Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

11 de Janeiro de 2016, 09:00

Por

Alguns erros que as candidaturas presidenciais poderiam não cometer

Já aqui me referi a várias candidaturas, ao perfil de candidatos e candidatas e aos debates, dando o meu ponto de vista. Naturalmente, as e os leitores discordaram ou concordaram, argumentando com as suas fidelidades partidárias ou, em muitos casos e o que é mais interessante, com a sua opinião.

Faço agora um exercício diferente: apresentar-vos alguns dos erros que, do meu ponto de vista, os candidatos e candidatas deviam não cometer nesta primeira semana de campanha.

Edgar Silva

Como muitos outros, Edgar Silva cometeu dois erros.

Um, apresentar Marcelo Rebelo de Sousa como a continuidade de Cavaco Silva. Já corrigiu isso, não se voltou a ouvir tal coisa e ainda bem, porque essa conversa era um favor a Marcelo. Simplesmente, ninguém vê tal filme e, quanto mais a campanha for uma discussão sobre Cavaco, que já não conta, mais a forma se sobreporá à substância e Marcelo é beneficiário dessa comparação e desse vazio.

Segundo erro, apresentar Marcelo como uma conspiração do PSD para a desforra das eleições recentes, o que foi repetido ontem por Jerónimo de Sousa. Isso poderá vir a ser verdade em 2017 ou 2018 e logo veremos. Mas as eleições são em Janeiro de 2016 com eleitores que fazem escolhas em Janeiro de 2016 e é preciso que percebam de que é que os candidatos estão a falar.

Ao concentrar-se nesta geografia do inimigo, Edgar limita o resto do seu discurso à reprodução da iconografia partidária. É pouco para um candidato presidencial que tem que ter uma imagem própria.

Marisa Matias

O segundo erro de Edgar, apresentar Marcelo como um instrumento do governo derrotado para tentar a sua ressurreição ao fim de três dias, também esteve presente na campanha de Marisa. Já desapareceu e ainda bem. Outra coisa é relacionar Marcelo com todos os momentos em que esteve nas campanhas do seu partido, de Alberto João Jardim a Paul Rangel e Passos Coelho, ou as posições que tomou na sua tribuna pública. Isso é factual, bate certo com o que as pessoas sabem, é simplesmente forte.

Depois disso, o erro que tem que evitar seria deixar-se envolver na disputa pessoal e confronto político entre os dois candidatos da área do PS: esses temas não interessam a ninguém, como votaria a mãe falecida de um ministro, em que votações é que esteve e não esteve tal e outro candidato, quem fez a tropa, tudo isso é tristeza numa campanha em que a alegria e consistência é que fará a diferença.

Marcelo Rebelo de Sousa

O seu erro é a displicência. Uma campanha a andar por aí. Ao sabor das inundações. Isso é o mesmo que dizer que não leva a campanha a sério e quem não leva a campanha a sério porque é que há-de ser um presidente a sério?

O risco de Marcelo é por isso a abstenção no seu próprio campo. Se se mostrar condescendente, o sinal que dá para uns é que não merece e para outros que não precisa. Isso pode levá-lo à segunda volta, o que quer evitar.

O erro, então, é o tempo. O tempo é mau para Marcelo. Quanto mais campanha pior. Uma segunda ronda de debates na segunda volta, de evitar a todo o custo, pensará o seu estado-maior, que é ele próprio. Por isso, a sua estratégia de não fazer campanha é contraditória com o seu objectivo de ganhar a eleição.

Sampaio da Nóvoa

Como Sampaio da Nóvoa procurou corrigir os primeiros meses da sua candidatura, em que tudo o que dizia era redondo e os seus eleitores não se lembram de uma palavra, passou a ser mais incisivo. Ele sabe que chegaram os dias em que decide a sua vida política. Vai ser tentado a continuar por esse caminho e vai ser aconselhado a fazê-lo.

Arrisca-se então a fazê-lo mal. O discurso de ontem de um militar numa iniciativa com Sampaio da Nóvoa, a acusar o candidato Rebelo de Sousa de não ter estado no serviço militar em 1974 por alguma “inaptidão”, é uma porcaria. Convém evitar escorregar, quem quer ser um candidato presidencial credível não permite esse baixo nível.

Outro erro é repetir a convocação dos seus três Reis Magos, os ex-presidentes que em procissão teriam ido convencer Nóvoa a candidatar-se. Isso é uma confissão de fraqueza e tem sido repetida à exaustão. Não sei se os reis magos chegam ou, se chegam, se vão ser tão iluminantes. Um dos reis magos, Eanes, massacrou um almoço de apoiantes com um discurso indigestamente incompreensível, outro, Sampaio, ainda se reserva para aparecer, e o terceiro, Soares, tem uma idade avançada apesar da sua grande vontade de sempre. Tudo isso tem levado o candidato a convocar os seus hologramas em todas as ocasiões, visto que não os tem, ou quando teve um mais valia que não estivesse. A personalidade do candidato, no meio destas evocações míticas, fica desautorizada e diminuída de cada vez que refere a lista de patronos.

Maria de Belém

O seu pior erro é a auto-referência. Não é a única a dar esta sensação de estar enfadada com os eleitores que não reconhecem que os seus elevados serviços prestados à Nação a fazem merecer um prémio. Ora, a eleição do presidente não é um prémio e quem pede o prémio é porque não o merece. Por isso, repetir a litania dos quarenta anos de carreira, havendo ainda por cima alguns tão frágeis que forçaram a candidata a fazer um outdoor elogiando o seu próprio “caráter”, é um caminho sem estrada.

O seu mandatário teve ontem mais uma intervenção desastrada, arrastando a candidata para um ajuste de contas em que sai sempre a perder. A candidata não se libertou portanto da imagem de ter aparecido em função de uma quezília partidária. Ou se coloca noutro plano ou vai perder votos todos os dias.

Paulo Morais

O seu erro é a corrupção. Até hoje ainda não disse nada sobre a corrupção, apesar de só falar disso. Ninguém o quis enfrentar nos debates, mas a pergunta vai ser feita pelos eleitores: e não tem mesmo nada a dizer sobre a corrupção?

Comentários

  1. F, o combate a corrupção tem sido um forte de Podemos, não é apenes a corrupção concreta, de quem recebe dinheiro para beneficiar alguêm, empresas, etc, para conseguir um objectivo violando a concorrência , tambem involucra a corrupção moral, que não é apenas roubo, mas desvio, criar situações. Por exemplo os 160 milhões que o estado entrega a promotores privados de educação, os contratos que as finanças fez com hospitais privados sobre prestação de beneficiarios da ADSE, etc, não é corrupção, mas é beneficio de privados em detrimento do interesse público, e isso é preciso denunciar, faz parte da batalha ideológica, também ha os privilegios da classe politicia que muito enerva às pessoas em geral, os privilegios dos funcionários públicos que divide os trabalhadores. Repara o modo como Podemos conduz isso, que nem o BE nem o PCP tem feito em Portugal, denunciar os excessos de despesa pública, que em nada beneficiam à população, os privilegios de casta. Não podes deixar essas bandeiras a Paulo Morais, porque não tens probas concretas, estas a pensar como tu ves, não como as pessoas vêm, e acredita que os portugueses acham que os políticos em Portugal são corruptos, do Minho ao Algarve, que ha negociatas de Bragança a Sagres, que as investigações não avançam muito porque a justiça esta feita com eles; é preciso mover os portugueses de esta impotência. O candidato de esquerda que pode passar a segunda volta é o/a candidato/a que seja capaz de capitalizar o novo sentimento de esperança, com credibilidade e convição, encostando Marcelo aos 38 % à falsidade e opotunismo do seu discurso ecuménico.

  2. Paulo Morais, não falou de casos concretos??!?!?!

    Sociedades de advogados pagas para fazerem leis complexas, depois eles próprios exploram litigando em nome de privados contra elas!

    Editoras limitando o acesso ao ensino aos mais pobres, ano apos ano mudando os livros! Ou acha que as matérias de matemática e de português até ao 9 ano mudam todos os anos?

    Denunciou os contratos ruinosos das PPP!

    Promiscuidade entre parlamento e privados!

    Sabe quantos ex ministros ou (ex secretários de estado) estão em cargos privados?

    Enfim… lá que você não queira denunciar é outra historia

    1. Isso não é corrupção, é outra forma de abuso. Se quer ver a lista de ministros que estão em cargos privados, pode ir ler onde o Morais se informou, que é o meu livro “Os Burgueses”. Mas corrupção é outra coisa: é alguém pagar e alguém receber para uma determinada acção. E isso tem que ser denunciado com os casos concretos de pessoas e acontecimentos, não com conversa vaga sobre más medidas.
      Lamento, mas é tempo de levar a sério o combate à corrupção e de não o reduzir a uma conversa de café.

  3. Francisco Louçã está a candidatar-se a cozinheiro da Corte, está a cobiçar (o que já de si é feio) o lugar deixado vago por Marcelo, mas fá-lo da pior maneira, é que Marcelo deixa sempre a porta entreaberta para o caso de…Louçã é peremptório, faz lei das suas presunções. Afirma, sem dados que lhe valham, que não há corrupção em Portugal, é no mínimo o que o leva a afirmar que Paulo Morais não aponta factos nem enuncia dados…enfim, parece-me que com homens que transpõem o relato de futebol para o relato político, vamos acabar tolhidos e chupados quem nem chouriços no debate das responsabilidades.

  4. O Marcelo tenho visto naTV e uma espèce de gozao. Ja a varios anos na televisao a iludir os portugueses a pega.los pour parvos , o homem ate ja pensa que e présidente da republica anda pelos mercados a matar a fome , faz.me lembrar o outro o Paulo Portas paloeiro com tipos desses Portugal nao vai longe senao continuar à viver gracas aos dinheiro europeus , ontem na RTP1 mostrou bem na agricultura , autoestrada ,e muito mais se nao fosse a EUROPA ainda estavamos ao nivel do terceiro mundo, os politicos Portugueses armem.se em espertos assim como o Cavaco mas aqui no estrangeiro ninguem os conhecem

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