Tudo Menos Economia

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Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

12 de Janeiro de 2016, 08:55

Por

Mas para quê o raios partam das primárias?

António Costa lançou o mote e declarou, numa reunião do seu partido, que agora as eleições são umas “primárias da esquerda”, esclarecendo que a disputa é entre Nóvoa e Belém.

Para sacudir o capote, não está mal. O PS não toma posição pela primeira vez na sua história, porque acha que de nada lhe serve e o assunto está arrumado. Depois desta demonstração de entusiasmo efervescente, lançar a toalha das primárias deve ser por diversão.

Mas isto tem um efeito ainda mais perverso. É um alívio para Rebelo de Sousa, que aliás se apressou a declarar que saudava a posição e com grande gosto. Pudera. Costa dá por certo que o candidato de direita tem o campo aberto e que algum dos candidatos do PS só o enfrentará se para tanto tiver a sorte de uma segunda volta que as sondagens ainda não proclamam.

Além disso, este surpreendente tiro de partida para umas “primárias” que ninguém tinha descortinado reacendeu a luta entre Nóvoa e Belém, que passaram o primeiro e o segundo dia a indirectarem-se com remoques e insinuações. Que um se aproveita do partido, que a outra tem uma experiência que não serve para nada, tudo elegâncias que animam muitas palmas no almoço da comitiva mas que deixam o país perdido nesse labirinto de bordoadas.

O PS desistiu das eleições e esse será sempre um dos factos políticos mais importantes, mais graves e com mais consequências destas eleições. Podia ter tido então a discrição de manter um silêncio grave sobre a sua abdicação. Era mais digno. Escusava de atiçar os candidatos para uma luta que só os diminui, porque um voto trocado entre Belém e Nóvoa é indiferente ao resultado final das eleições e esta querela é uma prenda para Rebelo de Sousa.

Depois de debates que não correram de feição, o candidato de direita precisava mesmo desta generosidade do PS, que prefere lutar dentro de si. As “primárias” são o prémio da lotaria para Marcelo, porque ajudam a derrotar a esquerda.

Comentários

  1. ANTES DO 4.10 A SITUAÇÃO ERA A SEGUINTE, GANHA A DIREITA, O PS APOIA O GOVERNO QUE A DIREITA PROPUSER E SE REMETE PARA A OPOSIÇÃO, DE ACORDO A TRADIÇÃO, EM CONSONÂNCIA COMA FALTA DE ENTEDIMENTOS A ESQUERDA, DADA AS POSIÇÕES E LINHAS VERMELHAS ESTABELECIDAS, ALGUMAS DAS QUAIS MUDARAM NA CAMPANHA, PRINCIPALEMENTE A RE-ESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA, AS LEIS LABORAIS, O CONGELAMENTO DAS PENSÕES, O CORTE DA TSU. ANTES DAS ELEIÇÕES ERA CLARO QUE MARCELO ERA CANDIDATO, COM PROBABILIDADE DE GANHAR A PRIMEIRA VOLTA, O QUE ALIAS CONTINUA A SER PROVÁVEL. NA ESQUERDA TINHA APARECIDO O NOVOA , VISLUMBRAVA-SE UMA CANDIDATURA PC E BE, E APARECEU A MAO NEGRA DA POLÍTICA PORTUGUESA PROPOR A BELEM, DA ÀREA DO PS. NESTA PANORAMA PRE 4.10 O DERROTISMO ERA A TÓNICA, DESCONFIANÇA, CONVERGÊNCIA ERA UM COISA QUE SO SE OUVIA NS BASES, O QUE DIZ O ELEITORADO NO 4.10. DIZ UMA COISA CLARA, CHEGA DE AUSTERIDADE, ENTENDAM-SE A ESQUERDA. A DIREITA EM VEZ DE NEGOCIAR COM O PS QUIZ IMPOR O MESMO, O PS DE COSTA PERCEBEU QUE UM APOIO NESSAS CONDIÇÕES O COLOCAVA NUMA POSIÇÃO FUTURA À PASOK, HABIA OUTRO PS MAIS FUNCIONAL QUE O EMPURRAVA PARA O SUICÍDIO. O PS NÃO CONFIA NO PCP E BE AO PONTO DE TOMAR A INICIATIVA DE PROPOR UMA CANDIDATURA ÚNICA, QUER DEIXAR ABERTA A PORTA A ENTENDIMENTOS MAIS A DIREITA COM MARCELO COMO PRESIDENTE, O QUAL JA SE MOSTROU DISPONÍVEL PARA ISSO, ATE VER. ISTO É LAMENTÁVEL, PORQUE COM O PSD A DESFAZER-SE DO CDS E CAMINHAR PARA O CENTRO, TORNA POSSÍVEL UM ENTENDIMENTO AOS POUCO NO CENTRO. É CURIOSO VER A ESQUERDA A OLHAR PAR TUDO ISTO E CONTINUAR A FAZER COMO SE TUDO FOSSE GARANTIDO, O QUE ERA SENSATO E SABIO ERA APOIAR O NOVOA DE MODO A HAVER UM CANDIDATO FORTE E CREDÍVEL A SEGUNDA VOLTA, PORQUE COM ISSO FORTALECIA A ALA MAIS A ESQUERDA DO PS E SE MANTINHA A LINHA DE CONVERGÊNCIA DA ESQUERDA.

  2. nas eleições presidenciais irlandesas, não há segunda volta: os eleitores ordenam todos os candidatos por ordem de preferência, e enquanto não haver um candidato com 50% dos votos, eliminam-se sucessivamente os votos nos candidatos menos votados, passando as segundas (ou terceiras, ou quartas…) preferências dos eleitores a primeiras ; se os irlandeses conseguem, porque não nós?

  3. Tem sido “fatal” o PS em presidenciais apresentar-se dividido. Apoiou Eanes mas Soares fez campanha contra. Dividiu-se entre Soares e Zenha. Apoiou “envenenadamente” Alegre, que agora apoia Maria de Belém a tal do “golpe”
    contra o PS/Costa, em vias de ser viabilizado pela “esquerda” na Assembleia da República. Enquanto o Bloco e o PCP procuram mobilizar para a derrota de Marcelo, o PS enovela-se nas suas contradições facilitando a vida ao “professor” pretensamente …. “independente”

  4. Sobre eleições já sabem o que penso.
    No entanto gostaria de agradecer ao comentador (não me lembro o nome) que sugeriu comer lagosta trufada: foi ontem, uma lagosta de Moçambique coberta de manteiga e trufas de Alba com um parpadelle fresco cozido em caldo de camarão. Uma delicia. Muito obrigado pela sugestão.

  5. É caso para perguntar, “Quem tramou Roger Rabbit (António Costa e o PS)?”

    Mais uma vez a ala direita dos interesses do PS,a tal que não se importava de entregar o PS ao PSD/CDS, estilo Pasok. Provavelmente, Maria de Belém teria também um lugar de Vice de Passos Coelho, juntamente com Seguro e Portas.
    Seguindo uma já tradição de apresentar candidatos para desviar votos para candidatos de direita, e o último foi o surpreendente Mário Soares que prejudicou Manuel Alegre a favor de Cavaco, em 2005.

    Maria de Belém está na corrida para desviar votos para Marcelo, e já pouca gente tem dúvidas disso.

  6. A qualidade maior da soberba é ser lacónica. Francisco Louçã não escreveu um único artigo a desmontar o palhaço Marcelo, toda a sua invectiva incide nos candidatos da “sua” própria esquerda e tem ainda o denodo de acusar a estratégia dos candidatos de esquerda, sem excepção, de antecipar a festa do palhaço. Caro F.L. um empenhamento consequente nas ideias em que acreditamos, desenha-se na soma dos compromissos tácitos ou firmes contra um inimigo comum, a sua forma de estar na política parece comprometida com as virtudes de uma carreira de comentador, o que demonstra bem a sua alma de esquerda, fugaz e calculista.

    1. “um empenhamento consequente nas ideias em que acreditamos, desenha-se na soma dos compromissos tácitos ou firmes contra um inimigo comum” – É isso que dá origem às guerras… a chamada soberba.

  7. O que mais me tem espantado é a ausência de sondagens. Estava à espera que, pelo menos, o Expresso publicasse uma no passado fim-de-semana. A propósito, lembro-me de um diálogo do muy antigo e saudoso programa de rádio “Pão com Manteiga”. Era mais ou menos assim:
    – Fizeste a sondagem?
    – Fiz!
    – E o resultado?
    – Péssimo!
    – Faz outra!
    Desconfio que é essa que estão a fazer. Aguardemos.

  8. Tipico de F Louçã : todos os males da esquerda, têm o PS na sua origem ! Já as candidaturas de Marisa e Edgar são alheias ao resultado ?

    JRodrigues

  9. A. Costa tem medo de perder as presidenciais. Na realidade, se o PS se envolvesse nestas, teriamos uma segunda volta das legislativas. Só uma grande disputa nas presidenciais, como já houve no passado, faria esquecer as legislativas passadas. Com Guterres, A. Costa ía a jogo.
    A Esquerda (BE e PCP) empenha-se por esta segunda volta, porque acha que a vai perder. É por isso que não vai ajudar S. Novoa, o unico que pode vencer Marcelo.
    A derrota do PS nas presidenciais ( por mais que A. Costa assobie para o lado ), vem aumentar a dependencia do actual governo relativamente ao acordo com o BE e PCP.
    Uma vitoria de S. Novoa nas presidenciais legitimava o governo do PS.
    Mas, A. Costa não arrisca. Não tem qualquer convicção no seu governo. Só a sobrevivencia dos actores justifica a existencia do actual governo que vai acabar de arrasar um país na corda bamba.

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