, quem teve um presidente como Cavaco agora só poder ficar melhor servido, é o prémio de consolidação.

  14. Caro Francisco Louçã. Não é preciso muito esforço para concordar em pleno com a sua curta rubrica de hoje, por isso vou já lançar-lhe o repto seguinte: estando a desaparecer democraticamente, até onde estaria disposto a ir um partido cujo S.G. afirmou há uns meses algo muito parecido com “o mundo estava melhor antes do derrube do muro de berlim”?

    1. Sou de Direita e preciso afirmá-lo para que se compreenda o que pretendo dizer.
      A afirmação de que o “mundo estava melhor antes do derrube do muro de Berlim” é interessante e, na minha óptica, correcta, de uma certa forma*.
      Os regimes comunistas eram errados e causadores de miséria, assentando em violações flagrantes e em massa dos direitos do homem, mas, para “nós”, “mundo ocidental”, eram um contra-peso que mantinha uma certa necessidade do “mundo capitalista” e das suas democracias “provarem” ou “demonstrarem” que não eram o melhor sistema.
      Com a queda do muro de Berlim deixou de haver contra-peso, deixou de haver freio (é certo que há outros factores concorrentes, como a evolução tecnológica que colocou os mercados financeiros em “overdrive” computorizado) e o capitalismo deixou de ter que “provar” nada, passou a dogma.
      * melhor para nós, sendo que em média, estamos todos melhores, pelo menos neste momento… o problema é que pelo andar da carruagem, estaremos todos pior em breve.

  15. Discordo do comentário, quer porque não tem fundamento aceitável (releia o extracto completo…), quer porque traduz, desculpe-me, a feicebuquização dos costumes, a reacção a quente, impensada, emocional, quase sempre… infundada. E sempre baseada num preconceito, num pre-juízo moral (como o do ‘todos e todas’, ‘dos portugueses e das portuguesas’, que é a mesma música, só que com outro ritmo…)

  16. “Magoa-me a frase de Jerónimo, sobretudo porque nunca esperaria isto da parte dele. E mais porque a frase triste não ilustra a história do PCP de respeito pelas mulheres.”

    Com toda a certeza que Jerónimo de Sousa estará tão ou mais magoado e pelas mesmíssimas razões. Há maus momentos até onde são inexplicáveis. Não serve de nada por sal nas feridas.

    Com o Presidente Marcelo (22,8% dos portugueses) teremos lentamente o reagrupamento do “bloco central de interesses” e a agonia dos portugueses a prolongar-se.

  17. Vejo com muita pena os ataques (ainda que velados) do PCP ao BE, como apoiante que sou de uma enorme convergência entre os dois partidos (que certamente seria mais fácil, em teoria, do que a de qualquer deles ao PS). Quanto à referência à “candidata engraçadinha”, parece-me um comentário muito muito infeliz, vindo ainda por cima de um partido com a história do PCP na luta pelos direitos das mulheres. Espero que o Jerónimo de Sousa tenha a coragem de um verdadeiro revolucionário para se retractar em público pelo menos das implicações sexistas deste comentário.

  18. O que Jerónimo teria dito foi «Podiamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, com um discurso ajeitadamente populista que pudesse aumentar o número de votos. São opções e eu não as quero criticar. O que caracteriza este partido defensor dos interesses dos trabalhadores e do nosso povo e nessa coisa não somos capazes de mudar». Ora acrescento eu: Marcelo e Maria Belém, a meu ver, foram candidato e candidata “engraçadinho(s)” e com “discurso(s) ajeitadamente populista(s)”, que não defenderiam os interesses dos trabalhadores e do povo. E o que segundo o PCP pela voz de Jerónimo não muda é ser um “partido dos interesses dos trabalhadores e do nosso povo». E sendo assim, não me parece que de modo algum se tenha referido a Marisa ou ao Bloco. O PS fragmentado é o grande responsável pela vitória de Marcelo, defensor da continuação do chamado “Bloco Central”.

    1. A sério, Teixeira, e a Arábia Saudita, a quem o ocidente verga as costas, também é uma democracia?

  19. Caro FL,

    Percebo perfeitamente o seu ponto. Admitamos então que o cv de MM tenha sido factor determinante do voto. Quer isso dizer que o cv de MM vale o dobro do seu ou do F Rosas, uma vez que qq um de vocês apenas teve metade dos votos dela ?

    Cumprimentos,

    JRodrigues

  20. O que o Francisco e muitos anticomunistas com muuuuiiiito tempo de antena/escrita/vista e falada têem medo, é da ditadura do proletariado.O João Fortes viu/ouviu bem o que o Jerónimo quiz dizer.Passando ao futebolês,o BE é como o sporting:se ganhar ao benfica,está a época ganha!

    1. Venha a ditadura do proletariado! Mas faço votos que seja um proletariado “engraçadinho”! Passando ao futebolês, quando o Arrentela perde o pessoal perde a cabeça!

    2. deixa… Não vale a pena. Ele sabe, que não haverá contraditório, porque não há “tempo de antena” para o PCP. Até dá jeito esta confusão… olha a gente começar a perguntar-se: Porquê tanta festa desabrida… o objectivo não era derrotar o Marcelo?

  21. O Dr. Francisco Louçã foi fundador do Bloco, e não só. A longa luta que travou no PSR terá sido o verdadeiro movimento que deu origem ao BE. Não sei se ainda pertence aos corpos sociais do BE, suponho que não. Gostaria imenso de ler o Prof. Francisco Louçã sempre como um defensor dos seus ideais e um acutilante analista político, mas de uma área maior que o BE. Não vejo nenhum sentido neste posicionamento de “defesa da sua dama”. A declaração que refere de Jerónimo de Sousa é uma declaração disparatada, mas sem importância, não venham outros dar-lha. Li também o artigo sobre o Padre Edgar, e, culminando uma série de elogios, concluía com uma censura, censura por um desconforto de Edgar com a Coreia, um disparate, permita-me. Um título paternalista “Que pena, Edgar”. Tenho pena de ver esta marcação tão presente nestas colunas. São ideias pequenas. A Marisa ganhou, é uma pessoa com um percurso de mérito e politicamente destacou-se muito nestas Presidenciais. Para quem a conhecia pouco como eu foi uma surpresa. O Bloco afirma-se e país tem ganho imenso com isso. Espero que essa não seja uma vitória contra o Edgar.

  22. Seta certeira, Francisco. Mas o “tuga” que há em todos nós não resistiu a uma piadinha do homem de Pirescoxo… deselegante, primário e “rasca”. Mas para lá do bacoco, o que me preocupa é saber quanto é que esta “boca” reflecte desespero do PC. Profissionais da política e da discussão histórica, eles conhecem bem o perigo do “abraço de urso” do PS (e neste caso com abraço simultâneo do BE pelo outro lado), e começam a recear que tal lhes venha também a acontecer. E se o PC se espanta e desata aos coices, temo pelo futuro da nova política que a esquerda portuguesa está a tentar construir. E uma implosão deste governo e da sua base social de apoio trará tempos bem negros ao nosso país, como bem sabemos. Não deixemos pois as bestas destruírem as pontes. Continuem a tecer os fios que nos ligam, pois as pontes são sempre frágeis, porque humanas.

  23. É uma boca um bocado foleira é verdade, até um bocado machista. Mas é também de uma certa precisão, e aqui discordo da análise do Francisco. Este desabafo exprime _uma parte_ da razão pela qual eu próprio, e muita gente que conheço, votou em Marisa. Edgar tem um semblante carrancudo, uma pronúncia estranha (para mim que não sou da Madeira), enfim: não é lá muito magnético. Depois, as dúvidas sobre a Coreia do Norte não ajudaram. Esta última, já agora, foi quase toda da _outra parte_ da razão pela qual votei Marisa.

    Admite-se que isto é uma análise frívola , mas um eleitor “médio” não segue profundamente a campanha, nem os colunistas nem os curricula dos candidatos. Acaba por ir mesmo com quem lhe parece mais engraçado (aliás essa é toda a história do vencedor de ontem), e, se é que assistiu a algum dos debates chatíssimos, com quem não mandou muitos tiros ao lado. Isto é, se esse eleitor sair sequer de casa para votar…

    Portanto no limite, a boca foleira, é uma autocrítica, como o revela o arrepiante o “não somos capazes de mudar…”.

  24. Tenho a certeza que não era essa a intenção de Jerónimo de Sousa, de ferir alguém, até porque o PCP é o partido que mais mulheres tem nas suas fileiras.
    Foi somente uma força de expressão, para justificar a ideia de que o que conta são as ideias e as pessoas, e não as tácticas eleitoralistas.

    De facto Marisa fez uma campanha muito suave e calculista. Mas não podemos esquecer que a Direita, através do PSD e CDS, estão mais radicais e vingativos do que nunca, e por isso a Esquerda não pode adormecer embalada…

  25. Também achei estranho. Não é nada típico este tipo de comentários vir do pcp. Mas em boa verdade para além das qualidades (importantes para a presidência) que o professor referiu temos que admitir que também é uma mulher bonita (irrelevante no contexto presidencial). Não ligue é dor de cotovelo.

  26. Factualmente, o que Jerónimo disse foi “podíamos arranjar um candidato ou candidata engraçadinha”. Creio que o meu caro foi precipitado em atribuir um carácter misógino e machista ao secretário geral do PCP. De facto há um erro de concordância de género, poderia ter dito “podíamos arranjar um candidato ou candidata engraçadinho”, mas partir do pressuposto que a declaração tenta minorar Marisa Matias na sua condição de mulher parece-me um claro exagero…até porque como o meu caro tão bem realça tal “não ilustra a história do PCP de respeito pelas mulheres”…

    http://mediaserver4.rr.pt/newrr/jeronimo_candidata_engracadinha1702cc06.mp3

    1. Estou inteiramente de acordo com ESTA apreciação. Não há nada pior que as ideias feitas, os preconceitos, para fazer interpretações amputadoras, imediatistas, infundadas e desvirtuadoras do sentido das palavras. Afinal o adversário não é Marcelo Rebelo de Sousa? A direita agradece e aplaude…

    2. O que é sintomático é a imprensa martelo ter truncado a frase retirando o “candidato” . Isso ninguém comenta. Porque será?

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